Um anjo torto na Tijuca
"Eu nasci no ano em que o homem pisou na Lua. Ou não, dependendo de em quem você acredita (risos). Mas o fato é que 1969 foi o meu marco zero, na Tijuca, Rio de Janeiro. Minha infância não foi a do garoto popular da rua. Eu era uma 'bolinha' de pernas curtas, cabelo tão loiro que me chamavam de 'pintinho'.
Lembro-me de Drummond quando dizia que quando nasceu, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: 'Vai, Carlos! ser gauche na vida'. Comigo foi parecido. Eu era o menino que se escondia atrás das pernas do pai, morrendo de vergonha de tudo. Mas essa timidez me deu um superpoder: a capacidade de ouvir. Enquanto os outros falavam, eu observava. Aprendi a pensar duas, três vezes antes de abrir a boca. Isso moldou quem eu sou hoje. O meu 'hipocampo digital', como chamo hoje no meu blog, começou a ser gravado ali, ouvindo as conversas dos adultos e tentando entender esse mundo estranho."
O Batismo: O nascimento do "Pingüim"
"Muita gente me pergunta de onde vem o 'Pingüim'. Não foi no gelo, foi na chuva da Tijuca. Eu estava na fase de pré-vestibular para o IME, aquela época tensa de estudos. Um dia chuvoso e frio, eu saí de casa vestindo um paletó antigo do meu pai — que eu adorava — por cima da mochila. Eu, todo desajeitado, de blusa branca, paletó preto esticado sobre a corcunda da mochila e guarda-chuva na mão.
Quando cheguei, não perdoaram. Alguém gritou: 'Lá vem o pinguim! Cadê o Batman?'. Começaram com um 'qüem qüem qüem' imitando o bicho. Na hora a gente briga, mas apelido é assim: quanto mais você reclama, mais pega. Ali, aquela ave desajeitada em terra, mas que voa na água, virou meu nome de guerra. Deixei de ser só o Paulo para ser o Pingüim."
Do Silêncio ao Grito pelos Tubarões
"A vida deu voltas. O menino tímido encontrou no mergulho a sua liberdade. Tornei-me instrutor, passei por várias certificadoras — CMAS, PDIC, SSI, TDI — e descobri que o mar não era apenas um...
Continuar leitura
Um anjo torto na Tijuca
"Eu nasci no ano em que o homem pisou na Lua. Ou não, dependendo de em quem você acredita (risos). Mas o fato é que 1969 foi o meu marco zero, na Tijuca, Rio de Janeiro. Minha infância não foi a do garoto popular da rua. Eu era uma 'bolinha' de pernas curtas, cabelo tão loiro que me chamavam de 'pintinho'.
Lembro-me de Drummond quando dizia que quando nasceu, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: 'Vai, Carlos! ser gauche na vida'. Comigo foi parecido. Eu era o menino que se escondia atrás das pernas do pai, morrendo de vergonha de tudo. Mas essa timidez me deu um superpoder: a capacidade de ouvir. Enquanto os outros falavam, eu observava. Aprendi a pensar duas, três vezes antes de abrir a boca. Isso moldou quem eu sou hoje. O meu 'hipocampo digital', como chamo hoje no meu blog, começou a ser gravado ali, ouvindo as conversas dos adultos e tentando entender esse mundo estranho."
O Batismo: O nascimento do "Pingüim"
"Muita gente me pergunta de onde vem o 'Pingüim'. Não foi no gelo, foi na chuva da Tijuca. Eu estava na fase de pré-vestibular para o IME, aquela época tensa de estudos. Um dia chuvoso e frio, eu saí de casa vestindo um paletó antigo do meu pai — que eu adorava — por cima da mochila. Eu, todo desajeitado, de blusa branca, paletó preto esticado sobre a corcunda da mochila e guarda-chuva na mão.
Quando cheguei, não perdoaram. Alguém gritou: 'Lá vem o pinguim! Cadê o Batman?'. Começaram com um 'qüem qüem qüem' imitando o bicho. Na hora a gente briga, mas apelido é assim: quanto mais você reclama, mais pega. Ali, aquela ave desajeitada em terra, mas que voa na água, virou meu nome de guerra. Deixei de ser só o Paulo para ser o Pingüim."
Do Silêncio ao Grito pelos Tubarões
"A vida deu voltas. O menino tímido encontrou no mergulho a sua liberdade. Tornei-me instrutor, passei por várias certificadoras — CMAS, PDIC, SSI, TDI — e descobri que o mar não era apenas um lugar para visitar, mas uma casa que estava sendo saqueada.
Foi nessa jornada que meus caminhos se cruzaram com o do José Truda. Enquanto ele lutava pelas baleias, percebemos que os tubarões, os vilões do cinema, estavam sendo dizimados sem ninguém para defendê-los. Fundamos a Divers for Sharks em 2010 com essa premissa: usar a força da comunidade do mergulho para parar a matança.
Se na infância eu era o observador silencioso, na conservação eu precisei ser a 'Ave Negra'. Aprendi que não dá para ser politicamente correto quando o oceano está morrendo. Tornei-me vegano, ativista e estrategista. Hoje, coordeno a logística no Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande, planejando rotas, calculando custos e garantindo que a ciência chegue onde precisa chegar, muitas vezes a bordo do meu fiel Palio Weekend, que é quase um escritório móvel."
Recolher