Desleixo com a viatura
(Mauro Leal)
Na noite de dezoito de fevereiro do ano de
dois mil e dois, cumprindo o dever para o qual
estava escalado como Comandante da Patrulha,
na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia.
Ao deslocar-me para realizar a rendição de serviço da Guarda,
no horário de 00:00h às 04:00h, utilizando a
velha conhecida Kombi, chovia copiosamente,
que o limpador do para-brisas não dava
conta das águas. Ao fazer a curva que da
acesso à guarita em frente à residência funcional
do Comandante da Força Aeronaval, o Cabo Osmar,
que estava cochilando quando a porta
inesperadamente se abriu, foi lançando para fora,
chocando-se com a cabeça na pista, ficando desacordado.
Retirei toda guarda e determinei que fossem
fazer a rendição caminhando pelas ruas alagadas,
e em seguida nos direcionamos para a Policlínica,
porém o caso não era simples, tendo que ser removido
para o Hospital Naval Marcílio Dias, na capital do Rio de Janeiro,
para a nossa tristeza e grande desespero.
Ao amanhecer antes mesmos da passagem
do serviço, não se falava em outra coisa,
era o assunto da Ordem do Dia.
Um “perguntamento” sem fim.
- Como ele está?
- Como foi acontecer isso?
- Verificaste se a porta estava bem fechada?
- Machucou muito, sangrou muito?
- Foi para o Marcílio Dias, mesmo?
Logo que passei o serviço, lá pelas 08:30h, aproximadamente,
após o Cerimonial à Bandeira, fui chamado
pelo Encarregado da Divisão de Segurança, juntamente com o
Oficial de Serviço, em princípio para os primeiros esclarecimentos,
e comecei a relatar o acidente:
- Às 23:45h, coloquei todo pessoal da rendição dentro da viatura,
e a porta foi subitamente puxada e por dentro fechada
e ocupei o meu lugar, o banco dianteiro
ao lado do motorista que em seguida deu partida,
como sempre cumprindo o limite de velocidade permitido
para fazer a troca do quarto de serviço.
Neste breve deslocamento...
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Desleixo com a viatura
(Mauro Leal)
Na noite de dezoito de fevereiro do ano de
dois mil e dois, cumprindo o dever para o qual
estava escalado como Comandante da Patrulha,
na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia.
Ao deslocar-me para realizar a rendição de serviço da Guarda,
no horário de 00:00h às 04:00h, utilizando a
velha conhecida Kombi, chovia copiosamente,
que o limpador do para-brisas não dava
conta das águas. Ao fazer a curva que da
acesso à guarita em frente à residência funcional
do Comandante da Força Aeronaval, o Cabo Osmar,
que estava cochilando quando a porta
inesperadamente se abriu, foi lançando para fora,
chocando-se com a cabeça na pista, ficando desacordado.
Retirei toda guarda e determinei que fossem
fazer a rendição caminhando pelas ruas alagadas,
e em seguida nos direcionamos para a Policlínica,
porém o caso não era simples, tendo que ser removido
para o Hospital Naval Marcílio Dias, na capital do Rio de Janeiro,
para a nossa tristeza e grande desespero.
Ao amanhecer antes mesmos da passagem
do serviço, não se falava em outra coisa,
era o assunto da Ordem do Dia.
Um “perguntamento” sem fim.
- Como ele está?
- Como foi acontecer isso?
- Verificaste se a porta estava bem fechada?
- Machucou muito, sangrou muito?
- Foi para o Marcílio Dias, mesmo?
Logo que passei o serviço, lá pelas 08:30h, aproximadamente,
após o Cerimonial à Bandeira, fui chamado
pelo Encarregado da Divisão de Segurança, juntamente com o
Oficial de Serviço, em princípio para os primeiros esclarecimentos,
e comecei a relatar o acidente:
- Às 23:45h, coloquei todo pessoal da rendição dentro da viatura,
e a porta foi subitamente puxada e por dentro fechada
e ocupei o meu lugar, o banco dianteiro
ao lado do motorista que em seguida deu partida,
como sempre cumprindo o limite de velocidade permitido
para fazer a troca do quarto de serviço.
Neste breve deslocamento o Cabo Osmar, recostou e adormeceu
e surpreendentemente com o abrir
da porta se acidentou ao cair.
Como a intensão era certamente abrir sindicância,
para apurar os fatos e consequentemente enquadrar-me
(ter um culpado), por ser o Comandante da Patrulha.
Porém como sou por natureza perspicaz,
já havia dado uma olhada no interior do veículo,
e com firmeza participei a constatação da inexistência
da fechadura original de fabricação,
era uma engatilhada (um safa onça) com trinco simples de portão,
fazendo-os a entender que se a sindicância fosse instaurada,
essa lambança seria citada no Termo de Inquirição, e,
consequentemente caso evoluísse para Inquérito,
tanto o Encarregado de garagem
quanto o comandante da Unidade seriam arrolados pelo relapso
que se encontrava circulando a Patrulha Móvel,
o que "pegaram o código", chegando a um consenso
de ficar só neste bate papo, deixando quieto a imprevidência.
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