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Estava entrando na adolescência e tomando corpo de mocinha, logo o meu pai passou a impedir que eu saisse com meus amigos, querendo que eu ficasse presa dentro de casa. Foi um período muito ruim na minha vida. Ainda hoje quando falo disso sinto-me sufocada. Não podia ir para lugar nenhum, não ia ao cinema com os amigos, não ia à praia, não ia aos aniversários e nem aos piqueniques, era uma vida chata e sem graça. Era cobrada para estudar, mas não tinha direito a lazer nenhum.

Quando comecei a namorar, o que era ruim ficou muito pior. Porém, já fazendo faculdade, comecei a trabalhar, com 18 anos, e ganhava razoavelmente bem. Apesar das perseguições do meu pai, conseguia ter alguns momentos de folga. Aos 24 anos casei, aos 25 tive meu filho e aos 27 me divorciei. Com meu divórcio, dei meu grito de liberdade, não só do casamento, que foi uma continuação da perseguição que eu vivia na adolescência, mas também um grito de liberdade em relação ao meu pai.

(Texto de 20 de agosto de 2007)

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