Bar dos amigos, 1974
(Mauro Leal)
Na proximidade da mais formosa esquina, que à vista, alegra,
desde adolescência que assisto rebeldes e descolados amigos e
conhecidos, à noite num estilo ousado, colorido e unissex,
curtindo calça boca de sino, cintura alta e apertada, tecido sintético,
colarinho pontudo, saltos cavalo de aço e cabelos esvoaçados,
a caminho dos bailes, embalados pelas equipes de som/paredões
que transformavam clubes suburbanos em grandes pistas de dança, e,
finais de semana reunia para ir pra Olaria e embarcar no coletivo 484,
com destino à praia do Arpoador, pegar um bronze, um jacaré e comer
pão com mortadela na Nema Padaria Arpoador.
Durante os demais dias entre fumaça, asneira, chocarrice,
matilha, meretrizes e as virgens, em roda de churrasquinhos pulverulentos,
se de chupa cabra, Chernobyl, polvo vidente, gato ou lagarto,
assados que jamais serão revelados,
e de somenos importância visto que a imprescindível
e irresistível vacinação encontra-se gelada
e suada, disponível sobre as mesas e balcão.
E quando já pedindo bênção a cachorro,
os empolgados em clima festivo, ficam a prosear:
- Se não matar, faz esquecer as boladas nas costas
e sustância trará e a comemorar gritando gol,
gritando burro, e nem aí com a vida a passar.
Em setembro, incorporei na Tropa de Elite
da Marinha de Guerra e na vanguarda com bravura
pelos Batalhões de Combatentes Anfíbios de
Fuzileiros Navais em defesa da mãe gentil,
empunhando o amante fuzil, o sangue e o suor, doei.
Embarquei na Esquadra e pelos oceanos
nos Teatros de Operações em intercâmbios
com os valentes combatentes norte-americanos,
a missão com fibra de herói, executei.
Os anos passaram e a de defensor da grande nação,
com aperto no coração para os aspirantes guerreiros
vibrantes, o combate passei, e de regresso,
revejo repleto o velho boteco e a sensação é que
nunca tivessem dali saído, e na dipsomania,...
Continuar leitura
Bar dos amigos, 1974
(Mauro Leal)
Na proximidade da mais formosa esquina, que à vista, alegra,
desde adolescência que assisto rebeldes e descolados amigos e
conhecidos, à noite num estilo ousado, colorido e unissex,
curtindo calça boca de sino, cintura alta e apertada, tecido sintético,
colarinho pontudo, saltos cavalo de aço e cabelos esvoaçados,
a caminho dos bailes, embalados pelas equipes de som/paredões
que transformavam clubes suburbanos em grandes pistas de dança, e,
finais de semana reunia para ir pra Olaria e embarcar no coletivo 484,
com destino à praia do Arpoador, pegar um bronze, um jacaré e comer
pão com mortadela na Nema Padaria Arpoador.
Durante os demais dias entre fumaça, asneira, chocarrice,
matilha, meretrizes e as virgens, em roda de churrasquinhos pulverulentos,
se de chupa cabra, Chernobyl, polvo vidente, gato ou lagarto,
assados que jamais serão revelados,
e de somenos importância visto que a imprescindível
e irresistível vacinação encontra-se gelada
e suada, disponível sobre as mesas e balcão.
E quando já pedindo bênção a cachorro,
os empolgados em clima festivo, ficam a prosear:
- Se não matar, faz esquecer as boladas nas costas
e sustância trará e a comemorar gritando gol,
gritando burro, e nem aí com a vida a passar.
Em setembro, incorporei na Tropa de Elite
da Marinha de Guerra e na vanguarda com bravura
pelos Batalhões de Combatentes Anfíbios de
Fuzileiros Navais em defesa da mãe gentil,
empunhando o amante fuzil, o sangue e o suor, doei.
Embarquei na Esquadra e pelos oceanos
nos Teatros de Operações em intercâmbios
com os valentes combatentes norte-americanos,
a missão com fibra de herói, executei.
Os anos passaram e a de defensor da grande nação,
com aperto no coração para os aspirantes guerreiros
vibrantes, o combate passei, e de regresso,
revejo repleto o velho boteco e a sensação é que
nunca tivessem dali saído, e na dipsomania, causando
incalculáveis e irreparáveis débitos conjugais
àquelas que no altar prometeram ser fieis
na alegria e na tristeza, na saúde e na doença,
amar e respeitar até que a morte viesse a separar.
Recolher