O meu nome é Cliton Mendes Goulart, eu nasci em Santana do Livramento, interior do Rio Grande do Sul, em 19 de julho de1952.
Ingressei por concurso, porque mesmo naquela época, em 1973, já era obrigatória a admissão por concurso. Fui admitido no dia 16 de julho de 1973.
Entrei como auxiliar de escritório. Fui trabalhar num setor de serviços gerais. Havia, na ocasião, concursos internos. Passados dois anos como auxiliar de escritório era possível fazer concurso interno. Eu fiz dentro da mesma carreira. Agora é por promoção, mas na época era por processo seletivo interno. Ao mesmo tempo em que entrei aqui, fui chamado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul para fazer administração de empresas. Passei nesse concurso interno para ajudante administrativo e fui trabalhar nas oficinas. Foi um aprendizado importantíssimo, porque eu tirava as férias dos colegas. Cada oficina de mecânica, instrumentação, eletricidade e caldeiraria tinha um secretário, e eu fui num esquema de cobrir as férias de cada um. Aprendia de tudo, convivia com todas as pessoas, com os técnicos, aprendia muito sobre as unidades. Fiquei lá mais de 10 anos e aquilo me deu um conhecimento técnico muito grande. Todas as refinarias têm uma carga de manutenção muito grande, então, existem oficinas para o dia-a-dia de mecânico, caldeireiro, instrumentista, eletricista e pintura industrial. Na época, cada oficina tinha um secretário. Quando a refinaria trabalha “x” anos, agora são quatro anos, mais ou menos, faz uma parada de unidade. Então, tinha que montar um apoio administrativo na parada de unidade. E eu era sempre voluntário. Quando dava, terminava o expediente, eu ficava mais duas horas. Botava o macacão, os EPIs e saía junto com eles na área. Por estar tudo desligado, dava para andar por lá. Sempre me interessei por tudo e a conseqüência disso foi que fiquei um burocrata auxiliar de escritório, que entendia da área técnica. Isso fez com que me...
Continuar leituraO meu nome é Cliton Mendes Goulart, eu nasci em Santana do Livramento, interior do Rio Grande do Sul, em 19 de julho de1952.
Ingressei por concurso, porque mesmo naquela época, em 1973, já era obrigatória a admissão por concurso. Fui admitido no dia 16 de julho de 1973.
Entrei como auxiliar de escritório. Fui trabalhar num setor de serviços gerais. Havia, na ocasião, concursos internos. Passados dois anos como auxiliar de escritório era possível fazer concurso interno. Eu fiz dentro da mesma carreira. Agora é por promoção, mas na época era por processo seletivo interno. Ao mesmo tempo em que entrei aqui, fui chamado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul para fazer administração de empresas. Passei nesse concurso interno para ajudante administrativo e fui trabalhar nas oficinas. Foi um aprendizado importantíssimo, porque eu tirava as férias dos colegas. Cada oficina de mecânica, instrumentação, eletricidade e caldeiraria tinha um secretário, e eu fui num esquema de cobrir as férias de cada um. Aprendia de tudo, convivia com todas as pessoas, com os técnicos, aprendia muito sobre as unidades. Fiquei lá mais de 10 anos e aquilo me deu um conhecimento técnico muito grande. Todas as refinarias têm uma carga de manutenção muito grande, então, existem oficinas para o dia-a-dia de mecânico, caldeireiro, instrumentista, eletricista e pintura industrial. Na época, cada oficina tinha um secretário. Quando a refinaria trabalha “x” anos, agora são quatro anos, mais ou menos, faz uma parada de unidade. Então, tinha que montar um apoio administrativo na parada de unidade. E eu era sempre voluntário. Quando dava, terminava o expediente, eu ficava mais duas horas. Botava o macacão, os EPIs e saía junto com eles na área. Por estar tudo desligado, dava para andar por lá. Sempre me interessei por tudo e a conseqüência disso foi que fiquei um burocrata auxiliar de escritório, que entendia da área técnica. Isso fez com que me especializasse em receber os visitantes. Depois fiz concurso para assistente administrativo. Fui trabalhar em organização e métodos, porque estava fazendo especialização. Depois fui para relações-públicas, que agora é a comunicação, onde estou até hoje. Faço essa parte de mostrar a refinaria, porque é preciso ter um conhecimento técnico mínimo para receber os visitantes. Dentro desse perfil me enquadrei e gosto muito do que faço. É muito lindo É muito bom Porque nós tivemos uma fase que a Petrobras foi muito criticada e, às vezes, as pessoas já vêm com os pré-conceitos do que leram. Deram muita ênfase ao afundamento da plataforma. Tem pessoas que só tem aquela informação e uma idéia distorcida da nossa atividade. Eu brinco com eles: “Se vocês pensavam que iam encontrar um chiqueiro de óleo, vão se decepcionar”.
Quando mostro a refinaria no auditório, por exemplo, tenho como projetar câmeras que estão na área das unidades. São mais de 50 câmeras que tem na área e quando posso levo para visitar. O pessoal fica maravilhado. Um dia recebi um grupo da terceira idade. Como eles se emocionaram Eles viveram naquela fase da criação, do “petróleo é nosso”, da batalha do Brasil para provar que tinha capacidade de gerir o seu negócio de petróleo, a despeito de tantos outros interesses internacionais que negavam isso. Diziam: “Desistam, vocês não tem petróleo”. A refinaria é uma “emobras”, costumo brincar isso, porque tem uma piada do tempo do desenvolvimento, do “milagre brasileiro”, que diz que um político sobrevoou um lugar e perguntou: “Que empresa é essa? Emobras?”. Porque era obra para tudo que era lado e botavam as placas “em obras”. O cara juntou: “emobras”. Costumo dizer que nós vamos vender “emobras”, porque temos que estar sempre se atualizando. A refinaria está sempre com obra. Termina uma e já está começando ou projetando outra. Comecei nessa refinaria quando ela tinha cinco anos, agora tem trinta e sete anos. REFAP Mudou muita coisa, porque o nível técnico é elevado e sempre foi muito exigido. É uma empresa que te dota de todos os recursos para que faças um bom trabalho. Tem que fazer muita força para não fazer bem, porque têm todos os recursos, não falta de dinheiro. Não é como outros órgãos e empresas, que às vezes improvisam. Ás vezes demora um pouco, porque estamos sob algumas leis, por exemplo, das licitações. Ás vezes demora alguma coisa porque tem que licitar com três ou quatro empresas. Mas sem prejuízo da qualidade, porque é só fazer a especificação bem feita. Mudou muito, porque está sempre investindo, através do Cenpes, em pesquisa para a melhoria da confiabilidade dos equipamentos, pra que fiquem mais rentáveis e menos poluentes. Nós temos uma refinaria que, proporcionalmente à época que entrei, polui bem menos e a capacidade de produção é bem maior. A gente evoluiu tanto que a poluição hoje se dá na queima dos combustíveis nos automóveis e caminhões. A refinaria tem controle de afluentes. É o lugar onde menos tem poluição, considerando proporcionalmente à poluição causada pelos veículos que consomem os hidrocarbonetos. É fantástico isso aqui, porque a gente vê como evoluiu. Está sempre em obras e em melhorias. Antes cada parada de unidade tinha que ir um operador para fechar e abrir válvula. Agora o cara do painel, a um quilômetro, abre e fecha válvulas motorizadas. Têm câmeras que dão zoom e acompanham cada coisa que está lá. É melhor do que se estivesse lá olhando, porque não vai ser tão abrangente. E o fato da Refap se transformar em S.A., desde janeiro de 2001 – ela tem como sócia a Repsol com 30% – foi interessante. A Refap tem um diretor-presidente, uma diretoria, com certa autonomia. Isso está sendo bom, porque a não perdemos os nossos direitos. O diretor-presidente, Hildo Henz, é um cara muito pra frente, positivo e otimista. Um líder é fundamental. A orquestra toca conforme a batuta.
A Petrobras perseguiu a auto-suficiência do petróleo por muitos anos. E eis que chega a auto-suficiência, mas de um petróleo em que nosso parque de refino não estava preparado. Essa refinaria foi feita para um petróleo leve, e quanto mais leve, mais fácil de separar os produtos derivados. E de repente não dava para trazer o petróleo nacional para um monte de refinarias, inclusive essa. O que nós vamos fazer? Vender petróleo bruto para lá e importar petróleo leve mais caro? Essas novas unidades fazem re-processamento de vários produtos, que só obteria normalmente com petróleo leve. É fantástico Outra coisa importante: ou a gente se atualiza sempre, ou morre. Qualquer empresa tem que se atualizar. Não adianta, porque quanto mais se atualiza, mais dinâmico fica o processo, maior a produção e a diluição dos custos. Trabalhamos numa área muito sensível, onde a matéria-prima sobe ao sabor de muitas coisas e varia muito. Temos que ter uma “economia de escala”, com grandes volumes de venda. Não podíamos continuar como éramos, uma refinaria pequena. REFAP S.A. Ela é diferente nesse sentido organizacional, porque é a única refinaria que tem um sócio. Nas outras refinarias a única dona é a Petrobras. É uma experiência nova ter um investidor externo como sócio. A Refap é considerada subsidiária da Petrobras. Tem essa diferença, mas no resto a gente segue trocando com as outras refinarias. Por exemplo, agora tem uma unidade de outra refinaria, que está sendo desmontada para ser montada aqui. Há uma dinâmica de trocas dentro do sistema, que não perdeu a sua eficácia e continua igual. Se não me engano, [a unidade que está vindo para a Refap] é da Revap. Instalamos unidades geradoras de hidrogênio. Essa unidade depende direta e exclusivamente de gás natural do gasoduto Bolívia/Brasil. Ao mesmo tempo instalamos uma unidade onde temos uma produção de gás de refinaria grande, então, essa unidade vai propiciar fazer um flex. Ela vai poder usar, além do gás natural, o gás combustível para gerar hidrogênio. Isso é mais ou menos como comprar um carro flex, se falta uma coisa a gente tem outra para otimizar. Esse hidrogênio é necessário para fazer a purificação do diesel. Se for um petróleo leve, o diesel está pronto, mas como o petróleo é pesado precisamos de outra unidade que funciona como hidrogênio.
Começaram a botar corrimão nas escadas. Eu achava uma bobagem, como há alguns anos, achávamos bobagem botar o cinto de segurança no carro. Mas depois se absorve esses detalhes, esses equipamentos de proteção individual ou esses hábitos. Passamos a ter o hábito de segurança. Mexo com o pessoal: “Estou no shopping e não posso ver um corrimão sem segurar”. Até disso riem de mim, porque a gente se educou para aquilo. Ontem mesmo tinha que subir no telhado para mexer numa telha. Fui à nossa oficina e assinei um termo. Peguei um cinto de segurança, daqueles de subir em telhado, porque muitas pessoas caem Não adianta ter segurança aqui dentro e sair lá no trânsito que nem um louco e subir em cima da casa sem nenhuma segurança. Quantas pessoas morrem caindo de cima da casa ou ficam inválidas? O sistema Petrobras nos criou uma consciência de segurança incrível. Não adianta fazer por decreto, você tem que botar dentro da sua cabeça que segurança é básico.
O programa do voluntariado está sendo planejado e organizado pelos recursos humanos. O programa “Refap Cidadã” é a “menina dos olhos” da Refap. Nós estamos com duas situações: temos um bairro relativamente de classe média alta aqui de Canoas e o lado de Esteio, depois do arroio, tem uma comunidade muito carente. Começou com 60 crianças, agora já está em 120. Daqui a pouco vai estar em 500 ou 600. Se estudam de manhã vem de tarde e se estudam de tarde vem de manhã. As crianças chegaram à entrevista inicial sonhando em ser motorista de caminhão, outros papeleiros, nas novas entrevistas começaram a vislumbrar outro mundo. Em um ano ou dois já estão vendo outras possibilidades. Tenho visto na televisão alguns projetos e temos que atacar e interromper essa jornada de violência. A família onde vivem é o referencial deles, se a gente não der um outro referencial, ele vai reproduzir e, às vezes, aperfeiçoar aquela ausência de qualquer princípio de respeito à vida. Esse é um trabalho muito interessante. O clube dos empregados também tem escolinhas de futebol. Patrocinamos a parte esportiva em escolinhas de futebol. O esporte é, sem dúvida, um meio que traz um comportamento de persistência e de aprender a perder.
Tem piscina. De vez em quando nado, mas tenho atividade numa academia perto de casa. Gosto de correr. Fui fundista e participei da meia-maratona do Rio, mas a idade foi aumentando e meu cardiologista disse: “Cliton, chega Agora você vai correr na academia e deixa de competir, porque você não tem que por à prova até onde seu coração vai agüentar”. Eu corro, faço body balance e musculação. Todos os dias, tenho uma atividade. No sábado e domingo, eu descanso. Quando está calor, dou umas nadadas. A piscina daqui é ótima, num horário que não é no fim de semana, porque está cheio de gente e não tem como fazer uma prática da natação.
Uma vez organizaram um time de futebol e fomos disputar com o terminal de Tramandaí, no Terminal Soares Dutra. Para ganhar do nosso time o pessoal nos levou pra passear de barco para conhecer a monobóia. É muito lindo conhecer a monobóia, mas muita gente ficou enjoada. Na volta botaram cerveja à disposição e fizeram um peixe assado na grelha, que era a especialidade deles. O pessoal ficou um pouco tonto e o jogo foi uma loucura, porque eles não se controlaram. Foi muito divertido. A monobóia é um sistema de captação do petróleo e derivados. Pela topografia do sul, não temos como fazer um porto tradicional, porque a água termina aqui e já tem a terra firme. Essa monobóia faz, às vezes, papel de porto. Está a cinco quilômetros, para ter uma profundidade em torno de vinte e cinco metros, para o navio não encalhar. Lá tem os mangotes para o navio se amarrar. Costumo dizer: “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”. É o porto que avança para ir ao encontro do navio. É um recurso mais barato do que fazer um braço ou um istmo, para atracar os navios. A parte superior gira a 360 graus, porque o navio pode ficar ao sabor das ondas e se deslocar. O produto é bombeado com as bombas do próprio navio e vai para tanques, que vem para nós através de dutos de 98 quilômetros. São quatro dutos, dois com petróleo e dois com derivados. Tem um deles que é o inverso para exportar diesel e gasolina. Alguns navios descarregam nafta petroquímica na segunda monobóia, por exemplo, que é base para o pólo petroquímico, e carregam um diesel para o Paraguai, Argentina e Uruguai, que nós fazemos na Refap. Fazemos algumas campanhas dentro da especificação deles. Chamamos de “campanha” quando nos fazem uma encomenda ou quando queremos vender um produto.
No passado era um confronto enorme, o pessoal era até proibido de entrar. Só alguns autorizados podiam entrar aqui dentro, era uma rigidez danada. Depois foi ficando mais flexível. E agora, na minha opinião, flexibilizou demais. Toda aquela oposição ferrenha acabou. Com essa última proposta de repactuação, por exemplo, eles se uniram à empresa e à Petros. Aquele fator crítico, que é o papel do sindicato, acabou. Em função de ter conseguido eleger um presidente que apoiavam, e a Petrobras sendo uma empresa controlada pelo governo, essa relação descaracterizou um pouco – na minha opinião. Descaracterizou sua função. As coisas se aperfeiçoam quando há uma oposição e uma crítica, porque no momento que não tem, por falta desse outro lado, a gente pode enveredar para um lado que não seria o ideal.
É um orgulho muito grande, porque além de ser a maior empresa do Brasil, ela se impõe pelas suas realizações. Ontem mesmo fui ao jogo com o meu genro. O orgulho das pessoas de apresentar alguém que trabalha na Petrobras... Quando fiz o concurso havia um mito incrível: o cara tinha que ser meio gênio para passar nos concursos da Petrobras. É lógico que agora não existe mais isso, mas na minha época havia. Eu me lembro que a minha tia disse: “Olha, abriu o concurso – eu tinha recém-chegado do interior – para a Petrobras”. Disse: “Eu não vou fazer, porque não vou passar”. As pessoas se eliminam por antecipação, o que é uma bobagem. Ela só faltou me dar um pontapé no traseiro Eu e o filho dela fizemos a prova, mas ele não passou.
No mercado de capitais é a empresa mais valorizada. Deu a volta por cima e provou o que negavam. É uma empresa auto-suficiente, não precisa de verba de governo. Pelo contrário, o governo é nosso acionista e tem participação boa de dinheiro. Pagamos um monte de tributos e tudo certinho. Onde está gera riqueza. Aqui mesmo na cidade é a maior contribuinte de ICMS. Agora tem 740 pessoas aqui, mas quanta gente terceirizada tem orbitado por aqui? Quando nós fizemos essa obra, chegamos a ter mais de 10 mil pessoas trabalhando, num país que estava numa crise enorme de desemprego. Terminou a obra, mas não atiramos as pessoas por aí. A refinaria criou uma equipe que procurava ver onde havia uma colocação. Indicava e ajudava as pessoas, porque é meio desesperador o cara chegar lá do nordeste pra trabalhar aqui e de repente não ter mais o emprego, de um dia para o outro. Lógico que não podemos fazer muito, mas ajudamos a pessoa a não desanimar dando algumas indicações de lugares onde ela possa ir. Eu já poderia estar aposentado pela Petros desde que fiz 53 anos. Já fiz 54 e estou esperando fechar o tempo de INSS. Mas se torna difícil sair da empresa, porque é muito bom vir trabalhar. Eu não sei o que é andar nesses ônibus socados. Às vezes vou ao centro, me seguro no ônibus, aquele ônibus todo cheio, sem um conforto... Eu me levanto cedo, mas vale a pena, porque tem um transporte exclusivo e com condições. Ao meio-dia tem um almoço de qualidade. Agora entrei de férias, vinte dias no carnaval, aí que vi o que é ter que sair para achar onde comer. Não estou acostumado nem a pensar no que fazer. Como a gente almoça aqui, no fim de semana não fazemos comida em casa. Mas vai ficar um mês por lá Começo a ficar até com medo de perder todo esse conforto. Já tomei a decisão. Tenho que experimentar outras atividades que não conheço. A minha mulher mexe comigo: “Vou te apresentar Porto Alegre quando tu te aposentares, porque tu não conheces, não sabe o que é”. Porque eu não sei o que é engarrafamento no trânsito. A hora do “rush”, eu não enfrento isso. Quando nós saímos daqui ainda não começou o forte do “rush”. Nós somos favorecidos pelo esquema de horário de trabalho, embora sejam às oito horas. Eu ressalto sempre: “Pessoal, fico sempre nove horas aqui dentro. Estou saindo às 16:45 horas, porque cheguei antes de 7:45”. Às vezes o pessoal fica pensando: “Nós trabalhamos menos que qualquer trabalhador. Somos seletistas, não somos estatutários”. Hoje vou ter que me reciclar para sair. Tenho outra atividade que está me demandando. Está um pouco mais fácil tomar essa decisão.
Principalmente nesse momento crítico da minha tomada de decisão – que nem por isso vai ser menos penosa – foi fundamental [o Projeto Memória], porque se chegassem uns meses mais tarde, eu já não estaria aqui para dar esse depoimento. Depois de 33 anos de empresa é bom deixar algo além da memória das pessoas; deixar alguma coisa gravada e registrada. É bom, porque a gente se vai, mas essas coisas ficam. Esses depoimentos, experiências e vivências podem estimular outras pessoas e servir para outras pessoas. Acho importantíssimo. Estou encantado e agradeço muito essa oportunidade de vocês terem me escolhido.
Recolher