Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Vera Lúcia Flores
Entrevistado por Eliana Santos
Rio de Janeiro – RJ
Rio de Janeiro, 02/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB528
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Bom Dia! DonaVera, a gente gostaria de começar pedindo que a senhora nos fornecesse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R – Vera Lúcia Braga Félix Flores, nasci no Rio de Janeiro mesmo, no dia 19 do doze de 1952.
P/1 – Bom Dona Vera, a gente gostaria que a senhora falasse para a gente um pouquinho como que se deu o seu ingresso na Petrobras, quando foi e assim, quais foram os setores que a senhora trabalhou?
R – Bem, eu fiz o concurso em 76, 1976, aí fiquei aguardando durante dois anos. Aí no dia dois de fevereiro de 1978, dois anos depois eu fui chamada, né, aí já comecei a trabalhar. Inicialmente eu fui para a Secretaria Geral, onde me encontro até hoje. Eu acho que foi um caso assim, raro dentro da Petrobras, a pessoa que iniciou numa gerência e continua nela durante 26 anos. (riso)
P/1 - Nossa! E a Senhora pode falar para a gente um pouquinho como que é esse setor, como que é o seu trabalho?
R – É, eu trabalho, a parte da Secretaria Geral cuida mais assim, documentação, né, e a gente coordena todas as documentações que entram na empresa, documentações que saem da Empresa que vai para os navios; a minha parte, que eu trabalho Fronape, a gente cuida muito de navios, né? Então a gente manda muita documentação para os navios, e a documentação que vem externa para dentro da empresa, a gente controla isso tudo, temos um sistema que, inclusive esse sistema só funcionava dentro da Fronape. Aí depois da lei que mudou, que a Fronape juntou, virou Transpetro, que mudou os dutos, terminais, e aí a gente está tentando agora, esse ano, consegui implantar esse sistema para o restante da Transpetro, né, que hoje só funciona na Fronape. Então, é basicamente isso, é...
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Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Vera Lúcia Flores
Entrevistado por Eliana Santos
Rio de Janeiro – RJ
Rio de Janeiro, 02/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB528
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Bom Dia! DonaVera, a gente gostaria de começar pedindo que a senhora nos fornecesse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.
R – Vera Lúcia Braga Félix Flores, nasci no Rio de Janeiro mesmo, no dia 19 do doze de 1952.
P/1 – Bom Dona Vera, a gente gostaria que a senhora falasse para a gente um pouquinho como que se deu o seu ingresso na Petrobras, quando foi e assim, quais foram os setores que a senhora trabalhou?
R – Bem, eu fiz o concurso em 76, 1976, aí fiquei aguardando durante dois anos. Aí no dia dois de fevereiro de 1978, dois anos depois eu fui chamada, né, aí já comecei a trabalhar. Inicialmente eu fui para a Secretaria Geral, onde me encontro até hoje. Eu acho que foi um caso assim, raro dentro da Petrobras, a pessoa que iniciou numa gerência e continua nela durante 26 anos. (riso)
P/1 - Nossa! E a Senhora pode falar para a gente um pouquinho como que é esse setor, como que é o seu trabalho?
R – É, eu trabalho, a parte da Secretaria Geral cuida mais assim, documentação, né, e a gente coordena todas as documentações que entram na empresa, documentações que saem da Empresa que vai para os navios; a minha parte, que eu trabalho Fronape, a gente cuida muito de navios, né? Então a gente manda muita documentação para os navios, e a documentação que vem externa para dentro da empresa, a gente controla isso tudo, temos um sistema que, inclusive esse sistema só funcionava dentro da Fronape. Aí depois da lei que mudou, que a Fronape juntou, virou Transpetro, que mudou os dutos, terminais, e aí a gente está tentando agora, esse ano, consegui implantar esse sistema para o restante da Transpetro, né, que hoje só funciona na Fronape. Então, é basicamente isso, é documentação: arquivo, micro-filmagem de documentos é essa parte que é a principal, que a Secretaria cuida.
P/1 – Como que a Senhora viu essa mudança da Fronape para Transpetro?
R – É. Bom, é, para mim não mudou muita coisa não, a gente continuou fazendo as mesmas coisas. A única coisa que mudou, assim, foi o local, né, que antes a gente trabalhava no Caju, né, era só a Fronape e agora a gente trabalho aqui junto, né, com a Transpetro inteira. Eu acho que até foi melhor, que a gente passou a conhecer os demais colegas, né, e eu estou gostando muito de trabalhar aqui. Se hoje pedi assim: “Ah, amanhã a gente vai voltar para o Caju.”, eu não voltaria.(riso)
P/1 – A Senhora se recorda de alguma história engraçada, alguma história marcante da Petrobras nesse tempo que a senhora trabalha aqui?
R – Ai, assim eu não lembro não.(riso) É, teve muitas passagens, mas, assim no momento não me recordo não.
P/1 – Nenhuma história marcante, nada que a senhora lembre assim, do seu setor do seu trabalho?
R – Infelizmente, não estou lembrando não.(riso)
P/1 – Não? Então, olha só Dona Vera, a senhora pode falar com a gente, a Senhora é filiada ao sindicato?
R – Sou.
P/1 – Há quanto tempo?
R – Ah, desde quando eu entrei na empresa que eu me filiei e estou até hoje.
P/1 – Não exerce nenhum, nenhum cargo não, né,?
R – Não, não, não, só mesmo na empresa.(riso)
P/1 – E a senhora pode falar assim, um pouquinho o que que a senhora recorda dos movimentos de luta do sindicato, que a senhora tenha participado ou só se recorda que a senhora achou importante?
R – Bem, eu participei, eu acho que foi em 94, que nós fizemos uma greve, o pessoal ficou dois meses, eu fiquei três dias só, né, e acabou que a gente conseguiu o que queria, né? A empresa foi e aceitou, era um reajuste mais alto e tal. Aí, depois, a última greve que o pessoal quis fazer, mas o governo derrubou, né(riso), daí para cá eu achei que enfraqueceu um pouco, então o pessoal está com um pouquinho mais de medo, né, de sair na rua, porque o sindicato vem, chama a gente para participar das bases, das assembléias e a gente fica meio assim, com medo porque não sabe, né, tudo pode acontecer, né, mas mesmo assim eu participo. Sempre que há assembléia lá em baixo eu estou lá firme e forte participando de tudo, porque também hoje aqui, na Transpetro, tem muito mais é... contratado, empregado tem poucos, né, então quando desce os empregados é a minoria, então não descem todos para participar da assembléia, fica muito poucas pessoas lá em baixo, entendeu, aí eu acho que isso está influenciando para enfraquecer um pouquinho, né, a nossa luta.(riso)
P/1 – Como que a senhora vê essa relação do sindicato com a Petrobras?
R – É, o Sindicato não sei ele, eu estou achando que ele está informando pouco para a gente. Eu achava que eles deviam de correr mais atrás daquilo que ele está querendo, né? Conforme agora, esse ano, ele custou, quase não está divulgando o nosso dissídio, começou agora a partir do dia primeiro, mas eu acho que muito, pouca informação, eu acho que ele devia informar mais daquilo que ele está pedindo para a gente, para nosso benefício, entendeu?(riso)
P/1 – Dona Vera, quando a senhora entrou na Petrobras tinham muitas mulheres ou como que era essa relação com as mulheres, (já estava?) normal?
R – Tinha, tinha bastante mulheres, né, tinha bastante. Lá na minha gerência tinha algumas mulheres, mas depois com o tempo elas foram saindo, teve um período lá na empresa que ficou só eu de mulher.(riso)
P/1 – Como que era essa relação com as pessoas?
R – Era muito boa, eu sempre me dei bem com todo mundo. E o trabalho _ quando a gente faz também um trabalho que você gosta, né_ , e aí você leva aquilo de letra. E quanto as pessoas, nunca tive problema assim de briga, não tive problema com ninguém, graças a Deus, né?(riso)
P/1 - Que bom.
R - Acredito que eu não tenha assim, muitos inimigos(riso) dentro da empresa não, que eu só procuro fazer para ajudar, porque eu não penso, a gente não pensa só na gente pensa na empresa também, porque isso aqui não é meu é da empresa, tem que trabalhar em prol da Empresa, né, então eu sempre me dei muito bem com todo mundo aqui, também conheci muita gente nova, com as pessoas que eu tenho contato, todo mundo, me dou muito bem, entendeu, não tem nada assim.
P/1 – A aceitação da mulher naquela época era diferente de hoje ou não?
R – Não, eu não acho não, não, para mim é a mesma coisa a gente trabalhava, o que a mulher fazia o homem também fazia.
P/1- Não tinha problema.
R – Não tinha problema, inclusive teve um período que eu até substituir o chefe lá na época e tinha homens e que poderia substituí-lo, fui escolhida para ser substituta do chefe, que ele entrou de férias e eu fiquei substituindo nas férias dele, então eu acho que não tem esse preconceito dentro da Empresa não. Eu, pelo menos, não sinto isso.(riso)
P/1 – Nesses 50 anos assim, de história da Petrobras a senhora lembra de alguma coisa que tenha marcado ou a senhora queira falar de alguma coisa que marcou nesses 50 anos, o que a senhora acha que pode, que a senhora possa lembrar assim, que foi marcante para a senhora?
R – Ah, aí eu não sei. Ocorreram tantas coisas, dentro da Empresa, coisas boas, coisas ruins assim, para lembrar agora na hora um fato assim, está meio difícil.(riso)
P/1 – Fica difícil ficar recordando, né?
R – Pois é, é.
P/1 Tem mais alguma coisa que a senhora queira falar em relação... ?
R –É só isso. É o que eu falo, o que eu tenho hoje eu devo tudo a essa Empresa, a Petrobras, agradeço a ela tudo o que eu tenho, trabalhei aqui, foi o emprego que eu consegui me estruturar na vida, né, e já estou perto de sair, falta só 3 anos.(riso)
P/1 – Como que está essa expectativa para sair?
R – É aquele negócio, né, enquanto não chega você pensa que vai sair, mas não se preocupa. Assim, como as minhas amigas quando tiveram; faltou um dia para sair é que começou a pensar, refletir. Por enquanto não estou preocupada com isso, não sei nem se daqui a três anos que é a época que eu já posso ir se eu vou mesmo, se eu vou ficar mais um pouco. Está tão bom!(riso)
P/1 – Dona Vera, a senhora pode falar assim o que foi para a Senhora ter participado, ter dado essa entrevista para o Projeto Memória Petrobras?
R – Bem, eu acho que até vai ficar; ser bom para mim que eu vou deixar alguma coisa minha dentro da Empresa, né? É uma passagem, não só como funcionária, mas como funcionária sem essa entrevista ficaria mais obscura, né, com entrevista os demais colegas das outras unidades vão poder me conhecer, mesmo que seja só pela foto, mas vai ter uma participaçãozinha, né, daquilo que eu sou e que eu fiz, né? Acredito que eu contribui e continuo contribuindo muito para a empresa, entendeu, pelo menos até hoje não tenho queixa de ninguém, só tenho elogios.(riso)
P/1 – Que bom Dona Vera. Bom, eu gostaria de agradecer a entrevista, tá, muito obrigada dona Vera.
R – Obrigada, eu acho que ajudei, né, não sei.(riso)
P/1 – Muito.
(Fim da fita Mpet/CBTR 003)
(já estava?)
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