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Herzog, a terrível repressão, e o medo disseminado

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Em 1981, quase seis anos depois do assassinato do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho, vítimas da tortura no II Exército, em São Paulo, escrevi a crônica abaixo, sobre um programa dominical de entrevistas passado na TV Bandeirantes. Tinha, à época, 27 anos, era casado e estudante de economia. O que me espanta ainda hoje é que, decorrido tanto tempo desde o assassinato do jornalista e do operário — seis anos — o texto reflita com clara intensidade o medo revelado pelas pessoas presentes, além do meu próprio medo, eu, telespectador apenas fisicamente distante. Os jornalistas, igualmente temerosos e claudicantes, com grande desconforto procuravam se desincumbir da inóspita missão, evitando, por seguro, ou por inseguros, as perguntas que interessavam. A atriz Dina Sfat, presente ao encontro, proporcionou o contraste necessário para que se percebesse o grotesco da situação. Vamos à crônica.

"Um encontro com o general

Pela primeira vez deu pra sentir o frio na espinha. Estávamos diante do General Gomes Monteiro, aquele que substituiu o General Ednardo na chefia do II Exército, em São Paulo, após as mortes de Manoel Fiel Filho e Wladimir Herzog. Era um programa de entrevista normal, de certa forma já rotineira, pela qual desfilam diversas personalidades brasileiras falando sobre distintos temas. Mas esse foi de lascar.

Era de dar pena o esforço dos entrevistadores em fazer prólogos demoradíssimos e cheios de panos quentes, ao cabo dos quais vinha lá, timidamente, a pergunta. A exceção foi a Dina (Sfat), com a sua maravilhosa autenticidade, admitindo, de saída, que “tenho muito medo”.

No entanto, e talvez por isso mesmo, foi ela quem fez as perguntas mais diretas, em resposta às quais o General se punha na defensiva. Suas respostas não foram satisfatórias.

De fato, as respostas do General eram, como ele próprio disse, ao responder a uma pergunta dela, “contundentes”. Não pelo conteúdo, mas pela sua...

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