Em 1990 eu trabalhava no comércio e o carteiro que entregava as cartas naquela região dizia que era muito bom trabalhar nos Correios. Ele dizia que a empresa tinha muitas coisas boas, dentre as quais se destacava o projeto Papai Noel dos Correios. Todos os anos eu adotava uma cartinha.
Entrei nos Correios no dia 22 de Setembro de 1994, em um setor onde trabalhavam umas 40 pessoas, todos com mais de 10 anos de empresa. Comecei como Agente de Correios, após 90 dias o cargo foi mudado para carteiro. Na época, a Diretoria Regional do Paraná tinha um projeto chamado João de Barro, através do qual os empregados que não tinham concluído o ensino fundamental e o médio, podiam concluí-los. Participei deste projeto na qualidade de professor de Língua Portuguesa. Em 2001, passei no concurso público para Técnico e hoje sou Técnico Operacional Pleno.
Desde de 2001 participo do projeto Papai Noel dos Correios, leio as cartas, busco padrinhos e, vestido de Papai Noel, faço a entrega dos presentes.
Fazer a leitura das cartinhas e entrega dos presentes são os momentos mais emocionantes, pois as crianças colocam no papel aquilo que estão sentido. Elas pedem presentes simples, mas alguns pedidos são inusitados, como o pedido de emprego para mãe, material escolar, cesta básica ou apenas conhecer o bom velhinho.
Em dezembro de 2005, eu trabalhava em Cornélio Procópio - PR, estava lendo as cartinhas e uma continha um pedido muito especial, mais ou menos assim:
"Tenho 10 anos, meu nome é Paulo, moro com minha mãe e meus irmãos em um barraquinho na favela do grilo, não conheço o papai e nunca tivemos uma festa de natal. Gostaria de conhecer o bom velhinho, mais nada, pois sei que por onde ele passa, deixa um rastro de alegria e felicidade."
Bem, aquela cartinha mexeu comigo, preparei uma cesta de natal, embrulhei uma bola, providenciei uma roupa de Papai Noel e fui fazer a entrega. Depois de muita procura entre diversos barraquinhos, todos...
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Em 1990 eu trabalhava no comércio e o carteiro que entregava as cartas naquela região dizia que era muito bom trabalhar nos Correios. Ele dizia que a empresa tinha muitas coisas boas, dentre as quais se destacava o projeto Papai Noel dos Correios. Todos os anos eu adotava uma cartinha.
Entrei nos Correios no dia 22 de Setembro de 1994, em um setor onde trabalhavam umas 40 pessoas, todos com mais de 10 anos de empresa. Comecei como Agente de Correios, após 90 dias o cargo foi mudado para carteiro. Na época, a Diretoria Regional do Paraná tinha um projeto chamado João de Barro, através do qual os empregados que não tinham concluído o ensino fundamental e o médio, podiam concluí-los. Participei deste projeto na qualidade de professor de Língua Portuguesa. Em 2001, passei no concurso público para Técnico e hoje sou Técnico Operacional Pleno.
Desde de 2001 participo do projeto Papai Noel dos Correios, leio as cartas, busco padrinhos e, vestido de Papai Noel, faço a entrega dos presentes.
Fazer a leitura das cartinhas e entrega dos presentes são os momentos mais emocionantes, pois as crianças colocam no papel aquilo que estão sentido. Elas pedem presentes simples, mas alguns pedidos são inusitados, como o pedido de emprego para mãe, material escolar, cesta básica ou apenas conhecer o bom velhinho.
Em dezembro de 2005, eu trabalhava em Cornélio Procópio - PR, estava lendo as cartinhas e uma continha um pedido muito especial, mais ou menos assim:
"Tenho 10 anos, meu nome é Paulo, moro com minha mãe e meus irmãos em um barraquinho na favela do grilo, não conheço o papai e nunca tivemos uma festa de natal. Gostaria de conhecer o bom velhinho, mais nada, pois sei que por onde ele passa, deixa um rastro de alegria e felicidade."
Bem, aquela cartinha mexeu comigo, preparei uma cesta de natal, embrulhei uma bola, providenciei uma roupa de Papai Noel e fui fazer a entrega. Depois de muita procura entre diversos barraquinhos, todos muito parecidos, encontrei o endereço indicado e me deparei com um barraquinho feito de tábuas velhas e papalão surrado pelo sol.
Fui recebido por uma senhora maltratada pela vida, porém muito simpática. Perguntei pelo garoto, ela disse:
- Ele está dormindo, mas pode entrar para acordar o menino.
Ao entrar percebi que se tratava de uma casa onde cozinha, sala e quarto ficavam todos no mesmo cômodo. Sobre uma cama enorme havia um pequeno menino enrolado em uma colcha de retalhos, dormia profundamente. A mãe disse em voz alta:
- Acorda menino, o Papai Noel veio te visitar, trouxe uma cesta de Natal e uma bola para você.
Ele deu um pulo e, ao ver o Papai Noel, estalou os olhos em direção ao velhinho que se encontrava em sua frente. Começou a chorar, não conseguia soltar uma palavra se quer.
Foi emocionante. Dei um longo abraço naquela criança, choramos abraçados por alguns minutos, e ele sussurrou apenas estas palavras:
- Nunca tinha visto um Papai Noel de perto, agora vou ter uma festa de Natal... obrigado.
Naquele instante percebi o quanto é importante acreditar nos sonhos e, o que é mais importante, ir em busca da realização.
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