PARTE I O SONHO DA CASA PRÓPRIA No dia 15 de dezembro de 1949 nascia Alcides Punhagui, na região de São José do Ivaí, no Estado do Paraná. Seus pais eram lavradores e moravam num sítio, numa casa de madeira coberta por telhas. Eram em nove irmãos. Naquela época as crianças trabalhavam desde muito cedo e aos cinco anos de idade já trabalhava na lavoura. Quase nem brincava... Mas, quando brincava era no quintal de casa, num terreiro onde secavam o café. Cercado pela natureza, jogava bola e fubeca com os irmãos Naquela época não havia preocupação com a violência, eram outros tempos Era muito livre e alegre sua vida no interior. Participava das festas juninas, mas não gostava muito de dançar. Recebeu uma educação bem rigorosa de seus pais Estudou até a 4ª série do Fundamental. Naquele tempo as escolas eram bem diferentes... Com disciplina rígida quem desobedecia ficava de castigo em cima do milho, ou tinha que usar um chapéu enorme, não participava do recreio e ainda fazia muita lição, de classe e em casa. Aos dez anos foi trabalhar em uma farmácia, depois em um hospital, com o Dr. Eduardo, já falecido, de quem guarda boas lembranças; ele o ajudava nas cirurgias, entregando-lhe os materiais cirúrgicos. Sempre foi religioso; inclusive, quando jovem, foi catequista. Casou-se e, passado algum tempo, veio morar em São Paulo, com a esposa e dois filhos. Veio de ônibus e a viagem demorou doze horas Nessa época seu pai já era falecido... Ficou na casa de um primo durante quarenta dias, no bairro de Vila Luzita em Santo André; em seguida alugou uma casa no Parque João Ramalho. Trabalhou seis anos e meio como operador de máquinas na “Alcan Alumínio” e depois como segurança em outra firma. Teve alguns problemas de saúde e em 1989 fez uma cirurgia, que não foi bem...
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PARTE I O SONHO DA CASA PRÓPRIA No dia 15 de dezembro de 1949 nascia Alcides Punhagui, na região de São José do Ivaí, no Estado do Paraná. Seus pais eram lavradores e moravam num sítio, numa casa de madeira coberta por telhas. Eram em nove irmãos. Naquela época as crianças trabalhavam desde muito cedo e aos cinco anos de idade já trabalhava na lavoura. Quase nem brincava... Mas, quando brincava era no quintal de casa, num terreiro onde secavam o café. Cercado pela natureza, jogava bola e fubeca com os irmãos Naquela época não havia preocupação com a violência, eram outros tempos Era muito livre e alegre sua vida no interior. Participava das festas juninas, mas não gostava muito de dançar. Recebeu uma educação bem rigorosa de seus pais Estudou até a 4ª série do Fundamental. Naquele tempo as escolas eram bem diferentes... Com disciplina rígida quem desobedecia ficava de castigo em cima do milho, ou tinha que usar um chapéu enorme, não participava do recreio e ainda fazia muita lição, de classe e em casa. Aos dez anos foi trabalhar em uma farmácia, depois em um hospital, com o Dr. Eduardo, já falecido, de quem guarda boas lembranças; ele o ajudava nas cirurgias, entregando-lhe os materiais cirúrgicos. Sempre foi religioso; inclusive, quando jovem, foi catequista. Casou-se e, passado algum tempo, veio morar em São Paulo, com a esposa e dois filhos. Veio de ônibus e a viagem demorou doze horas Nessa época seu pai já era falecido... Ficou na casa de um primo durante quarenta dias, no bairro de Vila Luzita em Santo André; em seguida alugou uma casa no Parque João Ramalho. Trabalhou seis anos e meio como operador de máquinas na “Alcan Alumínio” e depois como segurança em outra firma. Teve alguns problemas de saúde e em 1989 fez uma cirurgia, que não foi bem sucedida, tendo que antecipar sua aposentadoria prevista para anos mais tarde. O seu sonho era ter uma casa própria e um carro. Com disposição e fé, enfrentou todos os desafios e conseguiu realizar muito mais que esse sonho... PARTE II JARDIM SOROCABA II Há vinte e nove anos Alcides Punhagui mora em Santo André. Na época em que pagava aluguel ficou sabendo de uma ocupação de um terreno, perto dali onde morava. Trouxe, então, sua família para o local e ocupou um pedaço de terra, morando em uma barraca de lona até construir sua casa, tijolo por tijolo Não havia abastecimento de água, nem pavimentação, nem energia elétrica A água que pegavam, tinha de ser aquecida no forno à lenha. Não havia itinerário de ônibus direto para essa região, andava bastante até chegar na sua casa. O rio, quando chovia, provocava grandes enchentes. Ele nos contou que a Avenida dos Estados era uma pista de mão dupla, cercada pelo manancial. Seu Alcides e outros vizinhos se uniram para buscar melhorias para esse local e montaram uma Associação de Bairro. Ele foi presidente dessa Associação durante quatro anos. Conseguiram legalizar a situação dos moradores nesses terrenos e colocaram o nome no bairro de Jardim Sorocaba II. Com essa união tiveram muitas conquistas; além da pavimentação, abastecimento de água e energia elétrica, encontramos hoje, no bairro: um posto de saúde, uma igreja, vários comércios, uma quadra e o “escadão”, uma passagem segura, prática, que liga o novo bairro às ruas do entorno da nossa escola, que fica num morro ao lado. Na época da ocupação havia oito casas apenas, hoje há novecentos e trinta e duas Mas, a primeira casa de alvenaria foi a de Alcides. Hoje a vizinhança não é a mesma de antigamente, mas as amizades permanecem. Seu Alcides é muito generoso e afetivo com todos, nos mostra como fato marcante de sua vida o amor, a perseverança, a lembrança da companhia dos amigos e familiares. Deixou-nos um recado especial: “Se esforcem na sala de aula, respeitem a professora, para que amanhã ou depois, vocês se tornem ‘alguém’ na vida. Estudem bastante. Não abaixem a cabeça por nada Sigam em frente com a cabeça no lugar, com muita fé Que Deus ilumine todos vocês”
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