Quando minha mãe casou com meu pai, ele já tinha filho casado e ela ainda chegou ainda a cuidar dos filhos dele. Ela era tão novinha, tão inocente. Às vezes ela ia levar comida para o meu pai, chegava lá e ela ficava brincando como uma criança, como se fosse uma criança. Eu lembro que eu o xodó do meu pai. Na época que ele tinha 77 anos, eu tinha meus 6 anos de idade. Eu só não tinha muito carinho por parte da minha mãe. A minha mãe ela já paparicava mais o meu irmão e eu tinha muito ciúmes do meu irmão. Depois que a gente cresceu minha mãe não estava em casa, e eu e ele tivemos uma briga de faca, eu queria matar meu irmão. Uma sobrinha que morava com a gente apartou a briga, mas a briga foi feia mesmo. Acabou que fomos criados separados, ele foi criado mais com a minha irmã do que lá em casa. Por isso, ele teve a oportunidade de estudar e eu não tive. Eu queria estudar porque meu sonho era assim: eu estudar, me formar e ter a minha liberdade. Só que meu pai não deixou. Por eu ser filha mulher ele não deixou. Eu não pretendia me casar nova, não pretendia namorar cedo, eu pretendia realizar esse sonho. Mas meu pai implicava. E aí me casei com 16 anos e com 17 fui mãe. Eu sempre fui curiosa de aprender a costurar, porque eu via a minha mãe. Mas ela não deixava. Foi a mãe de uma coleguinha que ensinou. Pedi pra ela cortar uma saia pra mim, ela cortou, me explicou como fazia, fui pra casa e fiz. Usei na igreja, saía, tudo com a saia. Acho que foi daí que veio o que eu faço hoje. Eu costuro. A minha filha não gosta que ninguém costure pra ela e nem comprar. Ela gosta que eu costure pra ela; ela já falou que eu faço a roupa do jeito que ela gosta, do jeito que ela quer. Aqui na região a maioria das mulheres são mulheres de pescador. E pescador tem uma mania que não deixa mulher sair pra trabalhar fora. Mas montamos esse grupo de mulheres, essa cooperativa de oleado*, e hoje fazemos é roupas pra eles mesmos. Pros...
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Quando minha mãe casou com meu pai, ele já tinha filho casado e ela ainda chegou ainda a cuidar dos filhos dele. Ela era tão novinha, tão inocente. Às vezes ela ia levar comida para o meu pai, chegava lá e ela ficava brincando como uma criança, como se fosse uma criança. Eu lembro que eu o xodó do meu pai. Na época que ele tinha 77 anos, eu tinha meus 6 anos de idade. Eu só não tinha muito carinho por parte da minha mãe. A minha mãe ela já paparicava mais o meu irmão e eu tinha muito ciúmes do meu irmão. Depois que a gente cresceu minha mãe não estava em casa, e eu e ele tivemos uma briga de faca, eu queria matar meu irmão. Uma sobrinha que morava com a gente apartou a briga, mas a briga foi feia mesmo. Acabou que fomos criados separados, ele foi criado mais com a minha irmã do que lá em casa. Por isso, ele teve a oportunidade de estudar e eu não tive. Eu queria estudar porque meu sonho era assim: eu estudar, me formar e ter a minha liberdade. Só que meu pai não deixou. Por eu ser filha mulher ele não deixou. Eu não pretendia me casar nova, não pretendia namorar cedo, eu pretendia realizar esse sonho. Mas meu pai implicava. E aí me casei com 16 anos e com 17 fui mãe. Eu sempre fui curiosa de aprender a costurar, porque eu via a minha mãe. Mas ela não deixava. Foi a mãe de uma coleguinha que ensinou. Pedi pra ela cortar uma saia pra mim, ela cortou, me explicou como fazia, fui pra casa e fiz. Usei na igreja, saía, tudo com a saia. Acho que foi daí que veio o que eu faço hoje. Eu costuro. A minha filha não gosta que ninguém costure pra ela e nem comprar. Ela gosta que eu costure pra ela; ela já falou que eu faço a roupa do jeito que ela gosta, do jeito que ela quer. Aqui na região a maioria das mulheres são mulheres de pescador. E pescador tem uma mania que não deixa mulher sair pra trabalhar fora. Mas montamos esse grupo de mulheres, essa cooperativa de oleado*, e hoje fazemos é roupas pra eles mesmos. Pros pescadores. A gente ainda não tem como produzir muito porque a gente tem uma máquina só, então precisa pelo menos de mais uma máquina pra poder produzir mais. Mas os pescadores gostam demais de comprar aqui porque aqui é mais barato do que na loja. E aqui, às vezes, tem um mais fortinho, que às vezes lá não acha o tamanho dele, eles vêm aqui, a gente tira as medidas deles e faz nas medidas deles. E veio aos meus ouvidos que só tem duas empresas de oleado por aí e as outras são de “fundo de quintal”. Então a gente quer é crescer com isso.
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