Capitulo 4
Os milagres no “caminho”!
APRENDEMOS A NOS SUPERAR, SUPERANDO AS ADVERSIDADES COM FÉ E ALEGRIA!
Durante esta caminhada de muita fé, pelas rotas diversas que levam á Santiago de Compostela, a vila Ponte de Lima é algo surreal aos olhos, cruzar a famosa ponte medieval ou ponte Romana, edificada pelos Romanos no século I, é um verdadeiro milagre.
De cima daquela ponte, observamos a suavidade como o rio Lima corre, e serpenteia toda extensão da vila, com tantas historias rumo ao mar.
Perguntei ao velho:
- Pela energia que sinto, estamos nos aproximando de Santiago de Compostela?
- Sim! Em alto tom e entusiasmado, respondeu o velho.
E seguimos em passos firmes, apreciando
e contemplando a magnifica natureza, e sua grandeza diante de nossos olhares.
O que acontece de fato nos vários caminhos que levam á Santiago, além da entrega física de cada um, de forma bem própria, cada peregrino e peregrina, caminham como podem, em uma jornada de muita fé, alguns são literalmente empurrados, é o caso de vários cadeirantes que vi ao longo do caminho, vi também pessoas que enfrentavam algum tipo de síndrome psíquica.
Assim também como algumas pessoas cegas são conduzidas por seus guias, algumas com seus inseparáveis amiguinhos de quatro patas. Vi também varias pessoas amputadas, algumas, sem os braços, outras sem uma das pernas, equilibrando em suas muletas, mas acima de tudo, percebi que elas na grande maioria, sorriam com sorrisos mágicos, e desfrutando da energia que fluía em cada percurso daquele caminho.
A fé que move montanhas, ainda é a mesma!
Em passos suaves e apreciando cada detalhe, paramos em uma pequena capela para descansar por alguns minutos e agradecer a Deus por uma experiência tão única e fantástica.
Em seguida retomamos a caminhada e avistamos uma enorme placa, que anunciava que estávamos adentrando no territorio da linda VALENÇA.( Valença do Minho). ( ponto...
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Os milagres no “caminho”!
APRENDEMOS A NOS SUPERAR, SUPERANDO AS ADVERSIDADES COM FÉ E ALEGRIA!
Durante esta caminhada de muita fé, pelas rotas diversas que levam á Santiago de Compostela, a vila Ponte de Lima é algo surreal aos olhos, cruzar a famosa ponte medieval ou ponte Romana, edificada pelos Romanos no século I, é um verdadeiro milagre.
De cima daquela ponte, observamos a suavidade como o rio Lima corre, e serpenteia toda extensão da vila, com tantas historias rumo ao mar.
Perguntei ao velho:
- Pela energia que sinto, estamos nos aproximando de Santiago de Compostela?
- Sim! Em alto tom e entusiasmado, respondeu o velho.
E seguimos em passos firmes, apreciando
e contemplando a magnifica natureza, e sua grandeza diante de nossos olhares.
O que acontece de fato nos vários caminhos que levam á Santiago, além da entrega física de cada um, de forma bem própria, cada peregrino e peregrina, caminham como podem, em uma jornada de muita fé, alguns são literalmente empurrados, é o caso de vários cadeirantes que vi ao longo do caminho, vi também pessoas que enfrentavam algum tipo de síndrome psíquica.
Assim também como algumas pessoas cegas são conduzidas por seus guias, algumas com seus inseparáveis amiguinhos de quatro patas. Vi também varias pessoas amputadas, algumas, sem os braços, outras sem uma das pernas, equilibrando em suas muletas, mas acima de tudo, percebi que elas na grande maioria, sorriam com sorrisos mágicos, e desfrutando da energia que fluía em cada percurso daquele caminho.
A fé que move montanhas, ainda é a mesma!
Em passos suaves e apreciando cada detalhe, paramos em uma pequena capela para descansar por alguns minutos e agradecer a Deus por uma experiência tão única e fantástica.
Em seguida retomamos a caminhada e avistamos uma enorme placa, que anunciava que estávamos adentrando no territorio da linda VALENÇA.( Valença do Minho). ( ponto geográfico referencia de todos caminhos que levam á Santiago de Compostela).
Com meu coração feliz e a alma envolta por uma leveza já mais sentida, falei um pouco mais de mim para o velho.
- Não sei se percebeu mas eu sou um portador de deficiência monocular, nasci com meu olho direito 100% comprometido!
- Sim! Percebi. Respondeu o velho.
Curioso eu indaguei a ele:
- como percebeu se eu uso uma prótese?
O velho disse:
- Percebi que você tira seus óculos escuros muito pouco, a noite você evita olhar nos meus olhos quando estamos conversando, quer falar sobre esse assunto?
- Sim! Respondi ao velho.
- Nós monoculares, nascemos com um conflito pessoal, que nos acompanha na jornada eterna de nossa existência. Enchergamos um mundo diferenciado, é como andar vendo de um lado das vistas, um alegre e colorido “carnaval”, e do outro lado, um abismo profundo em uma escuridão total.
Nos “equilibramos” e nos adaptamos desde o nosso nascimento.
Quando começamos na infância a perceber que somos “diferentes”. E consequentemente iniciamos nossos enfrentamentos.
Minha saudosa mãe, sempre teve um carinho muito especial por mim, ela foi a primeira pessoa que teve a sensibilidade perceptiva em relação á minha deficiência, ela sempre me dizia que eu era “bonitinho”. Parecia que aquela era uma forma de preparar-me, para a vida, aguçando minha autoestima.
É no seio familiar que na maioria das vezes, que esses conflitos se iniciam, pela ignorância e falta de cultura, e nesse mesmo “ninho”, inicia um processo de resistência.
O BULLYING!
É no berço familiar, que nascem os bizarros “apelidos”, que machucam, deixando feridas amargas, inferiorizam, e muita das vezes, lançam os portadores, de forma involuntária, em suas prisões psicológicas, que foi o meu caso, vivi recluso em um mundo só meu, solitariamente tentando descobrir meu próprio “caminho”.
( um cego procurando a luz, na imensidão do paraíso.)
(Zé Ramalho)
Na escola, os “coleguinhas normais,” zombam sem nenhuma piedade, são frutos de uma “educação” familiar, equivocada, infelizmente sem nenhum preparo.
Me lembro que no primeiro dia que fui para a escola, me deparei com muita gente desconhecida, alguns olhavam para mim e sorriam, outros apontavam os dedos, minha reação foi cair em prantos, e resistir a ficar naquele ambiente torturador.( foi meu primeiro impacto pscologico).
Eu não fiquei no primeiro dia letivo, voltei para casa, segurando as mãos de minha irmã, que não sabia o que fazer, diante daquela situação.
Ao chegar em casa, abracei minha mãe e chorando disse a ela, que os meninos estavam “rindo” de mim.
Com o passar dos dias, consegui ficar na sala de aula, sentado na ultima carteira da fila, sempre mais isolado e cabisbaixo.
Na hora do recreio, permanecia no meu canto, em algum lugar do pátio, quando a escola não oferecia merenda para a criançada, eu catava o resto das merendas que os meninos levavam e deixavam jogados ao chão. Era um período muito difícil, e derrotar a fome, era sempre nosso maior desafio.( ainda bem que Deus na sua infinita misericórdia, nos enviou seus anjos e santos como o sociólogo Betinho, irmã Dulce dos pobres, Padre Julio Lancellote, e tantos outros que incansavelmente travam lutas ferrenhas contra a fome e a desigualdade social.
Nesse mesmo pátio, em uma atividade de matemática, já no segundo ano, minha professora tomava os fatos, eu como sempre, o ultimo da fila, parecia que aquela fila era interminável, quando chegou minha vez, ela me perguntou três multiplicações e eu respondi cabisbaixo:
- Nâo sei, não sei, não sei!
Ela me deu uma reguada de madeira na cabeça, em um ato de total violência e despreparo, mais um momento eu era alvo de deboche dos “ coleguinhas”, e encontrava meu primeiro TRAUMA, ( era comum, esse comportamento nas escolas), e com certeza, naquele momento, eu sentia o peso do mundo sobre os meus ombros, o fato de não saber os fatos, hoje eu entendo que na verdade, eu nem enxergava o quadro ou louza,(devido a essa crise familiar, eu so tive acesso ao meu primeiro óculos, aos 29 anos de idade), mas aquela professora não sabia que eu era uma criança especial.
Ate os dias de hoje, eu trago um trauma irreparável, nem um numero fixa em minha memoria, as vezes nem a data de meu próprio nascimento, mas o nome daquela professora, nunca ,mais eu esqueci, e jamais esquecerei.( que Deus a tenha). Em relação aos óculos escuros, é uma recomendação medica, para descansar da claridade que afeta meu olho.
O velho, silenciosamente, ouvia minha fala atentamente, e em momento algum ele disse nada, apenas observava que ao discorrer aquela narrativa, minhas lagrimas escorriam, em um dado momento, ele retirou do seu bolso, um lenço branco, e me deu para secar meus prantos.
- Desculpe-me! Eu disse ao velho que prontamente me abraçou e disse:
- Não se preocupe, é bom te ouvir.
Me abraçou e seguimos o caminho, em passadas lentas, e cheias de reflexões.
Por alguns momentos, o silencio passou a ser protagonista, somente sentia o peso da mochila nas minhas costas, e uma sensação de alivio tomava espaço em minha alma.
Decidimos parar e fotografar a entrada da cidade de Valença, e já sentíamos que pelo ar que respirávamos já estávamos próximos de nosso destino, alguns “ metros” nos separavam da Espanha, Santiago de Compostela estava logo ali, como dizem os bons mineiros.
Estava muito frio em Valença, e parecia que a noite estava chegando bem mais gelada do que o dia, decidimos por descansar no próximo albergue.
Avistamos mais uma daquelas placas amarelas, que indicava que aquele era o mais próximo, finalmente ali entramos.
No quarto daquele albergue, assistimos uma reportagem especial que passava na TV, falava exatamente sobre a luta e os números dos deficientes pelo mundo a fora, observei e me emocionei, por perceber que existem milhões de pessoas no planeta, que passam o irão passar por enfrentamentos iguais ou piores do que os meus.
Censo IBGE 2022: saiba qual é o cenário das pessoas com deficiência atual de pessoas com deficiência no Brasil?
De acordo com as novas informações do Censo 2022, quase 19 milhões de pessoas com 2 anos ou mais possuem algum tipo de deficiência, representando 8,9% da população brasileira nessa faixa etária. Dentre elas, 47,2% possuem 60 anos ou mais, o que equivale a aproximadamente 8,8 milhões de pessoas.
A pesquisa também identificou o perfil estatístico da pessoa com deficiência no Brasil, você tem algum palpite de como ela é? De acordo com os dados, ela é uma mulher da cor preta e nordestina.
Agora, quando pensamos nas pessoas com deficiência auditiva, mais especificamente, descobrimos que 1,2% da população brasileira tem dificuldade para ouvir, mesmo usando aparelhos auditivos. Vale ressaltar aqui que o questionário do Censo IBGE não pergunta diretamente para a pessoa se ela possui ou não uma deficiência, mas questiona o grau de dificuldade que ela encontra para realizar certas atividades cotidianas, como ouvir, enxergar ou subir escadas.
O Censo IBGE 2022 também trouxe informações muito interessantes sobre a presença das pessoas com deficiência em diferentes esferas da sociedade, e vamos nos aprofundar nesses dados em seguida!
A realidade das pessoas com deficiência em diferentes recortes da sociedade brasileira
Agora que você já conhece um pouco mais sobre o perfil demográfico das pessoas com deficiência no Brasil, que tal entender a sua relação com algumas áreas importantes da sociedade?
Um dos aspectos que mais contribui para a desigualdade social e falta de oportunidades para as pessoas com deficiência é a baixa escolaridade. Ela normalmente resulta em dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, e consequentemente afeta negativamente a renda familiar dessa parcela da população. Então vamos te explicar melhor como está esse cenário hoje e algumas das causas para que ele esteja assim.
Pessoas com deficiência e educação
Começando pelo começo, 19,5% das pessoas com deficiência são analfabetas. Além de ser um dado bastante preocupante por si só, ele ganha contornos ainda mais complicados quando descobrimos que a taxa de analfabetismo de pessoas sem deficiência é de “apenas 4,1%”.
A partir daí, os outros dados não são uma grande surpresa: 63,3% das pessoas com deficiência não têm instrução ou possui o ensino fundamental incompleto, 11,1% tem o fundamental completo ou o ensino médio incompleto, 25,6% concluíram o ensino médio e apenas 7% possuem ensino superior.
É importante pensarmos também que as crianças com deficiência muitas vezes enfrentam barreiras ainda maiores ao ir para a escola, podendo ter dificuldade de compreensão das aulas ou questões físicas e fisiológicas que as impedem de manter uma boa frequência. Por conta disso, muitas delas também têm que lidar com o atraso escolar, por causa da falta de estrutura e acessibilidade nas instituições de ensino.
Apesar da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) exigir direitos, garantias, inclusão e acessibilidade para as pessoas com deficiência em todos os espaços físicos e digitais do país, essa infelizmente ainda não é a realidade.
Pessoas com deficiência no mercado de trabalho
Em 2022, 5,1 milhões de pessoas com deficiência estavam dentro do mercado de trabalho, enquanto 12 milhões não tinham nenhuma ocupação, formal ou informal. Em outras palavras, 29,2% das pessoas com deficiência estão empregadas, contra 66,4% daquelas sem deficiência.
Também é interessante destacarmos que 55% das pessoas ocupadas com deficiência atuam na informalidade. Isso pode acabar prejudicando-as, por não terem a segurança da continuidade do trabalho e nem poderem usufruir dos direitos trabalhistas.
Existem alguns fatores que influenciam nesse cenário, desde a baixa escolaridade dessa parcela da população, que comentamos acima, até o capacitismo que ainda está muito enraizado na nossa sociedade. No entanto, mesmo as pessoas com um nível mais alto de instrução enfrentam muitas barreiras no mercado de trabalho, já que a diferença entre pessoas com e sem deficiência que possuem ensino superior é de 29,6 pontos percentuais.
Pessoas com deficiência e renda
Com tudo isso em mente, as pessoas com deficiência apresentam uma renda mensal 30% menor do que a média do Brasil. Elas recebem por volta de R$1.860 por mês, contra R$2.652 da média da população. Também não é uma surpresa que as mulheres com deficiência possuem uma renda menor ainda, recebendo cerca de R$1.553.
Esse comportamento se repete em todos os tipos de atividades profissionais, mas com uma disparidade menor entre pessoas com e sem deficiência nas áreas do transporte, armazenagem e correio, e serviços domésticos.
Como contribuir para mudar esse cenário?
Você imaginava que o cenário das pessoas com deficiência no Brasil era desenhado dessa forma? Bom, de qualquer jeito, podemos concordar que ele é bastante prejudicial e desigual. As pessoas com deficiência enfrentam sempre mais barreiras do que o restante da população, sem nem mencionar as interseccionalidades e dificuldades que pessoas pertencentes a mais de um grupo minoritário.
Mas então qual é o nosso papel como sociedade para mudar esse cenário? Investir em iniciativas de acessibilidade e inclusão social! Todas as pessoas e organizações podem contribuir para isso. No mundo corporativo, uma boa solução é começar investindo em ferramentas de acessibilidade na web, como o Hand Talk Plugin, uma solução de acessibilidade de tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) focada na inclusão da comunidade surda. Quer saber mais? Converse com especialistas da Hand Talk!
Quase 7 milhões de pessoas tinham deficiência visual
Segundo a PNS 2019, 3,4% da população do país com 2 anos ou mais de idade declararam ter muita dificuldade ou não conseguir de modo algum enxergar, o equivalente a 6,978 milhões de brasileiros com deficiência visual, que atingia a 2,7% dos homens e a 4,0% das mulheres. Cerca de 0,5% da população com 2 a 9 anos tinha deficiência visual, ante 9,2% entre os idosos.
Aproximadamente 4,2% das pessoas com 18 anos ou mais de idade tinham deficiência visual, sendo 8,1% entre as pessoas sem instrução ou com nível fundamental incompleto, 3,2% para aquelas com fundamental completo ou médio incompleto, 2,1% para aquelas com médio completo ou superior incompleto e 1,0% para o nível superior completo.
Na população com 2 anos ou mais de idade, 3,4% tinham deficiência visual, sendo que nos domicílios que tinham rendimento de até 1 salário mínimo tiveram percentuais variando de 3,9% a 4,4%. Dentre os domicílios com rendimento per capita de 5 salários mínimos ou mais, esse percentual foi de 1,2%.
Segundo a PNS, 2,3% das pessoas ocupadas tinham deficiência visual. Já o percentual de pessoas com deficiência visual fora da força de trabalho foi de 6,6%.
Fonte ibge( INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICAS).
(Movido por esse estudo,fundei a ASSOCIAÇÃO DOS PORTADORES DE DEFICIENCIA VISUAL,E MONOCULAR DO VALE DO AÇO).
Desliguei a tv, observei que o velho já estava dormindo, fechei a janela, apaguei a luz, e me apaguei literalmente.
(Trecho do meu novo livro: Santiago Um Caminho e Um Destino!)
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