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Personagem: Daniela Torres
Por: Daniela Torres, 24 de fevereiro de 2024

Quando me descobri negra

Esta história contém:

Quando me descobri negra

Sou PRETA e daí?

Quando eu entendi que sou uma mulher negra

Nasci com muitos traços negroides: a pele parda, olhos grandes, nariz largo, lábios grossos, gengiva escura... Desde criança, algumas coisas me deixavam confusa… Porque eu era o \"patinho feio\" no mundo dos brancos, ao qual estava inserida e classificada por meu cabelo não ser crespo. Pois, há um tempo, ser negro no Brasil se resumia apenas a ter muita melanina e o chamado \"cabelo ruim\", como se o cabelo tivesse feito mal a alguém. Coitado do cabelo!

Com o tempo passei a tentar disfarçar meus traços: nada de prender o cabelo no modelo \"rabo de cavalo\", isso destacava meu nariz e era motivo de chacota entre colegas. Hum… Pintar a boca com batom escuro? Jamais! Isso deixava minha boca enorme e era apontado como horrível. E quando eu sorria... Ah! Meu Deus! Diziam que eu tinha alguma doença porque a minha gengiva é escura e eu nem tinha ideia que era só melanina.

Eu não sabia quem eu era, minha certidão de nascimento tem escrito \"PARDA\", os brancos me apontavam como feia por ter traços negroides e os negros me apontavam como branca por ter a pele parda e o cabelo que eles diziam ser \"cabelo bom\". Bom para quem? Sempre me perguntei isso! Mas enfim…

Havia algo muito errado comigo! Eu diferia das pessoas que eu queria ser e era rejeitada pelas pessoas com quem eu convivia. Como resolver isso? Eu não sabia.

Fiquei adulta, ainda sem identidade. Fiz faculdade de História, passei a enxergar o mundo diferente… Mas o reconhecimento não veio de forma imediata. Minha família saiu de um bairro popular e foi morar num dito \\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\"bairro nobre\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\", aí a sociedade dizia que eu não podia ser negra, porque eu não era pobre. Gente, para ser negro no Brasil, tem que ser pobre? Ladrão? E o que mais?

Faça-me uma garapa. Existe uma inversão aí… Porque pobreza não é traço negroide, e sim resquícios de um...

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Dia de Iemanjá

Dados da imagem 02 de fevereiro, dia  da rainha do mar, em Salvador na Bahia.

Período:
02/02/2024

Local:
Brasil / Bahia / Salvador

Imagem de:

História:
Quando me descobri negra

Crédito:
Foto tirada por Wagner

Palavras-chave:
iemanjá, festas populares, ancestralidade, candomblé

02 de fevereiro, dia da rainha do mar, em Salvador na Bahia.

Complementos

Daniela Torres explicando a festa de Iemanjá

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