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Por: Museu da Pessoa, 24 de maio de 2012

Um lugar pra chamar de seu

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Um lugar pra chamar de seu

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“Meu sonho sempre foi o mesmo, foi terminar meus estudos pra fazer minha faculdade de Gastronomia. O sonho de fazer uma faculdade de Gastronomia vem muito antes do Saborearte*, que é o meu restaurante com outras duas sócias, sonhar em existir. Em casa sempre fazia mocotó, que meu pai gosta muito, lasanha. Meu pai sempre trabalhou como ajudante de obras e minha mãe foi do lar. Nasci e fui criada no Realengo. Era complicado. Dominado pelo tráfico. Como meu pai saía às quatro da manhã, já saiu debaixo de tiro. Falar da minha infância é complicado. Minha mãe e meu pai tiveram muitas brigas, acabaram se separando quando eu tinha doze anos. Tive que ajudar a criar meus irmãos, um que tinha oito, outra que tinha quatro. Meu pai bebia, então todo final de semana tinha briga e meus irmãos então presenciavam tudo aquilo. Chegou certa época meu irmão ficou esquizofrênico. Foi isso. É difícil falar. Minha mãe não estava presente, acabou ficando com problema de saúde, ficou internada durante dois meses e nove dias, acabou amputando dois dedos do pé. Eu estudava, cuidava dos meus irmãos, da casa. Aos 16 anos fui trabalhar na Ilha Grande, comecei lá lavando louça e passei pra ajudante de cozinha, depois de um tempo uma das cozinheiras foi ganhar neném e eu acabei ficando no lugar dela como uma das cozinheiras. E o problema do meu irmão foi se agravando e minha mãe tinha tido um princípio de AVC (acidente vascular cerebral). Eu fiquei lá durante três anos e meio, quase quatro, tive que parar pra ajudar minha família a cuidar dele e fiquei durante um bom tempo. Tive que parar de estudar, não consegui terminar meu ensino médio e fiquei um bom tempo desempregada, e minha nova oportunidade foi esse projeto, que hoje é o Saborearte, que é minha razão de viver, depois da minha família. Mas meus pais até hoje tem dificuldade de entender meu sonho, que esse é um projeto próprio, que tem que ter muito trabalho. Até incentivam, mas...

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Projeto Mulheres Empreendedoras Chevron

Depoimento de Jaqueline Cristina Tiago

Entrevistada por Júlia Wagner Pereira

Rio de Janeiro 24/05/2012

Realização Museu da Pessoa

Entrevista MEC_HV039

Transcrito por Liliane Custódio / MW Transcrições (Mariana Wolff)

Revisado por Fernando Martins

P/1 – Primeiro a gente gostaria que você começasse falando pra gente o seu nome completo, o local de nascimento e a data.

R – Meu nome completo é Jaqueline Cristina Ramos Tiago, o local onde eu nasci é Albert Schweitzer, e a data de do meu aniversário é 20 de setembro de 1987.

P/1 – E sobre a sua família, seus pais, seu pai e mãe. O nome deles.

R – O nome da minha mãe é Sônia Cristina Ramos Tiago, meu pai é Roberto Xavier Tiago. E minha família é minha estrutura, a razão do meu viver.

P/1 – Você é filha única?

R – Não. Tenho mais dois irmãos.

P/1 – Seus pais nasceram no Rio de Janeiro? Eles são do Rio?

R – São do Rio.

P/1 – E seus avós?

R – Também.

P/1 – Também? E o nome dos seus avós?

R – Jacira Desidério, Moisés Ramos, os maternos. Os paternos são Nadir Xavier Tiago e Walter Tiago.

P/1 – E todos eles moram no Rio de Janeiro?

R – É. Todos são nascidos no Rio de Janeiro.

P/1 – Sobre a sua família, como era a vida? Seu pai trabalhava em quê? Sua mãe trabalhava em quê?

R – Minha mãe sempre foi do lar e meu pai sempre trabalhou como ajudante de caminhão, ajudante de obras. Hoje ele é ajudante de construção civil.

P/1 – Ele ainda tá trabalhando?

R – Tá.

P/1 – E seus avós trabalhavam em quê?

R – Meu avô foi mecânico do exército e minha avó sempre foi do lar também.

P/1 – E como você descreveria seu pai e sua mãe?

R – Meu pai, guerreiro. Minha mãe... Não tenho palavras pra falar da minha mãe. Minha mãe é super-heroína, considero-a a mulher do Bombril, mil e uma utilidades.

P/1 – Bom, e sobre a sua infância? Vamos falar um pouquinho. Onde você morou desde...

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