Projeto Memória Petrobrás
Depoimento de Vilma Lustosa
Entrevistada por Ana Maria Bonjour (P/1)
Rio de Janeiro - RJ - 12 / 11 / 2004
Realização Museu da Pessoa
Código do Depoimento: PETRO_CB625
Transcrito por Marlon Alves Garcia
P/1 - Bom dia, Vilma.
R - Bom dia.
P/1 - Eu queria começar com você falando seu nome completo, local e data de nascimento.
R - Ok. É Vilma Lustosa, Rio de Janeiro, 22 / 12 / 1957.
P/1 - Conta, assim, de uma forma sucinta, como que foi sua trajetória, como começou sua vida na área cultural, como foi a sua história.
R - Ah, eu estou há 23 anos na área cultural, na área de cinema. Eu entrei através da minha irmã Valquíria, que é diretora comigo, do Festival. Ela, junto com um grupo, fundaram um Festival. Isso já fazem 21 anos. Eu entrei numa fase preparatória. Eu sou formada em Sociologia, na época eu estava trabalhando com um sociólogo, trabalhando em comunidades de baixa renda, dando aula etc. E aí começamos a fazer o Festival, e estou aqui até hoje. Quer dizer, do Festival a gente começou a produzir filme, nós trabalhamos muito na área ambiental, com educação ambiental, trabalhando através do audiovisual. Enfim, estamos aprontando aqui há uns 25 anos.
P/1 - No cinema, basicamente?
R - É, no cinema.
R - Eu acho que, assim, mudou muito, né? Há muito tempo ou algum tempo atrás era mais complexo porque você falava em cultura, você ia buscar recurso, você ia buscar instrumento, era tudo assim: “Ah, vou te dar uma ajudinha, vou te dar uma ajudinha!” Sabe, sempre na base da ajuda. Quer dizer, vocês estava numa posição sempre assim: ou era muito legal, mas também era pedinte. Era uma coisa associada assim. Hoje não. Acho que a gente ganha um nível de profissionalização bastante significativo. Existem escolas de formação profissional. A área que eu atuo, quer dizer, o cinema, o cinema tem uma mudança estrutural. A gente tem hoje um parque técnico no Brasil, que é de primeira...
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Depoimento de Vilma Lustosa
Entrevistada por Ana Maria Bonjour (P/1)
Rio de Janeiro - RJ - 12 / 11 / 2004
Realização Museu da Pessoa
Código do Depoimento: PETRO_CB625
Transcrito por Marlon Alves Garcia
P/1 - Bom dia, Vilma.
R - Bom dia.
P/1 - Eu queria começar com você falando seu nome completo, local e data de nascimento.
R - Ok. É Vilma Lustosa, Rio de Janeiro, 22 / 12 / 1957.
P/1 - Conta, assim, de uma forma sucinta, como que foi sua trajetória, como começou sua vida na área cultural, como foi a sua história.
R - Ah, eu estou há 23 anos na área cultural, na área de cinema. Eu entrei através da minha irmã Valquíria, que é diretora comigo, do Festival. Ela, junto com um grupo, fundaram um Festival. Isso já fazem 21 anos. Eu entrei numa fase preparatória. Eu sou formada em Sociologia, na época eu estava trabalhando com um sociólogo, trabalhando em comunidades de baixa renda, dando aula etc. E aí começamos a fazer o Festival, e estou aqui até hoje. Quer dizer, do Festival a gente começou a produzir filme, nós trabalhamos muito na área ambiental, com educação ambiental, trabalhando através do audiovisual. Enfim, estamos aprontando aqui há uns 25 anos.
P/1 - No cinema, basicamente?
R - É, no cinema.
R - Eu acho que, assim, mudou muito, né? Há muito tempo ou algum tempo atrás era mais complexo porque você falava em cultura, você ia buscar recurso, você ia buscar instrumento, era tudo assim: “Ah, vou te dar uma ajudinha, vou te dar uma ajudinha!” Sabe, sempre na base da ajuda. Quer dizer, vocês estava numa posição sempre assim: ou era muito legal, mas também era pedinte. Era uma coisa associada assim. Hoje não. Acho que a gente ganha um nível de profissionalização bastante significativo. Existem escolas de formação profissional. A área que eu atuo, quer dizer, o cinema, o cinema tem uma mudança estrutural. A gente tem hoje um parque técnico no Brasil, que é de primeira linha. Nós sempre tivemos mão-de-obra qualificadíssima; O Brasil é realmente uma vanguarda na nossa área, no mundo inteiro, sempre se colocou como padrão internacional. E a gente hoje começar a ter a oportunidade de mostrar mais claramente, não é um movimento brasileiro, é um movimento mundial, de que cultura é um bom negócio, é um negócio para ser investido. Além de ser como a gente diz, o importante para a humanidade, para o ser humano, que esse é o motivo que se trabalha nessa área, você está fazendo algo para alguém, sabe, também passa a ser uma oportunidade de negócios. Então hoje tem esse mix, né, a gente pode trabalhar a coisa da oportunidade de negócio. É um bom investimento você trabalhar com a área cultural, sobretudo quando você pode trabalhar o seu conjunto de ações internas da sua empresa, do seu projeto, junto com o que está sendo desenvolvido. As parcerias, as chamadas parcerias. Então, eu acho que realmente a gente tem um momento muito especial agora no Brasil.
P/1 - Na cultura?
R - É.
P/1 - No cinema também?
R - Ah, o cinema sobretudo. O cinema está passando por uma fase maravilhosa. Nós estamos tendo a oportunidade de vivenciar a volta do público para os cinemas. É surpreendente, é maravilhoso, é resultado de trabalho. Quer dizer, nada à toa, sabe, não é uma coisa espontânea, é um conjunto de ações, é um desenvolvimento do parque das salas de cinema, é um maior desenvolvimento, uma maior ação das distribuidoras. Inclusive distribuidoras internacionais. E também dos filmes. Nós temos hoje uma quantidade de filmes que vem crescendo a nível da produção, depois da retomada. E filmes com caráter bem populares também, que ajuda na comunicação, criar a base da pirâmide na comunicação junto ao público. Hoje o público já tem uma base de formação. Aquele discurso que a gente tinha: “Ah, a formação do cinema, a formação.” E o tempo todo que eu atuo nessa área a gente só falava dessa coisa de formação de platéia, formação de platéia, e na prática hoje em dia tem um patamar da formação de platéia. Então, é um momento histórico maravilhoso. Temos toda uma nova geração também saindo, quer dizer, o que é fundamental para que tenha permanência, sobrevivência de uma obra, de uma área cultural, né, industrial. O Brasil precisa dar o seu salto industrial, reconhecer o cinema realmente como uma economia importante, como os americanos conseguiram entender isso. E hoje o cinema está no mundo inteiro. Quer dizer, fizeram bem, construíram a sua base. Eu acho que a gente tem como fazer também no Brasil. Tem uma juventude ávida para trabalhar com cinema e audiovisual de uma maneira geral, impressionante. A gente faz festivais de cinema e produz. A quantidade de e-mails, de fax, de tudo, perguntando: “O que eu faço, como eu posso fazer, onde eu posso trabalhar?” E é isso, é o futuro, né, porque é a convergência das mídias. Nós estamos vivendo uma explosão de novos conhecimentos. Então, eu acho que a gente vai cada vez mais tomar um rumo industrial no cinema brasileiro, e com isso possibilitar que haja demandas dos estudantes entrarem nos circuito profissional e vice-versa, sabe? A gente está caminhando para isso, tem novas mudanças, então vamos ver.
P/1 - O Festival do Rio tem uma história junto com essa transformação no cinema? Fala um pouquinho do projeto, das fases.
R - Tá. Eu acho importante lembrar que o Festival do Rio é a junção de dois grupos, né? Eu sou originariamente do Festival Rio Cine Festival, e meus parceiros, meus queridos parceiros são da Mostra Rio. Então nós somos um grupo que é o Cima, que sou eu, Valquíria, Iafe e o Marcos, que eram do Rio Cine, e o Festival do Rio, que é a Adriana, Hilda, Marcelo e Nelson. Somos oito. A gente se autodenomina, porque fomos uma vez chamados pelo presidente da Petrobrás Distribuidora de G8, o grupo do G8. Então nós somos o G8. E o Festival do Rio, ele, ambos os trabalhos que eram feitos antes, o Mostra e o Rio Cine, se caracterizavam exatamente por ser eventos que sempre trabalharam para trazer o novo para o Brasil, ou o que tem do Brasil ser exposto para o público e para a formação de novas gerações, nova platéias etc. E entre mostras, entre seminários etc., eu acho que passou muita gente, muita gente. A gente precisa urgentemente organizar um projeto de memória para nós. Porque nós temos depoimentos, temos passagem. Toda gente de cinema eu acho que já teve uma participação nos festivais. Sabe, assim, seja com filme, seja num seminário, seja na área de mercado. E hoje a gente tem uma proposta, é um projeto que cresce a cada ano, que é fazer que o que vinha sendo feito por esses outros dois eventos, até antes de se fundir, mas a gente se fundiu exatamente para ser um grande, ser um que acalente todas as demandas que tenham. E também fazer um trabalho arrojado na área internacional. Quer dizer, e a gente vem fazendo um trabalho grande na área latino-americana, de meio de união entre nós brasileiros com os nossos demais parceiros da América Latina. E com os europeus, com os americanos, com os africanos, com os asiáticos, para que a gente possa ter na América Latina um ponto de encontro, que já está acontecendo, que é o Festival do Rio, um ponto importante para indústria mundial. Nós temos um festival que está focado em ver viabilidades para o cinema brasileiro, para o cinema latino, do ponto de vista do mercado internacional. Então é muito importante como está se processando todo esse trabalho do Festival do Rio. Porque a gente vê que ao longo desses anos a gente conseguiu democratizar as informações, democratizar os acessos. Quer dizer, nem todos que vão à Cannes, que vão a Berlim, mas você pode estar aqui e conhecer todas as pessoas que lá circulam e que falam hoje com o cinema brasileiro. A gente tem trazido todo mundo, quer dizer, tem trazido grande parte. É um projeto que vai crescer cada ano mais. Mas há um grande reconhecimento internacional hoje do Brasil, do ponto de vista de ter uma praça de negócios, uma praça de ação, de poder ter encontro com o produto latino, com o produto brasileiro, que são os filmes, televisão etc. (PAUSA)
R - Então, essa proposta do Festival do Rio é dar acesso a todos os brasileiros e produtores, diretores, criadores da América Latina, ter um ponto de encontro aqui, onde faça a interface com o mercado internacional. E a gente tem trabalhado com muitas parcerias. Quer dizer, nós adoramos trabalhar com parceiros, a gente sabe que caminhar sozinho e muito difícil. E, sobretudo, quando você tem mais parceiros, você vai crescendo com mais facilidade. A gente tem parceria com os outros festivais internacionais, que vem a ser Cannes, Sundance, Veneza, Berlim, enfim, Toronto, outros, tem vários. E também os nossos festivais brasileiros. De maneira que a gente pode dessa forma estar informando, recebendo tudo que tem de mais recente, comunicando: “Ah, tem um comprador que gosta mesmo, está focado no mercado latino, tem um distribuidor, tem tal, tem isso, tem aquilo.” Quer dizer, a gente cria uma rede de informações e procura ao longo do Festival, além de trazer o que é, assim, tradicional no nosso trabalho, trazer tudo que tem de novo e moderno, fazer grandes retrospectivas clássicas, enfim, trabalhar com a memória, trabalhar com o novo. É um festival voltado para todos os públicos, sabe, a gente tem um grande caleidoscópio. A gente trabalha com a criança, trabalha com o adulto, trabalha com aquele jovem que gosta de coisas bem radicais, mas também com a terceira idade, que quer ver pérolas do cinema mundial, do cinema brasileiro, e retrospectivas. Enfim, é um festival para público, para a cidade, para o país, para quem quiser. A gente quer crescer muito, quer, na área, trazer gente do Brasil inteiro, porque a gente sabe que tem uma programação de qualidade, que pode se criar a oportunidade do turismo de lazer, e o Festival tem um bom cardápio de apresentação para isso. Agora, o que a gente tem feito e focado como prioridade é desenvolver um trabalho com o cinema brasileiro dentro do Festival. A gente tem uma mostra competitiva, tem um júri internacional, mas tem o júri popular também. E trabalhar com esse cinema brasileiro, no período do Festival, onde a gente está exposto a todas as mídias, mídias nacionais e internacionais, a gente possa cada vez mais falar do nosso cinema. E a gente tem conseguido êxito, assim, temos conseguido que os produtores e diretores fiquem bastante satisfeitos, porque tem dado resultado a participação deles dentro do Festival.
P/1 - E em termos numéricos, assim, rapidinho, fala só como que era no início e hoje o número de salas de projeção dos filmes.
R - Antes da nossa união, você está dizendo?
P/1 - É.
R - Porque, assim.
P/1 - Vocês se uniram em que ano?
R - Nós nos reunimos em 1999.
P/1 - 1999.
R - É. Ah, eu acredito que a gente trabalhava, o Rio Cine trabalhava com três, quatro cinemas. Sempre fizemos cinema ao ar livre. A gente gostava muito de fazer, e gostamos ainda, de fazer coisas assim em área comunitária, tipo estação de barca, rede ferroviária, enfim. Agora a gente trabalha com as Lonas Culturais, que é um projeto da Prefeitura do Rio de Janeiro, que é muito bom para a gente, porque aí a gente trabalha com... Eles trabalham o ano inteiro fazendo um trabalho de arte, de formação etc. E aí quando chega a época do Festival do Rio, a gente faz uma programação de cinema, faz oficinas. Então, já está acolhido. E a Mostra Rio, que me perdoe se eu estou errando, os meus amigos, mas acho que trabalhavam com nove, dez cinemas, talvez mais um pouco. Hoje a gente trabalha em torno de 30 espaços de exibição. E o que é significativo é que a gente trabalha com a cidade inteira, a gente está trabalhando com a Zona Sul, com o Odeon aqui, que é no Centro, Odeon BR. Mas também se trabalha Campo Grande, Santa Cruz, quer dizer, toda Zona Oeste. Temos um trabalho na Zona Norte. E pode crescer muito porque o Festival tem espaço para público. Enfim, onde houverem cinemas, a gente pode estar com filmes e pode ter público. A gente tem hoje um público bastante significativo, a gente passou em muito pouco tempo ao patamar de mais de 200 mil espectadores. A gente tem, em 15 dias, 230 mil espectadores. Mas a gente sabe que pode chegar a muito mais. A gente também vai trabalhar mais a coisa da televisão, quer dizer, fazer algumas coisas interativas. Então isso cresce em projeção. E tem a coisa dos sites hoje, né, gente trabalha muito. Quer dizer, isso eu estou falando só do público que se apresenta para o Festival. Agora, o público impactado, eu acho que a gente pode estar falando de dois milhões e alguma coisa assim, porque a gente pode estar falando de todas as ações promocionais que a gente faz em sites, várias perguntas. E a gente tem muitos parceiros na área de mídia. Isso eu estou falando de público impactado, assim, direto, que possa estar respondendo a uma questão, estar recebendo um ingresso, estar isso ou aquilo. Porque se eu for falar de impacto de mídia mesmo, de cobertura de mídia espontânea etc. No último ano que a gente fez um levantamento, a gente está falando de uma cifra assim de dez milhões de reais, sabe, de toda centimetragem que atinge dentro do Brasil, nos veículos de rádio, televisão etc. Fora a mídia internacional, que a gente tem, assim, nós tivemos página dupla no Financial Times, falando do Festival do Rio. New York Times também. Enfim, gente está avançando. Isso é bom para o Brasil, é bom ter um festival forte. Porque nós somos muito pequenos lá fora, sabe, nós ainda somos uma mosquinha. Então é muito bom quando a gente chega lá fora e a gente vê que tem uma referência profissional, séria, com permanência. Porque os países latino-americanos sempre tiveram um histórico de coisas que começam e param, e começam e param etc. e tal, e fica aquela marca assim de que parece que não é sério. E sempre, eu acho que de uma maneira geral, muitos são sérios, mas as circunstâncias é que são bizarras, né? Circunstâncias econômicas, políticas, enfim. Então que às vezes nos põe em situações de não continuidade. Mas a gente tem tido muita sorte de ter continuidade, e essa é uma garra que a gente tem. Não dá para interromper, porque isso cria memória e sobretudo cria credibilidade. Aquele que veio o ano passado indica o outro, indica outros, porque todos que vêm amam, porque o Brasil é lindo, porque o Rio de Janeiro é maravilhoso, a gente sabe receber as pessoas. E os profissionais de cinema sabe que quando vão para um festival e outro acabam trabalhando tanto que você nem vê a cidade. Igual Cannes, você vai para Cannes, é um balneário, mas você nem vê, você está correndo e tal. Aqui você está trabalhando, mas você está trabalhando concentrado, porque você tem dentro do hotel uma espécie de uma biblioteca onde você pode ver todos os filmes que estão sendo exibidos. Quer dizer, quem são as pessoas do setor, da indústria, que se escreve e tal. Então pode estar indo aos cinemas sede etc. Mas é a coisa mesmo de como a gente formatou o Festival, para ter uma leveza. Tem uma tenda que toda noite as pessoas se encontram, enfim, e dessa maneira conhecem as pessoas, as pessoas se conhecem, os convidados. E fica numa cidade linda, porque realmente é um cartão postal. E o Brasil, aquela maneira brasileira de receber. É muito charmoso o Brasil, né?
P/1 - É, uma graça. Há quanto tempo que a Petrobrás patrocina o Festival, e como que isso refletiu no projeto?
R - A Petrobrás patrocinava anteriormente o Rio Cine e a Mostra Rio. Era um dos patrocinadores. Ora havia distribuidora, empresa distribuidora, ora havia a própria empresa mãe, mas eu acho que desde 1990 e... Nós estamos em 2004? Uns 10 anos, 10 anos que devem ser. Só no Festival do Rio já estamos no quinto ou sexto. Foi muito importante a participação da empresa, quando ela se torna a empresa líder do Festival. Ela foi durante três anos a empresa exclusiva, patrocinadora exclusiva. Isso nos deu a oportunidade de fazer um planejamento do Festival, é a tal da perenidade. A gente venceu o obstáculo que era a descontinuidade, a incerteza do patrocínio e tal. Projetos como os nossos são muito importantes que se tenha continuidade, mas que se possa ter planejamento. E planejamento significa você ter garantia de recursos, e garantia de recursos não no ano, mas um ano antes ou dois anos antes, como todas as empresas. Igual a Petrobrás, que planeja, deve ser de 10 em 10 anos, com tanto recurso e com tanta responsabilidade de negócios que tem. E assim numa escala projetada, eu acho que os eventos devem ser assim, sabe, planejados. Porque isso mostra resultado, isso diminui custos, isso afina a orquestra, sabe, a equipe, você consegue ter uma equipe permanente. E com isso você consegue ter pessoas que cada vez mais estão dentro do projeto, se entendendo, portanto fazendo coisas maravilhosas, agregando: “Ah, esse ano que vem a gente pode consertar aqui, melhorar ali etc. e tal.” E sobretudo a gente ter uma quantidade de informação junto ao público. E isso apresenta resultados, a gente vem conversando com a empresa, a cada ano é que a gente renova o nosso contrato. Mas nós somos felizes com a Petrobrás. A gente acha que pode trabalhar - e eu sempre tenho falado nas reuniões, e agora deixo como registro -, trabalhar mais. A gente pode trabalhar junto aos postos, porque são representações físicas da empresa em bairros, então isso pode ser uma porta de entrada para estar se falando com o bairro, fazendo ponto de venda, vendendo DVD, anunciando o cinema brasileiro. Enfim, está aqui o registro.
P/1 - Nessa gestão, né?
R - Nessa gestão.
P/1 - E o que você acha hoje, qual a importância da Petrobrás como patrocinadora cultural no Brasil?
R - Ah, a Petrobrás é uma empresa líder na área de patrocínio. Imagina, é maravilhoso, é um orgulho, eu acho, para o brasileiro, ter uma empresa tão forte, tão poderosa, tão bem resolvida economicamente, com seu objetivo, né, a questão do petróleo, da gasolina, enfim, de todos os derivados. Você chega lá fora, você vê a Petrobrás, tem um peso, sabe? Você vai na Argentina hoje em dia, está cheio de Petrobrás. Quer dizer, é uma coisa de importância. E quando você está associado à cultura, eu acho que foi muito inteligente quando a Petrobrás assumiu em ser forte em cultura, porque ela está, na verdade é uma empresa que agrega ao seu investimento de marketing, porque está falando o ano inteiro em várias partes do país. Quer dizer, então ela está entrando com o consumidor, com o público em vários momentos. É no balé, na dança, enfim, balé, dança, teatro, é o cinema, com uma presença forte no cinema, fez um investimento grande. No Festival do Rio, quando se faz um investimento de três anos, é um investimento grande. Quer dizer, e no cinema como um todo. Então eu acho que é uma empresa que deve dar essa continuidade, porque é uma maneira moderna de fazer marketing, é fazer através da cultura. E a gente não tem medo de que o marketing: “Ah, tá usando a cultura pra fazer marketing!” Não, que ótimo que está fazendo isso com a cultura, sabe, porque está entendendo o que a gente fala com o público, o que a gente fala com o consumidor. E eu acho que todo mundo que trabalha com arte quer falar com o público. Não deveria não falar, deveria sempre estar falando, porque eu acho que é quando as obras de arte se realizam, né, é quando o livro é maravilhoso, é quando é lido, o quadro quando ele é visto, enfim, a exposição. É o momento mágico que aquilo acontece, é quando tem público.
P/1 - Tá bom. Vilma, o que você achou de ter participado da entrevista do Projeto Memória Petrobrás?
R - Ah, muito obrigada pelo convite. Estou falando em nome do meu grupo. Acho ótimo, porque memória é uma coisa, assim, fundamental. Nós mesmos, até aproveitando para falar isso, na área do Festival do Rio, nós somos muito parceiros do Centro dos Pesquisadores do Cinema Brasileiro, que é uma coisa de memória do cinema. A gente sabe o quanto é importante e o quanto é duro quando a gente vai querer passar um filme e a cópia está depredada ou acabou. Então, assim, o investimento que hoje tem, que a Petrobrás tem, de resgatar o cinema através de filmes que estão completamente precisando de restauro etc. E esse projeto de memória não é um projeto só de pegar o que está na CTI, porque a CTI a gente vai ter que fazer todos os caminhos para retirar. Também ter a consciência, como nós produtores ou realizadores, de estar sempre guardando o nosso material, criando, masterizando. Acaba um filme, hoje com a tecnologia digital a gente consegue masterizar. Mas a gente precisa criar um centro de memória do Brasil, sabe, onde está depositado, onde isso, aquilo, porque tem várias partes, mas. Tem caminhos, existem os caminhos, a gente vai melhorar. Então eu acho que uma empresa como essa, quando faz a memória e quer guardar a memória cultural, é fundamental, porque não tem povo alegre, desenvolvido, se não tiver memória, né, resgate. A coisa da cultura tem a ver com resgate, com memória. Então é maravilhoso. Espero que esse projeto seja um projeto permanente, não seja uma ação pontual. Porque como ação pontual e ótimo também, mas a gente daqui a pouco vai ter que correr atrás de fazer outra, entendeu? Então é melhor que seja feito sempre, porque aí tem um acompanhamento, e a gente pode ter, imagina, quase que a história do Brasil. Parabéns.
P/1 - Obrigada. Queria agradecer, e parabéns pelo projeto também, que é maravilhoso.
R - Obrigada. Que bom.
(fim da fita )
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