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A minha mãe se preocupou em fazer as substituições para que o alimento fosse caché. Então, em Belém nós temos muitos peixes e mariscos também e tem alguns pratos tradicionais que se usa o camarão, o caranguejo e ela, com seu conhecimento, o que ela fez?
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Substituiu! Então, ela faz a casquinha do caranguejo, ela faz com um peixe branco desfiado.
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O vatapá e o caruru, que são comidas também do norte, ela faz também com os nossos peixes. O próprio tacacá, que é uma comida típica de Belém do Pará, que as pessoas tomam assim na rua.
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Aqui tá com camarão, mas ela faz com o quê? Com pirarucu frito.
00:00:55 VERA
que o pirarucu é o primo do bacalhau, é o bacalhau dos brasileiros, digamos assim. Enfim, então são várias substituições que a minha mãe fez para poder lançar esse livro e ter uma culinária judaica marroquina no norte do Brasil, ou seja, em Belém do Pará e foi de grande sucesso.
00:01:24 VERA
Então tem outras substituições, por exemplo, há muito tempo atrás não existia em Belém do Pará a farinha de semolina. Hoje em dia já existe pela facilidade de exportações e tudo.
00:01:39 VERA
Então, como se fazia farinha de semolina para fazer o famoso Cuscusu? Com a farinha da mandioca.
00:01:48 VERA
Então, as senhoras tinham um trabalho de molhar a farinha, fazer assim com a mão e “fogrear” e dava muito trabalho, mas ficava perfeito. Ninguém dizia que aquilo não era farinha de semolina.
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Outras e outras substituições ocorreram. O famoso marrontinho, que é um biscoito muito apreciado no Marrocos.
00:02:16 VERA
É feito de quê? De amêndoas.
00:02:19 VERA
Naquela época não existia amêndoas. Substituíram pela castanha do Pará e ficou com um sabor maravilhoso, até melhor.
00:02:29 VERA
Eu sou suspeita para falar, mas ficou bem melhor. Enfim, a minha mãe também trabalhou muitos anos na organização na AMAT.
00:02:38 VERA
e ela era...
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A minha mãe se preocupou em fazer as substituições para que o alimento fosse caché. Então, em Belém nós temos muitos peixes e mariscos também e tem alguns pratos tradicionais que se usa o camarão, o caranguejo e ela, com seu conhecimento, o que ela fez?
00:00:25 VERA
Substituiu! Então, ela faz a casquinha do caranguejo, ela faz com um peixe branco desfiado.
00:00:34 VERA
O vatapá e o caruru, que são comidas também do norte, ela faz também com os nossos peixes. O próprio tacacá, que é uma comida típica de Belém do Pará, que as pessoas tomam assim na rua.
00:00:51 VERA
Aqui tá com camarão, mas ela faz com o quê? Com pirarucu frito.
00:00:55 VERA
que o pirarucu é o primo do bacalhau, é o bacalhau dos brasileiros, digamos assim. Enfim, então são várias substituições que a minha mãe fez para poder lançar esse livro e ter uma culinária judaica marroquina no norte do Brasil, ou seja, em Belém do Pará e foi de grande sucesso.
00:01:24 VERA
Então tem outras substituições, por exemplo, há muito tempo atrás não existia em Belém do Pará a farinha de semolina. Hoje em dia já existe pela facilidade de exportações e tudo.
00:01:39 VERA
Então, como se fazia farinha de semolina para fazer o famoso Cuscusu? Com a farinha da mandioca.
00:01:48 VERA
Então, as senhoras tinham um trabalho de molhar a farinha, fazer assim com a mão e “fogrear” e dava muito trabalho, mas ficava perfeito. Ninguém dizia que aquilo não era farinha de semolina.
00:02:05 VERA
Outras e outras substituições ocorreram. O famoso marrontinho, que é um biscoito muito apreciado no Marrocos.
00:02:16 VERA
É feito de quê? De amêndoas.
00:02:19 VERA
Naquela época não existia amêndoas. Substituíram pela castanha do Pará e ficou com um sabor maravilhoso, até melhor.
00:02:29 VERA
Eu sou suspeita para falar, mas ficou bem melhor. Enfim, a minha mãe também trabalhou muitos anos na organização na AMAT.
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e ela era idealizadora de vários eventos e um evento que teve o maior sucesso foi o festival de saladas, onde uma vez por ano as senhoras da comunidade faziam as saladas marroquinas de costume, de cenoura, de beterraba, de pimentão e tomate, enfim, todas aquelas saladas tradicionais do costume marroquino. Fora isso, elas convidavam todos os restaurantes de Belém do Pará para participarem com uma salada e todas as saladas iriam concorrer à melhor salada.
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Enfim, sempre foi um sucesso esse evento. Era feito num clube social de elite em Belém do Pará, Assembleia Paraense e eu tenho o mérito de dizer que teve um ano eu fui vencedora de um concurso, eu ganhei com a salada que eu fiz de cuscuz marroquino, usei bacalhau, então foi uma salada que me deu esse prêmio, realmente é muito saborosa.
00:03:58 VERA
E a minha mãe foi idealizadora de muitos e muitos outros eventos dentro da Namate Pioneiras, do chá das bonecas, onde as crianças desfilavam com a mesma roupa das bonecas, onde um dia também teve o chá do desfile de legumes e frutas, que as mocinhas desfilavam caracterizando as primícias, na verdade. Então, tinha o trigo, tinha as frutas, enfim.
00:04:33 VERA
Sempre a minha mãe foi uma pessoa muito ativa dentro da NAMAT, dentro das pioneiras, assim como o meu pai também. Eu tenho muito orgulho de ser judia, de ser filha do senhor Jacob Messol Benzekri e da dona Helena Obadia Benzekri.
00:04:53 VERA
E eu agora estou em Israel. Eu fiz a minha Aaliyah em 2020, com muito orgulho porque nós judeus sabemos que o nosso lugar é aqui, é aqui, a nossa terra é o nosso lar e eu tô muito feliz porque aqui eu tenho dois filhos e três netos e “desatrachei” logo logo mais uma nora, mais netos e eu tô muito feliz de me encontrar em Israel, de conhecer cada vez mais pessoas maravilhosas e de poder estar trabalhando com comida, que é com o que eu gosto e que me reverte aos… aos antepassados, a minha memória que de Marrocos foi para Belém e eu agora como brasileira, judia, residente de Israel, eu também não posso agora esquecer do meu sangue brasileiro igual como meus pais do Marrocos para o Belém, para o Brasil, agora eu do Brasil para Israel.
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Então o que que eu faço? Eu falo português com meus netos porque eu acho importante falar o idioma com os netos para que eles saibam falar o português e para que isso me faça uma lembrança do meu passado, da minha família e também é muito gostoso fazer uma feijoada, dá para os netos, dá para amigos comerem, né?
00:06:35 VERA
Então, nossos costumes brasileiros, um feijãozinho, um docinho de coco e quem sabe até um brigadeiro que é um doce maravilhoso apesar de ser doce, aqui não gostam de doces muito doces e também quem sabe até uma caipirinha também oferecer para nossos amigos para fazer um le rai e brindar essa terra maravilhosa que é Eretz Israel. Então, eu tenho o maior prazer de estar fazendo parte, inclusive, desse trabalho e estar em Israel.
00:07:19 VERA
Shalom!
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