Do cordel à música rap, o Núcleo Museu da Pessoa OriGepcol vem explorando diferentes linguagens para trabalhar memória, educação e criação coletiva. A partir dele, estudantes e pesquisadores desenvolveram experiências como a mediação educativa da exposição Vidas em Cordel e a criação de novos cordéis em sala de aula.
O Núcleo Museu da Pessoa OriGepcol é um projeto que promove a interlocução entre o Museu da Pessoa e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Poder, Cultura e Práticas Coletivas (Gepcol), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na prática, o Núcleo desenvolve ações de pesquisa, ensino e extensão a partir da Tecnologia Social da Memória, metodologia criada pelo Museu da Pessoa.
Criado após a sistematização de uma experiência com estudantes da UFPE sobre “objetos de memória”, o Núcleo reúne docentes, estudantes e técnicos da UFPE, UFPel e UFF. Desde 2022, vem articulando universidade e território de forma colaborativa e contínua, fortalecendo práticas comprometidas com a valorização da memória e da resistência cultural.
OriGepcol na Exposição Vidas em Cordel
Em 2025, o Núcleo Museu da Pessoa OriGepcol coordenou a frente educativa da Exposição Vidas em Cordel, realizada pelo Museu da Pessoa em Recife. A mostra, que tem circulado por diferentes cidades do Brasil, apresenta histórias de vida do acervo transformadas em literatura de cordel. Entre agosto e outubro, o Núcleo conduziu a formação da equipe educativa e acompanhou o atendimento aos diferentes públicos.
A partir dessa experiência, os integrantes do Núcleo aprofundaram o estudo das histórias de vida apresentadas em formato de cordel. Entre elas, destacou-se o cordel do rapper MC Kawex, conhecido como “A voz do fluxo”. Seus versos mobilizavam a população em situação de rua na região da Cracolândia, em São Paulo. Com vigor poético, denunciavam injustiças sociais e afirmavam a memória como ferramenta crítica.

Experiência pedagógica com o cordel e a música rap
A vivência na exposição “Vidas em Cordel” inspirou o Núcleo Museu da Pessoa OriGepcol a desenvolver experiências didáticas na disciplina “Educação Literária na Escola e na Biblioteca”. A partir da Metodologia de Ativações Culturais, o grupo trabalhou a linguagem do cordel com estudantes de Pedagogia da UFPE.
No primeiro ciclo, o grupo estudou o folheto “Luta e Resistência de Mc Kawex”. Como resultado, produziu dois cordéis: A menina e o pavão pandeirista e O menino e o bode na biblioteca assombração. Posteriormente, lançou as produções na Feira de Leitura do Centro de Educação da UFPE e disponibilizou o material para download por meio das redes sociais. Dessa forma, ampliou o alcance da formação acadêmica.

Ativação cultural com a música rap
Além do trabalho com o cordel, o Núcleo Museu da Pessoa OriGepcol realizou uma atividade com a música rap como parte das ativações culturais. A experiência incluiu momentos de imersão no ritmo e a produção coletiva de uma letra inspirada nas bibliotecas comunitárias da Região Metropolitana do Recife. Desse processo nasceram dois produtos: o rap “Versos de Esperança” e o curta Manchetes (Recife, 2025).
No documentário, um personagem enfrenta o horror de um mundo sem bibliotecas e tenta salvar obras fundamentais da resistência histórica. Franz Fanon, Racionais MC’s, bell hooks, Miró da Muribeca e Paulo Freire aparecem como referências. Assim, a educação se reafirma como bandeira de luta.
Entre para a Rede de Núcleos do Museu da Pessoa
Se você deseja saber mais sobre como participar nas próximas turmas e entender como funciona o apoio do Museu para criar exposições, documentários e outros produtos culturais a partir de histórias de vida, acesse a página da formação em Memórias e Histórias de Vida e confira todas as informações necessárias.
Núcleos em Ação: memória em movimento
A série Núcleos em Ação destaca, todo mês, um projeto da Rede do Museu da Pessoa. Neste ciclo, o destaque é o Núcleo Museu da Pessoa OriGepcol, que articula universidade e território em ações de pesquisa, ensino e extensão baseadas na Tecnologia Social da Memória. Nesse contexto, está uma experiência didática que aproximou literatura de cordel e música rap como expressões de narrativas e identidades.
No mês anterior, o destaque foi o Vozes de Parelheiros, iniciativa que atua na comunicação comunitária, na formação em educomunicação e na produção de conteúdos audiovisuais a partir das histórias de vida do território. Assim, o projeto fortalece narrativas locais e valoriza saberes, memórias e práticas de cuidado com a vida, a cultura e a comunidade.