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Personagem: Anônimo
Por: Museu da Pessoa, 10 de agosto de 2012

"Virou a vida mesmo"

Esta história contém:

"Virou a vida mesmo"

Minha mãe, quando deixou o sertão sozinha e foi morar na capital, carregava uma criança na barriga e outra no colo, que era eu. Na capital, foi trabalhar de lavadeira na beira do rio perto de casa. Eu ficava em casa, cuidava do meu irmão menor enquanto ela estava no trabalho. Era uma vida simples. Lembro dela com saudades.

Quando eu fiz nove anos, comecei a trabalhar. Meu primeiro trabalho foi carregando malas na rodoviária. Com o dinheiro que ganhava, eu comprava bolo, bolacha, suco, soda, coxinha e outras coisas. Meu tempo era dividido entre brincar na rua, ir à escola e trabalhar na rodoviária. Cresci trabalhando. Em casa eu não apanhava, mas na escola tinha palmatória.

Na minha vida, já trabalhei de tudo. Vendi papel na feira, aluguei balança, fiz frete, carreguei balaio pesado, vendi frango assado e areia branquinha da praia pra arear panela, fui feirante, trabalhei em loja, fui embalador em supermercado, funcionário de restaurante, de churrascaria e de cartório. Já fui porteiro, vigia e garçom. Agora eu trabalho vendendo pamonha e canjica. Sempre gostei de trabalhar. Adoeço quando não trabalho.

No estudo, fui até a quinta série. Saía de casa de madrugada, ia pra feira. Saía da feira pro colégio e do colégio pra feira de novo. Naquela época, quem fazia o quinto ano, Virgem Maria, era quase professor! Aguentei enquanto pude, mas depois não deu mais e deixei a escola.

Só fui conhecer meu pai de verdade aos doze anos, na casa do meu padrinho. Eu estava no cinema assistindo a um filme do “O Gordo e o Magro” e foram me chamar. Disse que não ia, queria terminar de ver o filme. Fui, mesmo a contragosto. E a partir de então, passei a visitá-lo nas férias. Ia pra casa dele de trem, na primeira classe. Meu pai morava em outra cidade e trabalhava na estrada de ferro. O meu padrinho era maquinista. Eles me colocavam na primeira classe.

Minha esposa eu conheci na praia. Encontrei com ela e num simples olhar deu nisso....

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Dados de acervo

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Projeto ViraVida Depoimento de “João” Entrevistado por Fernanda Prado e Márcia Ruiz Natal, 10/08/2012 Realização Museu da Pessoa Entrevista VV_HV045 Transcrito por Adriana Leme (MW Transcrições) Revisado por Ana Calderaro Nesta entrevista foram utilizados nomes fantasia para preservar a integridade da imagem dos entrevistados. A entrevista íntegra, bem como a identidade dos entrevistados, tem veiculação restrita e qualquer uso deve respeitar a confidencialidade destas informações.

O Museu da Pessoa está em constante melhoria de sua plataforma. Caso perceba algum erro nesta página, ou caso sinta falta de alguma informação nesta história, entre em contato conosco através do email atendimento@museudapessoa.org.

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