A História do Ex-Atleta Dedê
Sou José Alberto da Silva Ferreira, o popular Dedê, nascido no interior paulista, na cidade de Viradouro/SP.
São fatos verídicos e muitas experiências que poderão ajudar muitos jovens a refletir sobre o sentido da vida. Minha história de vida, desde criança, já se identificava com o futebol de rua da época, e eu já era admirado pelos adultos. Mas havia um grande tabu: jogador de futebol daquela época era muito criticado, principalmente pelos parentes, que consideravam a prática não uma profissão, mas \\\"vagabundagem\\\". Os pais não aceitavam essa modalidade como profissão. Mesmo assim, eu estava focado no meu sonho de me tornar um jogador profissional de futebol. Na época, havia dois clubes amadores na mesma cidade de Viradouro/SP: Atlético FC e Esporte Clube Corinthians Caiçara, mais conhecido por Caiçara. Tive o privilégio de jogar nessas duas agremiações. Praticamente comecei como dente de leite, juvenil, e atuei em algumas partidas pelo Caiçara. Aos 15 anos, já era titular do time Atlético FC e, aos 18 anos, fui pela primeira vez campeão amador pelo time do Atlético FC.
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Atuação em Clubes Paulistas da Região
Atuei em vários clubes paulistas da região. Bebedouro/SP, uma cidade vizinha, tinha um time muito bom da segunda divisão de profissionais, conhecido em toda a região: Internacional de Bebedouro FC (Lobo Vermelho). Atuei no América da cidade de São José do Rio Preto, e no Comercial de Ribeirão Preto. Fui destaque no juvenil \\\"A\\\" do time da Ferroviária de Araraquara/SP, saindo até no placar esportivo na época, porque não existia mídia nesse tempo. Estava muito feliz; sentia que o meu sonho de atleta profissional estava se realizando.
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Contato com Bebidas Alcoólicas
Hoje já superei tudo isso há mais de 30 anos, graças a Deus. Isso é só um resumo da minha trajetória esportiva. Quando...
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A História do Ex-Atleta Dedê
Sou José Alberto da Silva Ferreira, o popular Dedê, nascido no interior paulista, na cidade de Viradouro/SP.
São fatos verídicos e muitas experiências que poderão ajudar muitos jovens a refletir sobre o sentido da vida. Minha história de vida, desde criança, já se identificava com o futebol de rua da época, e eu já era admirado pelos adultos. Mas havia um grande tabu: jogador de futebol daquela época era muito criticado, principalmente pelos parentes, que consideravam a prática não uma profissão, mas \\\"vagabundagem\\\". Os pais não aceitavam essa modalidade como profissão. Mesmo assim, eu estava focado no meu sonho de me tornar um jogador profissional de futebol. Na época, havia dois clubes amadores na mesma cidade de Viradouro/SP: Atlético FC e Esporte Clube Corinthians Caiçara, mais conhecido por Caiçara. Tive o privilégio de jogar nessas duas agremiações. Praticamente comecei como dente de leite, juvenil, e atuei em algumas partidas pelo Caiçara. Aos 15 anos, já era titular do time Atlético FC e, aos 18 anos, fui pela primeira vez campeão amador pelo time do Atlético FC.
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Atuação em Clubes Paulistas da Região
Atuei em vários clubes paulistas da região. Bebedouro/SP, uma cidade vizinha, tinha um time muito bom da segunda divisão de profissionais, conhecido em toda a região: Internacional de Bebedouro FC (Lobo Vermelho). Atuei no América da cidade de São José do Rio Preto, e no Comercial de Ribeirão Preto. Fui destaque no juvenil \\\"A\\\" do time da Ferroviária de Araraquara/SP, saindo até no placar esportivo na época, porque não existia mídia nesse tempo. Estava muito feliz; sentia que o meu sonho de atleta profissional estava se realizando.
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Contato com Bebidas Alcoólicas
Hoje já superei tudo isso há mais de 30 anos, graças a Deus. Isso é só um resumo da minha trajetória esportiva. Quando iniciei falando dos dois times da minha cidade, Viradouro, foi aí que começaram os primeiros contatos com bebidas alcoólicas. Quando terminava o jogo de futebol, era costume os atletas receberem o famoso \\\"Bicho\\\", um tipo de pagamento único após a partida disputada entre outra equipe da cidade ou região. E dentro do estádio havia um bar que o clube colocava aos domingos para obter lucro, e com o ingresso cobrado, o bar também funcionava como ajuda financeira do clube.
Aos 15 anos, nunca tinha ingerido qualquer bebida que continha álcool, mas sempre era oferecido por colega atleta que jogávamos na mesma equipe, mas sempre recusava. Foi em uma época que eu não estava bem nos estudos e, naquele tempo, você reprovava de verdade. Eu tinha outro talento que minha tia Joana descobriu: atração por música. Ela não sabia tocar violão e me fez uma proposta naquele final de ano, onde completei 16 anos. Ela me presentearia com o violão da marca Del Chio dinâmico 7 bocas, que era bem conhecido, se eu fosse aprovado na escola e fosse para o primeiro colegial. Aceitei a proposta, nunca estudei tanto quanto naquela época, kkkkkk... mas fui aprovado em todas as matérias e ganhei o violão.
Não entrarei em detalhes porque um livro é pouco para minha história, kkkkk. Naquele tempo também não havia recursos como hoje para aprender a tocar violão ou quaisquer outros instrumentos, mas tinha pessoas que tocavam muito bem violão. E foi assim que aprendi, e que as pessoas diziam que tocavam \\\"de ouvido\\\". Eu não entendia essa técnica, mas fui desenvolvendo aos poucos, e não demorou muito já estava tocando na Igreja, festas de aniversários, da própria família e amigos, etc. Como era cidade do interior, os costumes da época eram fazer serenatas para as garotas e principalmente para a namorada. Final de ano e nas casas de amigos, os convites eram frequentes.
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A Timidez e a Influência de Amigos
Era muito tímido, principalmente para conversar em particular com pessoas, e principalmente quando fui conquistar a primeira namorada. Foi preciso tomar uma dose de bebida. E para ter coragem para se apresentar e cantar em público e nas pequenas multidões, os supostos amigos me incentivavam a tomar alguma dose de bebida, diziam que era para relaxar e desinibir, e também para chegar nas garotas. E foi aí que, sem perceber, fui desenvolvendo o hábito de beber.
Quando chegava o final de semana, aos sábados, eram serenatas com a presença de bebidas alcoólicas. E no domingo, depois da partida de futebol, era cerveja nos bares da cidade e muitas cantorias. Agora, estavam firmados dois sonhos: a fama através do esporte e o sucesso através da música. E isso foi se estendendo, e cada ano que passava, o desejo sempre aumentava de consumir essa droga lícita: o álcool. Uma vez, estava jogando futebol de salão, ou futebol de quadra, que na época era muito disputado, principalmente pelas escolas. No intervalo de uma partida, um amigo me acendeu um cigarro para fumar, e eu, no mesmo instante, dei um tapa no cigarro dele, que foi parar no chão. Eu detestava cigarro.
Lembro que fiquei muito bravo, e todos que estavam ali por perto ficaram chocados com aquela cena. Não passou muito tempo, em uma quermesse de Igreja, que era de costume em cidade do interior ter essa atração. Estávamos todos sentados à mesa, a mesa cheia de cervejas e cantorias; a alegria estava estampada nos rostos daquela gente. De repente, uma garota muito bonita e que fazia parte daquela patota, tirou um cigarro do maço e acendeu, deu aquela tragada e sorriu para mim e disse: \\\"Quer experimentar?\\\". Eu disse que não. Ela me disse: \\\"Deixa de ser cafona, Dedê, atualmente todos fumam, acabou o preconceito, principalmente para nós mulheres\\\". Fiquei indeciso, mas ela me convenceu com o seu argumento: \\\"Se uma garota está praticando isso, vai ficar feio para eu me recusar\\\". Foi quando aceitei. Ela me passou o cigarro, me explicando o que deveria fazer. Me engasguei com muita tosse. \\\"No início é sempre assim\\\", concluiu ela. Não levou muito tempo, eu já estava também fumando com toda a patota.
Nas quermesses também tinha o correio elegante. Quando você estava a fim de uma garota, escrevia um verso romântico, pedia para alguém entregar para a menina, e também as garotas faziam o mesmo com os rapazes. Foi em uma dessas festividades que recebi um correio elegante, e nele estava escrito que o meu charme era quando estava com um cigarro na boca. Aquele elogio foi o que me levou a me tornar, futuramente, um dependente do cigarro. Não queria aceitar, mas a realidade era que eu não conseguia mais me livrar tanto da bebida quanto do cigarro. Com o passar do tempo, os meus comportamentos começaram a mudar dentro de casa, na escola, com meus estudos, na vida social, profissional e espiritual. Estavam fora de controle. Achava que era o dono do mundo, trocava muitas vezes a noite pelo dia, começaram a me chamar de boêmio. Queria sair de casa para realizar meu sonho através do esporte; ainda era menor de idade. Fugi de casa para fazer testes em times da região, mas logo era resgatado pelo Juizado de Menores. Tinha uma dupla personalidade; meus comportamentos eram agressivos no colégio, brigas de rua eram frequentes. Não demorou muito tempo, fui expulso do colégio, etc.
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Em Busca da Fama através do Esporte
Quando completei 19 anos, recebi um convite de um amigo para fazer um teste na Ferroviária FC da cidade de Araraquara/SP. Passei no teste e fui contratado pelo clube na minha posição de ponta-esquerda. Tudo mudou em minha vida; estava muito feliz. Foi o início de uma fase de uma carreira brilhante. O contrato terminava no final do ano. Fui relacionado para um empréstimo a um time do estado do Paraná. Eu me recusei a ir, e aí me deram atestado de liberação, desligando-me do clube da Ferroviária de Araraquara.
Voltei para minha cidade e não aguentava mais de tantas perguntas das pessoas sobre o porquê de eu ter voltado. Eu dizia que estava passando férias, mas não era verdade. Voltei novamente à velha vida de boemia, sem controle, maus comportamentos, etc.
Em 1983, tive um convite para ir para o estado do Paraná, através de um tio, Orlando, da cidade de Umuarama/PR. O sonho da cidade era reerguer o time novamente, mas começaria a disputar a segunda divisão de profissionais. Mas o time não foi bem no campeonato paranaense, e a diretoria resolveu não prosseguir com o projeto. E aí fiquei sem time novamente. Foi aí que me entreguei totalmente ao vício e, quando percebi, estava numa terrível prisão.
Depois, uns amigos ligaram para uma cidade, Terra Roxa/PR. Eu, na hora, levei na brincadeira porque no estado de São Paulo também tem uma cidade com esse nome. Fiz o teste, e já me pediram para ficar, pois no domingo haveria um jogo amistoso na cidade de Guaíra. Novamente, disse aos diretores: \\\"Vocês estão de brincadeira comigo, lá no meu estado também tem uma cidade com o mesmo nome dessa aí\\\". Foi motivo de risos. Fizemos o amistoso, e nesse jogo, um companheiro de quarto, o nome dele era Renatinho, que foi campeão brasileiro pelo Coritiba (Coxa), machucou o joelho. Ele me aconselhou a ficar e até me disse o valor, e que não teria problema com os diretores. Mas o lugar era muito frio, e eu também não tinha interesse em ficar. Faltava-me experiência nessa área, e voltei para Umuarama/PR. Não vou estender este resumo sobre a minha carreira de futebol, porque para este depoimento ao Museu da Pessoa, creio que será suficiente.
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A Transformação e Mudança de Vida
Reverter esse quadro é o nosso grande desafio. Mais um dia, isso tinha que chegar ao fim. Já estava corrompido, usurpado e escravizado pelo vício. Foi quando aceitei ajuda, compreendi o meu problema e acreditei que era tratável. Fui para uma clínica de reabilitação química em uma cidade vizinha, Bebedouro/SP (Comunidade Evangélica). Fiquei um período de tempo e passei por um processo de desintoxicação.
Graças a Deus, me apeguei a Ele e até hoje sigo de mãos dadas com Jesus. Estou recuperado. Sabendo da dor que tanto causei à minha família, parentes e amigos, pude ver também o quanto sofre a família de um dependente químico. Por isso é que luto, embora sem apoio, com o meu trabalho junto aos viciados, com a intenção de recuperação frente à família e à sociedade, pois atrás de um copo de bebida ou de um pouco de droga há sempre as lágrimas de uma esposa e de uma mãe que chora.
O meu desejo é que, através da minha experiência e do meu testemunho, juntamente com o amor de Deus, eu possa ajudar o jovem a valorizar mais sua vida, para não serem vítimas da dependência do álcool e das drogas.
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Observação
Hoje, resido em minha cidade de origem. Estou em abstinência do álcool, cigarro, etc., há mais de 30 anos. Aos 66 anos de idade, continuo a dedicar-me às causas alheias com a minha história de vida. Casado, pai de três filhos, sou funcionário público ativo, compositor iniciante, locutor e narrador, assistente social, cristão evangélico, missionário, escritor iniciante, etc.
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Agradecimentos
Primeiramente, agradeço a Deus, por ser um canal e um instrumento em Suas mãos. Se eu pudesse reciclar o próprio tempo, jamais aceitaria essas propostas erradas. Mas tudo é uma viagem maravilhosa, que é só de aparência. Isso mesmo, é uma terrível prisão, tanto exterior quanto interior. Gostaria de agradecer imensamente o projeto \\\"Museu da Pessoa\\\" por apoiar esse trabalho social e outros. Acredito que a prevenção é a melhor forma de combater o uso de drogas e álcool. O apoio de vocês é fundamental para que pudéssemos alcançar nossos objetivos e ajudar tantas pessoas que estão lutando contra o uso de substâncias psicoativas. Que Deus abençoe a todos.
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