Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia: memórias sonoras

No mês de celebração do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, na editoria Núcleos em Ação, destacamos o Núcleo Sinfonia na Cidade e seus projetos com a comunidade LGBTQIAPN+. O coletivo científico-artístico fundado em 2015, na cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul, integra a rede do Museu da Pessoa e atua na valorização das histórias de vida por meio do som.

Desde então, o grupo conecta arte, ciência e educação em ações com a comunidade. Seu objetivo central é promover a integração da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) com o território. Assim, cria espaços de escuta, troca e construção coletiva.

Além disso, o núcleo entende a paisagem sonora como patrimônio imaterial. Ou seja, sons do cotidiano carregam memórias, afetos e identidades. Portanto, escutar também é preservar. Ao mesmo tempo, o Sinfonia na Cidade desenvolve oficinas, mostras e intervenções. Dessa forma, fortalece vínculos e amplia o acesso à cultura. E, consequentemente, transforma a escuta em ação cidadã.

Atividade Vivências Sonoras Integrativas em 2023

Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia e a escuta LGBTQIAPN+

O projeto “Sons da Diversidade” é uma frente de atuação do Núcleo Sinfonia na Cidade que investiga, registra e difunde as memórias sonoras da comunidade LGBTQIAPN+, transformando experiências individuais em patrimônio coletivo. A iniciativa parte da escuta como método: por meio de entrevistas, registros audiovisuais e captação de paisagens sonoras, o núcleo documenta vozes, linguagens e expressões que historicamente foram silenciadas.

Com a aproximação do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, o projeto ganha ainda mais relevância. Em janeiro de 2026, por exemplo, o coletivo realizou uma entrevista com a drag queen Cassandra Calabouço. A ação evidencia como a oralidade, os sotaques e as performances são também formas de memória e identidade.

Além disso, o projeto enfrenta diretamente um histórico de invisibilização dessas narrativas. Por isso, registrar essas vozes não é apenas documentar, é agir. Nesse sentido, a escuta se torna uma ferramenta de reparação histórica e de afirmação de existências.

Esse movimento dialoga com debates conduzidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional sobre a preservação das memórias LGBTQIAPN+. Assim, reforça a importância de reconhecer essas experiências como parte fundamental do patrimônio cultural brasileiro.

A pesquisadora Adriana Donato dos Reis entrevistou a drag queen Cassandra Calobouço como uma ação extensionista do seu projeto de pesquisa de pós-doutorado na UFFS intitulado Políticas Culturais e o Reconhecimento do Patrimônio Cultural LGBTQIAPN+ no Brasil: Desafios, Estratégias e Perspectivas.

Entre para a Rede de Núcleos do Museu da Pessoa

Se você deseja participar das próximas turmas do curso “Memórias e Histórias de Vida”, primeiro passo para integrar a Rede de Núcleos do Museu da Pessoa, inscreva-se para receber um aviso sobre a abertura das inscrições. A formação apresenta a Tecnologia Social da Memória, metodologia criada pelo Museu da Pessoa para registrar, preservar e difundir histórias de vida. Como resultado, capacita participantes a criar exposições, documentários e outros produtos culturais a partir dessas narrativas.

Núcleos em Ação: histórias LGBTQIAPN+

A série Núcleos em Ação destaca, todo mês, um projeto da Rede do Museu da Pessoa. Neste ciclo, o destaque é O Núcleo Sinfonia na Cidade, um coletivo científico-artístico fundado que atua na valorização da paisagem sonora como patrimônio imaterial. Nesse contexto, o projeto “Sons da Diversidade” amplia essa atuação ao registrar e difundir as histórias de vida da comunidade LGBTQIAPN+, utilizando a escuta e a oralidade como ferramentas de visibilidade, reconhecimento e reparação histórica.

No mês anterior, o destaque foi o Núcleo Museu Salão Memórias LGBTQIAPN+ – ISJO, que atua na preservação, valorização e difusão das histórias de vida da população LGBTQIAPN+ em Mato Grosso. A iniciativa “Histórias de Vida – Salão Memórias LGBTQIAPN+” reforçou a importância da escuta e do registro dessas trajetórias como forma de fortalecer identidade, memória e direitos.