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Personagem:
Por: Poeta Mauro Leal O gênio dos poemas, 4 de junho de 2025

Pregão ganhando a noite

Esta história contém:

Pregão ganhando a noite

\\\"Pregão\\\" ganhando à noite

(Mauro Leal)

Zé Quintino, o pregoeiro aposentado,

diariamente lava com discrição umas loucinhas,

e pela janela, como quem não quer nada,

se diverte de segunda a segunda com os autênticos

\\\"acionistas\\\" na servidão:

É a megalomaníaca da corretora Pepita, caminhando adernada

devido à insuportável dor proveniente do protuberante esporão,

desembaçando os óculos e conduzindo debaixo

do braço suado o encarte do Atacadão,

para o badalado e disputado \\\"saguão\\\",

a busca pelas \\\"luzes da ribalta\\\", a céu aberto.

Ora chupando sacolé, cana caiana, ora mastigando naco de pão,

banana e engordurada e torriscada perna de galinha,

a tão esperada arrematação.

É o figuraça do controlador Zé do frango,

assoviando para a passarada

e com alçapão armado para capturar as avezinhas

que passam a vida feliz a cantar.

E, da sacada duma espelunca a porteira Esmeraldina,

a dona dum desengonçado poleiro,

em transtorno de cumulação, sequelada da cachaçada,

quando não está na tensão pré-menstrual, destemperada,

com o coração na goela,

está feito uma taquara rachada,

rodeando a frenética conglomeração,

procurando oportunidade com olhar soslaio para, nos

pertences alheios, meter a mão,

enquanto a \\\"zona de confronto\\\",

é assombrada pelos meninos se enforcando,

trolando, berrando, dando \\\"pitomba\\\", pedalando,

chutando bola, pisoteando e rolando no chorume

e nos bichos-da-terra, lado a lado com a cachorrada \\\"maconhada\\\",

(a defecar, urinar, rosnar e a cruzar)

e rolas e pombos, arrulhando em meios aos detritos

e de criptococose o ar contaminando,

em rodamoinho: monóxido de carbono, nicotina e alcatrão,

poeiras, folhas e restos de obra e de festa

pelos quatro cantos se espalhando.´´i

E o trem fantasma com \\\"Menudos, Paquitas\\\"

inconstantes e gabolas, alguns atravessando o

pavimentado \\\"salão\\\", agarrados aos seus improvisados assentos,

outros...

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Palavras-chave: pregão, ganhando, a, noite
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Pregão ganhando a noigte

Dados da imagem

Período:
16/09/1974

Local:
Brasil / Rio De Janeiro

Imagem de:

História:
Pregão ganhando a noite

Palavras-chave:
pregão

"Pregão" ganhando à noite (Mauro Leal) Zé Quintino, o pregoeiro aposentado, diariamente lava com discrição umas loucinhas, e pela janela, como quem não quer nada, se diverte de segunda a segunda com os autênticos "acionistas" na servidão: É a megalomaníaca da corretora Pepita, caminhando adernada devido à insuportável dor proveniente do protuberante esporão, desembaçando os óculos e conduzindo debaixo do braço suado o encarte do Atacadão, para o badalado e disputado "saguão", a busca pelas "luzes da ribalta", a céu aberto. Ora chupando sacolé, cana caiana, ora mastigando naco de pão, banana e engordurada e torriscada perna de galinha, a tão esperada arrematação. É o figuraça do controlador Zé do frango, assoviando para a passarada e com alçapão armado para capturar as avezinhas que passam a vida feliz a cantar. E, da sacada duma espelunca a porteira Esmeraldina, a dona dum desengonçado poleiro, em transtorno de cumulação, sequelada da cachaçada, quando não está na tensão pré-menstrual, destemperada, com o coração na goela, está feito uma taquara rachada, rodeando a frenética conglomeração, procurando oportunidade com olhar soslaio para, nos pertences alheios, meter a mão, enquanto a "zona de confronto", é assombrada pelos meninos se enforcando, trolando, berrando, dando "pitomba", pedalando, chutando bola, pisoteando e rolando no chorume e nos bichos-da-terra, lado a lado com a cachorrada "maconhada", (a defecar, urinar, rosnar e a cruzar) e rolas e pombos, arrulhando em meios aos detritos e de criptococose o ar contaminando, em rodamoinho: monóxido de carbono, nicotina e alcatrão, poeiras, folhas e restos de obra e de festa pelos quatro cantos se espalhando.´´i E o trem fantasma com "Menudos, Paquitas" inconstantes e gabolas, alguns atravessando o pavimentado "salão", agarrados aos seus improvisados assentos, outros acocorados, perseguindo e disputando a sombra para se refrescarem, e quando frio, acasacados, procurando o sol pra se aquentarem, remontarem cena da infância, policiarem os comportamentos desviantes da banda podre e, entre um babado e outro, proferirem palavras de baixo calão, e vez por outra trocarem farpas, "furarem os olhos", "rasgarem a taioba", e "se baterem com o martelo". Xô, melancolia na "beleza", da via de onde mais se vigia e se houve: - Vocês aí! as fechaduras das espeluncas lá estão boas? se tranquem lá; e - Vou sentar aí também para pegar um pouco de boniteza. Sobretudo, um "espaço de negociação das surreais ações" que fortalecem os laços sociais. Do amanhecer ao esquecer das horas, sob a intempérie cortante ou sol escaldante. Um imperdível espetáculo nos metros quadrados mais lúdicos. "Cada dia um flash"

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