O isolamento imposto pela pandemia da Covid-19 não foi fácil para ninguém. Cada um encontrou, ou não, uma forma de sobreviver àquele momento. Eu sou gaúcha, mas, na época, morava na Bahia, sozinha com minha filha e nossa cachorrinha, a Maya. Eu morava no final de uma rua e, em frente à minha casa, havia um pequeno remanescente de Mata Atlântica que se tornou meu refúgio, meu salva-vidas.
Ali, todas as manhãs, eu descia para fotografar a natureza, em especial aves. Nesse meu resgate diário da vida, eu tinha uma companhia especial: a Maya descia comigo. Enquanto eu fotografava, ela dava as suas voltinhas, mas uma não tirava os olhos da outra.
Em 2023, voltei para o RS para tratar um câncer de mama. Ela ficou na Bahia. Está bem cuidada, convivendo com outros pets. Foi difícil deixá-la para trás, mas sei que está em ótimas mãos.
Nós sobrevivemos juntas ao isolamento e, hoje, além das lembranças e dos registros fotográficos daquela época, trago no coração saudade da minha "Mamaya".
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