HISTÓRIA DE VIDA – CAZU BARROZ
(Depoimento para o Museu da Pessoa – UNAIDS Brasil – 1º de dezembro) 40 anos de HIV AIDS
Meu nome é Cazu Barroz. Sou ator, artista e sobrevivente da maior epidemia que transformou o Brasil e o mundo: a epidemia do HIV/Aids.
Minha história atravessa o pânico dos anos 90, a revolução científica dos anos 2000 e o enfrentamento do estigma até hoje. Sou testemunha de uma época que não pode ser esquecida.
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Início da minha jornada com o HIV – Anos 1990
Recebi meu diagnóstico no começo dos anos 90, aos 17 anos de idade quando ainda reinavam o medo, o preconceito e a completa falta de políticas públicas estruturadas. Essa era uma época em que o HIV parecia um fantasma que destruía vidas em silêncio e muito rápido.
Meu tratamento foi no Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro — o único local que atendia pessoas com Aids naquela época em 90. Ali, vivi uma das experiências mais marcantes da minha vida: vi muita gente morrer. Jovens, mães, amigos, desconhecidos… vidas interrompidas pela falta de tratamento, de informação e de esperança.
O Fundão era um mundo à parte: corredores cheios, leitos improvisados, olhares cansados e médicos fazendo o impossível diante de uma doença que ainda não tinha resposta.
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O “Efeito Lázaro” – Final dos anos 90
Entre 1996 e 1997, testemunhei algo que mudou tudo: a chegada do coquetel antirretroviral.
Pessoas que estavam à beira da morte começaram a se recuperar de forma tão impressionante que médicos e pacientes passaram a chamar aquilo de “Efeito Lázaro”. Era literalmente ver vidas ressuscitarem.
Eu também renasci. Meu corpo reagiu, minha energia voltou e a esperança se reacendeu.
Foi ali que começou minha segunda vida — mais consciente, mais forte e mais comprometida com a história da Aids no Brasil.
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Trajetória artística e ativismo
A arte foi minha forma de existir no mundo com...
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HISTÓRIA DE VIDA – CAZU BARROZ
(Depoimento para o Museu da Pessoa – UNAIDS Brasil – 1º de dezembro) 40 anos de HIV AIDS
Meu nome é Cazu Barroz. Sou ator, artista e sobrevivente da maior epidemia que transformou o Brasil e o mundo: a epidemia do HIV/Aids.
Minha história atravessa o pânico dos anos 90, a revolução científica dos anos 2000 e o enfrentamento do estigma até hoje. Sou testemunha de uma época que não pode ser esquecida.
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Início da minha jornada com o HIV – Anos 1990
Recebi meu diagnóstico no começo dos anos 90, aos 17 anos de idade quando ainda reinavam o medo, o preconceito e a completa falta de políticas públicas estruturadas. Essa era uma época em que o HIV parecia um fantasma que destruía vidas em silêncio e muito rápido.
Meu tratamento foi no Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro — o único local que atendia pessoas com Aids naquela época em 90. Ali, vivi uma das experiências mais marcantes da minha vida: vi muita gente morrer. Jovens, mães, amigos, desconhecidos… vidas interrompidas pela falta de tratamento, de informação e de esperança.
O Fundão era um mundo à parte: corredores cheios, leitos improvisados, olhares cansados e médicos fazendo o impossível diante de uma doença que ainda não tinha resposta.
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O “Efeito Lázaro” – Final dos anos 90
Entre 1996 e 1997, testemunhei algo que mudou tudo: a chegada do coquetel antirretroviral.
Pessoas que estavam à beira da morte começaram a se recuperar de forma tão impressionante que médicos e pacientes passaram a chamar aquilo de “Efeito Lázaro”. Era literalmente ver vidas ressuscitarem.
Eu também renasci. Meu corpo reagiu, minha energia voltou e a esperança se reacendeu.
Foi ali que começou minha segunda vida — mais consciente, mais forte e mais comprometida com a história da Aids no Brasil.
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Trajetória artística e ativismo
A arte foi minha forma de existir no mundo com verdade.
Atuei em projetos de televisão, incluindo a novela “Páginas da Vida”, da Rede Globo.
Nunca escondi minha história com o HIV. Ao contrário: transformei minha vivência em voz pública.
Minha participação em documentários e reportagens ajudou a dar visibilidade a quem vive com o vírus.
Participação no documentário da GloboNews
Fui um dos depoentes do documentário especial da GloboNews sobre a evolução do tratamento da Aids e da qualidade de vida das pessoas soropositivas no Brasil.
Nesse especial, falei sobre meu diagnóstico, minha vida nos anos 90, as perdas que presenciei e minha reconstrução após o surgimento da terapia antirretroviral.
Esse registro se tornou parte importante do meu legado e da memória pública da epidemia no Brasil.
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Viver com HIV hoje – Resistência, saúde e amor
Décadas depois, aos 54 anos, 35 anos depois, continuo aqui: vivo, saudável, indetectável, trabalhando, criando e ajudando outros a entenderem que é possível ter uma vida plena.
Ser indetectável é um ato político.
Falar sobre HIV é um ato de amor coletivo.
Lutar contra o estigma é um compromisso diário.
Eu sou a prova viva de que a ciência salva, e que acolhimento, acesso à saúde e políticas públicas transformam destinos.
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Por que deixo este depoimento para o Museu da Pessoa
Porque minha história não é só minha.
É parte da história do Brasil, da evolução da medicina, dos direitos humanos, das batalhas travadas nos corredores do Fundão e nos movimentos sociais.
Quero que jovens, profissionais, pesquisadores e pessoas vivendo com HIV saibam que existe futuro.
Que é possível viver.
Que ninguém está sozinho.
Eu sou Cazu Barroz — artista, sobrevivente, testemunho e voz de uma geração que lutou pela vida.
E esta é a minha história
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