A Professora Que Ensinava Poesia
Em 1979, Chiquinho continuava sua saga, para fazer valer os conselhos de seus pais que, todo santo dia lhe diziam... estude menino, para ser alguém na vida...
Ele ainda tinha pesadelos e calafrios com a Matemática, mas naquele ano viu brilhar no fim do seu túnel uma luz. Marilene Costa D’Ávila, nunca mais se esqueceria dela e para sempre seria grato.
Estava na sexta série, e em meio as aulas de Educação Física com o Professor Wilson na quadra do Corpo de Bombeiros, e as outras disciplinas no prédio do Lourenço Filho, ele ia aos trancos e barrancos passando por aquele ano.
E foi nas aulas de Língua Portuguesa, com a Professora Marilene, que Chiquinho percebeu que poderia ser alguém na vida, assim como seus pais tanto lhe aconselhavam. Entendendo um pouco gramática, concordância, pontuação e ortografia, sua autoestima foi sendo recuperada.
Dona Marilene, era assim como ele a chamava, viu em Chiquinho algo que até então ninguém havia visto. Um dom, um caminho que ele poderia trilhar, ela tirou de dentro do coração dele um poeta...
Que no início, tinha como musa inspiradora a lua no céu, e vez ou outra o amigo na Terra, então ele começou escrever, e a Professora Marilene com cuidado de quem moldava uma peça de barro, foi corrigindo, orientando e motivando. Chiquinho naquele ano, até participou de um sarau de poemas, na rua Batista de Carvalho com o Grupo Apenas.
Foi um ano motivador para ele, que viu seus pesadelos diminuírem a partir do momento em que percebeu que podia sim, ter outras possibilidades e caminhos para seguir em sua vida, e ser alguém como seus pais tanto queriam, Chiquinho podia escrever e escrevia, contos e poesias...
E a Professora,
Sensível que era,
Mostrou ao menino,
O que ele trazia,
Em seu coração...
Luiz Henrique Tavares