IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Ubiratan de Albuquerque Cavalcanti. Nasci em Maceió, no dia 16 de julho de 1941. INGRESSO NA PETROBRAS Entrei na Petrobras exatamente em 31 de janeiro de 1968. Desde garoto eu trabalhava com meu pai e tinha o sonho de ser engenheiro e trabalhar na Petrobras. Então foi um sonho que foi concretizado. Eu, garoto jovem, lá em Maceió, a Petrobras começou a explorar petróleo nos arredores de Maceió, em Alagoas. Era um trabalho que me empolgava. Eu sempre admirava o porte, o poderio de recursos que ela tinha, e tem. Naquela época, eu trabalhava com meu pai, dirigindo caminhão e em atividades na industriazinha dele. Consegui me formar em engenharia, com um pouco de dificuldade porque sempre trabalhei. Lá em Recife eu era empregado. Ao concluir o curso, fiz o concurso na Petrobrás. Naquela época ela fazia concurso no Brasil todo. Vim de Recife para Salvador para fazer o curso de Engenharia de Petróleo, Um curso muito difícil na época, muito puxado. Dos 44 colegas, que começaram comigo em janeiro, só 22 terminaram, em abril do ano seguinte. Quando eu fiz o concurso lá em Recife, ainda como estudante do último ano de engenharia, tínhamos que fazer o curso, já como empregados da Petrobras, com a obrigação de ser aprovado. Naquela época, o curso durava um ano e quatro meses. Foi um período muito rico, muito difícil, porque precisava persistência. Como eu falei anteriormente, muitos colegas não conseguiram terminar, quer porque foram desligados, quer porque desistiram, não tiveram a persistência de ir até o fim. Sem dúvida, ainda hoje tenho muita coisa na cabeça devido a esse curso que eu fiz em 1968. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Quando entrei na Petrobras, fui para Aracajú. Morei lá, iniciando a atividade em Sergipe, e comecei a trabalhar no mar. Foi uma época muito rica, porque tive o privilégio de trabalhar no lançamento da primeira plataforma fixa da Petrobras, que foi a PGA1. Trabalhei no...
Continuar leituraIDENTIFICAÇÃO Meu nome é Ubiratan de Albuquerque Cavalcanti. Nasci em Maceió, no dia 16 de julho de 1941. INGRESSO NA PETROBRAS Entrei na Petrobras exatamente em 31 de janeiro de 1968. Desde garoto eu trabalhava com meu pai e tinha o sonho de ser engenheiro e trabalhar na Petrobras. Então foi um sonho que foi concretizado. Eu, garoto jovem, lá em Maceió, a Petrobras começou a explorar petróleo nos arredores de Maceió, em Alagoas. Era um trabalho que me empolgava. Eu sempre admirava o porte, o poderio de recursos que ela tinha, e tem. Naquela época, eu trabalhava com meu pai, dirigindo caminhão e em atividades na industriazinha dele. Consegui me formar em engenharia, com um pouco de dificuldade porque sempre trabalhei. Lá em Recife eu era empregado. Ao concluir o curso, fiz o concurso na Petrobrás. Naquela época ela fazia concurso no Brasil todo. Vim de Recife para Salvador para fazer o curso de Engenharia de Petróleo, Um curso muito difícil na época, muito puxado. Dos 44 colegas, que começaram comigo em janeiro, só 22 terminaram, em abril do ano seguinte. Quando eu fiz o concurso lá em Recife, ainda como estudante do último ano de engenharia, tínhamos que fazer o curso, já como empregados da Petrobras, com a obrigação de ser aprovado. Naquela época, o curso durava um ano e quatro meses. Foi um período muito rico, muito difícil, porque precisava persistência. Como eu falei anteriormente, muitos colegas não conseguiram terminar, quer porque foram desligados, quer porque desistiram, não tiveram a persistência de ir até o fim. Sem dúvida, ainda hoje tenho muita coisa na cabeça devido a esse curso que eu fiz em 1968. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Quando entrei na Petrobras, fui para Aracajú. Morei lá, iniciando a atividade em Sergipe, e comecei a trabalhar no mar. Foi uma época muito rica, porque tive o privilégio de trabalhar no lançamento da primeira plataforma fixa da Petrobras, que foi a PGA1. Trabalhei no lançamento do duto dessa plataforma, que por sinal tenho umas fotos. Foi o primeiro duto para uma plataforma. A Petrobras até aquela data tinha alguns dutos no mar para terminais de navio, mas para plataforma foi a primeira. Você sabe que Sergipe foi o celeiro de mão-de-obra dessa atividade no mar. Tive o privilégio de trabalhar na plataforma, no desenvolvimento do campo e lançar, por exemplo, o primeiro template lá na área de Campos. Na época não era nem Macaé a base, a base era lá no Espírito Santo, e eu fui trabalhar, coordenar a descida do primeiro template de uma plataforma na área de Campos. Tive o privilégio de participar desses eventos, que foram iniciais na atividade off-shore da Petrobras. Embora morando em Aracaju, trabalhei em Belém, onde fui responsável por descarregar uma plataforma; em Tramandaí, lá no Rio Grande do Sul; trabalhei em toda costa, inclusive aqui na Bahia. Em Natal, no Rio Grande do Norte, certa feita, eu era responsável pela balsa BGL1 e tinha que passar de uma lancha para a balsa. O mar estava encapelado, bravo. Fui passar e o guindasteiro, meio preocupado, porque estava faltando uma peça que tem na cesta, naquela cestinha, que vocês já devem conhecer. Quando ele me suspendeu eu não estava ainda preso na cesta e fiquei do lado de fora, mas me segurei e ele me levantou daquele jeito. De repente ele resolveu descer e quando ele desceu, me jogou em cima. A sorte é que caí em cima de um saco de batata. Então foi fofinho. Mas aquele peso do guindaste, que pesa mais de 200 quilos, aquele contrapeso de ferro, aquilo passava por mim, assim, e eu me livrando e ele passando por aqui, porque a lancha fazia um movimento. Essa foi uma. Tive outra também que foi marcante em frente a Aracajú, numa plataforma Gecap. O heliponto era em cima das pernas, o elevador subia por dentro das pernas. Eu cheguei de helicóptero e chamei o elevador. O elevador não veio, fiquei estranhando. Aí de repente, ele começou a subir. Subiu e parou a uns oito, dez metros de onde eu estava no heliponto. Aí eu resolvi descer pelo meio das pernas para alcançar o elevador. Quando comecei a descer pelo meio da pernas, o elevador começou a subir. Isso a mais de 30 metros de altura. Então, passei a perna do lado de fora das pernas da Gecap e esperei que o elevador passasse. Quando desci é que vi o que estava acontecendo: o botão de chamada não estava funcionando. Era um americano que estava lá em baixo, operando. Só que ele não tinha muita noção da altura, então ele parou antes. Quando ele me viu e viu que o elevador tinha parado antes, aí ele foi completar, na hora que eu ia descendo. Ah, teve outras, teve muitas. Outra vez eu fui acompanhar uma visita, lá em Sergipe ainda, e um casal subiu comigo na cestinha. Eu de um lado, a esposa dele e o cidadão. Só que ela não segurou direito na cesta, porque a cesta é mole, é de corda. Quando ela pegou na cesta, o guindaste elevou e ela ficou dependurada. Chegou a uma altura de dois metros, aí caiu lá na lancha. Você pode imaginar o susto, a minha situação como responsável que era da Petrobras. Eu estava acompanhando o grupo dessa moça que caiu. Mas graças a Deus não teve nada. IMAGENS DA PETROBRAS A gente trabalha na Petrobras e tem essa vantagem: você projeta e depois você vê construir. Não tem nada mais gratificante para quem trabalha em engenharia do que fazer isso. E eu tive inúmeros casos de projetar alguma coisa. Naquela época era muito difícil, em 1971, 1972, quando nós estávamos começando a atividade no mar. Então a gente projetava, construía e via funcionar depois. Tivemos muitos casos desses. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Um fato bem marcante foi a colocação do primeiro guindaste com técnica totalmente nossa. Inclusive meus colegas não tinham confiança que eu conseguisse colocar. Me pediram muitos dados de cálculos, de memória de cálculo, tudo para colocar um guindaste sem uso de um equipamento importado. Na época, nós não tínhamos a balsa-guindaste aqui no Brasil. Depois eu mesmo tomei conta de uma balsa desta, que foi a BGL1. Foi outra época muito rica para mim. Essa foi lá em frente a Sergipe, em 1973. Nós colocamos o primeiro guindaste com recursos lá de Aracaju mesmo. Outro momento marcante eu chamo de “primeira solda hiperbárica tupiniquim”, primeira solda hiperbárica totalmente brasileira, com pessoal brasileiro. Foi lá no Rio Grande do Norte. Eu era coordenador desse equipamento, a BGL1. Durante a construção de um duto ligando, se eu não me engano, a PUB3 com a PUB1, o duto teve uma falha. Aí fui chamado, inclusive naquela época uma parte da equipe era americana. Tínhamos que soldar esse duto para aproveitar. Então, até aquela data não tinha sido feita ainda nenhuma solda hiperbárica, que é você soldar debaixo d’água. Você solda, desce uma campânula, essa campânula você bota em cima do duto e injeta ar para que o mergulhador fique trabalhando à seco. Então, nós descemos. Pedi apoio ao pessoal do Cenpes e fizemos o que eu chamei da “primeira solda hiperbárica tupiniquim”; totalmente com recursos nossos e com tecnologia nossa, brasileira. Naquela época já existia na área do Rio de Janeiro várias soldas, mas com técnica do pessoal de fora. Essa foi a primeira tupiniquim. Hoje estou trabalhando numa atividade totalmente diferente. Estou trabalhando com manutenção de equipamento de petróleo lá em Sergipe. SINDICATO Não sou sindicalizado. Ao contrário de ter relação, eu sempre fui agredido pelo sindicato. Como gerente, considero que fui atacado injustamente, algumas vezes até injúria. Eu trabalhava num equipamento, nessa época da BGL, e nós não podíamos vacilar na administração do equipamento, porque ali chegou a morrer gente. Durante a época que eu trabalhei, morreram algumas pessoas. E a gente tinha que ter muita responsabilidade, a pessoa, mesmo empregado da Petrobras, que não correspondesse, não podia ficar à bordo. Tínhamos que ser muito rigorosos. Hoje a situação é outra, não é como naquela época, em torno de 1970, que a atividade era muita e nós tínhamos que fazer tudo. EMPRESA A parte administrativa, a gerência da Petrobras, acho que ao longo dos anos vem se adaptando e modernizando. Temos evoluído muito. Desde 1968 quando eu entrei - nós lá no campo, fazíamos tudo praticamente - até hoje, a gestão mudou muito. Inclusive, com conceitos mais modernos, mais recentes de qualidade, qualidade intrínseca da gerência. Toda essa parte de gestão da empresa tem mudado muito e, sem dúvida, mudado para melhor. O trabalho no mar mudou, e muito. Naquela época, por exemplo, me lembro que lá no Rio Grande do Norte, uma das vezes, tive que fazer cálculo a bordo do equipamento, lá embarcado. Tive que dimensionar, por exemplo, tração do duto porque nós não recebíamos os dados; hoje a gente recebe tudo pronto, com muito mais exatidão, com muito mais rigor, muito mais fácil. Começa pelo uso de computador. Antigamente não tinha a difusão de computador que tem hoje. Hoje todos nós temos um computador, um micro na sua mesa, naquela época não tinha. É até gozado. Na minha época de estudante não tinha máquina de calcular, então a gente fazia cálculo na régua de cálculo. Ainda hoje eu tenho a régua de cálculo, embora não use; está lá guardada. Antigamente, no campo, tínhamos que decidir, e isso tem pontos positivos e negativos. É gratificante para a pessoa, a gente estar no campo, dar um problema e você dizer: “Não, a solução é essa” E você ver a solução funcionar, você calcular direitinho, desenhar, chamar a equipe: “Olha, vamos fazer assim” Dimensiona direitinho e funciona. Hoje não. Hoje você recebe tudo pronto, é diferente. Também, a quantidade de atividade é outra. Quando entrei na empresa se produzia menos de 200 mil barris por dia. Hoje se produz 1 milhão e 600, em torno disso. Campos não existia. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL O período que trabalhei embarcado foi a época mais rica minha. Completei agora em janeiro 35 anos de Petrobras. Destes 35 anos, os primeiros 15 anos foram no mar, embarcado. Como eu falei, trabalhei em Belém, trabalhei no Ceará, como eu já tenho muito tempo de empresa, em todos eles eu tive o privilégio de trabalhar na primeira plataforma. Por exemplo, tive o privilégio de trabalhar em Aracajú, no lançamento da primeira plataforma. Lá no Rio Grande do Norte, tive o de assistir o lançamento da primeira plataforma. Na área de Campos, eu tive o privilégio de descer o primeiro template. Naquela época a BGL estava aqui. É um equipamento que ainda hoje existe, BGL1, eu era o coordenador do grupo. O template, não sei se você sabe, template é uma estrutura que você desce no fundo do mar, assenta ela no fundo, e dentro dela você vai furar os poços. No caso dessa, de Garoupa, ia ser colocado uma plataforma em cima dela e eu fui coordenador desse primeiro template na área de Campos. Aí foi um trabalho mais elaborado com os colegas do Rio de Janeiro. Eu desci lá, coordenei a descida desse template e foi um sucesso, graças a Deus. Inclusive, tinha um problema de orientação e ele ficou na orientação correta lá no fundo do mar. Pode imaginar, você numa lâmina de água de 120 metros, descer um equipamento de maneira que ele caia lá no fundo do mar, naquela orientação correta? Não é tão fácil assim. Nessa ocasião, me lembro de uma coisa que me marcou: eu vi uma baleia lá na área de Campos. Perto da balsa apareceu uma baleia. Eu estava no convés, me chamaram: “Olha, olha” E ainda vi a baleia quando mergulhou. Eu já cheguei a passar muito tempo embarcado. Quando eu comecei, naquela época era tudo americano, brasileiro só era eu, embarcado. RELAÇÕES DE TRABALHO A gente é obrigado a falar inglês. Não era difícil não. Tem as dificuldades, mas eu também aprendi muito. Como eu falei, algumas vezes o único brasileiro à bordo era eu, como representante da Petrobras. UNIDADE UN-SEAL Como eu disse no início, naquela época Sergipe foi o celeiro de mão-de-obra no mar. Toda atividade no mar desenvolvida na área de Campos foi realizada por gente que saiu de Sergipe, ou se formou lá. Foi lá que iniciou essa atividade no mar. Hoje na área de Macaé, com águas profundas, a tecnologia evoluiu muito mais para outro tipo de tecnologia. Lá nós trabalhávamos em águas relativamente rasas, até 30, 36 metros. Guaricema é a plataforma mais profunda, com até 36 metros de lâmina de água. Em Campos, Garoupa já tinha 120 metros. É uma tecnologia diferente. Considero que Guaricema, em Sergipe, foi a semente da Petrobras nessa atividade do mar. Foi a semente que evoluiu, que germinou e deu inúmeros frutos. Lá foi a semente realmente, foi de onde surgiu.
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