Me chamo Amanda Medeiros, nasci no dia 07 de maio de 2006, e estou aqui, no último ano do ensino médio, fazendo esse trabalho de Projeto de vida. Eu poderia ter escolhido falar sobre todas as vezes que eu já me acidentei de bicicleta, mas não, escolhi falar sobre meu relacionamento com o meu pai.
Meu pai foi e ainda é, um pai que muitos filhos gostariam de ter. Na minha infância ele sempre era presente, dava o amor e a atenção que toda criança tinha que ter, tanto que boa parte de minhas lembranças são com ele.
Até os meus 9 anos de idade, eu morava em uma casa que tinha um quintal grande, com muitas árvores e flores, e eu amava isso, passava a manhã inteira brincando fora, ou desenhando, que era algo que sempre gostei, e quem cuidava de mim nesse horário era meu pai pois minha mãe trabalhava em horário comercial. Ele que limpava a casa e fazia o almoço, e ainda tinha tempo para brincar comigo, me escutar, me ensinar coisas novas (andar de bicicleta foi um desastre pelo o que podemos perceber), sempre esteve lá. Me recordo de momentos que guardo com muito carinho, como a vez que eu vendi um desenho para uma mulher que estava no ponto de ônibus e minha mãe falou que não era pra mim fazer aquilo pois pareceria trabalho infantil, mas meu pai disse para ela não dizer aquilo porque destruiria os meus sonhos; Ou também a vez em que ele tomou banho de chuva comigo e minha irmã mais velha, e depois os dois riram porque eu caí em uma poça d'água; Mas com certeza, o que me toca mais é o fato de todas as noites, antes de dormir, ele se ajoelhava do lado da minha cama e rezava comigo (sou católica), e em seguida cantava "mãezinha do céu"; Isso fez toda diferença na minha vida, fui uma criança quieta porém amorosa, educada, que sabia dar valor às coisas e prestava atenção ao redor. Como ninguém é perfeito, é óbvio que algumas vezes as coisas não dariam certo, era a janela que eu quebrava, ou a parede que riscava, o Nescau que...
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Me chamo Amanda Medeiros, nasci no dia 07 de maio de 2006, e estou aqui, no último ano do ensino médio, fazendo esse trabalho de Projeto de vida. Eu poderia ter escolhido falar sobre todas as vezes que eu já me acidentei de bicicleta, mas não, escolhi falar sobre meu relacionamento com o meu pai.
Meu pai foi e ainda é, um pai que muitos filhos gostariam de ter. Na minha infância ele sempre era presente, dava o amor e a atenção que toda criança tinha que ter, tanto que boa parte de minhas lembranças são com ele.
Até os meus 9 anos de idade, eu morava em uma casa que tinha um quintal grande, com muitas árvores e flores, e eu amava isso, passava a manhã inteira brincando fora, ou desenhando, que era algo que sempre gostei, e quem cuidava de mim nesse horário era meu pai pois minha mãe trabalhava em horário comercial. Ele que limpava a casa e fazia o almoço, e ainda tinha tempo para brincar comigo, me escutar, me ensinar coisas novas (andar de bicicleta foi um desastre pelo o que podemos perceber), sempre esteve lá. Me recordo de momentos que guardo com muito carinho, como a vez que eu vendi um desenho para uma mulher que estava no ponto de ônibus e minha mãe falou que não era pra mim fazer aquilo pois pareceria trabalho infantil, mas meu pai disse para ela não dizer aquilo porque destruiria os meus sonhos; Ou também a vez em que ele tomou banho de chuva comigo e minha irmã mais velha, e depois os dois riram porque eu caí em uma poça d'água; Mas com certeza, o que me toca mais é o fato de todas as noites, antes de dormir, ele se ajoelhava do lado da minha cama e rezava comigo (sou católica), e em seguida cantava "mãezinha do céu"; Isso fez toda diferença na minha vida, fui uma criança quieta porém amorosa, educada, que sabia dar valor às coisas e prestava atenção ao redor. Como ninguém é perfeito, é óbvio que algumas vezes as coisas não dariam certo, era a janela que eu quebrava, ou a parede que riscava, o Nescau que derramava no sofá, e até mesmo a gaveta do meu guarda-roupa que era quebrada e caía toda vez que abria, claro que ele perdia a paciência, mas essas coisas fazem parte da vida.
Tudo começou a desandar quando minha família percebeu que aos poucos, o ferro-velho, que um dia ficava só de um lado da nossa casa, começou a comprar o terreno de nossos vizinhos, ai percebemos que estávamos atrapalhando, com isso, meus pais começaram a procurar uma outra casa para morar. Essa outra casa foi encontrada, era de um casal com dois filhos (e um deles estudava comigo), que já haviam comprado um geminado que estava sendo construindo, ou seja, a gente se mudaria para a casa deles, enquanto eles ficariam na nossa até o geminado ficar pronto para eles irem morar, e o ferro velho tomar posse do nosso terreno também. No começo eu fiquei muito triste (meus pais não sabem disso), o terreno era menor e fechado, não tinha árvores a não ser um pé de acerola que ficava no fundo. Eu me pegava chorando algumas vezes em qualquer canto da nova casa, queria voltar porém não podia. Se passou 1 ano e eu percebi um comportamento diferente no meu pai, ele estava desanimado, andava com uma cara preocupada, e tinha dias que também chorava, à noite eu e ele sentávamos em cadeiras na calçada, para ficar olhando para o céu estrelado, mas mesmo assim aquela sensação de melancolia não passava. Nesse período eu completei 10 anos, foi meu aniversário da pequena sereia, e um tempo depois a gente descobriu que meu pai estava sofrendo de depressão, talvez até mesmo eu estivesse mas não sabia e também não queria preocupar mais meus pais. Aos poucos eu tive que me acostumar com o meu "novo" pai, entender que ele estava passando por um momento difícil para se acostumar com o novo ambiente, até porque a casa antiga foi a que ele sempre morou.
Entretanto ele não melhorou nem mesmo tomando os remédios, então minha mãe percebeu que teríamos que nos mudar novamente, mas para onde? Para o geminado que seria do casal. Em 2017 nos mudamos com o mesmo casal de antes, eles aceitaram voltar para sua casa, para minha família poder ir para o geminado, onde moramos até hoje. Todos se acostumaram desde o começo e as coisas estavam bem, eu estava bem, meu pai estava melhor, mais feliz, mesmo com depressão, ele ainda era um bom pai, independente de seu estado, continuou sendo atencioso porém rígido com a limpeza.
Apenas em 2019, onde a minha irmã já não morava mais com a gente, eu estava começando um curso de inglês, e em uma fase rebelde dos meus 13 anos (me arrependo de tudo que eu fiz), era viciada em k-pop, anime, e dorama, mas prefiro não entrar em detalhes dessa época porque é MUITA humilhação; Foi no final desse mesmo ano, em que meu pai teve que ser aposentado por invalidez, pois foi diagnosticado com Parkinson, uma doença que não tem cura e só piora conforme a pessoa vai envelhecendo. Creio eu que foi no começo da pandemia em que eu mudei, o ano em si foi horrível em vários aspectos, não entendo o que exatamente eu tive, mas eu não fazia nada do que a escola passava pelo classroom, me sentia vazia e inútil. Somente no meio do ano me estabilizei um pouco, como era só eu e meu pai em casa, o dia inteiro, a gente ficou mais amigos, eu ajudava ele na limpeza, na cozinha, ríamos até, porém não ainda me sentia bem de verdade. Meu ápice foi em agosto, quando eu só usava manga comprida por causa dos meus pulsos cortados, e piorou quando minha bisa faleceu em outubro, depois disso eu fiquei afastada, passava a maior parte dos dias no meu quarto, só via meus pais nos horários das refeições, e me perguntava se as coisas iriam melhorar. E é aqui que eu devo agradecer meu pai, se não fosse ele conversar comigo todos os dias, ele inventar alguma receita pra gente fazer, ele simplesmente me abraçar quando eu chorei após minha mãe ver meu boletim (tive que ir duas semanas na escola para recuperar minhas notas), acho que eu não teria melhorado.
De 2021 adiante as coisas ficaram bem, resumidamente fiz um curso de artes, fiz minha crisma, encerrei o ensino fundamental e entrei em uma nova escola, fiz novas amizades, virei titia, comecei um relacionamento com o rapaz que eu conhecia desde 2019, também sou mais amiga da minha mãe se comparado com antigamente, e o mais importante, aprendi a cuidar do meu pai da mesma forma que ele cuidava de mim, com paciência e carinho, tem dias que ele trava por causa da doença e eu preciso ajudar, já que apenas eu estou em casa, é como se tivéssemos trocado de lugar.
Hoje em dia eu estou bem até, falta um mês para eu fazer 18 já, e é meu último ano no ensino médio, planejo fazer faculdade de moda (queria fazer de artes visuais mas vou deixar para fazer quando eu já tiver minha própria casa) a meta é ir bem no ENEM, e sobreviver até o final do ano.
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