Museu da Pessoa inicia em Parintins registro de histórias do Boi-Bumbá

O Museu da Pessoa iniciou, em Parintins (AM), uma nova etapa do projeto Vidas Indígenas e Patrimônios Imateriais (PIVI), dedicada ao registro de histórias de vida de pessoas que preservam o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins. Realizada durante o período do Festival de Parintins, a ação conta com patrocínio do Mercado Livre e integra um conjunto de iniciativas voltadas à preservação da memória e dos patrimônios culturais brasileiros. 

Mais conhecido pelo grande público por meio do Festival de Parintins, o Complexo Cultural do Boi-Bumbá reúne práticas, saberes, celebrações, ofícios e formas de expressão transmitidos entre gerações. Muito além do espetáculo apresentado pelos bois Caprichoso e Garantido, esse patrimônio é construído diariamente por milhares de pessoas que mantêm viva essa tradição na Amazônia.

O que o Museu da Pessoa fez em Parintins?

Durante a viagem, a equipe do Museu da Pessoa realizou entrevistas e registrou histórias de vida de artistas, artesãos, músicos, mestres da cultura, trabalhadores dos galpões, brincantes e outros protagonistas do Complexo Cultural do Boi-Bumbá.

Um dos principais espaços da iniciativa foi a Casa de Vidro, que recebeu moradores, artistas e visitantes interessados em compartilhar suas memórias. O espaço tornou-se um ponto de encontro para a escuta e o registro de narrativas que ajudam a compreender a dimensão humana do Festival de Parintins.

Além da Casa de Vidro, a equipe acompanhou diferentes momentos da programação e visitou espaços de produção do festival, registrando histórias que revelam os bastidores da criação das alegorias, das toadas, dos figurinos e das manifestações culturais que acontecem durante todo o ano.

Articulação institucional e difusão cultural

Além do registro de histórias de vida, a passagem do Museu da Pessoa por Parintins foi marcada por atividades de pesquisa, articulação institucional e valorização do patrimônio cultural.

A equipe visitou os quintais dos bois Garantido e Caprichoso, espaços simbólicos onde acontecem ensaios, encontros comunitários e diversas práticas que mantêm viva a tradição do Boi-Bumbá ao longo de todo o ano. A visita permitiu conhecer de perto os ambientes em que são preservados saberes, memórias e processos criativos fundamentais para a continuidade dessa manifestação cultural.

Como parte da programação, o Museu da Pessoa também participou de uma visita técnica aos principais marcos históricos do Boi-Bumbá em Parintins, realizada em conjunto com representantes do Núcleo Museu da Pessoa Mestres da Toada, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O percurso proporcionou uma leitura ampliada sobre a formação histórica do Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, fortalecendo o diálogo entre instituições dedicadas à preservação e à promoção do patrimônio cultural brasileiro.

A programação também incluiu o relançamento do show-documentário “De Quintal a Patrimônio Cultural”, obra que reúne música, memória e depoimentos para contar a trajetória do Boi-Bumbá como patrimônio cultural. O documentário está disponível gratuitamente no YouTube: https://youtu.be/-vyFiLDhy7c?si=iLtFmWld0plYu9VN 

Histórias que preservam o patrimônio cultural

As entrevistas mostram que o Festival de Parintins começa muito antes das apresentações na arena. Ele está presente nos galpões de criação, nos ensaios, nas oficinas, nos quintais das famílias, nos encontros entre mestres e aprendizes e nas relações comunitárias que mantêm vivos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Ao registrar essas trajetórias, o Museu da Pessoa preserva não apenas memórias individuais, mas também modos de fazer, práticas culturais, saberes tradicionais e formas de organização social que compõem o patrimônio cultural brasileiro.

Cada narrativa amplia a compreensão sobre a diversidade cultural da Amazônia e evidencia que grandes manifestações populares são resultado do trabalho coletivo de milhares de pessoas.

Uma nova etapa do projeto PIVI

A ação em Parintins marca o início de uma nova etapa do projeto Vidas Indígenas e Patrimônios Imateriais, que continuará registrando histórias relacionadas ao Complexo Cultural do Boi-Bumbá.

Após o trabalho de campo, os depoimentos passarão por etapas de tratamento técnico e curadoria antes de integrarem o acervo digital do Museu da Pessoa. As histórias poderão ser consultadas gratuitamente por pesquisadores, educadores, estudantes e pelo público em geral, fortalecendo o acesso à memória social brasileira.

Ao ampliar seu acervo com essas narrativas, o Museu da Pessoa reafirma seu compromisso de preservar histórias de vida como patrimônio da humanidade e de reconhecer que a cultura é construída, diariamente, pelas pessoas que a mantêm viva.

Assista às histórias registradas até agora pelo Museu da Pessoa em museudapessoa.org/memorias-do-boi-parintins (link na bio). Em breve, novos relatos entrarão na coleção.

O projeto Memória, Território e Patrimônios Imateriais é uma realização do Museu da Pessoa, viabilizado pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Lei Rouanet), por meio do Ministério da Cultura, com apoio financeiro do BNDES e patrocínio do Mercado Livre. O projeto também conta com cooperação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), UNESCO e Museu Nacional dos Povos Indígenas da Funai.