Nasci em Fortaleza, em dezembro de 1958. Sou filha única. O meu pai era farmacêutico. Ele tinha três farmácias; eu me criei pensando em ser uma farmacêutica, mas, como ele morreu muito cedo, acabei mudando de plano. Logo que fiz dezoito anos, fui trabalhar no Banco do Nordeste. Eu consegui uma entrevista e fui aprovada. Em março de 1977, quando completei dezenove anos, casei. No banco, comecei como recepcionista e nessa função trabalhei por um bom tempo. Depois, fui mudando de área. Atualmente trabalho na área de Gestão de Pessoas, o que levou à minha relação com o projeto Vira Vida. Essa relação tem sido muito interessante, porque o banco está dando oportunidade a essas crianças para resgatarem a sua cidadania.
Elas têm uma vida difícil com relação à estrutura familiar, a hábitos, costumes… Então, o banco está dando essa oportunidade pra que elas possam enfrentar uma vida cá fora. Aqui, a gente percebe que esses jovens têm vontade de acertar − eu acho que isso é o mais importante. No início, eles ficam assim, meio perdidos, mas têm um acompanhamento da nossa assistente social e, normalmente, se acontece algum probleminha, a gente conversa, pede pra eles dizerem qual é a dificuldade e a gente mostra que é assim mesmo, é o início da vida profissional, que eles têm que aprender a disciplina de uma empresa.
Por exemplo, lá no atendimento, eles têm uma noção de como atender, de como receber, de como falar. Então tudo isso é repassado pra eles. E, aos poucos, eles vão assimilando. Como são tão novos, então tudo é possível. Não existe essa diferença assim, no dia a dia. A gente já vê que eles têm uma vontade de crescer, de ter um futuro. E nós estamos aqui sempre tentando resgatar os valores pra eles, explicar o que é certo, o que é errado, como devem se comportar.
Essa parceria da empresa com o Vira Vida está resgatando a cidadania e dando a oportunidade, porque aqui não deixa de ser uma...
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Nasci em Fortaleza, em dezembro de 1958. Sou filha única. O meu pai era farmacêutico. Ele tinha três farmácias; eu me criei pensando em ser uma farmacêutica, mas, como ele morreu muito cedo, acabei mudando de plano. Logo que fiz dezoito anos, fui trabalhar no Banco do Nordeste. Eu consegui uma entrevista e fui aprovada. Em março de 1977, quando completei dezenove anos, casei. No banco, comecei como recepcionista e nessa função trabalhei por um bom tempo. Depois, fui mudando de área. Atualmente trabalho na área de Gestão de Pessoas, o que levou à minha relação com o projeto Vira Vida. Essa relação tem sido muito interessante, porque o banco está dando oportunidade a essas crianças para resgatarem a sua cidadania.
Elas têm uma vida difícil com relação à estrutura familiar, a hábitos, costumes… Então, o banco está dando essa oportunidade pra que elas possam enfrentar uma vida cá fora. Aqui, a gente percebe que esses jovens têm vontade de acertar − eu acho que isso é o mais importante. No início, eles ficam assim, meio perdidos, mas têm um acompanhamento da nossa assistente social e, normalmente, se acontece algum probleminha, a gente conversa, pede pra eles dizerem qual é a dificuldade e a gente mostra que é assim mesmo, é o início da vida profissional, que eles têm que aprender a disciplina de uma empresa.
Por exemplo, lá no atendimento, eles têm uma noção de como atender, de como receber, de como falar. Então tudo isso é repassado pra eles. E, aos poucos, eles vão assimilando. Como são tão novos, então tudo é possível. Não existe essa diferença assim, no dia a dia. A gente já vê que eles têm uma vontade de crescer, de ter um futuro. E nós estamos aqui sempre tentando resgatar os valores pra eles, explicar o que é certo, o que é errado, como devem se comportar.
Essa parceria da empresa com o Vira Vida está resgatando a cidadania e dando a oportunidade, porque aqui não deixa de ser uma escola para eles; é um trabalho, mas também está sendo uma escola. Saber como se comportar, como agir dentro de uma empresa. Eu acho que aqui é “a” escola pra eles se lançarem no mercado.
Às vezes, tenho que dar uma de mãe, como se eles fossem meus filhos, eu dou noções de que eles precisam ter mais responsabilidade, pois aqui estão aprendendo como se comportarem. Eu digo: “Olha, não chega atrasado”, é importante ter disciplina, porque lá fora, nas empresas é muito importante isso, chegar no horário. Importante, também, é não fantasiar as dificuldades, para uma falta que é normal. Mas como eles são muito novos, então às vezes isso pode acontecer. Então, a gente tá aqui, não só pra ele aprender a trabalhar, mas como se comportar, porque a competitividade é muito grande e, qualquer que seja o seu emprego hoje, é importante que você seja o melhor no que você faz.
Eu acho que todos os jovens do ViraVida que estão aqui querem ter uma oportunidade de crescer, de ter uma vida melhor. Tem um dos meninos que sempre fala que quer dar uma casa à mãe, que a mãe já lutou muito, que passou por muitas dificuldades. É bonito. Todos eles querem crescer, querem ter uma oportunidade e isso é muito importante. Então, se você quer, você consegue. Com certeza, eles são meninos bons, iguais aos meus filhos, iguais a qualquer pessoa, só que eles não tiveram a oportunidade que os meus filhos tiveram de estudar num colégio bom, de ter um curso de inglês, de ter pais presentes, pra levar e trazer, e a vida deles, é muito assim, teve muitos obstáculos e esses obstáculos, eles estão tentando vencer. Eles são jovens, têm um futuro pela frente e o que falta pra eles é oportunidade, e o banco está dando esse ponta pé inicial na vida deles.
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