Sempre sonhei em ser jornalista. Desde criança, quando nem TV em casa nós tínhamos, eu ficava com algum objeto na mão fazendo de conta que era um microfone e entrevistava minha avó, Nair, hoje com 80 anos, minha tia Alessandra e os poucos amigos com quem brincava, já que minha casa era em um sítio bem distante da cidade. Estudava em uma escolinha perto de casa, que até hoje atende ao 1º segmento do ensino fundamental, primário naquela época. Quando terminavam o atual 5º ano, as meninas do local não podiam estudar mais pela dificuldade de chegar até o Centro do distrito e pelo preconceito, pois naquela época menina que estudava em Bacaxá ficava mal falada. Diziam que estavam saindo de casa e “ia dar pra ruim”. Minha mãe enfrentou a tudo e a todos e ignorando os boatos, levou-me para estudar no Centro Municipal de Educação Padre Manuel e foi onde terminei o ensino médio, naquela época ainda 2º grau. Durante este período estudando em Bacaxá eu fiz 15 anos e mamãe perguntou se eu queria uma festinha com as amigas ou um TV, já que uns 2 anos antes haviam instalado energia elétrica na casa. Sem pestanejar escolhi a TV. Adivinha quais eram os programas favoritos? Os telejornais, é claro. Eu ficava olhando como era bonito aquelas pessoas descobrindo coisas para informar às pessoas. “– Vai ver desenho, menina! Coisa chata esta coisa de jornal”. Diz ela que muitas vezes nem ouvia; estava tão concentrada que nem piscava. A oportunidade da faculdade me veio, mas para a área da educação, afinal fiz normal, a pedido de familiares, que diziam que só professor tem emprego em cidade pequena. Graduei-me em Letras pela Universidade Salgado de Oliveira, onde acabei fazendo jornalismo futuramente, por engano... Eu explico: Depois da apresentação de um trabalho do curso de Letras o responsável pela rádio da universo me chamou para dizer que eu tinha desenvoltura e me perguntou se eu gostaria de estagiar na rádio da universidade. Eu...
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Sempre sonhei em ser jornalista. Desde criança, quando nem TV em casa nós tínhamos, eu ficava com algum objeto na mão fazendo de conta que era um microfone e entrevistava minha avó, Nair, hoje com 80 anos, minha tia Alessandra e os poucos amigos com quem brincava, já que minha casa era em um sítio bem distante da cidade. Estudava em uma escolinha perto de casa, que até hoje atende ao 1º segmento do ensino fundamental, primário naquela época. Quando terminavam o atual 5º ano, as meninas do local não podiam estudar mais pela dificuldade de chegar até o Centro do distrito e pelo preconceito, pois naquela época menina que estudava em Bacaxá ficava mal falada. Diziam que estavam saindo de casa e “ia dar pra ruim”. Minha mãe enfrentou a tudo e a todos e ignorando os boatos, levou-me para estudar no Centro Municipal de Educação Padre Manuel e foi onde terminei o ensino médio, naquela época ainda 2º grau. Durante este período estudando em Bacaxá eu fiz 15 anos e mamãe perguntou se eu queria uma festinha com as amigas ou um TV, já que uns 2 anos antes haviam instalado energia elétrica na casa. Sem pestanejar escolhi a TV. Adivinha quais eram os programas favoritos? Os telejornais, é claro. Eu ficava olhando como era bonito aquelas pessoas descobrindo coisas para informar às pessoas. “– Vai ver desenho, menina! Coisa chata esta coisa de jornal”. Diz ela que muitas vezes nem ouvia; estava tão concentrada que nem piscava. A oportunidade da faculdade me veio, mas para a área da educação, afinal fiz normal, a pedido de familiares, que diziam que só professor tem emprego em cidade pequena. Graduei-me em Letras pela Universidade Salgado de Oliveira, onde acabei fazendo jornalismo futuramente, por engano... Eu explico: Depois da apresentação de um trabalho do curso de Letras o responsável pela rádio da universo me chamou para dizer que eu tinha desenvoltura e me perguntou se eu gostaria de estagiar na rádio da universidade. Eu fiquei feliz com o convite, mas fiquei de perguntar a mamãe se podia. Ela relutou, mas acabou por concordar. Na semana seguinte dei a resposta: SIM. Este sim me levou para a cadeira de jornalismo. Quase um mês participando como repórter de um programa semanal de notícias e o responsável pelo programa me pediu a declaração de que estava mesmo cursando faculdade. Solicitei o documento. Quando entreguei tamanho foi o susto do homem. “- Você não é estudante de Jornalismo?”. Eu respondi mais assustada ainda... “Não, faço Letras!”. “Então você não poderia fazer estágio aqui”, ele disse. Conversou com o responsável da rádio, que havia me convidado e eu fiquei apreensiva sem nada entender. Ele me deu a maior bronca que já tomei na vida e a mais útil também: “Você mentiu pra mim pra conseguir uma vaga de estagiária. Eu confiei em você...”. Quando ele terminou de falar eu falei, com ar de interiorana que sou e naquela época de quem tinha poucos contatos externos: “Mas o senhor só me chamou pra fazer estágio, não perguntou que curso eu fazia. Pensei que soubesse, por isso nem falei nada”. Aquele homem me olhou com uma singeleza e perguntou o que eu estava fazendo no curso de Letras e disse que minha vocação para jornalista era muito maior. Eu abri meu coração. Disse que jamais teria condições de pagar o valor do curso e que tinha 50% de desconto para a área da educação porque dava aula para a rede municipal... Ele, então, fez o convite que jamais imaginei receber: “Quer uma bolsa pra fazer Jornalismo? Eu consigo pra você, mas nunca deixe sua vocação ser excluída de sua vida”. Nunca mais esqueci aquelas palavras e inclusive lembro delas como se estivessem ecoando nos meus ouvidos agora. No semestre seguinte comecei estudando Jornalismo de segunda-feira a sexta-feira à noite e fazendo Letras aos sábados. Uma loucura cansativa e maravilhosa. Depois disto o jornalismo passou a fazer parte integrante de meu cotidiano. A formatura simples e com muitas lágrimas me projetou para as dores e as delícias de ser JORNALISTA.
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