Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Aída Queirós
Entrevistado por Ana Maria Bonjour
Rio de Janeiro, 11/11/2004
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB617
Transcrito por Thiago de Sá
R – Ana, exatamente quanto tempo que eu tenho pra falar e o que você vai me perguntar?
P/1 – Fique à vontade, vou perguntar só sobre o projeto, só essas coisas todas, fica tranqüila.
P/1 – Bom dia, Aída... boa tarde, né? Eu gostaria de começar pedindo pra você falar seu nome completo, data e local de nascimento.
R – Meu nome completo é Aída Maria Barbosa de (Queirós?), nasci em 22 de fevereiro de 1960 em Governador Valadares, Minas Gerais.
P/1 – E conta pra gente assim, de uma forma sucinta, qual a sua trajetória dentro da cultura, na área cultural, como você começou?
R – Tá. Na verdade eu estudei em Minas, eu fiz Belas Artes, em Minas, na UFMG, a Escola de Belas Artes e no último ano de especialização eu fiz desenho, ateliê de desenho e na época – isso foi em 83, 82 – tinha um professor da área de cinema que gostava muito de animação e eu estava fazendo algumas matérias eletivas de cinema e ele passou alguns filmes do Norman McLaren, um canadense do National Film Board, e eu fiquei assim, acho que a partir desse dia mesmo é que eu falei: “É isso que eu quero fazer na minha vida.” Só que na época a gente não tinha informação nenhuma, você não tinha livro, eu não sabia como fazer uma animação e comecei a fazer por conta própria, da maneira que a gente achava que era na época e o Marcos Magalhães, que também é um sócio do Anima Mundi, na época ele tinha acabado de fazer um filme no National Film Board, ia ter um concurso pra dez pessoas no país inteiro pra fazer um curso de dois anos num acordo entre a Embrafilme na época e o National Film Board, então eu me inscrevi pela Embrafilme, ele deixou uns papéis, ele andou pelo país inteiro em todas as capitais chamando as pessoas,...
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Depoimento de Aída Queirós
Entrevistado por Ana Maria Bonjour
Rio de Janeiro, 11/11/2004
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB617
Transcrito por Thiago de Sá
R – Ana, exatamente quanto tempo que eu tenho pra falar e o que você vai me perguntar?
P/1 – Fique à vontade, vou perguntar só sobre o projeto, só essas coisas todas, fica tranqüila.
P/1 – Bom dia, Aída... boa tarde, né? Eu gostaria de começar pedindo pra você falar seu nome completo, data e local de nascimento.
R – Meu nome completo é Aída Maria Barbosa de (Queirós?), nasci em 22 de fevereiro de 1960 em Governador Valadares, Minas Gerais.
P/1 – E conta pra gente assim, de uma forma sucinta, qual a sua trajetória dentro da cultura, na área cultural, como você começou?
R – Tá. Na verdade eu estudei em Minas, eu fiz Belas Artes, em Minas, na UFMG, a Escola de Belas Artes e no último ano de especialização eu fiz desenho, ateliê de desenho e na época – isso foi em 83, 82 – tinha um professor da área de cinema que gostava muito de animação e eu estava fazendo algumas matérias eletivas de cinema e ele passou alguns filmes do Norman McLaren, um canadense do National Film Board, e eu fiquei assim, acho que a partir desse dia mesmo é que eu falei: “É isso que eu quero fazer na minha vida.” Só que na época a gente não tinha informação nenhuma, você não tinha livro, eu não sabia como fazer uma animação e comecei a fazer por conta própria, da maneira que a gente achava que era na época e o Marcos Magalhães, que também é um sócio do Anima Mundi, na época ele tinha acabado de fazer um filme no National Film Board, ia ter um concurso pra dez pessoas no país inteiro pra fazer um curso de dois anos num acordo entre a Embrafilme na época e o National Film Board, então eu me inscrevi pela Embrafilme, ele deixou uns papéis, ele andou pelo país inteiro em todas as capitais chamando as pessoas, quem quisesse se inscrever. Eu me inscrevi, passei, me chamaram, fui uma dessas dez pessoas, estudei dois anos com os canadenses aqui no Rio, foi quando eu vim pro Rio, fiz um curta, aliás, dois curtas nesse meio tempo e depois comecei a trabalhar efetivamente com animação, montei uma produtora com o César Coelho, que é um outro sócio do Anima Mundi, a gente tem um estúdio hoje em dia, a gente produz animação nesse estúdio, tanto pra área comercial como institucional e cultural, e há 12 anos a gente resolveu, então, fazer o Anima mundi, o festival.
P/1 – Fala um pouquinho pra gente do Anima mundi.
R – Falo, falo, porque eu acho que também o Anima mundi foi um outro grande marco. Foi uma época meio conturbada aqui no Brasil, o cinema também quase que foi desativado totalmente, foi em 1990 e a gente, o cinema de animação nem se fala, porque na verdade ele nem existia de verdade, tinha alguns casos isolados, iniciativas individuais de autodidatas, um pessoal mais velho um pouco que tentava fazer alguma coisa, fazia, produzia animação comercial em São Paulo. Era a única coisa que a gente tinha e a gente não tinha informação nenhuma do que estava acontecendo fora do Brasil, a gente não tinha mais como produzir curta-metragem, você não tinha como sair do Brasil pra ver o que estava acontecendo lá fora em outros festivais, a gente estava sem produção e aí a gente resolveu montar uma pequena mostra: “Já que a gente não pode sair e ver, vamos trazer a animação pra cá pra dentro do país, ver o que acontece, se ela tem uma boa aceitação.” A gente acreditava que ia ter e começamos com uma pequena mostra em 1993, que foi o primeiro ano do festival, a gente trouxe blocos fechados, assim, vários filmes canadenses, através do National Film Board, vários filmes russos através do Studio Pilot, vários filmes ingleses através do British Council e então eles ajudaram e trouxeram esses filmes pra gente através do Itamarati, enfim, era bem mais simples, e começou no Rio, e no CCBB em 1993, e nessa época já lotou, estourou desde o primeiro ano, eu lembro, foram sete mil visitantes em dez dias, era muita coisa, que era uma salinha pequena de 100 pessoas só que tinha programação, e mesmo assim lotou, foi impressionante. E a partir daí, como fez sucesso no primeiro ano, repetiu o segundo, a gente foi modificando o Anima Mundi na estrutura, não no propósito porque eu acho que o que fez o Anima Mundi mesmo dar certo foi a proposta dele como projeto, não era mostrar filmes simplesmente, a gente não queria isso, a gente sabia que precisava formar platéia, formar público, e ninguém conhecia, as pessoas conheciam Hanna Barbera na TV e Disney no cinema, mais nada, então, o que a gente fez? Achava importante formar essas pessoas uma vez que você está trazendo animação produzida no mundo inteiro. O festival cresceu, a gente criou as oficinas dentro do festival que existem até hoje, eu acho que é a parte de maior sucesso dentro do festival, onde você desenvolve várias técnicas de animação que são apresentadas pro público, o público entra, faz sua própria animação, vê o resultado na hora, fica super feliz, entende como é feito e vai assistir o filme, então ele tem outro olhar pra assistir esses filmes, ver como é feito, como são feitos e também normalmente têm exposições sobre animação, tem o workshop pras pessoas mais especializadas, tem um papo animado que são palestras que convidados internacionais vêm, fazem, falam sobre o seu trabalho, o voto é popular, nosso voto, o mais importante é o voto do público, todo o público vota quando sai a premiação do Anima mundi.
P/1 – A competição entre os...
R – Da competição. Então, eu acho assim que existe, se você pensar em termos de animação hoje, é só a gente pensar assim: o que era animação no Brasil antes do Anima Mundi e depois do Anima Mundi. Hoje, 12 anos depois, o maior número de inscrições são brasileiras – você tem que levar em consideração que houve ano que não houve nenhuma inscrição do Brasil, foi o terceiro ano do festival – então hoje a gente tem 180, 220 inscrições, curtas, de onde a gente seleciona alguns, o mercado se expandiu, hoje mesmo está sendo feito uma seleção para o MINC de longas-metragens em animação, onde o (MINC?) vai produzir, financiar a pré-produção de três longas em animação pra depois esses longas buscarem o patrocínio. A pré-produção é desenvolvimento de history board, de personagens, de roteiro, de detalhamento desse roteiro e só os que foram selecionados pra daí tirarem três foram 43 projetos de longas-metragens em animação. Então, assim, no Brasil agora já está definido, é uma linguagem artística que parece muito com o nosso povo, com a gente, por causa do humor, da sutileza, da própria linguagem de animação mesmo, ela tem uma resposta muito boa nossa, do nosso público. Casou, isso é o que a gente chama de casamento perfeito, casou, público brasileiro, cinema de animação, pela própria cultura nossa, nosso jeito de ser e eu acho que o festival também tomou um grande corpo quando, _____________ falar de Petrobras, a partir da entrada da Petrobras, já são oito anos, é um projeto de continuidade e eu acho a importância de uma empresa, de um patrocinador, acredita no projeto, vê o que acontece a cada ano e o projeto responde, esse evento responde de maneira positiva, mas tudo isso devido mesmo ao patrocínio de continuidade, então você cria, você pode construir seu evento, seu projeto a partir do que você capta, do que você tem de patrocínio e com isso a gente pode planejar o Anima Mundi sem nunca desviar, sempre mantendo esse propósito de formação de público, divulgação, promoção do cinema de animação, difusão dessa arte no Brasil por acreditar que tinha a ver com a nossa cultura, que era muito próximo da gente e o resultado é esse, realmente a gente acertou, ainda bem, porque eu sou animadora, meus sócios também são e a gente trabalha com isso e, também do Anima Mundi começaram a sair vários desdobramentos e, quando a gente fala assim da consolidação mesmo dessa linguagem, têm vários países – acho que mais de 12 que a gente já fez – pedem mostras brasileiras de animação pra passar lá, então a gente monta uma mostra e manda os filmes brasileiros pra representar o Brasil e sempre são muito bem recebidos, sempre vai público pra ver, a gente tem o Brasil representado lá fora através do cinema de animação. Você tem, além de Rio e São Paulo, como já existe o Anima Mundi tradicionalmente, agora a gente está começando a sair um pouco desse eixo já tem três anos, dois anos, pra Brasília, Belém, Vitória, agora a gente está tentando ir pra alguma capital do Nordeste, ele vai se expandindo aos poucos e de forma sólida, de maneira sólida, como aconteceu no Rio e São Paulo, cada ano você modifica um pouquinho, adapta, melhora, vê o que pode melhorar, ele vai, está se construindo mesmo, como a cultura, a cultura não é todo dia modifica um pouquinho, ela não é construída no dia-a-dia? Assim é o Anima Mundi, sempre se construindo, modificando, se adaptando e investindo, trazendo coisas novas.
P/1 – Bacana. E como que é, hoje, trabalhar – você falou isso de cultura – como é trabalhar em cultura no Brasil? Quais são as dificuldades? O que você sente que mudou?
R – Olha, eu acho que depende um pouco de como que você enfoca isso. Se você fala: “Vou trabalhar com cultura.”, mas o quê exatamente da cultura? Na questão do Anima Mundi, como foi um acerto, houve uma resposta muito grande, boa do público de um modo geral, inserir ele na nossa cultura foi muito fácil, não foi uma coisa difícil, quer dizer, claro que foi fácil em relação assim, se você pegar algum aspecto do interior de Pernambuco, alguma coisinha que só aconteça lá, mas que é um aspecto cultural, é uma cultura, é mais difícil você trazer isso para um grande público que está localizado aqui na região Sudeste, então eu acho assim, depende de tantas coisas, mas de um modo geral acho que pelo menos tem uma atenção maior pra isso, já é uma coisa que vem sendo discutida há muitos anos, eu acho que as empresas estatais foram as primeiras a se posicionarem em relação a isso e foi muito importante porque, mesmo que as empresas privadas entrem depois, o primeiro passo foi dado por empresas estatais, é bom a gente sempre lembrar disso, e de qualquer maneira, mesmo que seja um projeto de sucesso ou de grande público ou não, o início, ele precisa do patrocínio total, sempre. Ele em alguns momentos vai caminhar por conta própria – o que eu te falo – alguns desdobramentos do Anima Mundi caminham por conta própria, essas idas mesmo pra outras cidades, o Anima-escola que são as oficinas do Anima Mundi que vão pras escolas públicas, aí já é um outro tipo, não é bem patrocínio mas alguém que compra essa idéia e coloca nas escolas, então a partir daí você começa a movimentar de outra forma essa verba que não é necessariamente de patrocínio. Agora, pra um evento, pra um teatro ou pra alguma festa, alguma coisa popular, você precisa desse incentivo que existe do patrocinador cultural e o que eu acho importante, que a visão está mudando, eu achava ruim quando alguém: “Ah, tem que ter patrocínio, as pessoas têm que olhar, têm que entender!”, mas de um modo choroso, eu acho que não é por aí, é um negócio, você apresenta um bom produto, você apresenta alguma coisa de qualidade que você sabe que vai ter retorno e o patrocinador, a empresa ganha, porque isso é bom pra imagem dela, se ela está ligada a uma coisa que é simpática ao público, faz parte da cultura dele, que ele está inserido, que está tocando, então é bom pra imagem da empresa, na verdade é um investimento que ela faz nisso também, é isso que eu acho que ainda falta algumas empresas entenderem e que as empresas estatais saíram na frente, principalmente a Petrobras, que é a maior delas hoje em dia em questão de investimento cultural.
P/1 – E você já falou um pouco, mas eu queria que você falasse um pouco mais, o que significou pro Anima mundi a entrada da Petrobras, do patrocínio da Petrobras?
R – Significou isso, a gente pôde aumentar a estrutura, oferecer mais atividades que a gente achava que eram importantes para o público. Então você aumenta o número de oficinas, se antes você oferecia três oficinas com três técnicas, 2D – desenho animado propriamente dito –, massa de modelar e (zootrope?) que é animação em (círculo?), então esse agora a gente já tem areia, já tem computação gráfica, você tem recorte, você tem uma série, outras técnicas que as pessoas podem experimentar, você traz mais filmes, então isso te permite inserir países assim dos mais diversos dentro da amostra, você traz mais convidados, você vê perfis diferentes desses convidados, você aumenta a premiação, você coloca categorias novas dentro do festival, esse ano mesmo entrou Futuro Animador, que são animações feitas por crianças...
P/1 - São os futuros animadores!
R - ...E que estão fazendo filme agora e que daqui a dez anos, com certeza, serão profissionais, muitos deles, a maneira de você incentivar isso, a gente criou também um panorama que são filmes que ficam fora da competição mas que a gente acha eu vale a pena ser mostrados e serem vistos de alguma forma. Isso tudo você vai fazendo porque você conta com o patrocínio certo, então você sabe onde você pode aumentar nessa estrutura e o que mais você pode oferecer. A entrada da Petrobras, eu acho que houve essa modificação, a partir do momento que você conta com certeza com o patrocínio sólido, de continuidade, você pode também planejar de que maneira que você vai fazer o seu evento crescer, cumprir o objetivo dele.
P/1 – O Anima Mundi cresceu muito, né?
R – Cresceu! (RISOS)
P/1 – Em termos numéricos, só pra...
R – Em termos numéricos, a gente no primeiro ano, falei que a gente teve um público de aproximadamente seis, sete mil pessoas, esse ano agora, 2004, foram 93 mil.
P/1 – E em salas de projeção?
R – Salas, são várias! No Rio são cinco espaços, dois grandes que é Odeon BR e uma praça que a gente monta, né? A gente monta um cinema ali no corredor cultural, na Praça dos Correios do Centro Cultural Correios e que também atende mais 700 pessoas por sessão, então são as duas maiores salas com sete sessões por dia e todas enchem, todas lotam – essas são as duas maiores – e tem uma sala dentro do CCBB, tem Estação Botafogo, que também hoje em dia está no Rio, e mais salas também dentro do CCBB. Em São Paulo, a gente às vezes a gente monta em salas separadas, espalhadas pela cidade ou, como no ano passado que foi todo feito dentro da Fundação Bienal, então a gente inseriu ali, a gente construiu três grandes salas dentro do prédio da fundação, mais o estúdio aberto, mais estandes de patrocinadores e de empresas, praça de alimentação, fez uma cidade mesmo de animação dentro da Fundação Bienal e que atendeu por volta de 45 mil pessoas em São Paulo em cinco dias.
P/1 – Bastante.
R – É bastante, então é onde o Anima Mundi vai ele tem um público cativo que não vai às vezes pelo lugar, mas pra ver o que tem pra assistir e estar próximo ao Anima Mundi,em São Paulo e gente vê que isso acontece muito, onde o Anima Mundi está acontecendo as pessoas vão, é um pouco diferente do Rio que as pessoas já vão mas tem um lugar fixo, há anos que acontece ali, as pessoas já vão sabendo onde é.
P/1 – Legal, e qual a importância da Petrobras no Brasil hoje como patrocinadora cultural?
R – Eu já falei, o que eu vou falar aqui você vai ter que cortar, eu brinco, falo que é o nosso Ministério da Cultura! Porque é verdade, é a maior patrocinadora, é isso que eu te falo, é a visão, é falar: “Ah, mas a Petrobras é gigante, tem muitos recursos!” Sim, todo mundo sabe disso, mas existem outras empresas do setor de banco, no setor de telefonia, tudo que também tem um excelente rendimento – a gente sabe disso – e que não investem feito a Petrobras de jeito nenhum, então acho que a Petrobras é sim a grande responsável por essa mudança na questão cultural, uma mudança boa, benéfica, das coisas estarem chegando até a gente, hoje em dia você tem mais informação de coisas que acontecem – isso que eu te falo – no interior do nordeste ou no sul ou no centro-oeste, fala: “Pôxa, eu nem sabia que tinha essa tradição!” Agora a gente já fica sabendo, isso chega até a gente, está tendo mais movimento mesmo porque as coisas começam a acontecer de verdade, não estão confinadas. Eu acho que a grande importância, talvez seja bom mesmo, a Petrobras tirou a cultura do confinamento que ela se encontrava, se encontrava meio que confinada mesmo nos seus nichos e agora não.
P/1 – Brotou, né?
R – Brotou.
P/1 – E tem algum projeto dos seus sonhos que você ainda queira realizar, algum... ou até dentro do Anima Mundi?
R – Tem, a gente tem ainda, porque isso eu falo, o projeto do Anima Mundi não falta, a gente vai sempre um pouco avançado. Agora mesmo a gente tem dois projetos: um é de montar uma escola de animação no Brasil, de formação mesmo, com curso de quatro anos de formação, necessariamente nem tem que ser curso superior, necessariamente não precisa ser, mas depende, óbvio, de uma série de investimentos e trazer pessoas qualificadas, fazer um curso de qualidade porque a gente acha – isso ainda não tem no Brasil – e a gente tem certeza que existe uma demanda pra formação dessas pessoas e que o talento assim é do nosso traço cultural, é um povo muito criativo, acho que todo mundo fala isso, e não vai ser diferente, não poderia ser diferente na animação que é onde as pessoas se exprimem de forma tão livre, então, uma escola e a outra é a gente ter um lugar – não sei se seria bem um museu, não sei nem se seria esse o nome de Museu Anima Mundi, talvez – mas um lugar onde a gente pudesse ter todo o acervo bem conservado e disponibilizado para o público, porque hoje a gente tem um acervo de mais de três mil filmes guardados e que muitos estão correndo o risco de se perderem porque estão em VHS e a gente tem que digitalizar, de todos os filmes que já passaram no festival, a maior parte deles, a gente tem artes maravilhosas de filmes que alguns autores mandam pra gente e agora com a publicação do livro Animation Now, que é de nossa autoria, a gente pediu as artes dos livros e muitos autores mandaram, então a gente tem os originais, muitos deles dos livros, que seria uma galeria maravilhosa e que também é pra ficar disponibilizada, é uma parte da história da animação mundial de dez anos que está na nossa mão.
P/1 – Onde está guardado isso tudo?
R – Lá na sede da gente, em Botafogo, que é como dá pra arquivar, mas assim, é a nossa maneira de guardar o que a gente conseguiu, mas não está de forma nenhuma guardado de forma adequada não. Sabe, é uma preocupação nossa, a gente não pode deixar perder isso tudo que está sendo adquirido nesses anos todos, então eu acho que é um próximo passo, não é nem sonho, eu acho que já é uma questão de concretizar, você concretizar porque uma hora você tem que deixar isso pra quem está vindo agora, que são os jovens.
P/1 – História, né?
R – A história. Deixa, está aí disponível, você não vai partir do mesmo ponto que a gente partiu há, no meu caso, há 20 anos atrás, não tinha nada, nada. Então um jovem hoje que se interesse por animação, se ele tem acesso a um acervo desse, ele não vai começar do zero, ele começa já bem adiantado, a possibilidade dele desenvolver animação é muito maior do que a que a gente teve. É questão de história mesmo, de história, de dar instrumentos, enfim.
P/1 – De resgate.
R – De resgate.
P/1 – Você tem alguma sugestão pra área de patrocínio da Petrobras?
R – Como assim, sugestão?
P/1 – Uma sugestão pra dar pra Petrobras sobre a área que deveria patrocinar? Não sei, alguma sugestão?
R – Eu acho que a Petrobras já cobre todas as áreas, né? Assim, se a gente for pensar, eu sei que na parte de música, com certeza, de preservação da nossa música, a parte de dança também sei, cinema, com certeza, a Petrobras é a que mais investe nisso tudo, então, artes plásticas, eu sei alguma coisa. É porque é difícil, quando a gente viaja pelo país, eu fico prestando atenção nisso, eu vejo muito a Petrobras em várias coisas, nem só na questão cultural, às vezes na preservação ambiental, tudo você observa: “É a Petrobras, ah, Petrobras!”. Na área cultural, não, eu acho que a Petrobras está no caminho certo, o que ela pode fazer é abraçar mais coisas, ficar sempre atenta a isso, isso eu acho importante, aos olhos de quem seleciona os projetos culturais ou o que vai ser patrocinado, estar sempre atento ao que é novo, aos que são pequenos porque, se se pensar, o Anima Mundi, quando a gente bateu na porta do patrocinador, eram quatro moleques com um projetinho na mão, mas quem viu teve a atenção de ver e falar: “Isso aqui é importante, pode ser que dê resultado.” Eu acho que também se fala em termos de Brasil geral e de todas as áreas culturais, a única sugestão é isso, quem seleciona ou (as áreas que?) seleciona, sempre prestar atenção aos iniciantes, aos que estão começando, porque dali com certeza é que vem a renovação, e o que é novo e você então mantém o que já funciona, não tem porque descartar, mas ficar de olho em quem está aparecendo, isso é a cultura em movimento.
P/1 – Como vocês apareceram.
R – Como a gente apareceu.
P/1 – Como que foi que vocês... já está acabando, na verdade.
R – Só passa.
P/1 – Está bom? Onde a gente tinha parado?
R – A gente tinha parado que a Ana trabalha pro Anima Mundi também (RISOS). Eu não sabia, não lembro, é muita confusão hoje isso, né?
P/1 – Não tranqüilo, você estava falando pra gente como foi que você conseguiu o patrocínio da Petrobras.
R – Quando a Petrobras entrou, o Anima Mundi já existia há três anos, mas ainda era bem pequeno, ele estava todo concentrado só ainda na sala do Centro Cultural Banco do Brasil, nessa sala pequenininha que eu te falo, de 100 lugares e uma de vídeo de 50, então, já tinha um patrocínio pra acontecer nesse espaço. Com a entrada da Petrobras, a gente pôde expandir, pegou mais o Corredor Cultural e aos poucos a gente foi se expandindo, foi pra São Paulo quando a Petrobras entrou, tinha reclamação do pessoal de São Paulo: “Pôxa,vocês não vêm pra cá um dia!”. Então foi quando o Anima Mundi pôde ir pra São Paulo, que é outro atendimento, é outro público e é muito grande também, você tem dois pólos, modificou muito, mas ainda era um evento de porte, eu diria, pequeno, e a Petrobras acreditou.
P/1 – Mas vocês apresentaram, como é que foi a seleção?
R – A gente apresentou. O primeiro ano a Petrobras, na verdade, entrou com um aporte financeiro bem pequenininho e está certo, eu também faria a mesma coisa pra ver o que é, não é? E, vendo o resultado, inclusive pra ela, no segundo ano a gente já começou a apresentar projeto mesmo já definido, de como seria o festival e aí a Petrobras foi investindo ao longo dos anos e cada vez mais acompanhando o crescimento do festival, a gente mostrava a necessidade do festival se expandir e a Petrobras sempre bancando isso, porque é isso mesmo, o atendimento do público é muito grande, existe uma demanda muito grande, então é óbvio que vai chegar um momento que vai parar mas enquanto der pra atender essas pessoas num maior número possível, e isso só foi possível por causa da entrada da Petrobras.
P/1 – E você quer dizer mais alguma coisa, deixar algum registro sobre o Anima Mundi, o patrocínio?
R – Deixo, eu vou voltar a falar uma coisa que eu falei no início, pensar sempre o que era cinema de animação no Brasil antes e depois do Anima Mundi, então isso eu acho que já define a importância de se ter um patrocínio cultural, a gente fez a cultura do cinema de animação no Brasil acontecer, hoje em dia já é um mercado, uma ferramenta de trabalho, uma linguagem de arte estabelecida dentro do nosso país e com um público, com profissionais, com demanda e com crescimento agora sem parar.
P/1 – O Anima Mundi está bem relacionado a isso porque você fala um pouco de como vocês formam não só a platéia, mas também profissionais nessas oficinas.
R – Ah, sim, profissionais com certeza, hoje você pensa assim, Anima Mundi tem 12 anos, então tem várias pessoas que estão com filmes participando do Anima Mundi e em outros festivais fora também, claro, que o primeiro contato foi nas oficinas, essas que são abertas ao público, menino com 12 anos, hoje está com 24, então está produzindo, muitos profissionais vieram dali e é isso, nossa preocupação em trazer o maior número de informações possíveis pra quem está fazendo ou começando animação, ou já produzindo, enfim, contato com coisas novas com técnicas novas, o maior número possível, é essa a preocupação do Anima Mundi, ele é como uma mola propulsora assim, durante um mês, que é o mês de julho, explode a quantidade de informação e _______, isso se mantém durante o ano tanto com os desdobramentos do festival como a própria produção de animação hoje brasileira.
P/1 – Está bom. O que você achou de ter participado aqui do projeto Memória Petrobras, da entrevista?
R – É uma honra, eu adorei poder vir falar de um projeto que a gente tem tanto carinho, tanto amor mesmo pelo Anima Mundi, então o patrocinador te chama pra dar um depoimento sobre isso, sobre a importância dele, senti uma honra, muito honrada.
P/1 – Então está, Aída, eu queria agradecer a participação.
R – Obrigada.
P/1 – E é só, meninos.
R – Pronto?
P/1 – Pronto, só vamos, levanta pra ele te...
(fim da entrevista________).
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