Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Cléa Pimenta
Entrevistado por: Murilo Sebe e Eliana Santos
Local da gravação: REGAP
Betim, MG , 26/08/2004
Realização Museu da Pessoa
Código do Depoente: PETRO_CB484
Transcrito por Flávia Penna
P/1 – Bom dia!
R - Bom dia!
P/ 1 – Antes de começar, a Senhora pode dizer para a gente o nome, local e data de nascimento, por favor?
R – Meu nome é Cléa Maria de Carvalho Pimenta. Nasci em Três Corações, em 5 de dezembro 1953.
P/1 – Diz prá gente, como foi o ingresso da Senhora aqui na Petrobras? O que a Senhora fazia antes e como foi a entrada aqui.
R – Antes eu trabalhava no Banco de Crédito Real e fazia o curso superior numa escola onde o meu marido estudava. Aí nós nos conhecemos, e começamos então a namorar. Ele já trabalhava na Petrobras; é ex-petroleiro. Então, em 1979 nós nos formamos. Nós casamos em 1980. Logo em seguida, ele foi daqui da Regap transferido para Paranaguá. E eu então pedi demissão do meu trabalho, e fui com ele para Paranaguá. Lá então, eu engravidei do meu primeiro filho, hoje com 22 anos, o Rodrigo, ele é curitibano, né, nasceu no Paraná. Com um ano e oito meses que a gente estava em Paranaguá, a Petrobras transferiu o meu marido para o Rio Grande do Norte, Natal. Aí nós fomos para Natal, chegando em Natal, passou uns dois anos mais ou menos, 1984, apareceu o Concurso da Petrobras. Eu fiz e passei; e comecei a trabalhar na Petrobras, era, então, colega do meu marido, de trabalho. Aí eu engravidei da minha segunda filha, a Fernanda, que hoje está com 18 anos. E comecei então a trabalhar lá em Natal, no serviço de Engenharia da Petrobrás que hoje é chamado de Engenharia né, Segen. E trabalhamos lá, então, dois anos, eu dois anos e meu marido três. Com dois anos de trabalho lá em Natal, apareceu, aqui Regap, a obra do Coque. Então como meus filhos estavam crescendo sem conhecer os avós, os primos, os tios, nós achamos por bem voltar...
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Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Cléa Pimenta
Entrevistado por: Murilo Sebe e Eliana Santos
Local da gravação: REGAP
Betim, MG , 26/08/2004
Realização Museu da Pessoa
Código do Depoente: PETRO_CB484
Transcrito por Flávia Penna
P/1 – Bom dia!
R - Bom dia!
P/ 1 – Antes de começar, a Senhora pode dizer para a gente o nome, local e data de nascimento, por favor?
R – Meu nome é Cléa Maria de Carvalho Pimenta. Nasci em Três Corações, em 5 de dezembro 1953.
P/1 – Diz prá gente, como foi o ingresso da Senhora aqui na Petrobras? O que a Senhora fazia antes e como foi a entrada aqui.
R – Antes eu trabalhava no Banco de Crédito Real e fazia o curso superior numa escola onde o meu marido estudava. Aí nós nos conhecemos, e começamos então a namorar. Ele já trabalhava na Petrobras; é ex-petroleiro. Então, em 1979 nós nos formamos. Nós casamos em 1980. Logo em seguida, ele foi daqui da Regap transferido para Paranaguá. E eu então pedi demissão do meu trabalho, e fui com ele para Paranaguá. Lá então, eu engravidei do meu primeiro filho, hoje com 22 anos, o Rodrigo, ele é curitibano, né, nasceu no Paraná. Com um ano e oito meses que a gente estava em Paranaguá, a Petrobras transferiu o meu marido para o Rio Grande do Norte, Natal. Aí nós fomos para Natal, chegando em Natal, passou uns dois anos mais ou menos, 1984, apareceu o Concurso da Petrobras. Eu fiz e passei; e comecei a trabalhar na Petrobras, era, então, colega do meu marido, de trabalho. Aí eu engravidei da minha segunda filha, a Fernanda, que hoje está com 18 anos. E comecei então a trabalhar lá em Natal, no serviço de Engenharia da Petrobrás que hoje é chamado de Engenharia né, Segen. E trabalhamos lá, então, dois anos, eu dois anos e meu marido três. Com dois anos de trabalho lá em Natal, apareceu, aqui Regap, a obra do Coque. Então como meus filhos estavam crescendo sem conhecer os avós, os primos, os tios, nós achamos por bem voltar pra Minas Gerais. Então nós dois pedimos transferência para a Regap, para a Obra do Coque, serviço de Engenharia também. Então nós viemos, e construímos, ajudamos na construção do Coque, da Unidade de Coque. Quando terminou a Unidade de Coque, o meu marido aposentou-se. Então, para que eu não fosse transferida para outro lugar, eu pedi a transferência para a Regap, no Abastecimento, onde eu trabalho hoje. E aí começou a minha vida aqui na Área de Suprimento e Contratação. Eu trabalho no cadastro de emprego. Eu cadastro as Empresas que prestam serviço à Petrobras.
P/1 – Então fala um pouco dessa diferença: o trabalho que a Senhora realizava lá no Rio Grande do Norte, depois com a transferência pra cá, como foi essa mudança, como se deu esse processo?
R – Olha, lá em Natal não tinha ainda a informatização. Era tudo feito sem informatização. Então, quando eu comecei a trabalhar lá, eles estavam precisando de gente pra montar o Setor de Informatização. Então eu comecei nesse setor. Eu comecei a digitar os contratos que eram feitos com as prestadoras de serviços. Achei muito interessante, né, porque a gente não conhecia informática, então comecei a fazer os cursos de informática e já comecei a ajudar nessa parte. E também, comecei entender um pouco de contratação, porque como eu tinha que digitar os contratos, comecei a entender a dinâmica da contratação, né? Então quando eu vim transferida para a Regap, devida a minha experiência de dois anos na contratação, na digitação dos contratos lá, eles quiseram me reaproveitar nessa área, que é uma área mais complicada porque envolve muita lei, você tem que conhecer de lei, que muda toda hora mais familiarizada. Então eles me aproveitaram nessa mesma atividade de contratação que eu estou até hoje.
P/1 – Desse tempo, desde a entrada, no Rio Grande do Norte, tem uma lembrança marcante da Petrobrás nesse período?
R – Na Petrobras mesmo ou na minha vida pessoal?
P/1 – É. Nesse envolvimento, né, dessa trajetória pessoal, que a Senhora e seu esposo tem, com a Empresa. Desde a entrada da Senhora na Empresa, uma lembrança marcante.
R – A primeira lembrança marcante é o nascimento dos dois filhos, que foi justamente no trajeto de mudanças da Petrobras. Nasceu o primeiro em Curitiba, que hoje está 22 anos, e a segunda, em Natal, a Fernanda, que hoje está com 18. Essa foi assim o fato mais marcante. Agora, outro fato que marcou muito, foi as pessoas que nós conhecemos nessa trajetória; que a gente conheceu muita gente no Paraná, então quando terminou a obra no Paraná, cada um fio para um lugar do Brasil. E depois, quando nós fomos pra Natal, foi a mesma coisa; lá juntou as pessoas de vários lugares do Brasil, pra fazer o serviço, e, quando terminou o serviço lá, eles também foram transferidos para outros lugares. Então, hoje, eu tenho amizade pelo Brasil todo. Aonde eu quiser passear hoje eu posso ir, e tenho pessoas que vão me receber de braços abertos. Eu também recebo muitas visitas de fora, né, claro. Inclusive, eu ganhei um afilhado, lá em Natal, de Batismo, o Diego, que hoje está com 21 anos; hoje eles moram em Fortaleza; porque terminou a obra lá, e eles são cearenses, foram para Fortaleza; ele vem passear na minha casa, passa férias na minha casa e meus filhos também passam férias lá na casa deles. Então esse foi também foi um fato bem marcante, sabe?
P/1 – Mas com relação aqui, especificamente o período que a Senhora veio aqui pra Regap, qual seria uma recordação importante, ao longo desse período, aqui nessa Refinaria?
R – Nessa Refinaria? Olha, eu gosto do serviço que eu faço; então aqui eu conheci muitas pessoas, assim, que me deram muito apoio, que me ajudaram a crescer profissionalmente, aprendi muito com elas. O que marcou mais aqui e que me marca até hoje, foi a minha entrada para o Coral da Regap; eu faço do Coral e esse Coral, ele me deu oportunidade de conviver com um grupo de pessoas que tem uma sensibilidade muito grande, que gostam da arte, e eu também gosto, então isso ajuda a gente a relaxar num momento mais difícil de trabalho, de tensão; a gente vai pra lá ensaiar e tem aquele relaxamento gostoso, e tem a oportunidade também de fazer viagens, e apresentações mesmo dentro de Belo Horizonte ou no Estado de Minas. E, com essas viagens, os nossos filhos, nossos familiares se entrosam porque a gente tem a oportunidade de levá-los conosco, então há um entrosamento. É uma família, sabe, é uma família regapiana dentro desta comunidade do coral. Então isso é muito importante pra mim aqui.
P/1 – E dentro dessa família regapiana, enfim, dentro desse período aqui na Regap, tem alguma história curiosa, alguma história interessante pra Senhora contar pra gente?
R – Ah, deve ter, viu, mas agora pra lembrar, eu teria que pensar um pouquinho e agora não estou lembrada não. (risos)
P/2 – E no Coral, a participação, procura é muito grande, ou não?
R – Não é. É engraçado que nós somos hoje 31 pessoas. A metade do Coral são aposentados, entendeu? Então nós temos poucos petroleiros participando do Coral. Eu acho que deveria ter mais, porque é um momento mesmo de relaxamento da gente, dá uma ajuda muito grande no nosso trabalho. Às vezes eu saio do trabalho tensa, com tanta coisa na cabeça, aí eu vou almoçar, vou ensaiar, quando eu volto pro setor que estou mais tranqüila, com a cabeça no lugar, entendeu? Então dá pra dar aquela parada. Eu acho que o pessoal está perdendo essa oportunidade que a nossa gerência está dando pra nós, o nosso Gerente Geral está dando pra nós.
P/2 – São mais mulheres?
R – Mais ou menos. É meio a meio.
P/2 – Quando a Senhora entrou aqui, na Petrobras, como era a relação das mulheres na Empresa?
R – Olha, naquela época, era um número muito reduzido de mulheres; eram mais homens mesmos. De certa forma, a gente era muito bajulada, porque a gente era novidade, né?(risos) Então eu acho que o relacionamento foi muito bom. Hoje, está melhor, porque tem muito mais mulheres, a gente se sente assim num ambiente mais nosso, mais feminino também, né, que antes era mais complicado. Eu acho que a Regap apóia muito a mulher profissional, inclusive a mulher, principalmente mãe também, chega naquelas datas de comemoração de Dia da Mulher, Dia das Mães, eles fazem questão de fazer essa comemoração, eles apóiam muito. Eu acho que isso aí é muito importante pra nós porque a mulher, a mulher-mãe, esposa, ela tem um papel muito importante e até difícil pra conciliar tudo; então, se ela tivesse o apoio de ambas as partes, tanto da família como parte da Empresa, ela teria dificuldade de conciliar tudo. Então, como o apoio da Regap é muito grande, a gente tem como estar conciliando todas essas coisas.
P/2 – A Senhora é filiada ao Sindicato?
R – No momento não. Já fui.
P/2 – Por que?
R – Porque eu fiz um investimento alto e, como a mensalidade era um pouquinho alta, eu tive que parar durante um tempo, até eu estabilizar as minhas finanças.
P/2 – A Senhora lembra de algum momento de participação nas lutas do Sindicato?
R – Eu participando ou presenciando?
P/2 – Presenciando, participando. Alguma recordação em relação aos movimentos de luta do Sindicato.
R – Eu até valorizo muito o trabalho deles, a luta deles. Dou todo apoio, acho que eles estão lutando por causa justa, sempre lutam por uma causa justa, né? Dou todo o apoio. Agora, como eu sou filha de militar, eu fui criada naquele ritmo que, quando eu ia pro trabalho, eu tinha que trabalhar. Então, eu mesma nunca participei. Dou apoio, leio os boletins, acompanho, torço por eles, mas eu não tenho coragem de participar, entendeu? Quando tem uma greve, quando tem um movimento, eu não participo. Talvez se esse movimento fosse fora do horário de trabalho, eu poderia até participar. Mas dentro do horário de trabalho, realmente eu não tenho coragem. Eu não participo. Eu saio de casa com o intuito de vir trabalhar, então eu acho que eu tenho que trabalhar. Mas dou todo apoio a eles. Acho que eles têm coragem, lutam e a gente acaba sendo beneficiada com isso. Não sei nem se é justo isso, mas a pessoa já tem a cabeça, o jeito de viver dela, ou então...É complicado, sabia?
P/2 – Como a Senhora vê essa relação do Sindicato com a Petrobras?
R – No momento, é uma relação muito tranqüila. Muito tranqüila. Já teve épocas que foi muito turbulento. Então, o Sindicato falava uma coisa totalmente absurda, e a Petrobras também ficava sem falar coisas que a gente gostaria de estar ouvindo, então houve uma certa época que teve uma turbulência. A gente ficava naquele meio ali, sem entender direito as coisas. Hoje não, eu acho que está havendo mais diálogo, e a gente está entendo melhor as coisas.
P/2 – O que a Senhora achou de ter participado desta entrevista pro Projeto Memória da Petrobras?
R – Ah, eu achei muito interessante. Porque eu gosto muito da Petrobras. Eu visto a camisa mesmo e acho que uma experiência de uma pessoa, um caso, o assunto colhido aí, eu até gostaria de ver este trabalho depois, né, porque a gente sempre enriquece com as experiências dos outros. Então, se eu puder estar contribuindo para isso também, eu fico muito satisfeita, muito feliz. Então, acho muito válido.
P/2 – A gente gostaria de agradecer a sua entrevista. Muito obrigado.
P/1 – Obrigado.
R – Eu é que agradeço a oportunidade. Um bom dia pra vocês!
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