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-Prólogo Antes de tudo, preciso dizer que este livro não começa com palavras — começa com

ausências.

Este prólogo antecede as crônicas de uma escolha que parecia liberdade, mas que

carregava saudade. O exílio foi voluntário. A dor, não

- A plateia que faltava -

Meus pais, já falecidos, foram os primeiros a sentir o peso da minha partida.

Minha mãe — que me amava mais que tudo na vida — carregava nos olhos uma tristeza

que não se dizia, mas se via.

Ela não chorava alto. Chorava com o jeito de dobrar as roupas, com o cuidado

exagerado nas despedidas, com o café que esfriava na xícara enquanto me olhava

partir.

Meu pai, mais contido, deixava escapar a dor nos silêncios longos e nos conselhos

curtos.

Só mais tarde — bem mais tarde — hoje com 73 anos — percebo que me arrependo,

por eles, de ter tomado essa decisão.

Não pelo caminho que segui, mas pela dor que deixei para trás.

Hoje, quando toco — já não toco mais em público — é como se cada nota fosse uma

conversa íntima com os dois.

Não há plateia, nem palmas.

Só eu, o violão, e a lembrança.

Às vezes, penso que meus pais escutam e entendem.

A música virou confissão.

Não é mais técnica, nem espetáculo.

É saudade.

Há uma coisa que teria sido a maior alegria da minha vida:

ver minha mãe na plateia, me vendo tocar e cantar.

Carrego o eco desses corações que me ensinaram o que é raiz.

A saudade deles não é ausência — é presença em tudo o que faço.

Este livro é, talvez, uma carta que nunca escrevi para eles.

Uma forma de dizer: eu parti, mas nunca deixei de ser filho.

Em 1979, eu decidi sair do Brasil. Não era fuga, nem aventura — era necessidade, ou

talvez fossem os dois, necessidade de aventura. A “ditadura” ainda respirava, o país

parecia estagnado, e eu sentia que precisava ver o mundo com outros olhos.

Os computadores começavam a chegar ao Brasil, e eu enxerguei ali uma chance de

reinventar minha...

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Palavras-chave: minha história

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