Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Iranildo Germano dos Santos
Entrevistado por Rosana Miziara
Natal, 28 de maio de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB168
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Iranildo, você pode falar o seu nome completo, local e data de nascimento?
00:00:27 R - Meu nome é Iranildo Germano dos Santos, eu sou natural do Rio Grande do Norte, na cidade de Caicó, e tenho 26 anos e nasci no dia 26 de junho de 1956.
00:00:41 P/1 - Iranildo, que ano que você entrou para Petrobras?
00:00:44 R - Eu entrei em 1978.
00:00:47 P/1 - É, por que que você entrou? Você tinha algum desejo? Já quer trabalhar na Petrobras? Como que aconteceu a sua entrada?
00:00:53 R - É, eu sempre pensei em trabalhar na Petrobras e me submeti a um concurso em 1976 e dois anos após fui chamado e ingressei na Petrobras.
00:01:05 P/1 - Mas por que que você sempre quis trabalhar na Petrobras? Você tinha parente?
00:01:08 R - Não, não, eu não tinha parente e é porque eu entendia que a Petrobras fosse uma empresa grande, uma empresa de um porte poderia oferecer condições de trabalho e realmente eu encontrei essas condições de trabalho aqui na Petrobras.
00:01:26 P/1 - E você tinha feito algum curso especial para entrar para alguma carreira?
00:01:31 R - Não, eu entrei na área de suprimento de materiais, eu fiz o concurso para a área de suprimento e na época não tinha nenhuma exigência técnica para se entrar nessa área da Petrobras.
00:01:47 P/1 - E logo que você entrou, entrou pra fazer o que?
00:01:49 R - Eu entrei exatamente pra trabalhar na parte de materiais, de estoque de materiais, e logo em seguida passei pra área de compras, onde atuei até agora, o início desse ano.
00:02:00 P/1 - E nessa sua trajetória, quer dizer, como é que era antes? O que você fazia logo que você entrou?
00:02:05 R - Logo que eu entrei, eu controlava estoques. Naquela época, a Petrobras chegou aqui por volta de...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Iranildo Germano dos Santos
Entrevistado por Rosana Miziara
Natal, 28 de maio de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB168
Transcrito por Transkiptor
00:00:06 P/1 - Iranildo, você pode falar o seu nome completo, local e data de nascimento?
00:00:27 R - Meu nome é Iranildo Germano dos Santos, eu sou natural do Rio Grande do Norte, na cidade de Caicó, e tenho 26 anos e nasci no dia 26 de junho de 1956.
00:00:41 P/1 - Iranildo, que ano que você entrou para Petrobras?
00:00:44 R - Eu entrei em 1978.
00:00:47 P/1 - É, por que que você entrou? Você tinha algum desejo? Já quer trabalhar na Petrobras? Como que aconteceu a sua entrada?
00:00:53 R - É, eu sempre pensei em trabalhar na Petrobras e me submeti a um concurso em 1976 e dois anos após fui chamado e ingressei na Petrobras.
00:01:05 P/1 - Mas por que que você sempre quis trabalhar na Petrobras? Você tinha parente?
00:01:08 R - Não, não, eu não tinha parente e é porque eu entendia que a Petrobras fosse uma empresa grande, uma empresa de um porte poderia oferecer condições de trabalho e realmente eu encontrei essas condições de trabalho aqui na Petrobras.
00:01:26 P/1 - E você tinha feito algum curso especial para entrar para alguma carreira?
00:01:31 R - Não, eu entrei na área de suprimento de materiais, eu fiz o concurso para a área de suprimento e na época não tinha nenhuma exigência técnica para se entrar nessa área da Petrobras.
00:01:47 P/1 - E logo que você entrou, entrou pra fazer o que?
00:01:49 R - Eu entrei exatamente pra trabalhar na parte de materiais, de estoque de materiais, e logo em seguida passei pra área de compras, onde atuei até agora, o início desse ano.
00:02:00 P/1 - E nessa sua trajetória, quer dizer, como é que era antes? O que você fazia logo que você entrou?
00:02:05 R - Logo que eu entrei, eu controlava estoques. Naquela época, a Petrobras chegou aqui por volta de 75, 76, ou melhor, é isso mesmo, 76. E eu trabalhava controlando materiais. Naquela época a coisa ainda era muito incipiente. Para cada item de materiais nós tínhamos uma fichinha e a proporção que ia sair desse material a gente ia dando baixa. E era um trabalho realmente muito exaustivo. Porque nada era mecanizado. Na época a Petrobras não tinha. A rede de computadores praticamente era inexistente e a gente trabalhava manualmente mesmo.
00:02:51 P/1 - E tem alguma coisa, alguma passagem interessante, uma coisa engraçada, algum caos que tenha acontecido?
00:02:58 R - Não, o caso mais que eu resistiria, logo que eu entrei, é que eu trabalhava antes no INSS, e por sinal eu trabalhava em um dos edifícios melhores aqui da cidade, na Avenida Deodoro, e quando fui para Petrobras, fui trabalhar a Petrobras aqui, ela não ficava sedeada num local só, e quando eu fui trabalhar, fui trabalhar lá na Ribeira, nessa época tinha muita enchente, chovia muito aqui em Natal e o bairro não era drenado, E pra gente chegar ao local de trabalho, na maioria das vezes no período de chuva, a gente chegava com alga no joelho, tinha que tirar a xergarra, era uma loucura. Então, isso foi uma coisa que me marcou muito. Eu saí de um local de trabalho que oferecia condições, embora em termos de salário eu ganhava menos, e logo que eu fui pra Petrobras, me deparei com esse tipo de coisa.
00:03:53 P/1 - Nesse período que você está na Petrobras, dentro da sua área, quais foram as principais transformações?
00:04:00 R - Olha, primeiro as condições de trabalho. A Petrobras ao longo do tempo, como eu falei no início, melhorou muito as condições de trabalho, formatizou os seus insumos de trabalho e a gente é claro que com isso veio a facilitar o dia-a-dia. Hoje a gente trabalha num ambiente bem melhor. Então, certas condições de trabalho são excelentes. Cada ano que passa a gente sente que a gerência maior se preocupa com relação a isso aí. E eu acredito muito agora, principalmente com esse novo governo, com essa mudança política da Petrobras, que a coisa, a tendência é cada vez melhorar mais.
00:04:48 P/1 - Você tem alguma relação com o sindicato?
00:04:52 R - Não, relação só de participação. Eu sempre fui um empregado que sempre participei dos movimentos sindicais e me orgulho que mesmo em alguns momentos difíceis dos sindicatos eu sempre estive presente em todos os movimentos. Até hoje eu nunca fiquei de fora de nenhum movimento e me orgulho disso. Eu acho que a gente tem que ter uma relação de trabalho, procurar fazer a coisa certa para a empresa, mas também a gente não pode esquecer o outro lado enquanto empregado em lutar por aquilo que a gente deseja alcançar.
00:05:31 P/1 - Quais são esses movimentos que você participou?
00:05:35 R - Mais movimentos reivindicatórios, basicamente mais no período de exílios coletivos ou de qualquer outra questão política.
00:05:45 P/1 - Qual é o momento de sua participação que você mais lembra desses movimentos?
00:05:50 R - Olha, nós tivemos um movimento que eu esqueço o ano, que foi quando nós fizemos uma greve aqui na Unidade, E essa greve durou 30 dias. E foi um momento muito desgastante, porque a greve, embora seja legal pela Constituição e tal, mas não deixa o empregado não ficar tenso. Então nós passamos 30 dias aqui parados na unidade. Foi um momento, como eu já falei, desgastante e a empresa, depois disso, reconheceu algumas reivindicações de sindicato, atendeu, outras não e nós tivemos que voltar ao trabalho. Esse foi o momento mais, vamos dizer assim, que eu diria que maior preocupação, tanto para a empresa como para os empregados.
00:06:45 P/1 - Tem alguma coisa que eu não tenha perguntado que você gostaria de deixar registrado, que você acha importante nessa sua trajetória?
00:06:50 R - Uma outra coisa que eu gostaria de deixar registrado é, por exemplo, em 88, 89, nós da área de suprimento, a gente, em determinado momento, se viu preterido de chegar ao nível, ao carro máximo da carreira, que seria o técnico, em função de não ter o técnico na escola industrial. E nós iniciamos o movimento, entre os colegas e tal, e eu, modesta parte, encampei essa luta aí, falando com o meu gerente. imediato, para que a empresa visse a possibilidade de viabilizar esse curso para a gente, uma vez que a gente estava preterido de chegar, porque antes não era exigido. Depois passaram a exigir, para chegar o técnico de suprimento, que as pessoas tivessem o curso técnico na escola de indústria. E como a gente trabalha de dois expedientes, ficar difícil. E eu conversando com o meu gerente, imediato na época, e nós fomos a Edferne, e a Edferne se propôs a viabilizar esse curso no período noturno, desde que a Petrobras pagasse. Tudo bem. Ficou acertado assim, nós vinhamos pra cá e o gerente levou a gerência intermediária o assunto. E depois, retornando para ele, disse, olha, a Petrobras não vai pagar e não tem como viabilizar esse curso. E eu ainda levantei a possibilidade de a gente fazer particular isso aí. Mas era em torno de 24 pessoas e um grupo em torno de 9 se propôs a pagar e a gente fazia. Mas a escola teria que ser um pacote fechado. E assim ficou alguns dias e não foi possível fazer. Decorrido aí, eu acredito que um mês e tal, coincidentemente houve uma reunião onde participou a gerência geral e todos os demais gerentes. E ele falando nas condições que a Petrobras oferecia, os empregados, aquele negócio todo. Aí eu fui e coloquei pra ilha do Igole. estavam causando surpresa porque recentemente a gente tentou com que a empresa viabilizasse esse curso pra gente, coloquei tudo qual era a nossa pretensão e assim não foi possível e ele se mostrou surpreso na própria reunião e os gerentes, os quais estavam, vamos dizer assim, buídos de conseguir isso estavam presentes, ele foi e colocou Isso me causa estranheza e eu gostaria que esse assunto na próxima semana fosse levado para que a gente fosse discutir isso. E assim foi feito. E ele foi viabilizado o curso. A empresa pagou não só para essa turma, mas estendeu também para o pessoal do Mossoró. e tudo isso chega-se à conclusão de que às vezes as coisas não percorrem todos os caminhos que deveriam percorrer e às vezes por questões de repente administrativa de algum gerente ele chega e para ali, não leva a frente e às vezes a gente perde a oportunidade da empresa por causa disso. Isso aí foi uma coisa que E foi muito bom pra gente na área de suplemento, inclusive de outras cargas. Teve pessoas que hoje é técnico de instrumentação, a empresa ganhou com isso. E a gente já desse grupo, quatro pessoas que fizeram o curso, hoje é técnico, inclusive eu sou um dos técnicos, e que sem esse curso nós não teríamos conseguido isso, tá certo? E tem outros que fizeram o curso que com certeza vão galgar esse nível que seria impossível sem a viabilização desse curso. basicamente seria isso que eu tenho a dizer.
00:10:47 P/1 - Iranildo, e para encerrar, o que você acha dessa iniciativa da Petrobras junto ao sindicato de estar realizando esse projeto Memória dos Trabalhadores?
00:10:55 R - Olha, até falei no início, eu acho muito interessante até porque A empresa, com o sindicato, eu acho que formam, trabalhando em harmonia, isso os empregados vêm a ganhar com isso, a sociedade. Eu acho que as arestas que possam ocorrer são mais fáceis de serem contornadas. A gente sabe que sempre o sindicato está reivindicando, a empresa, por outro lado, em determinados momentos se opõe. Isso é um jogo que vai continuar, independente de qualquer governo que esteja aí ou qualquer gerente que esteja à frente da Petrobras ou presidente, a gente sabe que isso sempre vai ocorrer. Mas eu acredito muito nesse novo governo, acredito muito na gerências que estão assumindo aí e que os sindicatos com certeza irão contribuir muito para o desenvolvimento dessa empresa.
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