Homenagem ao saudoso e querido tio Campista
(Mauro Leal)
Deixou a sua roça e na cidadezinha foi morar,
por sua brilhante inteligência, criatividade e dedicação,
sagrou-se artista na grande e bela arte da construção,
quando cansado das empreitadas e na entrada dá chácara
com sua bicicleta, apontava,
a criançada ansiosa com água na boca já o aguardava
pois sabia que em seus bolsos surrados e
na sacola sobre a marmita: mariolas, balas, roscas e broas, trazia,
e felizes disparávamos, cercávamos, e na calça agarrávamos,
as mãozinhas enchíamos, corríamos e sorríamos.
Logo em seguida depois de um cafezinho
com a tarrafa e o caniço em suas costas
nos levava a pescar e a brincar na lagoa do senhor:
Maneco, Anil e Lamarão e após fisgar os muçuns,
piabinhas, bagres, traíras e as acarás,
pulávamos com ele nas águas turvas e frias para nossa alegria
e quando na noitinha de luar com sua antiga e afinada viola,
distraia a cantar juntos aos filhos, noras, genros, netos, e sobrinhos
que viviam a rodear para ouvir as modinhas que ficava a recordar,
embaladas nos acordes criativos dos combinados sons sucessivos:
“ Daqui pra frente, tum tum tum,
tudo vai ser diferente, tum, tum tum,
você vai aprender a ser gente”
Era assim com ar de sorrisos, que ele cantava.
E com a marcante e brilhante obra se sua autoria,
a boca bem abria os dedos calejados, feridos e cansados
nas cordas do velho companheiro violão, batiam,
alegrando e comovendo com a performance esplêndida
letra de sua autoria, surpreendia, sorria, curtia, e cantando assim dizia:
“Eu não vou na sua casa
pra você não ir na minha,
você tem a boca grande
vai comer minha galinha
Eu não vou na sua casa
pra você não ir na minha,
você tem a boca grande
vai comer minha galinha”.
Quantas saudades tenho do meu tio campista...