Nasci na década de 70, terceira filha de uma família com oito irmãos. Tive uma infância marcada por muita ternura. Guardo com carinho a lembrança de meu pai lendo para nós os contos da carochinha. Talvez tenha sido ali plantada em mim a semente do encantamento pela literatura ou talvez tenha sido plantada pela minha irmã mais velha, que adorava ler e imaginar outros mundos possíveis. Ela lia em voz alta para mim, sempre que eu pedia. Eu tive uma infância cheia de encantamento.
Mas a vida, sempre imprevisível, trouxe-me a dor da despedida cedo demais. No início da adolescência, perdi meu pai. Adoeci. Minha mãe se preocupava muito com os sintomas que eu apresentava, desde menina, porque eram sintomas difíceis de nomear.
Quando eu tinha por volta de 30 anos, veio um possível diagnóstico, mas foi apenas quando eu estava na casa dos 40 anos que, em meio a uma crise quase fatal, que o diagnóstico de lúpus foi confirmado.
Isso me inquietou de uma forma muito intensa, acendendo em mim uma busca voraz por autoconhecimento. Foi em meio a essa busca que a leitura de um livro de contos, analisados pela perspectiva juguiana, me despertou para o poder curativo da literatura. E foi a partir dessa leitura que, sem jamais negligenciar o tratamento e, com ajuda de práticas holísticas e integrativas, que aos poucos, o lúpus foi cedendo, até entrar em remissão.
Com a minha reaproximação do universo literário, dediquei-me a escrever. Hoje, a escrita literária é minha forma favorita de atuação no mundo. Em cada texto que escrevo, deixo palavras de esperança e fragmentos de compreensão do que há por trás da dor, falo literariamente do seu avesso porque sei, na pele e na alma, que a literatura salva.
Por isso mesmo, promover a literatura se tornou minha forma favorita de contribuir com o mundo. Ela é minha forma de resistência e com ela dissemino amor e convido à transformação.


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