00:18
P2 - Queria que o senhor falasse o nome do senhor, a idade do senhor, onde o senhor nasceu, quantos anos o senhor tem?
R - Primeiramente, eu vou agradecer vocês, presentes aqui, que eu nem imaginava que eu vinha conversar com vocês. E eu me sinto muito feliz de receber vocês, vocês receberem a minha pessoa. Aí eu vou falar a minha idade. Eu posso falar? Eu nasci em 1972. Não, 1952. É isso. Estou falando enganado, né? Desculpa.
P1 - Vamos lá, não tem problema.
P2 - Tranquilo, você pode falar à vontade.
E você nasceu aqui em Paracatu?
P1 - O senhor nasceu aqui em Paracatu mesmo.
P2 - Aqui em Paracatu mesmo?
R - Na Conceição. Por isso que eu chamo Conceição, porque eu nasci na horta. Lá na Conceição, lá no Doutor Laú. Mas eu sou natural aqui, da região de Paracatu.
01:34
P2 - Família do senhor também é toda daqui de Paracatu?
R - Isso, exatamente.
P2 - E mesmo os avós, pais?
R - Da Lagoa Santo Antônio.
P2 - E o senhor sabe a história dos avós, do senhor, dos pais?
R - Vixi! Nossa senhora! Eu já fui escravo. Já. Minha mãe me emprestava pro meu tio, nós ficávamos com o alimento na mão, assim, pra alimentar. Nossa, já sofri demais. Mas, graças a Deus, eu venci a minha batalha. E nós todos vamos vencer. Me emprestava pra tirar ouro na praia, ruía meus dedos, tudo assim. Lá tinha onça, tinha tudo. Meu bisavô, já mexeu com caretagem. E vovó contava a nós a história, que o pai dela, que dava uma coisa... E eu passei por isso. E ela mesmo passou. A gente ia falando um pro outro, né? E aí, eu fiquei com aquilo na cabeça até hoje. Eu ainda tenho a memória de lembrar e falar, né? Mas ali na Lagoa, aquele finado Presco, pegou o documento do meu bisavô, pegou o documento certinho e deu a ele uns papéis, que não eram os documentos, mandou ela jogar a escritura fora, e deu a ela aqueles papéis que não valiam nada. Aí, tá ali o Pituba, a Lagoa Santo Antônio. E foi por isso aí. Deu banho neles, né? Aí,...
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P2 - Queria que o senhor falasse o nome do senhor, a idade do senhor, onde o senhor nasceu, quantos anos o senhor tem?
R - Primeiramente, eu vou agradecer vocês, presentes aqui, que eu nem imaginava que eu vinha conversar com vocês. E eu me sinto muito feliz de receber vocês, vocês receberem a minha pessoa. Aí eu vou falar a minha idade. Eu posso falar? Eu nasci em 1972. Não, 1952. É isso. Estou falando enganado, né? Desculpa.
P1 - Vamos lá, não tem problema.
P2 - Tranquilo, você pode falar à vontade.
E você nasceu aqui em Paracatu?
P1 - O senhor nasceu aqui em Paracatu mesmo.
P2 - Aqui em Paracatu mesmo?
R - Na Conceição. Por isso que eu chamo Conceição, porque eu nasci na horta. Lá na Conceição, lá no Doutor Laú. Mas eu sou natural aqui, da região de Paracatu.
01:34
P2 - Família do senhor também é toda daqui de Paracatu?
R - Isso, exatamente.
P2 - E mesmo os avós, pais?
R - Da Lagoa Santo Antônio.
P2 - E o senhor sabe a história dos avós, do senhor, dos pais?
R - Vixi! Nossa senhora! Eu já fui escravo. Já. Minha mãe me emprestava pro meu tio, nós ficávamos com o alimento na mão, assim, pra alimentar. Nossa, já sofri demais. Mas, graças a Deus, eu venci a minha batalha. E nós todos vamos vencer. Me emprestava pra tirar ouro na praia, ruía meus dedos, tudo assim. Lá tinha onça, tinha tudo. Meu bisavô, já mexeu com caretagem. E vovó contava a nós a história, que o pai dela, que dava uma coisa... E eu passei por isso. E ela mesmo passou. A gente ia falando um pro outro, né? E aí, eu fiquei com aquilo na cabeça até hoje. Eu ainda tenho a memória de lembrar e falar, né? Mas ali na Lagoa, aquele finado Presco, pegou o documento do meu bisavô, pegou o documento certinho e deu a ele uns papéis, que não eram os documentos, mandou ela jogar a escritura fora, e deu a ela aqueles papéis que não valiam nada. Aí, tá ali o Pituba, a Lagoa Santo Antônio. E foi por isso aí. Deu banho neles, né? Aí, tinha aquele negócio dos Amaros lá, é por causa desse terreno lá. E onde é a Kinross hoje, ali era de um primo carnal do papai, a família Duarte. Lá onde é a Kinross. Ali tudo é família Duarte. Aí, eu tenho o nome Duarte Ferreira, mas o Pedro Duarte era primo carnal do meu pai. Aí, irmão desse Presco. Jogou os documentos tudo fora. Aí, eu venho nessa labuta de lá pra cá, e tal. E aí, veio a caretagem e eu entrei, eu era menino. Eu tocava violão, aí o meu tio morreu, como ele estava falando aí, aí eu peguei de ser pandeirista. Igual eu estava falando, nós fomos em Portugal, arrumou um sanfoneiro, e deixou nós na mão, aí fica ruim, né? É difícil, né? Tem que ter paciência, não é?
04:57
P2 - Demais! E como foi a infância do senhor? A família do senhor era grande? Como que foi isso?
R - Eu comecei a estudar, eu já estava com seis anos de idade. Aí vinha pra casa da minha tia aqui, meu pai lá na Conceição, mandava linguiça pra nós, carne de porco, requeijão, queijo. E minha tia não dava para nós não. Fazia aquele negócio de muncuzão, mucunzão é aquele arroz com feijão, botava tudo numa panela só de ferro. E aí, eu falei, ué, isso aí está errado. E eu não conversava, eu já estava com nove anos de idade, eu pulava para cima da rede para não conversar. E essa tia minha, foi e cortou minha língua de gilete, falou assim: olha para cima e tá. Minha mãe já tinha vindo para a cidade. Foli sangue demais, jogou um punhado de sal na minha boca. Mas eu agradeço a ela, porque senão não falava nada, né? Aí, eu fiquei meio gago ainda, mas agora eu tô conversando o que aconteceu comigo, né? Nove anos de idade. Aí, eu falei com a minha irmã, ela é mais velha que eu, um ano. E dava a nós só um tiquinho de comer. Fazia para almoço e janta. Marcava na panela e pendurava lá em cima, com arame, amarrava. Eu falava com a minha irmã, falei: ó, vamos pôr o tamborete aqui, você segura e eu vou subir, vamos comer. Eu tô com fome. Aí, nós pegamos e comemos um pouco. Chegou, mas foi uma surra, ô, meu Deus! Aí, minha mãe mudou pra cidade. E perguntava o que estava acontecendo. Não dava a nós nada não, comia tudo sozinha. Mas eu agradeço a ela, porque cortou minha língua, se não fosse ela, eu estava pulando para cima até hoje, mas… Meu tio punha canga pra nós, pro meu irmão e falava que era carneiro. Sanfoneiro. É, tempo de escravidão. E mandava nós andar, ia sentar na canga, no cangote da gente. Não é escravidão? Aí morreu, mas...
07:46
P1 - Quantos irmãos eram?
R - Nós? Minha mãe era mãe de 18 filhos. Dezenove. E meu pai era pai de 21. O Zé Duarte. Ele casou uma vez. Minha mãe falou comigo e ele nunca falou nada comigo, meu pai, né? Aí, ele casou com mamãe. Ele foi para pedir o casamento pro irmão dele, Sinaty Simião, ah, eu passar vergonha, vou pedir pra mim. Pediu o casamento com a minha mãe. E aí, casou com minha mãe. Nós já experimentamos tanta coisa. Meu pai era ruim, corria atrás da minha mãe com facão. Nós corria para o mato. Parece que esse povo maldoso. Nós já sofremos. Mas depois ele consertou. Ele consertou. Eu sei se era sofrimento demais…
09:12
P1 - Como que ele consertou?
R - Ele consertou. Acho que foi Deus que derramando um trem no coração dele, ele consertou. Mas aí, ó… Tinha porco engordando, plantava roça, e tudo, nós ia pra roça aqui. Até hoje eu falei, o finado Eduardo, com um saco atrelado assim no ombro e trazendo alimentos para nós comermos. Ele morreu na minha cama e vestindo roupa minha. Ai, Deus... E aí, o dia que saía mais eu, minha mãe dizia pra eu ir junto com ele, né? E falava comigo, “Vigia o seu pai para não beber.” Eu ficava caladinho, não falava nada não. “Seu pai bebeu?” “Não.” Ele me dava um docinho, umas balinhas pra eu chupar. Eu nunca contei. Minha mãe…. Deus que ouça. Mas ele foi um ótimo pai pra mim, viu? A família… Morreu novo, cinquenta e cinco anos, eu estava com dezoito. Eu lembro até hoje. É difícil.
11:18
P2 - Senhor Bené, o senhor era uma criança custosa? Aquelas crianças bagunceiras?
R - Não, nunca fui. Eu beijava a mãe, brincava com ela. Minha mãe deu um problema no seio. Como é que chama aquele negócio? Tirou o seio. Como é que fala?
P2 - Cancêr de mama.
R - Isso. Aí, eu fui para Goiânia. Aí depois que minha mãe morreu, aí que eu vim embora. Eu faltava adivinhar o que minha mãe queria. Eu beijava ela, abraçava ela. Aí ela falou: Bené você já bebeu?” “Não, mamãe, eu não bebi não, não bebi não.” Abraçava e beijava ela. O maior carinho que eu tinha. Igual o meu pai. Eu sentava no colo do meu pai e ficava brincando com o cabelinho dele, assim. Meu pai era baixinho e careca, assim, tinha uma entrada aqui e outra aqui. E o cabelinho lisinho, eu ficava brincando com ele. É, eu sou muito amoroso em família.
12:20
P1 - Você foi pra escola?
R - Boa pergunta que a senhora falou comigo agora, que vem lá no fundo do meu coração. Nós estudávamos, aí nós ficamos igual uma bola, vai para um ginásio, vai para outro, vai para uma escola, vai para outra. Eu estudei no colégio das irmãs, Sérgio Lua, Antônio Carlos. Tem outra escola pra cá, que eu não sei como é que chama. Ali perto da Quesonarela, ali perto da Câmera. E no Dom Serafim. Terminei no Dom Serafim aqui, do lado do Pinheiro, na época.
13:14
P1 - E o que o senhor lembra da escola?
R - Uai, eu terminei em 1962, parece. Acho que foi isso, assim. Foi isso aí. E eu saí da escola, não estudei mais, pra ajudar minha mãe, que era muitos irmãos, aí fui crescendo, tinha que sair pra trabalhar, pra por alimento dentro de casa. Aí, eu comprava meio saco de arroz, meio saco de feijão, macarrão. Minha grinalda ali, lá do lado da Angola, ali deixava para a minha mãe. É, a nossa família é unida. A nossa família. Não estudei mais por isso. Essa aqui eu ajudei ela a formar. Ela perguntava, quando descobriu o Brasil, tabuada, tudo. Pode perguntar a ela, os meus ensinamentos, ela fala. Minhas irmãs, graças a Deus, é tudo direito, professora, aposentada. E daí pra diante, como diz Dona Maria Isabel. Eu já sofria, tinha uma professora, batia demais em mim, sem precisão, Maria Isabel. Eu saía da escola e falava, assim: quem decorar essa poesia, amanhã não precisa virar de costas para ler a poesia. Quando eu saía da aula, eu já sabia. Aí, falava assim: como é que chama? E eu estava no primeiro ou segundo, parece que era um negócio assim. E falava quem era autor dessa poesia, eu falava. Aí já fala assim, “machadinha trabalha bem, corta matinho, vai e vem. Amanhã, vai descansar, para recomeçar.” Aí falava: quem é autor dessa poesia aí? Levanta o dedo. “Eu!” “Como é que chama?” Faria Neto. Era Faria Neto, isso aí.
15:50
P1 - E aí o senhor começou a trabalhar quando estava na escola?
R - Aí, que eu parei de estudar naquela época que eu estava falando.
P1 - E o senhor trabalhava no quê? Era criança ainda?
R - Tijolinho. Esses tijolinhos amassados no pé, de fazer casa aqui na cidade. Olaria, chamava olaria, né? Tijolinho manual. E eu cortava quatro mil tijolos por dia. E hoje eu não dou conta. Eram duas formas, embolava o barro na serragem, cortava e botava lá no chão. Fazia a calheira de vinte, trinta mil tijolos. De quatro, seis bocas, aí punha a lenha. Era vinte quatro, trinta horas, pondo o fogo debaixo… Eles falam assar, mas é pra queimar os negócios lá.
16:51
P1 - E depois você foi trabalhar com o que?
R - Aí, eu fui para a Prefeitura, trabalhando de motorista. Fui pra Lá Serra________. Na Contec. Ali ó, a Copervap ali era chão, aí nós que trabalhamos com o asfaltão lá. 188 era chão, aquela estrada de Onair. Que eu trabalhei na Contech. Trabalhei na ________. Todos esses lugares que eu trabalhei tem carteira assinada, está tudo lá em casa, tudo. Rede ferroviaria… A minha linguá já… Rede ferroviária, segundo batador... Olha aí, ó! Rede ferroviária, esse negócio de estrada de ferro. Rede ferroviária, R2. Eu fichei aqui, em Cristalina, aí fui rodando o mundo. É Rede Ferroviaria, 2ª Batalhão R2. Aí, eu tenho os diplomas tudo, eu tenho. E professora tem também, na Cotech tem também. É isso.
18:23
P2 - E o senhor é casado. Onde que o senhor conheceu a esposa do senhor? Quando que foi isso?
R - Aqui. Foi em 2072. Conheci ela. Aqui. Nós namorou, casou, com seis meses. Com seis meses. Que é a mãe dos meus filhos, que tem hoje. Ela é falecida, tô viúvo. Um é mestre de obra. Eu faço tudo. Eu conheci de engenheiro, arquiteto. Eu faço essa parte elétrica de coisa, bombeiro, ______. Mas só porque quando ele pega serviço grande, a dona da obra tem que ser coisa, né? Agora o outro, só tem uma perna, o Mauro. Ele é armador e carpinteiro.
P2 - Então são dois filhos, só?
R - Só. E aí, em 1986, o ônibus pegou ele aí, passou em cima dele e moeu. Eu fiquei três meses com ele lá em Brasília. Aí deu três operações, na perna, deu gangrena. Gangrena tem que amputar. Só tem daqui pra baixo. E não tem jeito de pôr perna mecânica. Mas, graças a Deus, eu tô aqui. E eu rezo que Deus, nossa Senhora da Aparecida, está no passo de cada um de nós. Sabe o que eu tenho que dizer mais? Eu não posso pedir a Deus, eu tento somente agradecer, e para vocês também, que está a vossa presença aqui.
20:32
P2 - Sr. Benê, e como que a caretagem entrou na vida do senhor?
R - Eu era pequeno, eu tinha, parece que é 12 anos. Aí, eu fui começando. Eu possuí quatro sanfonas, comecei a tocar, mas o serviço não dava pra mexer com instrumento, né? Aí, eu aprendi com meu pai um pouco, uma pouca exposição de violão, aí eu aprendi o violão. E o pandeiro eu aprendi sozinho, só vendo os outros bater, só. Agora o dedo está duro, mas violão ainda faz uma exposição pouca, né? Mas a gente já tá virando menino. Eu tô virando menino, né?
21:26
P2 - Os pais do senhor também eram da caretagem?
R - Meu pai não. Minha mãe participava. Meu pai, ele não participou da caretagem, não. Só os meus filhos. E já morreu tudo também, né? Já morreu. É isso.
21:55
P1 - E aí, desde 12 anos, sempre, todo ano saindo, todo ano...
R - Não, parou uns tempo aí. E meu sobrinho levantou, quando nós fomos lá em Portugal, antes da gente ir em Portugal, mexeu, aí tá até hoje. E todo ano eu tô junto com eles. Enquanto Deus dá vida pra gente, né? Pra nós todos, né?
P1 - Mas aqui nesse bairro, assim, como que começou? Que ano que começou aqui?
R - Aqui?
P1 - É.
R - Tem tempo demais. Foi antes dos meus filhos. Tempo da minha avó. Era tudo aqui. Tem anos demais. Tem uns cento e tantos anos. Quase duzentos, se for falar, né? É… Que começou lá na Lagoa, esse negócio.
22:59
P1 - Conta um pouco como é que é, como é que o grupo faz, o que que... Porque tem uma estrutura, né? Tem o capitão. O Júlio estava falando que tem o capitão...
R - Pois é, o capitão morreu, né? Que era meu tio. Não, era meu vô. Aí, morreu, passou pro pai dele, que é o Honório, mais Benedito, que eu estava falando, irmão dessa. Morreu, aí meu sobrinho que levantou de novo. Aí, nóis tá no batente.
23:39
P2 - Hoje são quantas pessoas, quantos casais? São quantos pares hoje na caretagem, você sabe?
R - Acho que é dezesseis, parece. Fora as crianças.
P2 - E todo mundo daqui?
R - Não, não. Tem de Cristalina, tem de Uberlândia. Aí, quando é na hora dos ensaios, aí junta tudo. É esparramado. A família nossa é esparramada. Os mais novos, né?
24:19
P1 - E quem que cria as danças, as fantasias? De onde vem isso? As músicas são sempre as mesmas, que vão passando de geração para geração?
R - É meu sobrinho. Dois sobrinhos meus. Treina aqui, sai daqui, tem almoço, tem janta, na saída é aqui. Tudo é aqui, na casa da minha irmã.
24:59
P2 - O pessoal fala que o cortejo ele dura um dia, 24 horas. O senhor fica um dia ainda acompanhando o cortejo?
R - É 24 horas, né? Aí, por exemplo, dia 23, né? Aí, claro, dia 24, sai três horas da tarde, no outro dia, três horas da tarde tem que pegar. É isso aí.
P2 - E o senhor fica direto?
R - Às vezes o pé cansa um pouco, aí eu vou no carro, mas eu acompanho direto.
P2 - E hoje a família do senhor também está seguindo por esse caminho?
R - Isso! Não, todos. Não era não. E tem gente querendo entrar, mais ainda. É assim, conhecido, mas nós já temos o grupo certo, né? Agora, se um errar, aí a gente tira fora. Aí, tem vaga para o outro entrar, né? É assim. Os problemas nossos é assim, é igual estar na igreja. Se um pisar na bola, assim, uma comparação. Se não quer acompanhar direitinho, aí ele é cortado. Ele é cortado. Aí, põe outro no lugar dele.
26:19
P1 - E aí, o grupo sai daqui e vai pra onde? O que que faz?
R - Cortejo na cidade toda. Rodeia as fogueiras, tudo. No outro dia rodeia também. Levanta o mastro.
P1 - Tem música, tem canto também?
R - É, o CD tem a música, e o carro acompanha e nós com instrumento também, pra ajudar. Quando o carro não entra, aí nós vamos com o instrumento. Aí, eles põem coisa lá na escola, na prefeitura, no colégio. Aí, passa o pen drive lá e nós no instrumento. Mas é bonito, é bonito. Eu acho bonito. É bom. Eu gosto.
27:24
P1 - O senhor tem uma situação, um dia assim, que marcou muito o senhor das apresentações? Uma coisa que tá forte na sua lembrança?
R - Quando eu fui em Portugal, né? Lá em Lisboa. Aí, eu fui lá no coisa lá, onde eu vi o avião e tudo, Juscelino Kubitschek. Nós andamos lá tudo assim e depois nós fomos no palácio lá do presidente. E aí, o embaixador chamou eu no cômodo lá. E eu falei: uai, será o que é? É o senhor que tem que vir aqui. Aí, o prefeito foi. Nós fomos 35 daqui pra lá. Professor, o que o senhor achou de vir aqui? “Nem no sonho eu imaginava que eu vinha aqui.” “Olha, eu agradeço muito, os portugueses e os brasileiros chegarem aqui e receberem nós com toda atitude.” Aí, chamou eu lá no cômodo lá. E falei: uai. E veio me fazer essa entrevista também. Ah, aí eu comecei a chorar também, né? É duro, mas é bom, né? Eu achei bonito. E nós fomos nove horas e vinte minutos no ar. Eu não tive medo não. Agora eu tô tendo medo, porque os aviões tá caindo. Agora eu estou tendo medo. Será? Mas Deus é mais, né?
29:20
P2 - Senhor Bené, o senhor tem algum sonho?
R - De viajar?
P2 - Não, qualquer sonho. Da vida do senhor?
R - Uai! Só Deus marcar pra mim outras coisas. Se vier uma surpresa pra mim, eu me sinto feliz. Recebe, às vezes, uma surpresa, não sei, né? Mas eu fico feliz. Nessa idade que eu tô, eu quase já tô virando menino de novo.
P2 - Com toda certeza, a vida do senhor foi repleta de histórias.
R - Graças a Deus e nós todos.
30:15
P2 - Tem alguma história que marcou muito a vida do senhor?
R - Uai, é o que eu acabei de falar, a vida do meu pai, só viúvo. E os meus filhos, nunca me deram trabalho, graças ao meu bom Deus. Honesto. E durmo feliz e acordo feliz por isso.
30:45
P2 - E como foi para o senhor contar a história do senhor para esse povo aqui?
R - Uai, a presença de vocês foi importante para mim. E eu fico muito feliz em agradecer você de estar falando isso comigo. Deus, nossa Senhora da Aparecida, que acompanhe os passos de vocês… Não é só de vocês, dos filhos, o irmão, e tudo. O que está presente e o que não está também. É isso que eu desejo.
31:24
P1 - O que o senhor gosta daqui de Paracatu?
R - Eu não tenho como viajar mais. O terreno, o turrão brasileiro é nosso. E a família nossa, quase toda, os mais velhos, irmãos, estão aqui. Aí, eu saí pra longe, o coração não pede, né? Agora só se for uns ir junto com a gente, né? Eu não ando sozinho assim muito, a não ser com os meus filhos. A não ser com você que tá presente aqui. Igual ele me buscou lá, né? E eu sou assim, e eu não gosto de sair de noite. É ruim, né? É ruim.
32:21
P1 - Tá cansado?
R - Não.
P1 - Bom, então queremos agradecer esse templo do senhor aqui conosco.
R - Eu não sei nem pra agradecer vocês. Eu falo assim, uma autoridade de presença, isso aí não é para qualquer uma pessoa conversar e coisa. Assim, eu agradeço, é uma autoridade imensa no meu coração. E aí, o que eu falo? Eu peço a Deus nas alturas, paz na terra, e nós todos aqui, de boa vontade. Que eu desejo para vocês todos.
33:11
P1 - Então, foi muito bom conhecer a sua história. E a gente recebeu a indicação do seu nome por outras pessoas também, né? Que respeitam muito o senhor, que gostam muito do que o senhor faz pela cidade, pela cultura aqui de Paracatu. Então, o senhor também é uma grande autoridade.
R - E agradeço aonde vocês moram também, que sejam muito felizes e sejam bem recebidos também, mais do que estamos aqui. É isso que eu falo. Todos os países e todas as cidades que vocês andam. Vocês merecem, vocês estão de parabéns.
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