Meu nome é Edjane, tive uma infância muito pobre, mas, nunca passei fome, meus pais trabalhavam na agricultura e tinham onze filhos. Sempre fui uma criança esperta, inteligente e conseguia me sobressair das dificuldades que me apareciam. Gostava de ir para o rio pescar com uma vizinha e assim trazer alguns peixes para casa, para mim era uma diversão, pois não entendia o tamanho da dificuldade que meus pais enfrentavam para suprir toda nossa carência. A medida que íamos crescendo, às dificuldades também cresciam, pessoas sem escrúpulos, que frequentemente estavam em nossa casa aproveitavam a ausência de nossos mudar formato
https://museudapessoa.org/contacao-historia-mudar-formato/?id=48399&redir=1s pais e chegavam para nos molestar sexualmente. Foi um período muito difícil em minha vida, pois se tratava de pessoas do convívio familiar e que nos ameaçavam o tempo todo, caso contassemos para os nossos pais. Quando estava com uns dez anos aproximadamente, essa pessoa mudou de estado e me (livrei) de seus abusos. Ledo engano, as cicatrizes permaneceram fazendo estragos, a medida que crescia, crescia também a angústia de não saber quem eu era realmente, não conseguia me relacionar com ninguém, e quando me relacionava, não tinha domínio sobre meu corpo, era como se o meu corpo fosse terra sem lei, onde todos se sentissem no (direito) de me usar e isso me fazia muito mal, não sabia dizer não e assim procurava me distanciar das pessoas, era muito solitária, não tinha amigos. Nunca namorei como qualquer adolescente, aos dezesseis anos apareceu um homem casado que me perseguia por onde quer que eu fosse, mas eu não tinha coragem de pedir ajuda para ninguém, nem de contar o que estava acontecendo, até que um dia ele chegou ao meu trabalho na hora da saída e eu estava atrasada para o colégio e ele ofereceu uma carona, eu rejeitei, mas a dona da loja, por não saber o motivo que eu estava recusando, insistiu para que eu aceitasse, e mais uma vez...
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Meu nome é Edjane, tive uma infância muito pobre, mas, nunca passei fome, meus pais trabalhavam na agricultura e tinham onze filhos. Sempre fui uma criança esperta, inteligente e conseguia me sobressair das dificuldades que me apareciam. Gostava de ir para o rio pescar com uma vizinha e assim trazer alguns peixes para casa, para mim era uma diversão, pois não entendia o tamanho da dificuldade que meus pais enfrentavam para suprir toda nossa carência. A medida que íamos crescendo, às dificuldades também cresciam, pessoas sem escrúpulos, que frequentemente estavam em nossa casa aproveitavam a ausência de nossos mudar formato
https://museudapessoa.org/contacao-historia-mudar-formato/?id=48399&redir=1s pais e chegavam para nos molestar sexualmente. Foi um período muito difícil em minha vida, pois se tratava de pessoas do convívio familiar e que nos ameaçavam o tempo todo, caso contassemos para os nossos pais. Quando estava com uns dez anos aproximadamente, essa pessoa mudou de estado e me (livrei) de seus abusos. Ledo engano, as cicatrizes permaneceram fazendo estragos, a medida que crescia, crescia também a angústia de não saber quem eu era realmente, não conseguia me relacionar com ninguém, e quando me relacionava, não tinha domínio sobre meu corpo, era como se o meu corpo fosse terra sem lei, onde todos se sentissem no (direito) de me usar e isso me fazia muito mal, não sabia dizer não e assim procurava me distanciar das pessoas, era muito solitária, não tinha amigos. Nunca namorei como qualquer adolescente, aos dezesseis anos apareceu um homem casado que me perseguia por onde quer que eu fosse, mas eu não tinha coragem de pedir ajuda para ninguém, nem de contar o que estava acontecendo, até que um dia ele chegou ao meu trabalho na hora da saída e eu estava atrasada para o colégio e ele ofereceu uma carona, eu rejeitei, mas a dona da loja, por não saber o motivo que eu estava recusando, insistiu para que eu aceitasse, e mais uma vez eu me vi diante de outro abusador, claro que ele não me levou para o colégio, me levou para um matagal e lá satisfez seus instintos, se aproveitando de minha vulnerabilidade. Fiquei muito mal, por não ter conseguido pedir ajuda e denunciado aquele homem, mas a vergonha era maior do que a coragem para contar. E após esse dia, toda semana, quando ele passava na loja (ele era vendedor), ele ficava me perseguindo no horário da saída e ia atrás de mim buzinando até eu chegar no colégio, um certo dia ele vinha buzinando atrás de mim e eu avistei uma conhecida, e como eu estava com muito medo que alguém contasse a minha família, eu entrei no carro dele e ele me levou ao motel e em prantos pedia pra ele parar de me perseguir e ele prometia que nunca mais me procurava, mas sempre voltava. Até que, aos dezoito anos engravidei, ( aínda era virgem) pois ele não conseguia terminar o ato de tão aflita que eu ficava toda vez que saíamos e ele apenas se masturbava sobre mim. Quando ele percebeu que eu estava grávida, quis fazer um aborto, pois disse que não poderia assumir a criança, mas, embora eu só tivesse dezoito anos eu disse não pela primeira vez na minha vida, não pensei na vergonha de ser uma mãe solteira diante de uma sociedade hipócrita, que estupra, mata sonhos e ainda se acham no direito de julgar suas vítimas, como se elas culpadas fossem. E agora diante de uma gravidez indesejada, me encontrei sozinha e desamparada, mas eu trabalhava, parei de estudar por vergonha de que meus colegas me vissem grávida e solteira, meus pais sofreram muito, mas me acolheram, não disse pra ninguém quem era o pai da minha filha, exceto, para minha patroa, que também me acolheu e se transformou em um anjo em minha vida, ela foi falar com ele e ele disse que não podia fazer nada, já que eu me neguei a fazer o aborto. Conclusão: assumi sozinha minha filha, mas foi a partir daí, que eu comecei a escrever minha história. Fui mãe de mais dois filhos, tive um relacionamento que durou doze anos, fui traída, enganada e adoeci psicologicamente, mas consegui dá a volta por cima e voltei a estudar aos cinquenta anos, casei meus três filhos e ficando sozinha, fui estudar e me formei em psicologia, hoje sou aposentada, mas continuo atendendo em meu consultório. Tenho uma filha advogada, outro trabalha no exército e está fazendo mestrado em economia na UFPE, e a outra estuda administração. Enfim, a vida nunca foi fácil pra ninguém, mas cabe a cada um de nós reescrever uma nova história e escrever um lindo final.
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