DUAS ARTISTAS EM HEMISFÉRIOS DISTINTOS ✨
Sábado, 09 de maio de 2026. Recebo a visita do meu filho, da minha nora, do meu irmão e das minhas netas.
Ser avó é algo que transcende; é possuir uma extensão invisível de si mesma. Não se explica, sente-se. Mesmo morando longe e não acompanhando de perto a evolução diária das minhas netas, eu as vejo crescer em minhas orações.
Quase como num mantra, peço diariamente a Deus que coloque Seus anjos ao redor delas e que, ao tocá-las, leve a minha energia de avó paterna — um amor imensurável que se encarrega de iluminar seus caminhos.
Como antecipação do Dia das Mães, recebo do meu filho o livro Por que Escrever? de Philip Roth. Ele me conhece bem. Sabe que adoro ler e que, neste momento, estou focada na expansão e divulgação da minha trajetória literária, lapidando esta minha nova versão em crônicas, microcontos e reflexões.
Em contrapartida, aproveito o encontro para entregar o presente de aniversário: para a Laura, que completou nove anos no dia 4 de abril, um quadro de pintura guiada por números. Para a Clara, um mimo, um livrinho de princesas e lápis coloridos.
É então que a mágica acontece na sala.
Observo Laura. Seus olhos brilham diante da novidade. Ela segura o pincel com a precisão de um cirurgião. Diante dela, o quadro por números não é só um brinquedo; é um mapa do tesouro desvendado cor por cor, fascínio por fascínio, transformando a lógica matemática em arte. Laura gosta do que desafia sua mente ágil, do que a faz indagar: "o que vem a seguir?".
Do outro lado, as regras da física e da lógica são temporariamente revogadas. Ali é o território de Clara, de cinco anos. Para ela, o pincel é um acessório opcional. O que Clara busca é o tato, o contato: a tinta fresca nas palmas das mãos, os dedos carimbando o papel em uma explosão de cores que dispensa números para fazer sentido. Se a Laura pinta o mundo como ele é (ou como deveria...
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DUAS ARTISTAS EM HEMISFÉRIOS DISTINTOS ✨
Sábado, 09 de maio de 2026. Recebo a visita do meu filho, da minha nora, do meu irmão e das minhas netas.
Ser avó é algo que transcende; é possuir uma extensão invisível de si mesma. Não se explica, sente-se. Mesmo morando longe e não acompanhando de perto a evolução diária das minhas netas, eu as vejo crescer em minhas orações.
Quase como num mantra, peço diariamente a Deus que coloque Seus anjos ao redor delas e que, ao tocá-las, leve a minha energia de avó paterna — um amor imensurável que se encarrega de iluminar seus caminhos.
Como antecipação do Dia das Mães, recebo do meu filho o livro Por que Escrever? de Philip Roth. Ele me conhece bem. Sabe que adoro ler e que, neste momento, estou focada na expansão e divulgação da minha trajetória literária, lapidando esta minha nova versão em crônicas, microcontos e reflexões.
Em contrapartida, aproveito o encontro para entregar o presente de aniversário: para a Laura, que completou nove anos no dia 4 de abril, um quadro de pintura guiada por números. Para a Clara, um mimo, um livrinho de princesas e lápis coloridos.
É então que a mágica acontece na sala.
Observo Laura. Seus olhos brilham diante da novidade. Ela segura o pincel com a precisão de um cirurgião. Diante dela, o quadro por números não é só um brinquedo; é um mapa do tesouro desvendado cor por cor, fascínio por fascínio, transformando a lógica matemática em arte. Laura gosta do que desafia sua mente ágil, do que a faz indagar: "o que vem a seguir?".
Do outro lado, as regras da física e da lógica são temporariamente revogadas. Ali é o território de Clara, de cinco anos. Para ela, o pincel é um acessório opcional. O que Clara busca é o tato, o contato: a tinta fresca nas palmas das mãos, os dedos carimbando o papel em uma explosão de cores que dispensa números para fazer sentido. Se a Laura pinta o mundo como ele é (ou como deveria ser), a Clara inventa um universo novo a cada lambuzada de guache.
Acomodada na mesinha da lavanderia, onde estão o cavalete e as folhas, Clara ignora os pincéis de vários tamanhos no estojo. Seus olhos miram uma escova de dentes velha. Com as pontas dos dedos, ela passa pelas cerdas, espirrando a tinta no papel e gerando uma constelação de estrelinhas.
Meu coração dispara. Lembro-me de um quadro que pintei há três anos, utilizando, sem saber, a exata mesma técnica. Sorrio em silêncio. Avó e neta, em uma conexão telepática e simbiótica, costurada silenciosamente pelos laços de sangue.
Duas artistas em hemisférios distintos. Laura, minha morena de olhos castanhos, olhar penetrante e sorriso largo, carrega o fogo de Áries — a impulsividade, a energia e a iniciativa. Clara, minha loirinha de olhos azuis tímidos que se abrem como um mar calmo, traz o ar de Libra — a delicadeza que busca o equilíbrio.
Ambas, contudo, donas de personalidades fortes e determinantes.
Ser avó paterna me faz renascer a cada instante. Embora nossos momentos juntas sejam raros devido à distância, eles são precisos, eternos e invioláveis no território sagrado da minha alma.
Compreendo, ali, o meu papel único: ser porto, afeto e transmissão de valores. Se não tenho a proximidade do convívio diário, ganho a liberdade poética de criar memórias especiais. São elas que me motivam, cada vez mais, a deixar o meu legado.
Minhas escritas são por elas, para elas e através delas.
Lu Lena / 2026
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