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Por: Museu da Pessoa, 3 de maio de 2012

A vida, acima de tudo

Esta história contém:

A vida, acima de tudo

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“Não tive muita infância porque eu não era igual às outras colegas, que ficavam na rua e iam pra festas. As outras iam, só eu não ia. Eu era aquela garota que ficava mais presa dentro de casa, que a educação que eles me deram era assim, de não sair. Eu tomava conta dos meus irmãos, tinha que acordar de manhã, arrumar a casa primeiro pra depois ir pra escola e, muitas vezes nem ir pro colégio porque a minha mãe era uma pessoa sozinha e então quem cuidava da casa e dos irmãos era eu. Eram nove irmãos, muitos pequenos. Eu também lavava, cuidava da casa, lavava a roupa, varria, areava as vasilhas. Minha mãe sempre viveu a serviço da igreja. E meu pai sempre trabalhou na roça pra dar comida pra gente. Trabalhei muito. Eu plantava cana, limpava, tirava abacaxi. Na usina*, Paineiras também: limpava vala, plantava cana, carregava cana no ombro pra plantar. Às vezes pegava o facão pra picar a cana, jogava a cana de cima da carreta pra jogar nos sulcos, onde ia plantar a cana, isso tudo. Eu sei que eu fazia o serviço de homem. E eu trabalhei nisso tudo até casar. E acompanhava a minha mãe e até hoje eu a acompanho no grupo de oração. Já trabalhei na Pastoral da Criança como líder, já fiz o curso pra Pastoral da Criança. A gente também tem outro trabalho na igreja que é zelar, limpar a igreja. Casei com dezessete anos. Engravidei seis vezes, mas quatro vingaram. Um eu abortei; outro nasceu morto. Tive um que faleceu numa acidente. Foi muito triste pra minha vida. Depois eu autorizei a doação de órgãos dele. Salvou seis vidas. E quando casei eu voltei a trabalhar na roça pra ajudar em casa. Meu casamento durou dezessete anos. Ele bebia, maltratava meus filhos e a gente acabou se separando. Então um dia teve aqui um curso de bijuteria e vieram falar pra eu fazer, pra dar um empurrãozinho. Eu acabei entrando em agosto do ano passado no Projeto*. A minha atividade aqui é bordar, eu sou bordadeira. Antes eu não sabia...

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Dados de acervo

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Projeto Mulheres Empreendedoras Chevron

Depoimento da Rejane da Penha Santos de Souza

Entrevistada por Stela Tredici

(Bom Será) Itapemirim, 03 de maio de 2012.

Realização Museu da Pessoa.

Entrevista nº MEC_HV014

Revisado por Bruna Ghirardello

P/1 – Então eu queria que você começasse falando o seu nome completo, local e a sua data de nascimento.

R – Eu me chamo Rejane da Penha Santos de Souza, nascida dia 25 de agosto de 1968.

P/1 – Onde você nasceu, Regina?

R – Nasci aqui, em Itapemirim mesmo. E você falou de quê, Projeto?

P/1 - E os seus pais nasceram?

R – Meus pais também nasceram e se criaram aqui.

P/1 – Quando você fala “aqui”, é em Itapemirim ou em...

R – É, em Itapemirim.

P/1 – Então você nasceu em Itapemirim e você passou a infância em Itapemirim?

R – Justamente.

P/1 – E como é eu foi a sua infância? O que é que você se lembra lá de Itapemirim, quando você era criancinha.

R – A minha infância, que eu me lembro, é quando eu comecei a estudar aos sete anos, e ia pra escola, muitas vezes, não ia porque tinha muitos irmãos pequenos. Eu é que tomava conta deles. Às vezes, eu, pra eu ir pra escola, tinha que acordar de manhã, arrumar a casa primeiro pra depois ir pra escola e, muitas vezes nem ir pro colégio porque a minha mãe era uma pessoa sozinha e então quem cuidava da casa e dos irmãos era eu, que tinha muitos irmãos pequenos. Era muita dificuldade naquele tempo, então, da minha infância o que eu me lembro é isso. Ah, e a gente também, muitas vezes...Eu sei que ela, também foi, além de minha mãe, foi minha catequista aqui na comunidade. A minha infância, não tem muito o que dizer, não. Porque também, eu me casei nova, aí... não tem muita infância porque eu tinha minhas amigas, meus amigos, e eu não era aquela menina de ficar, igual às outras colegas, que ficavam na rua e iam para festas. As outras iam, só eu não ia, entendeu? Eu era aquela garota que ficava mais...

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