Snif viveu 17 anos, acreditem! Quanto meu pai teve diagnóstico de Câncer de esôfago eu fui morar com ele e mãe. Levei Snif meu gato de 17 anos. Era cinza , muito gordinho e arredio, não gostava de afagos, se deitava e abraçava meu pé e este era o único carinho certo. Se eu tentasse fazer cafuné ele arrepiava e ameaçava arranhar e as vezes arranhava. Me seguia por todo lugar , roçava a cabecinha nas minhas pernas e quando eu conversava com ele , ronronava diferente quase falando. O peguei pequenino, parecia um ratinho cinza. Com o tratamento agressivo de quimioterapia e radioterapia meu pai teve Alzheimer, ficou perdido e era como uma criança. Eram noites interintermináveis de plantão no seu quarto. Muitas vezes simplesmente eu apagava! O sono e o cansaço me dominavam e acordava assustada com miados agudos de Snif. Era meu pai sentado no piso gelado da cozinha ou debaixo da mesa totalmente aéreo sem saber onde estava. O levava pro leito , cobria e ele voltava a dormir. Snif observava tudo. Não sei o que passava naquela cabecinha, era instinto de proteção, meu vigia noturno! Assim se passaram dois anos , e um dia meu pai descansou com um último suspiro! Feito passarinho, suavemente ! Fiquei ali com Snif , dormindo no pé da cama , as vezes no meio da noite encostava a cabecinha na minha perna como se quisesse dizer: Marina eu estou aqui! Durma tranquila! E eu dormia com minha saudade! Então um dia pela manhã acordei e não vi mais Snif! Desesperada procurei meu amigo , meu plantonista noturno, e o achei gelado. Tinha sido envenenado ! Eu achava que o veria morrer de velhice, nunca imaginei que o perderia de um jeito tão cruel. Sem palavras pra descrever o que senti. Ficou uma saudade imensa do calor do Snif na minha perna, do seu jeito arredio, de nossas conversas longas. Perdi um amigo, talvez mais fiel e amigo que muitos humanos. E fica a pergunta : quando o ser humano vai perceber que não é dono de nada e estamos...
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Snif viveu 17 anos, acreditem! Quanto meu pai teve diagnóstico de Câncer de esôfago eu fui morar com ele e mãe. Levei Snif meu gato de 17 anos. Era cinza , muito gordinho e arredio, não gostava de afagos, se deitava e abraçava meu pé e este era o único carinho certo. Se eu tentasse fazer cafuné ele arrepiava e ameaçava arranhar e as vezes arranhava. Me seguia por todo lugar , roçava a cabecinha nas minhas pernas e quando eu conversava com ele , ronronava diferente quase falando. O peguei pequenino, parecia um ratinho cinza. Com o tratamento agressivo de quimioterapia e radioterapia meu pai teve Alzheimer, ficou perdido e era como uma criança. Eram noites interintermináveis de plantão no seu quarto. Muitas vezes simplesmente eu apagava! O sono e o cansaço me dominavam e acordava assustada com miados agudos de Snif. Era meu pai sentado no piso gelado da cozinha ou debaixo da mesa totalmente aéreo sem saber onde estava. O levava pro leito , cobria e ele voltava a dormir. Snif observava tudo. Não sei o que passava naquela cabecinha, era instinto de proteção, meu vigia noturno! Assim se passaram dois anos , e um dia meu pai descansou com um último suspiro! Feito passarinho, suavemente ! Fiquei ali com Snif , dormindo no pé da cama , as vezes no meio da noite encostava a cabecinha na minha perna como se quisesse dizer: Marina eu estou aqui! Durma tranquila! E eu dormia com minha saudade! Então um dia pela manhã acordei e não vi mais Snif! Desesperada procurei meu amigo , meu plantonista noturno, e o achei gelado. Tinha sido envenenado ! Eu achava que o veria morrer de velhice, nunca imaginei que o perderia de um jeito tão cruel. Sem palavras pra descrever o que senti. Ficou uma saudade imensa do calor do Snif na minha perna, do seu jeito arredio, de nossas conversas longas. Perdi um amigo, talvez mais fiel e amigo que muitos humanos. E fica a pergunta : quando o ser humano vai perceber que não é dono de nada e estamos aqui num lugar que não é nosso?! Deus é o dono!
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