IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Eliezer de Oliveira Martins. Nasci em Alenquer, no Estado do Pará, em 19 de dezembro de 1943. FAMÍLIA Sou casado, minha esposa é Shirley Martins. Tenho três filhas, uma neta, muito bonita por sinal. Gosto dela, só que está em Brasília. Sinto uma falta muito grande. Estamos aqui, em plena selva Amazônica, para fazer esse registro sobre a Petrobras, a grande propulsora da economia brasileira, atualmente. INGRESSO NA PETROBRAS Acho, até certo ponto, uma coisa meio romântica meu ingresso na Petrobras. Eu tinha, mais ou menos uns 10 anos, via comboios da Petrobras, passar pela frente da cidade. Nossa casa, fica bem na frente. Eu achava espetacular, aqueles comboios da Petrobras, as balsas cheias de equipamentos. Eu vim, acho que em 64, para Belém, sentindo necessidade de trabalhar. Fumava e tal, queria arranjar um emprego. Lá, me parece que, o salário mínimo, estava em torno de 60 mil cruzeiros. Surgiu uma oportunidade de fazer um concurso, em 65, na Petrobras. Disseram que ia ter um concurso. Eu me inscrevi, mas não sabia datilografia. Tive que aprender, rapidamente. Acho que numa semana, pelo menos o essencial, saber escrever. Pegava meus irmãos e: “dita aí”. Escrevia o que eles ditavam. Aí fiz o concurso. Uma surpresa, quando foi final de setembro, chega uma carta da Petrobras, dizendo que eu tinha passado. Foi uma alegria grande para mim. Quando me apresentei na Empresa, disseram: “olha, você já vai começar a trabalhar no dia 1º de outubro”. Disseram que eu iria ganhar 153 mil e 800 reais. Para quem estava querendo arranjar um emprego, pelo tempo do salário mínimo, de 60 mil reais, não, cruzeiros, aqueles 153 pareciam um sonho. Fiquei ainda mais espantado, quando disseram que em cima disso, tinha 30% de periculosidade. Aí então, minha vida se transformou. Passei a viver da Petrobrás, a partir daí. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Quando entrei, ainda não...
Continuar leituraIDENTIFICAÇÃO Meu nome é Eliezer de Oliveira Martins. Nasci em Alenquer, no Estado do Pará, em 19 de dezembro de 1943. FAMÍLIA Sou casado, minha esposa é Shirley Martins. Tenho três filhas, uma neta, muito bonita por sinal. Gosto dela, só que está em Brasília. Sinto uma falta muito grande. Estamos aqui, em plena selva Amazônica, para fazer esse registro sobre a Petrobras, a grande propulsora da economia brasileira, atualmente. INGRESSO NA PETROBRAS Acho, até certo ponto, uma coisa meio romântica meu ingresso na Petrobras. Eu tinha, mais ou menos uns 10 anos, via comboios da Petrobras, passar pela frente da cidade. Nossa casa, fica bem na frente. Eu achava espetacular, aqueles comboios da Petrobras, as balsas cheias de equipamentos. Eu vim, acho que em 64, para Belém, sentindo necessidade de trabalhar. Fumava e tal, queria arranjar um emprego. Lá, me parece que, o salário mínimo, estava em torno de 60 mil cruzeiros. Surgiu uma oportunidade de fazer um concurso, em 65, na Petrobras. Disseram que ia ter um concurso. Eu me inscrevi, mas não sabia datilografia. Tive que aprender, rapidamente. Acho que numa semana, pelo menos o essencial, saber escrever. Pegava meus irmãos e: “dita aí”. Escrevia o que eles ditavam. Aí fiz o concurso. Uma surpresa, quando foi final de setembro, chega uma carta da Petrobras, dizendo que eu tinha passado. Foi uma alegria grande para mim. Quando me apresentei na Empresa, disseram: “olha, você já vai começar a trabalhar no dia 1º de outubro”. Disseram que eu iria ganhar 153 mil e 800 reais. Para quem estava querendo arranjar um emprego, pelo tempo do salário mínimo, de 60 mil reais, não, cruzeiros, aqueles 153 pareciam um sonho. Fiquei ainda mais espantado, quando disseram que em cima disso, tinha 30% de periculosidade. Aí então, minha vida se transformou. Passei a viver da Petrobrás, a partir daí. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Quando entrei, ainda não tinha experiência de trabalho. O que aconteceu. Entrei para trabalhar como secretário do capitão, de mar e guerra, Hélio Lapa Maranhão Mas, ele se encontrava em Barreirinha, um rio por lá, no Maranhão, tentando desencalhar uma dessas balsas. Então, fiquei sem experiência de trabalho, aguardando que ele viesse. Os colegas lá não me deram orientação, porque eu tinha sido contratado, para assistir o capitão de mar e guerra, Hélio Lapa Maranhão. Quando ele retornou, uns 15, 20 dias depois, ele conseguiu soltar a balsa, que tava presa. Me chamou no gabinete e me deu uma lição de moral, muito pesada. Dizendo, que praticamente esses dias, para mim, era como se eu tivesse sido desonesto com a Petrobras. Eu estava ganhando sem fazer nada lá. Eu me comprometi. “Então, o senhor me devolva ao setor de pessoal, porque eu não tenho condição de trabalhar, com o senhor”. Ele respondeu: “Então faça, escreva pedindo a sua devolução no setor de pessoal”. Eu estava fazendo esse documento, para ele me devolver ao setor de pessoal, quando um colega - também uma homenagem, que eu faço a ele. Eu não sei se, um dia, ele vai saber disso, é o Rui Campos, ele trabalhava conosco - quando ele me viu, diante da máquina, escrevendo aquela carta, leu e disse: "Eliezer, não faça isso rapaz, é uma pressão que você está sofrendo, justamente, para você começar a sentir, o que é a Petrobras”. Desde então, passei a ter um domínio daquilo, que eu me proponho a fazer. Entrei no setor de transporte terrestre, em 1º de outubro de 65. Em 68, mais ou menos, fiz um concurso, dentro da Petrobrás, para ser analista petrográfico, para trabalhar no laboratório. Passei e depois de 1 ano e uns dias, surgiu uma oportunidade, um concurso, para ser auxiliar técnico de geologia. Passei e fui para Bahia. Retornei, para Petrobrás, como um tipo de um profissional ligado ao petróleo, não mais à burocracia. Como analista petrográfico, eu já estava me familiarizando, com as coisas do petróleo. Até então, era puramente burocracia. O primeiro superintendente, com quem eu trabalhei, foi o Carlos Walter, num ambiente ,que estava saindo do golpe do estado. Havia um certo medo, um certo temor. Na Petrobras, ninguém podia falar quase nada do status quo, aí instalado. Foi dentro desse processo, que começou a minha transformação profissional, como empregado da Petrobras. TRAJETÓRIA SINDICAL Em 1987, mais ou menos, havia um fastio, digamos, da categoria em termos de greve, porque a revolução, o golpe de 64, praticamente podou a categoria. Cassaram Sá Pereira, cassaram os dirigentes sindicais. Nós ficamos entregues a uma linha, de dirigentes sindicais, muito chegada aos interesses patronais. Não havia essa mobilização de categoria, porque o militar dominava o Brasil. Havia aquele pavor de prisão, de demissão. Então ninguém se manifestava. Quando foi em 1987, nossa diretoria se elegeu, para dirigir o sindicato. Fizemos a nossa primeira greve. Inicialmente, usamos uma técnica de paralisação de meia hora, no portão de entrada da Empresa, dos escritórios da Petrobras. Depois, esticamos para uma parada de 1 dia, isso, claro, em conjunto com o Movimento Nacional. Em conjunto com a FUP, que, naquela época, era a reunião de todos os Sindipetros. Nós estávamos em fastio, ninguém entrava nessa briga, nessa luta de greve, essas coisas, por causa da própria situação da Empresa, aqui. Havia um temor muito grande, aqui na Amazônia. Primeiro, porque havia sempre uma conversa, que a Petrobras ia fechar, que ia haver muita demissão e isso aterrorizava os petroleiros, aqui do Norte. Mas, quando nós nos propomos, realmente, a fazer uma mudança de mentalidade da categoria, a coisa foi mudando. Houve uma conclamação nacional de uma greve. Nós defendíamos uma coisa aqui. Todos os sindicatos, principalmente os petroleiros, achavam que ninguém devia gastar para fazer uma greve. Então, tivemos que fazer mobilização. Resolvemos chamar a greve pelas rádios. A greve entraria numa segunda-feira e nós nos reunimos, para chamar o pessoal, numa sexta, em conjunto nacional. Acontece, que começamos a chamar na sexta, sábado e domingo. O rádio proclamando a pessoa a não ir trabalhar, porque a categoria estava em greve nacional. No meio da semana, a categoria nacional resolve não grevar. Aí, como nós não podíamos ir para o rádio, desfazer o que fizemos, fizemos uma greve, sozinhos, no Brasil. Somente a região Norte entrou de greve. Foi em 1988. Depois disso, a categoria tomou consciência, que para realmente defender seus interesses, tinha que tomar uma posição radical, que era a greve. Isso o pessoal entendia bem. Essa foi uma passagem, que até hoje, quando eles me vêem, dizem que nós fomos os culpados, da parada da Petrobras. Não foi. Foi uma situação que houve lá na época, contingência, ninguém podia desfazer um chamado, que tinha sido feito, praticamente, em todo território estadual. RELAÇÕES DE TRABALHO Uma história. No começo da década de 70, nós tínhamos um chefe da divisão regional de exploração, a Direx, que era o Poinciano. Ele era um profissional, um técnico, um bom comandante, administrador, mas não gostava de ir a campo. Um dia, numa segunda-feira, chegamos ao edifício Cosmorama, onde ficava sediado o escritório central da Petrobrás. Estava aquele zum zum zum, de que alguém tinha morrido. Um ambiente de compulsão, alguma coisa assim. Aí disseram: “olha, parece que o Poinciano morreu”. “Como morreu, se ele estava aqui sexta-feira?”. “Ele morreu porque parece, que foi fazer uma visita a uma plataforma, quando ele estava retornando, o helicóptero caiu na beira da praia”. São esses fatos, que acontecem dentro da Petrobrás, que deixam a gente cada vez mais gostando dessa empresa. Porque ela está cheia de novidades, esperança, tristeza, alegria, saudade, essa coisa toda, que conforma o petroleiro. Essa Amazônia aqui, tem fatos fora de série. Quando está em pesquisa, digamos assim, abrindo clareiras ou abrindo picadas, o helicóptero pega a equipe vai deixando e vai se indo. Numa dessas, esqueceram um técnico, no meio da Amazônia. Ele passou três dias na floresta. A coisa, ela vai, como se diz na linguagem de hoje, formatando o petroleiro. Com essa angústia, esse sofrimento, esses medos, que esse geofísico sentiu, quando ficou sozinho no meio da floresta, dia e noite, três dias sozinho. O caso dos acidentes. Muitas vezes, me perguntam porque a gente usa o capacete. Eu não gostava de usar capacete, principalmente, quando eu ia na torre. Eu sempre trabalhei no pé da torre. Como técnico de geologia, tinha que analisar, constantemente, as amostras, que o poço estava nos dando do lado, do fundo do poço, a sonda estava nos trazendo. Uma vez, eu estava sem capacete, na plataforma, olhando, tomando informação com o sondador, o que era que estava se passando, que não estava na perfuração. Aí, eu olhei para cima e só vi uma coisinha caindo. Só foi o tempo de eu me afastar. Era um parafuso, quase umas 30 gramas. Soltou lá da torre e caiu. Eu imaginei, se aquele parafuso caísse na minha cabeça, furava. Aí, nunca mais deixei de usar o capacete. São esse fatos, que fazem a Petrobras. Todos os petroleiros, de um modo geral, têm história bacana, bonita, que o povo lá fora não sabe. Pensam que a gente está aqui, ganhando bem sem fazer nada. Na hora que nós vínhamos, voando para cá, aquele barulho do Fokker estava trazendo para fora, a recordação do tempo, que eu viajava para cá. Saía de Belém de manhã cedo, chegava aqui em Manaus e pegava um outro avião, um teco-teco, para a parada de Tefé. De lá, íamos à Tabatinga, até Letícia. Se desse, oportunidade, da gente seguir viagem nesse mesmo dia, seguia para Porto Gavião. Senão, a gente pernoitava, para viajar no outro dia. Pegava o teco-teco e viajava, em torno de 2 horas, até Porto Gavião. Lá, pegava um helicóptero e, mais 2 horas, Amazônia adentro, para chegar na localização da sonda. Muitas vezes, a gente ia torcendo, para chegar lá e a sonda estar em manobra, ou seja, estivesse paralisada, trocando tubo. Porque, não dava condição de você estourado, estafado de viagem, ainda trabalhar. Então, essa viagem que nós fizemos para cá, deu essa recordação de Petrobras, aqui na Amazônia. Vocês podem ver essa beleza que tem atrás aí, o rio Urucu, essa parede de árvores gigantescas. Eu gosto de escrever e tenho esse site, na internet, onde eu conto a história dos superintendentes. Tem esses fatos singelos, que não deixam de ter uma ligação direta com o petroleiro. O endereço do site é www.eliezer.ninhodanatureza.com.br . Aí você me pergunta: “Ninho da natureza?” É justamente por causa da Amazônia e lá, está o petróleo na Amazônia. Venho narrando desde dos primórdios, do Pedro de Moura, que em 1925 ou 26 foi furando, ali no Pará, em Bom Jardim do município de Itaitú se não me engano, um poço raso de 300 metros e conseguiu gás. Ele conseguiu, naquela época, em 1925, iluminar durante 3 anos o alojamento deles. Como ele diz, eu coloco esse nome no meu site, como uma “luz cativa”, mostrando para todos os técnicos da Petrobras, exploracionistas principalmente, que há esperança, que aqui na Amazônia tem petróleo. Mister Link passou por aqui e chegou a um ponto de dizer, que se a Petrobras quisesse descobrir petróleo, que fosse para fora, porque aqui não daria. Eram rochas muito velhas. São coisas assim que faz um petroleiro. CULTURA PETROBRAS Há uns dois 2 anos, estive na Ambepe. Fui falar, toda vez que eu vejo os colegas lá, são todos aposentados, eu disse: “olha, tem duas Petrobras. Tem essa Petrobras aqui, que construiu esta, que está em evidencia”. Porque havia um nativismo, um espírito de fazer a Empresa crescer, havia uma garra desses petroleiros. Você imagina essa Petrobras, esse petroleiro, que lutou pela campanha do “O Petróleo é Nosso”. Lutou contra toda as ingerências, digamos, das empresas multinacionais, dos próprios políticos, que querem entregar o patrimônio publico. Esse petroleiro vem lutando, enfrentando problemas, enfrentando uma série de acidentes, como eu falei. Muitas coisas, que se passam aqui, o povo lá todo sabe que são manipuladas. É como se nós, ao mesmo tempo, fossemos filhos e amantes da Petrobras, por incrível que pareça. A Empresa é nossa, o Petróleo é Nosso. Já teve a campanha, porque foi construído, com cada suor que foi dado aqui, distante das famílias. Quando o pessoal vinha para cá passava, meses e meses, sem ver família. HOMENAGEM Tem também uma homenagem ao geólogo Isaac Bermig. Ele fazia geologia de campo. Vinha para o campo, deixava a mulher, muitas vezes, gestante e quando chegava de volta, o filho já tava andando. Isso, só para mostrar a descaracterização da pessoa, queimado, manchado de feridas. O filho não reconhecia, pensa que são intrusos, dentro da casa, isso acontecia. Uma vez o doutor Isaac Bermig falou isso. São fatos assim, que estão ligados diretamente à vida do petroleiro. Sai, fica muito tempo longe, não sabe o que está lá. Doenças... Muitas vezes, você está no campo perfurando e os problemas estão girando, lá. Você não sabe e não pode sair. Nós temos consciência, que isso faz parte da Petrobras. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Uma vez eu vim furar um poço aqui em Jaquirana. Era um começo de poço. Havia um assombro. Quando você vai pousando, no campo de pouso da sonda, você tem a impressão que vai caindo, dentro do buraco da Amazônia, por causa das árvores. A sonda estava em manobra e, quando ela está em manobra, passa, mais ou menos umas 6 horas, disparada. Durante a manobra, a geologia não trabalha, é folga nesse tempo. Aí eu segui para caçar: “sabe, eu vou dar uma saída, ver se caço alguma coisa”. Era brincadeira, eu nem ia caçar coisa nenhuma, ia só me proteger com o rifle, caso aparecesse alguma onça, alguma coisa na minha frente. Aí segui uma picada da sísmica, uma estrada que eles abrem, para ir fazendo a pesquisa sísmica. Fui embora. Mas, baseando pelo barulho da sonda, da manobra, eu estava longe. Quando não ouvisse, eu parava a viagem. Aí quando chegou onde já não dava mais para ouvir o barulho da sonda, tinha uma árvore caída. Eu estava cansado e escorei. Quando olhei para cima, a árvore estava cheia de macaco, esse macaquinho chuim. Eu olhava e tinha a impressão, apavorado, que todas as árvores estavam cheias de macaco. Mas eu não via macaco, queria voltar para sonda e não sabia como, de medo. “Esses macacos vão fazer bandalheira, aqui comigo”. Até que, comecei a me afastar, assim, como se eu quisesse me enganar. Mas era muito macaco, viu, e você não ouvia barulho de nada. E eles quietos, eles são assim. Aí me afastei, vi que não dava mais nada, saí correndo, retornei. São também ,esses detalhezinhos, que a gente vê aqui na Amazônia, a beleza que tem. ENTREVISTA Acho que foi muito feliz essa idéia, porque todo petroleiro tem história. Umas mais emocionantes, dependendo da dimensão de como a pessoa vê, outras menos. Eu acho que é um resgate. Mais para a história da Petrobras saber, realmente, como é que o petroleiro se vê. Como você me perguntou, eu me vejo como um filho e um amante da Petrobras, é incrível. Foi o meu primeiro e último emprego. Parece, que eu tenho uma satisfação de dizer isso, talvez, seja essa fidelidade que caracteriza o petroleiro. Talvez, você não encontre ninguém, a não ser que alguém muito chateado possa, mas é difícil o petroleiro falar da Petrobras. Muito do que eu tô te falando, se você for nesse site, você vai ver. É uma homenagem, que eu faço para o Décio Odoni, praticamente, o primeiro superintendente da Petrobrás. O último da CNP, Geraldo de Oliveira Pinto Guimarães. Vem enfrentando o Jarbas Passarinho. Ele mandou um e-mail para mim, contando também uma história, está lá no site. Jarbas Passarinho foi superintendente e interventor no golpe de 64. Tem todo esse processo, é um projeto de dimensão grande. Eu acredito que, as outras empresas, vão tentar resgatar a memória, porque não é possível. Se você olhar uma empresa, só aparece na empresa o presidente, os executivos, o nome. Aquele que, realmente, deu a vida não aparece. É essa a oportunidade, que vocês estão dando. Muitas vezes, quando a Petrobras saía e pegava pessoal aí da beirada, pessoas desconhecidas. É outra coisa magnífica. Enquanto, eles estão preocupados, em pegar um peixinho dele ou a sua caça, sem aquela ambição de cada vez mais ter, mais ter. Chega a Petrobras, pega um rapaz desse, um chefe de família: “vem trabalhar para mim, carregar cimento, lavar aqui”. São os anônimos, que nós chamamos, da beira de rio, que a Petrobras utiliza para fazer esse serviço pesado, não sei se ainda hoje ela faz. Mas, acho faz sim. Também devem grande valor a eles, porque são quem carrega os equipamentos da Petrobras, é quem carrega parte pesada. É aquele, que dorme praticamente ao relento, aquele que vai abrindo a mata, carregando aquela mochila. Esse pessoal, também precisa ser resgatado, mas ninguém sabe quem é. Só sabemos, que são muita gente. Por onde a Petrobras passa, há uma transformação. Não é brincadeira. Há uma transformação, não em termos de ambiente ecológico. Mas, de transformação da pessoa, parece que a pessoa, que tem contato com a Petrobrás, se sente mais brasileira, mais consciente. Porque o petroleiro vai conscientizando, vai mandando em frente. E ela vai passando, a Petrobras vai embora, vai embora e vai transformando. E essa é a nossa Petrobras. Vocês estão de parabéns.
Recolher