Olá, fizemos uma entrevista relacionada a educação com uma super professora que atua na área! Espero que goste!
Vivência Educacional
Legenda:
A: André
P: Professora
A: É...vamos começar com uma pergunta simples, é... eu sou seu filho, mas o pessoal não conhece, então, qual que é o seu nome completo?
P: Meu nome completo é Maria Gorete Brick.
A: Quantos anos você tem?
P: 56.
A: É... agora vamos voltar pra parte da sua infância quando era bem pequena, é... quando e onde que você nasceu?
P: Eu nasci no município de Angelina, no dia 24 de maio de 1967.
A: E ali onde você nasceu, era um espaço urbano ou rural?
P: Rural.
A: E quais lembranças você tem desse lugar?
P: Naquela época que eu era pequena, não tenho nenhuma lembrança muito nítida, eu já fui muitas vezes depois lá, mas nessa época eu não tenho por quê nós nos mudamos quando eu ainda era muito pequena.
A: Certo, e vocês se mudaram pra onde?
P: Fomos morar em Guabiruba. Brusque, Guabiruba.
A: Certo, e vocês se mudaram pra algum outro lugar depois disso?
P: Sim, depois de Guabiruba fomos...viemos pra Blumenau.
A: Moraram em mais algum lugar, ou apenas nesses três?
P: Não, nesses três lugares nós moramos.
A: Certo, e agora sobre seus pais.
P: Meu pai é Ivo Brick, minha ros... o nome da minha mãe é Rosa Weber Brick.
A: Uhum, e quais atividades eles se dedicavam, que eles gostavam de fazer?
P: A minha mãe era costureira, e o meu pai ele era... como é que a gente fala, é...carregador.
A: Como assim carregador?
P: Carregador, ele trabalhava em empresas de carregar é...numa grráfica, que ele carregava papéis e coisa pras máquinas, e...tipo um jacaré que eles falavam na época né? Que era uma coisa que você pegava o estrado, e carregava até o local definitivo ali onde que os outros trabalhadores faziam o trabalho.
A: Uhum, e você trabalhou em algum momento junto...
Continuar leituraOlá, fizemos uma entrevista relacionada a educação com uma super professora que atua na área! Espero que goste!
Vivência Educacional
Legenda:
A: André
P: Professora
A: É...vamos começar com uma pergunta simples, é... eu sou seu filho, mas o pessoal não conhece, então, qual que é o seu nome completo?
P: Meu nome completo é Maria Gorete Brick.
A: Quantos anos você tem?
P: 56.
A: É... agora vamos voltar pra parte da sua infância quando era bem pequena, é... quando e onde que você nasceu?
P: Eu nasci no município de Angelina, no dia 24 de maio de 1967.
A: E ali onde você nasceu, era um espaço urbano ou rural?
P: Rural.
A: E quais lembranças você tem desse lugar?
P: Naquela época que eu era pequena, não tenho nenhuma lembrança muito nítida, eu já fui muitas vezes depois lá, mas nessa época eu não tenho por quê nós nos mudamos quando eu ainda era muito pequena.
A: Certo, e vocês se mudaram pra onde?
P: Fomos morar em Guabiruba. Brusque, Guabiruba.
A: Certo, e vocês se mudaram pra algum outro lugar depois disso?
P: Sim, depois de Guabiruba fomos...viemos pra Blumenau.
A: Moraram em mais algum lugar, ou apenas nesses três?
P: Não, nesses três lugares nós moramos.
A: Certo, e agora sobre seus pais.
P: Meu pai é Ivo Brick, minha ros... o nome da minha mãe é Rosa Weber Brick.
A: Uhum, e quais atividades eles se dedicavam, que eles gostavam de fazer?
P: A minha mãe era costureira, e o meu pai ele era... como é que a gente fala, é...carregador.
A: Como assim carregador?
P: Carregador, ele trabalhava em empresas de carregar é...numa grráfica, que ele carregava papéis e coisa pras máquinas, e...tipo um jacaré que eles falavam na época né? Que era uma coisa que você pegava o estrado, e carregava até o local definitivo ali onde que os outros trabalhadores faziam o trabalho.
A: Uhum, e você trabalhou em algum momento junto com ele?
P: Não, com meu pai não, com a minha mãe as vezes a gente ajudava alguma coisinha. Na época quando eu era pequena, assim de brincar de costura, mas nada sério.
A: E você se lembra de como foram seus primeiros anos de vida?
P: Lembro, eu lembro algumas coisas bem fortes assim, tenho umas lembranças de uns 3 pra uns 4 anos mais ou menos.
A: Uhum, se importa de contar, ou acha que...
P: Não, eu posso contar...
A: Se não for algo assim, muito legal de lembrar, aí não tem problema.
P: Não, não tem problema, eu posso contar. Eu lembro que q agente tava morando lá na Guabiruba, e eu e minha irmã tínhamos perdido uma irmã, nós éramos em 3, tinha uma irmã mais nova que faleceu fazia tipo 1 mês mais ou menos, e fomos brincar no pasto lá de uma vizinha, e tinha um buraco com um poço, e a minha irmã mais nova, a segunda depois de mim, ela caiu dentro daquele poço, e eu devia ter uns 3 anos e meio só, mas eu tive sei lá, uma...assim uma... um intuito, sei lá, uma intuição de eu deitar no chão pra conseguir puxar ela, daí na terceira vez que ela subiu, que ela tava dentro daquele buraco com água, eu consegui pegar ela pelos braços e puxar pra fora. Eu tenho bem nítido isso, essa lembrança.
A: E quantos anos que ela tinha?
P: Ela tinha 1 ano e 3 meses menos que eu. Então eu tinha 1 ano e...eu tinha 3 anos, perto de 4, e ela tinha 3 anos e pouquinho, nem tinha 3 anos então né, por quê ela é 1 ano e 3 meses mais nova.
A: E como que eram as brincadeiras de vocês na infância?
P: Ah, era pega-pega, esconde-esconde. A gente não via a hora de chegar final de semana, domingo a tarde, depois de limpar toda a cozinha, essas coisas, daí a gente podia brincar um pouquinho com os vizinhos, era bem bom, mas nessa época daí a gente já tinha vindo morar para Blumenau.
A: Uhum... E o quê que vocês faziam durante o dia?
P: Ahh, eram uma.... Minha mãe e meu pai trabalhavam fora, daí ficava eu e minha irmã, na época... 50 e poucos anos atrás, e.… quando viemos para Blumenau, eu já estava indo para a escola, no primeiro aninho... segundo aninho e ela daí também tava começando a ir para a escola, e a gente fazia tarefa, íamos para a escola, fazíamos a tarefa, estudávamos. Aí meu pai chegava mais tarde, aí já tava todas as coisas organizadas, eu aprendi a cozinhar muito cedo, já naquela época assim pequena já tava fazendo café, já... eu e minha irmã já limpava a casa, já deixava essas coisas organizadas para quando meu pai chegava, e minha mãe só chegava as dez da noite, que ela trabalhava no segundo turno que era das uma e meia as dez.
A: Hm, e agora... me conta... como que foi o seu primeiro contato com a escola?
P: Meu primeiro contato com a escola, eu estudei na escola Alberto Stein, é... naquela época ainda tinha aula aos sábados também. Eu... eu não tenho assim, umas boas lembranças dos meus primeiros anos de escola, eu sofria muito bullying naquela época, eu era extremamente, é... carente, extremamente carente e por esse motivo eu sofria bastante bullying. Eu lembro que a minha professora do primeiro ano, ela tentava me defender, ela... no fim ela até deixou, é, eu sair um pouco mais cedo da sala, pra que eu conseguisse chegar o mais perto possível da minha casa, para eu não sofrer o bullying, pra eu não... pros meus “amigos”, que não eram bem amigos né, não rirem tanto de mim e não fazerem tão pouco de mim, pela minha roupa, pelo meu jeito de ser... e é isso, então os meus primeiros, o meu primeiro ano da escola foi assim.
A: Uhum, e você lembra de mais algum professor que te marcou?
P: Eu lembro, eu lembro da professora Lúcia também, uma professora bem bacana, aí eu já tava no segundo ano, as coisas já tavam um pouco melhores. Ainda sofria muito bullying porque naquela época eu era muito magra então parece que o vento me levava, de tão magra. E aí realmente, isso era um... era um problema naquela época, né? Mas a professora era bem querida, eu... ela fez eu gostar de matemática, coisa que no primeiro ano eu não gostava, então já no segundo eu já gostei um pouco mais de matemática. Eu sempre gostei muito de escrever, mas eu era muito lenta então isso me atrapalhava bastante.
A: E o seu primeiro contato com a escrita assim, como foi?
P: A minha primeira... primeiro contato com a escrita foi boa, só que eu era muito lenta daí eu era a última sempre a terminar da sala né, mas eu lembro assim que foi... foi gratificante conseguir aprender as letras, é... conseguir juntá-las... foi-foi legal, foi bem bacana, daí isso, a profesora Alma, a professora dona Alma que tava junto comigo nesse momento né, ela já era naquela época uma senhora, uma senhora bem bacana assim e brava também.
A: E o primeiro contato com a leitura?
P: Ah, o primeiro contato com a leitura eu... a minha mãe e o meu pai eles tinham muito cuidado com isso, eles tinham uma carência muito grande, mas sempre que eles podiam, eles compravam um livrinho de história para a gente, eu tenho um que eu tenho guardado até hoje, eu lembro que era de uma menina cadeirante, uma história de uma menina cadeirante, muito bonita, que meu pai e minha mãe compraram pra mim e uma outra que era... eu não lembro mais o nome, mas ela usava uma capa de... uma capa de raposa.
A: De lebre?
P: De lebre, isso é, bem isso. Eu só não sei o nome agora do título, mas eu amava. Aquele livro de história pra mim... aqueles vestidos, aquelas fantasias que eles usavam, aqueles vestidos... era, pra mim era um sonho, era um vestido de princesa.
A: Sim... então seus pais eles sempre incentivaram bastante a leitura, né?
P: Meus pais sempre incentivavam bastante a leitura.
A: Uhum, e... tem algumas obras ou autores que marcaram a sua iniciação na leitura e mais posteriormente na sua vida?
P: Bom, naquela época, como eu acabei de falar, eu não lembro bem quem que escreveu o livro... os autores do livro, porque são realmente livros bem antigos, mas como eu falei, ele é um... eu não sei quem escreveu, mas ele era uma menina né, na cadeira de roda que fez amigos e tal que eu lembro assim bem do, do... não é... não tinha muito estereótipo, como hoje tem muito estereótipo, já naquela época o livro não tinha, era um livro bem bacana, uma pintura feito né bem bonito, e esse outro também era um livro que eu falei ali de princesa e tal, com capa de lebre, que a menina vestia para se esconder, eu não lembro o autor, não lembro nem o nome do título direito porque fazem muitos anos. Eu tenho guardado aqui em casa ainda, mas eu não lembro o título e nem o escritor, mas eu... eu gostava bastante de ler, mas não me recordo assim de nenhuma, nenhum título ou escritor assim nesse momento.
A: Certo, agora... voltando para a vida escolar. Como que era o aspecto disciplinar?
P: Era muito rígido.
A: Como assim?
P: Muito rígido, não podia nunca, hoje em dia também é né porque tem que sempre ir de uniforme, naquela época tinha uniforme e a gente não podia ir de jeito nenhum sem uniforme e esse era um dos meus grandes problemas, porque eu não tinha dinheiro para comprar e eu sempre ia com uma calça muito ruim debaixo do uniforme, que naquela época era saia, mesmo no inverno e eu não tinha, então geralmente eu tinha que botar uma calça de pijama, alguma coisa assim e era onde que eu sofria o bullying, por conta disso, porque era muito frio e.... né? Mas era muito rígido, tinha assim, o nosso diretor, era o João Petri na época, ele era muito rígido, um bom diretor, mas muito rígido em todas as regras da escola.
A: E como que o bom e mal comportamento eram vistos?
P: O bom comportamento... normal, vamos dizer.
A: Como assim “normal?”
P: Normal porque quando a pessoa ela é comportada ela não chama atenção, ta ali bonitinha, comportada, não dá trabalho, ela ta daquela forma ali. Quando existe o mal comportamento, geralmente todo mundo conhece quem é mau comportado, porque o mau comportado chama atenção, porque tá todo mundo toda hora chamando a atenção dele, ele precisa ir para a secretaria, é diretor chamando ele, é mandando bilhete pra casa, então era mais ou menos assim, acho que nem mudou muito de antigamente para hoje também.
A: E esses bons e maus comportamentos, tinha alguma punição, condenação...
P: Não, o diretor ele dava suspensão para quem tinha mau comportamento dependendo do caso, ou ficava naquela época sem recreio, ou naquela época ainda tinha era a época da reguada, depende do que fazia levava reguada na mão ou uma coisa assim. Então era punição desse jeito né, mas naquela época não tinha assim um mal comportamento como se vê hoje em dia, era diferente, era mais conversa, mais alguma coisa nesse sentido, dificuldade de aprendizagem que também era levado a sério, não era por falta de comportamento, mas era uma coisa que chamava atenção.
A; Uhum... e o cotidiano na sala de aula, como que era?
P: Ah, aquela época tinha aquelas cadeiras bem antigas que senta dois na mesma carteira, que era uma cadeira, uma carteira só né, assim então, sentava dois assim e não podia conversar, era muito rígido, a professora geralmente tava com uma régua na mão, pra.…pra, pra colocar medo, pra dar imposição de respeito, de ordem que a gente tinha que estar obedecendo, eu lembro que era mais ou menos assim.
A: Hm, então vocês tinham mais medo do professor ou respeito?
P: Acho que era mais medo, porque a gente gostava dela, porque a professora era bacana, mas a gente tinha mais medo. Medo porque qualquer coisinha podia ir um aviso ou alguma coisa pros pais e naquela época os pais pegavam pesado com a gente se fosse algum bilhete pra casa.
A: Certo... vou deixar passar o avião.
A: E... quais atividades, disciplinas que você mais gostava? Que mais marcaram você?
P: Eu gostava de... geografia, português... e tinha uma que era tipo... eu não lembro mais como que era o nome, mas que trabalhava com arte, não era artes, mas era um que fazia... Que trabalhava com arte, com artesanato que era bem bacana e aquele era assim, era o que eu mais gostava. Mas português eu sempre adorei muito, muito mesmo, até hoje, porque faz parte da minha vida contar história e ler e tanto que foi por tudo isso que eu escolhi o que eu escolhi de profissão. Mas é essas matérias que eu mais gostava, o que eu não gostava era matemática, que eu tinha muito medo de matemática, do professor de matemática, tirando a professora Lúcia que era do segundo ano, os outros sempre me deixaram muito amedrontada em matemática.
A: Uhum, e tinha alguma atividade extra classe?
P: Tinha música, mas...é...eu queria muito fazer música, mas infelizmente o nosso coordenador de música disse que a minha voz não dava pra música, é...já desde aquela época, então infelizmente eu não pude fazer. E naquela época também, educação física ela era depois, no contra turno, não era no turno, você tinha que ir à tarde pra fazer educação física.
A: Uhum, diferente né?
P: Diferente.
A: E teve algum momento assim, da sua infância até a sua fase adulta, que você pensou “Ah eu gostaria de ser professor.”, e daí você escolheu essa profissão?
P: Eu tive, eu várias vezes eu brincava de escolinha, botava as bonecas, botava a cadeirinha uma atrás da outra, aquilo representava aquilo que a gente vivenciava na sala de aula, e hoje eu vejo que não precisa ser bem assim, mas naquela época é o que a gente vivenciava, eu sempre quis ser professora, eu não sei se eu gostava tanto de criança pra ser professora, mas...é...o tempo foi mostrando que sim, naquela época eu gostava bastante, queria ser professora, mas demorou muitos anos da minha vida pra eu poder ser professora.
A: Uhum, e por quê que você demorou tanto tempo pra ser professora? Se você já tinha em mente desde pequena que queria ser.
P: Muitas coisas aconteceram na minha vida, que não deveriam ter acontecido, uma delas foi casar muito nova, e daí veio os filhos, e o companheiro no qual eu...eu escolhi de certa forma pra ser meu esposo, não deixou e não permitiu que eu voltasse a estudar, e que eu pudesse completar, realizar meus sonhos.
A: E agora que você já é professora, quando que você começou a fazer uma faculdade, ou...?
P: Então, depois que eu me divorciei, que deu errado, que tudo deu errado no casamento, mas que eu me divorciei, meus filhos, que daí eu tenho quatro filhos, é...o mais velho me ajudou muito, incentivou, é...de eu começar a estudar, isso foi em 2013, aí eu já tava com 46 anos, mas isso não me amedrontou, eu me inscrevi na faculdade, e comecei a fazer faculdade de pedagogia, e eu lembro que a professora, fez uma pergunta no primeiro dia de aula, o que que nós queríamos ser, se nós queríamos ser professoras, se nós íamos conseguir chegar até o final, eu disse pra ela que a coisa que eu mais desejava na vida era ser professora, mas eu não queria ser mais uma professora no meio de tantas que tem, eu queria ser A professora, eu queria fazer a diferença na vida de cada criança que passasse por mim, e com 50 anos, depois de 4 anos eu me formei, e to nessa área até hoje, fui professora, coordenadora pedagógica, e hoje eu to em...é...eu sou orientadora educacional, e to me realizando com isso, por quê eu tenho um trabalho direto com as crianças, pra mim isso é muito bom.
A: Uhum, em qual Universidade você fez a sua graduação?
P: Eu fiz na Uniasselvi.
A: Uhum, teve algum professor, e experiências que marcaram essa tua trajetória na Uniasselvi?
P: Sim, tem a professora Zilma Sansão, que foi a minha professora, orientadora, que me marcou bastante, que ela me ensinou na verdade tudo, é..ter...ser uma...como ser uma professora, como me posicionar, como enfrentar as dificuldades do dia a dia na sala de aula, ela vai ser, sempre vai ser lembrada como a minha mestre mesmo, a minha orientadora do coração.
A: Uhum, como se fosse a sua referência de professor né?
P: Como se fosse a minha referência, é mesmo, bem isso.
A: E como que foi a sua volta pra sala de aula, só que dessa vez çá na frente como professor? Tinha alguma expectativa de recém-formado...
P: É, é que tudo que se aprende na faculdade, independente de qualquer faculdade, independente de qualquer instituição de faculdade é diferente na prática do que na teoria, mas eu levei em conta todo o meu aprendizado, e fui colocando na prática tudo aquilo que eu não queria que acontecesse na sala de aula, então o que já acontecia eu já sabia, mas eu podia fazer diferente, eu aprendi que a sala de aula não precisa ser a mesma coisa como antigamente, ela pode ser diferente, ela tem maneiras de ensinar e passar conhecimento diferentes, e é essa maneira que eu...quando cheguei na sala de aula, eu fiz, por que na sala de aula eu tinha o livre arbítrio, eu tinha autoridade pra conseguir passar os meus conhecimentos de forma, claro, coerente e seguinte as bases da BNCC, e todas as regras da própria instituição, mas eu conseguia fazer um trabalho diferente, pra realmente atingir o aprendizado das crianças.
A: Uhum, você fez qual faculdade?
P: Pedagogia, e depois eu fiz pós também, eu fiz pós em Psicopedagogia, e Educação Inclusiva, e agora to fazendo ainda mais outra pós, que é de conflitos, Gestão de Conflitos, e também to fazendo Pedagogia Hospitalar.
A: E como que foram essas pós?
P: Muito boa, a psicopedagogia mesmo, ela me mostrou que eu realmente estou no caminho certo, que eu...como agir com as crianças, principalmente com crianças que tem dificuldade de aprendizagem, que tem conflitos, que eu hoje to preparada, realmente pra ta trabalhando junto com essas crianças, me sinto bem, muito bem.
A: Ta, as outras pós...
P: A outra pós, de conflitos também, eu to realmente exercendo bastante, por que eu to na orientação, eu sou Orientadora Educacional, então é bem na minha área de conflitos e né...e resolver os conflitos, e o que eu não botei em prática ainda é Educação Hospitalar, Pedagogia Hospitalar, mas dentro do meu currículo eu tenho, então se um dia eu precisar aplicar, eu sei como aplicar.
A: E pensando agora, o que mais você vê que te entristece no mundo escolar? O que mais gera contentamento, realização?
P: O que mais me deixa triste, mas muito triste, é saber que hoje os pais não se importam mais com os filhos, e que quando se importam, se importam da maneira errada, e eu vou ta explicando, porque assim, a criança chega com uma dificuldade de aprendizagem e o professor chama atenção. Ela tirou uma nota baixa por exemplo, invés do pai ou a mãe perguntar pro filho, “Filho, o que aconteceu, por que você tirou essa nota baixa? Você não estudou?”, não, eles querem conversar com o professor por que o professor deu a nota baixa, mas eles não querem saber por que que o filho tirou a nota baixa, então ali já começa dando pro filho, uma ideia de que o filho pode tudo, quando na verdade ele ta ali pra seguir também uma orientação, ele ta ali pra aprender, e se ele não estuda e não faz por merecer uma nota mais alta, é por que ele não estudou, e não por que o professor deu uma nota baixa, a nota baixa é a consequência da falta de estudo, porém os pais não veem isso, isso é um conflito, uma coisa que os pais não tão enxergando o tamanho da gravidade do erro que eles tão fazendo, por que eles tão tirando autoridade do professor perante tudo isso, infelizmente. E a parte que eu gosto, que é muito gratificante, é que ainda, graças ao bom Deus, tem uma grande percentagem de crianças que a gente consegue conduzir pro caminho do bem, q a gente perceber que vão vencer, que vão chegar lá, que vão talvez ser futuros professores, ou independente da profissão que eles escolherem, mas que eles vão conseguir, é..vencer na vida.
A: E voltando ali pra questão dos pais, o que você acha que faz com que eles tratem os filhos assim, questionando o professor e não a nota baixa ao filho?
P: O problema dos pais, é que os pais, me parece, que eles tentam, como é que se diz, compensar os filhos pela falta de amor que eles tão tendo com os filhos, eles não conseguem mais ter o tempo, o celular, é...tudo na vida deles é mais importante que o filho, o filho é apenas um filho, não é O filho que é o importante, é apenas um detalhe, a sociedade cobra que se tenha filho, então eu vou ter um filho, é assim que me parece que é, então eles não conseguem mais ter o discernimento de ensinar eles o certo e o errado, que o que pode, pode, e o que não pode, não pode e pronto, o não e o sim não ta mais funcionando nas casas, como eles não tem tempo, eles preferem dar tudo pro filho, só que esse tudo estraga o filho, por que o filho tem que compreender que ele vai se frustrar, que vai ter hora que ele não vai conseguir tal coisa, determinada coisa, e aí se o pai da tudo, ele nunca vai saber se frustrar, é o que ta acontecendo com os nossos jovens, muitos jovens com depressão, MUITOS jovens com depressão, jovens que infelizmente muito que a gente não fica sabendo, até por que a midia não publica e tal, muitos suicídios de jovens, por que não sabem, por que não aprenderam a aceitar a frustração, a trabalhar a frustração, a evitar se frustrar, evitar correr atrás dos seus sonhos, então qualquer não pra eles já é motivo de depressão, já é motivo de raiva, de ódio, e isso é muito triste, por que nós estamos criando a nossa sociedade assim.
A: E pensando na sua carreira, desde que você começou a dar aulas até agora, teve algum aluno que te marcou mais? Ou alguma família talvez...
P: Sim, eu tenho algumas histórias bem engraçadas até pra contar, assim de algumas crianças bem particulares assim. É...eu tenho uma criança que ela era muito revoltada, muito rebelde, e aí com uma conversa com os pais, justamente explicando pros pais que eu ia tomar determinada atitude na sala, pra essa menina não continuar fazendo o que ela tava fazendo, que era rasgar o trabalho dos amigos, era empurrar, era bater, era derrubar da cadeira, enfim, o que ela podia fazer ela fazia, e ainda que eu tinha psicopedagogia que como eu falei, isso ajuda bastante, eu fui trabalhando essa frustração dela, de forma de fazer ela se colocar no lugar do amigo, e aí quando ela conseguiu se entender, que ela tava num lugar, que ela poderia ta no lugar, como ela batia nos amigos, ela também podia apanhar, que ela também tava podendo passar por aquela situação, ela foi conseguindo, foi compreendendo, compreendendo, e eu lembro que chegou perto assim do final do ano, lá por setembro por aí, que era o aniversário dela, a família me convidou pra ir no aniversário, e lá no aniversário, comentavam assim, entre os convidados, o quanto ela tinha mudado, quanto ela tinha melhorado a atitude dela em casa com o irmãozinho pequeninho dela, que ela também só batia e tal, é...isso foi uma das histórias né, mas tem bastante, é muito bom a gente saber que a gente faz a diferença na vida das crianças.
A: E como que você fez ela perceber isso? Qual foi a sua atitude?
P: A minha atitude foi que eu conversei com ela numa roda de conversa, em combinação com todos os amigos incluindo com o pai, que se ela batesse, ou se ela fizesse alguma coisa, o amigo também poderia fazer com ela. E daí aconteceu uma vez de ela bater e de ela rasgar o trabalho do amigo, e o amigo fez a mesma coisa com ela, daí ela ficou muito brava, aí foi onde a gente fez uma nova roda de conversa, e explicou pra ela e pros demais, oh, aconteceu isso com ela por que ela fez com o amigo, e o amigo ficou muito bravo com ela, e fez igual, e eu perguntei pra ela se ela tinha gostado, ela disse que não, eu disse então a partir de hoje você não pode mais fazer isso, por que se você fizer, o amigo também tem direito de fazer. E foi onde ela começou, cada vez que ela ia fazer, ela olhava pro amigo, olhava pra mim, e ela foi mudando as atitudes dela e foi deixando de fazer.
A: E como são as suas práticas pedagógicas?
P: Minhas práticas pedagógicas, é dependendo onde eu vou trabalhar né, na educação infantil ou na escola de anos iniciais, geralmente a primeira coisa que eu pego é o PPP, pra mim ver de que forma que aquela instituição trabalha. Mas as minhas práticas pedagógicas são...é...com planejamento, com currículo, através da BNCC que vou botando as minhas práticas, que eu vou organizando as minhas aulas.
A: E agora pra finalizar, tem algum conselho ou dica que você poderia dar pros estudantes de graduação, agora que vão começar a fazer Pedagogia, ou que estão fazendo Letras, que estão se preparando pra carreira docente?
P: Olha, primeiro de tudo, é ter muito amor pela profissão, mas muito amor mesmo, por que é muito gratificante, mas muito gratificante, é muito trabalho, muito emprenho, muita vontade de ensinar, por que nem todos querem aprender, mas porém, aqueles que querem aprender, só aqueles já vale a pena ser professor, por que a gente olha no olhar deles, a gente vê a gratificação que eles tem pela gente, o carinho que eles demonstram pela gente, e só isso já vale, então eu penso que hoje um professor que está nessa área, que está se especializando, a primeira coisa de tudo, ele tem que pensar, “Que tipo de professor eu quero ser? Eu quero ser o tipo de professor que eu tive?”, se eu tive um bom professor, eu tenho bons exemplos, se eu não tive, o que que eu quero mudar, e de que forma que eu quero fazer pra ser o melhor professor possível. E ser professor, tem muitos, mas ser O professor, é pouco, então eu penso que cada um tem que ter essa consciência de ser o melhor professor possível dentro da área que ta escolhendo.
A: Beleza então, muito obrigado, é isso, tem mais alguma coisa que você gostaria de falar?
P: Eu que queria agradecer, agradecer muito essa entrevista, e espero que tenha ajudado, muito obrigada.
A: Com certeza ajudou, obrigado!
Recolher