"Sobre as possíveis pretensões de um memorial"
Um memorial pode se propor a recordar uma trajetória profissional afirmando uma identidade. Os processos de construção de um memorial exigem um grande investimento emocional, aliado à necessidade de busca de objetividade e clareza de exposição. Trata-se de uma volta ao passado que requer um certo exercício na competência de se fazer historiador. Exige um retorno ao passado para se tentar justificar a coerência de uma trajetória profissional, embora seu produto final possa se revelar muito incoerente. Mas, como destaca Paulo Freire "é preciso se ser flagrado numa incoerência para saber o que é ser coerente." (Pósfacio do Livro de Fiori,1991:275).
O registro do sujeito sobre seu tempo e sua prática demanda um certo esforço de reflexão baseado em fatos, diálogos, reconstituição de espaços, etapas de vidas, gerações. Trata-se de um momento no qual o sujeito olha dentro de si, esforçando-se por definir um auto-retrato profissional. Nesse esforço nos tornamos conhecido dos outros, através de recursos como memoriais, deparamo-nos com a complexidade de reconstituir, por inteiro, a nossa formação dadas as limitações da consciência, finitudes determinadas pela condição de sujeitos históricos, isto é, condicionados pelas possibilidades de nosso tempo.
Aparece também aqui a necessidade de se descrever as situações que sustentam e, em muitos momentos explicam grande parte do sentido de uma trajetória profissional. A noção de situação tem aqui um sentido amplo, significando as temporalidades e os espaços que marcaram as possibilidades da formação do sujeito. Ela supõe não só o seu tempo e espaço de vida, mas incorpora o tempo e os espaços de vida dos sujeitos com os quais convivemos. Nesse sentido os espaços e tempos se ampliam, por extensão e, conseqüência pelos relatos daqueles com quem estamos comprometidos por laços de sangue e de afetividade devido às intensas e...
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"Sobre as possíveis pretensões de um memorial"
Um memorial pode se propor a recordar uma trajetória profissional afirmando uma identidade. Os processos de construção de um memorial exigem um grande investimento emocional, aliado à necessidade de busca de objetividade e clareza de exposição. Trata-se de uma volta ao passado que requer um certo exercício na competência de se fazer historiador. Exige um retorno ao passado para se tentar justificar a coerência de uma trajetória profissional, embora seu produto final possa se revelar muito incoerente. Mas, como destaca Paulo Freire "é preciso se ser flagrado numa incoerência para saber o que é ser coerente." (Pósfacio do Livro de Fiori,1991:275).
O registro do sujeito sobre seu tempo e sua prática demanda um certo esforço de reflexão baseado em fatos, diálogos, reconstituição de espaços, etapas de vidas, gerações. Trata-se de um momento no qual o sujeito olha dentro de si, esforçando-se por definir um auto-retrato profissional. Nesse esforço nos tornamos conhecido dos outros, através de recursos como memoriais, deparamo-nos com a complexidade de reconstituir, por inteiro, a nossa formação dadas as limitações da consciência, finitudes determinadas pela condição de sujeitos históricos, isto é, condicionados pelas possibilidades de nosso tempo.
Aparece também aqui a necessidade de se descrever as situações que sustentam e, em muitos momentos explicam grande parte do sentido de uma trajetória profissional. A noção de situação tem aqui um sentido amplo, significando as temporalidades e os espaços que marcaram as possibilidades da formação do sujeito. Ela supõe não só o seu tempo e espaço de vida, mas incorpora o tempo e os espaços de vida dos sujeitos com os quais convivemos. Nesse sentido os espaços e tempos se ampliam, por extensão e, conseqüência pelos relatos daqueles com quem estamos comprometidos por laços de sangue e de afetividade devido às intensas e maiores convivências.
Reconstituir a história de uma trajetória profissional, ou seja, enfrentar o desafio de um memorial é pois, tarefa complexa.
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