Fofoqueira esperneando
(Mauro Leal)
Tete, bêbada cai e bate com a testa.
Nilza sua vizinha, corre para socorrê-la
e no momento que a levanta, aconselha:
- Vai para casa, você está toda machucada.
Tete, mesmo com o sangue sobre as vistas
a escorrer reconhece a que lhe presta socorro,
e solta o verbo o que não falaria sóbria:
- Você, Dona Xepa e a tia,
são as maiores bocudas da rua.
Logo depois do almoço com a sombra da tamarineira,
o trio das com bichos-carpinteiro, reassume a calçada,
e Nilzinha, com a língua a coçar
doida para contar o estado deplorável como encontrou a Tete
e também jogar no ventilador o que a cachaceira
teve a ousadia de dizer,
o que deixou a velha Xepa bufando de raiva,
a ponto de ameaçá-la:
- Pois é, ela me chamou de fofoqueira, né?
agora mesmo que, quando vê-la com a cara
enterrada no chão, urinada e com a muxiba espalhada,
ainda passo por cima.