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Por: Museu da Pessoa, 19 de abril de 2017

Batuqueiro de informação

Esta história contém:

Batuqueiro de informação

Vídeo

Foi o tio Zé quem me apresentou o samba e a percussão. Ele era, principalmente, um batuqueiro de mesa! Sabe o que é isso? É uma modalidade de samba pouco conhecida: o cara está bebendo, tomando uma cervejinha, e vai batucando... Usa um anel pra fazer barulhos diferentes e canta junto. Meu tio era desses! Tio Zé, irmão mais novo da minha mãe, batucava na mesa e adorava os sobrinhos: um tio maravilhoso!

O meu nome é Paulo Anderson Fernandes Dias e o nome de guerra, Paulo Dias. Com seis anos, entrei no Conservatório Marcelo Tupinambá, no Jabaquara. Eu não curtia porque minha mãe ia me buscar no meio do futebol: “Está na hora de ir pro piano!”. Lá, tinha uma professora péssima que batia na mão, riscava a mão, era uma professora horrível. E aí comecei a tocar samba com uns moleques na laje de casa. Ouvia dos professores de piano: “Você não pode batucar, vai estragar seus dedos, sua mão vai ficar dura!”, eu ouvia, mas eu não dava atenção.

Com 14, 15 anos, a professora de piano me chamou pra dar aula de teoria pras alunas, porque era quase tudo menina, então eu tinha uma classe de 15 meninas que eu dava aula, então também estava adorando! Nessa idade, comecei a manter uma atividade rentável de ter meu dinheiro, não ficar dependendo de mesada de pai, de mãe. Nessa época, meu pai já tinha a Editora Ática e conhecia o Max Feffer, um músico que tinha fábrica de papel. Fui à mansão dele no Jardim Europa e me lembro que toquei La Campanella de Liszt, uma peça complicadíssima, e ele falou: “Vou te apresentar pra Anna Stella Schic”. Ela, quando me conheceu, ficou pondo na cabeça do meu pai que eu tinha que ir pra França, pois eu tinha talento. Com 16 anos eu tranquei a escola e fui pra França.

Lá, vivi a minha adolescência. E as ruas eram fantásticas porque os músicos tocavam na rua. Isso é uma coisa que me atraía muito: fazer música extra-muros, sem estar no recinto, pra quem...

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Patética

Dados da imagem Aos 14 anos, apaixonado pelo piano. Na foto, acontecia a audição dos alunos da professora Rosa Civili Melito. Eu estava tocando a Patética no Auditório da Liga das Senhoras Católicas, Bela Vista.

Período:
Ano 1974

Local:
Brasil / São Paulo / São Paulo

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Tipo:
Fotografia

Aos 14 anos, apaixonado pelo piano. Na foto, acontecia a audição dos alunos da professora Rosa Civili Melito. Eu estava tocando a Patética no Auditório da Liga das Senhoras Católicas, Bela Vista.

Mambembe

Dados da imagem Num metrô de Paris, eu e Pascal Bossan.

Período:
Ano 1978

Local:
França / Paris

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Crédito:
Laurence Karsenty

Tipo:
Fotografia

Num metrô de Paris, eu e Pascal Bossan.

Samba na laje

Dados da imagem Samba entre parentes. Da esquerda para direita: Paulo, _____, ______, Maurício Fernandes Dias, Décio Dias Ratto e _____.

Período:
Ano 1979

Local:
Brasil / São Paulo / São Paulo

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Crédito:
Antonio Ubirajara Domiencio

Tipo:
Fotografia

Samba entre parentes. Da esquerda para direita: Paulo, _____, ______, Maurício Fernandes Dias, Décio Dias Ratto e _____.

Ouro Preto

Dados da imagem Viagem com meus pais para lugares de natureza ou de cultura. Eles gostavam de nos levar para uma vivência em lugares históricos. Na foto, meus pais tinham feito amizade com os dois garotos no centro, que foram os guias do nosso passeio. Eles sempre tinham facilidade em se aproximar das pessoas mais humildes. Na foto: Marcelo Fernandes Dias (irmão), Carmem Lídia de Souza Dias (mãe), ________, ________, Anderson Fernandes Dias (pai), Fábio Fernandes Dias e Maurício Fernandes Dias.

Local:
Brasil / Minas Gerais / Ouro Preto

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Crédito:
Paulo Dias

Tipo:
Fotografia

Viagem com meus pais para lugares de natureza ou de cultura. Eles gostavam de nos levar para uma vivência em lugares históricos. Na foto, meus pais tinham feito amizade com os dois garotos no centro, que foram os guias do nosso passeio. Eles sempre tinham facilidade em se aproximar das pessoas mais humildes. Na foto: Marcelo Fernandes Dias (irmão), Carmem Lídia de Souza Dias (mãe), ________, ________, Anderson Fernandes Dias (pai), Fábio Fernandes Dias e Maurício Fernandes Dias.

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Tipo:
Fotografia

Grupo do coral da USP que cantava MPB e eu era percursionista. Na foto, momento da batucada. Da esquerda para direita: Marcos Ferreira, Renem Mizumi, eu e Catarina.

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Crédito:
Andrea de Valentim

Tipo:
Fotografia

Pagode é qualquer festa! Da esquerda para direita: eu, Daniel Reverendo, Gentil do Orocongo e Matusalém Silvério.

Paulo Dias

Dados da imagem Paulo Dias

Imagem de:
Paulo Anderson Fernandes Dias

História:
Batuqueiro de informação

Tipo:
Fotografia

Dados de acervo

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P/1 – Paulo, a gente vai começar a entrevista. Você fala seu nome completo, por favor.

R – É Paulo Anderson Fernandes Dias e o nome de guerra, Paulo Dias.

P/1 – Que data você nasceu e onde?

R – Eu nasci dia 23 de janeiro de 1960 em São Paulo, no bairro da Liberdade.

P/1 – E o nome do seu pai?

R – Meu pai é Anderson Fernandes Dias.

P/1 – Sua mãe.

R – Carmem Lídia de Souza Dias.

P/1 – Qual a origem deles, Paulo? De onde vieram ou se nasceram aqui.

R – Meu pai nasceu em Araçatuba, filho de imigrante português, trabalhou em armazém, trabalhou em feira livre no começo da vida. O pai dele era português, o seu Vasco, e a mãe, de origem italiana, dona Helena, Helena Vanuchi. E a minha mãe, também filha de imigrantes, italiano e espanhol.

P/1 – Ela nasceu onde?

R – Ela nasceu em São Paulo. Ambos eram moradores da zona leste, ela morava no Tatuapé e ele na Vila Carrão. E até eles me contavam que eles namoravam na linha do trem (risos). Quando eu nasci, eles foram para um apartamento no viaduto Jaceguai, no centro de São Paulo. Eu nasci bem no centrão, naquele hospital Santa Helena, que tem na estação de metrô São Joaquim.

P/1 – E a atividade do seu pai sempre foi comerciante ou mudou?

R – Meu pai foi médico, quando eu nasci ele era médico do Hospital das Clínicas. Ele foi médico de moléstias infecciosas na época, trabalhava muito com epidemias, coisas desse tipo e medicina social. E minha mãe era professora, dava aula pro segundo grau, primeiro e segundo grau no colégio público, depois passou a ser professora universitária também.

P/1 – Ela dava aula de que na universidade?

R – De português. Não, na universidade, Literatura Brasileira.

P/1 – Paulo, que lembrança você tem deles, marcantes, desde a sua infância?

R – Dos meus pais? Eu acho que eles tiveram um cuidado muito grande com a educação dos filhos. De todos os pontos de vista. Primeiro uma educação não preconceituosa,...

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