Gateiro Perseguido e encurralado
(Mauro Leal)
Na calada da madrugada, patrulhávamos a Vila
Militar da Base Aérea de São Pedro da Aldeia,
e caiu em nosso colo um flagrante espetacular,
que até hoje não sei se casual, monitorado ou dedurado:
de uma alma com a cabeça coberta que cruzava a densa escuridão
com passadas largas e apressadas
e em seu dorso um suspeito saco pesado e grosso,
que foi pelo Tenente Souza Neto, o Comandante da Patrulha,
claramente a silhueta reconhecida
e por seu nome de guerra, em alta voz, determinado
- Cozinheiro Saulo, da Praça d' armas, alto! (pare)
mas que fazendo-se de desentendido,
os passos acelerava, embrenhando-se
por entre o próprio nacional residencial, a Vila Naval.
Mas ao chegarmos à sua porta, a ordem foi:
- Saulo, venha pra fora trazendo o saco.
Ao ser interpelado, insistia em persuadir,
que fizera compras no "Reembolsável" (antigo nome
dado ao mercadinho que funcionava internamente
em algumas das Unidades da Marinha na década de 80),
mas pela insistente ordem do oficial, voltou à cozinha
e trouxe o saco, e de ponta cabeça, caia:
café, frango, fubá, farinha, hamburquer, rabada,
bacalhau, batatas, goiabada,
salame, mortadela, presuntada...,
tudo desensacado e misturado,
confirmando a retirada de alimentos do paiol de gêneros,
"gatos". expressão usada para designar furto dentro do quartel.