A 24ª edição da Semana Nacional de Museus reuniu milhares de atividades culturais em museus de todo o Brasil. Promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus, a iniciativa celebra o Dia Internacional dos Museus e, ao mesmo tempo, fortalece ações ligadas à memória, ao patrimônio cultural e à participação social.
Em 2026, o Museu da Pessoa participou da Semana Nacional de Museus com a programação “Vidas, Vozes e Saberes em Um Mundo em Chamas”. Durante a semana, o museu compartilhou conteúdos sobre histórias de vida, escuta, território e transformação social.
Histórias de vida e transformação social
A programação começou em 18 de maio com a pergunta: “Que história mudou sua forma de ver o mundo?”.
Com isso, o público foi convidado a refletir sobre o impacto das narrativas pessoais na construção de empatia, diálogo e pertencimento. Em um contexto de polarização e fragmentação social, o Museu da Pessoa reforçou a importância da escuta como prática de reconstrução de vínculos.
Além disso, o museu apresentou o pré-lançamento da sua Avaliação de Impacto. A pesquisa reuniu entrevistas com 130 participantes e mostrou que o contato com histórias de vida amplia a empatia, fortalece conexões e contribui para uma sociedade mais consciente e diversa.
Entre 2022 e 2024, milhares de histórias foram registradas no acervo do Museu da Pessoa. Dessa forma, os resultados aparecem em exposições, projetos, ações educativas e iniciativas culturais desenvolvidas pela instituição.
A programação também destacou o projeto “Conte Sua História”. Por meio da iniciativa, qualquer pessoa pode registrar sua trajetória no acervo do museu e contribuir para a preservação da memória coletiva.
A ação parte da ideia de que existem histórias que mudam o jeito de enxergar a vida. Muitas delas surgem em conversas simples, memórias de família, encontros inesperados ou experiências que permanecem vivas na lembrança de quem ouviu.
Por isso, o Museu da Pessoa convidou o público a responder: “Qual foi a história que alguém te contou e que você nunca esqueceu?”.
As contribuições passam a integrar o maior acervo colaborativo de histórias de vida do Brasil. Além disso, os relatos ajudam a preservar memórias, afetos, territórios, sonhos e transformações sociais presentes nas experiências humanas.
As histórias podem ser compartilhadas na plataforma Histórias que Transformam – Museu da Pessoa.
🔗 Participe e conte sua história

Biomas brasileiros na Semana Nacional de Museus
No dia 19 de maio, o Museu da Pessoa lançou a série “Seis biomas em 50 histórias de vida”. A iniciativa percorre os territórios brasileiros a partir de relatos presentes no acervo do museu.
A série reúne histórias ligadas aos biomas brasileiros e, ao mesmo tempo, conecta memória, meio ambiente e identidade cultural. Os conteúdos foram publicados em formatos audiovisuais nas redes sociais do museu.
Entre as histórias compartilhadas está a de Mônica, moradora de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), região atingida pelo rompimento da barragem de Fundão em 2015. Em um dos trechos publicados, ela relembra: “Eu tinha saído de casa às 6 horas da manhã para trabalhar tendo tudo e, quando voltei, simplesmente não existia mais nada”. Depois, completa: “A única coisa que sobrou foram os dois pés de manga que ficavam do lado da casa dos meus avós”.
Além disso, a série apresentou a trajetória de Terri Valle de Aquino, antropólogo e indigenista conhecido como Txai Terri. Em um dos relatos publicados, ele afirma: “Eu vi uma pessoa me esperando longe, mas não sabia quem era. Quando eu cheguei bem perto, vi que era eu mesmo”.
Assim, a iniciativa amplia o debate sobre território, ancestralidade, espiritualidade e preservação das histórias de vida.

Uma rede de memória nos territórios
A programação também destacou a Rede de Núcleos Museu da Pessoa, formada por coletivos, museus comunitários, organizações culturais, grupos de pesquisa e iniciativas independentes de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.
Criada pelo Museu da Pessoa, a rede fortalece ações de memória coletiva, escuta e registro de histórias de vida em diferentes territórios. Além disso, os Núcleos compartilham metodologias, experiências e trocas com o maior acervo colaborativo de histórias de vida do Brasil.
Durante a Semana Nacional de Museus, o museu apresentou um panorama dessa rede por meio do carrossel “Uma rede de histórias nos territórios”. Dessa maneira, o conteúdo destacou a diversidade e a capilaridade dos Núcleos espalhados pelo país.
Os Núcleos atuam em áreas como:
- direitos humanos;
- cultura popular;
- educação;
- meio ambiente;
- audiovisual.
Ao mesmo tempo, a programação mostrou iniciativas presentes em estados como Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Piauí e Rio de Janeiro. Além disso, a rede também reúne ações na Guatemala e na Argentina.
Entre os destaques apresentados estiveram projetos ligados à memória periférica, patrimônio LGBTQIAPN+, ancestralidade afro-brasileira, preservação ambiental e registro de histórias de comunidades tradicionais.
Dessa forma, os conteúdos reforçaram que cada território guarda saberes, experiências e modos de vida próprios. Por isso, cada história registrada ajuda a manter essas memórias vivas.
