Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Sérgio Batista de Barros
Entrevistado por Sérgio Ricardo Retroz (P/1)
Macaé, 18 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.Net
Entrevista PETRO_CB418
Transcrito por Michelle de Oliveira Alencar
P/1 – Diz o seu nome, onde nasceu eu quando.
R – Correto, tá. Sérgio Batista de Barros, nascido em Governador Valadares, Minas Gerais, em 07 de fevereiro de 1960.
P/1 – E qual a sua formação?
R – Formei em engenharia mecânica pela Universidade Santos Dumont, na própria cidade de Governador Valadares.
P/1 – E quando você estudou você já pensava que queria trabalhar na Petrobrás?
R – Não, não imaginava. Aí quando eu fui ao Rio pra, logo que eu me formei, né, comecei a trabalhar no Rio, empresa já ligada a área, prestando serviços pra Petrobrás. E aquela época tava muito difícil lá o emprego, tal. E já tava tipo assim quase desistindo da engenharia, porque tava muito complicado o emprego, ainda mais na própria função tava muito difícil. E eu fazendo um trabalho paralelo em Vitória, né, que eu tava em Vitória trabalhando numa empresa lá surgiu o concurso Petrobrás. Tinha bastante tempo acho que não tinha também concurso pra Petrobrás, né? O meu irmão mais velho que na época ainda estava na Petrobrás, hoje é aposentado, me ligou, me falou que tinha esse concurso lá sendo feito pela Petrobrás. Como eu estava no Espírito Santo ele me pediu pra eu verificar em São Mateus, que é uma cidade do Espírito Santo, né, que tem uma unidade da Petrobrás também, pra ver se lá estava fazendo a inscrição para o concurso. Então peguei o catálogo telefônico, né, nem conhecia São Mateus nem nada, olhei lá achei Petrobrás, liguei pra lá falei, “É, tá fazendo inscrição” foi assim. Aí matei um dia de serviço, fui lá, fiz a inscrição, tal. Daí uns dias, daí duas semanas era a prova, eu praticamente não tinha tempo de estudar, né, que...
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Depoimento de Sérgio Batista de Barros
Entrevistado por Sérgio Ricardo Retroz (P/1)
Macaé, 18 de junho de 2008
Realização Instituto Museu da Pessoa.Net
Entrevista PETRO_CB418
Transcrito por Michelle de Oliveira Alencar
P/1 – Diz o seu nome, onde nasceu eu quando.
R – Correto, tá. Sérgio Batista de Barros, nascido em Governador Valadares, Minas Gerais, em 07 de fevereiro de 1960.
P/1 – E qual a sua formação?
R – Formei em engenharia mecânica pela Universidade Santos Dumont, na própria cidade de Governador Valadares.
P/1 – E quando você estudou você já pensava que queria trabalhar na Petrobrás?
R – Não, não imaginava. Aí quando eu fui ao Rio pra, logo que eu me formei, né, comecei a trabalhar no Rio, empresa já ligada a área, prestando serviços pra Petrobrás. E aquela época tava muito difícil lá o emprego, tal. E já tava tipo assim quase desistindo da engenharia, porque tava muito complicado o emprego, ainda mais na própria função tava muito difícil. E eu fazendo um trabalho paralelo em Vitória, né, que eu tava em Vitória trabalhando numa empresa lá surgiu o concurso Petrobrás. Tinha bastante tempo acho que não tinha também concurso pra Petrobrás, né? O meu irmão mais velho que na época ainda estava na Petrobrás, hoje é aposentado, me ligou, me falou que tinha esse concurso lá sendo feito pela Petrobrás. Como eu estava no Espírito Santo ele me pediu pra eu verificar em São Mateus, que é uma cidade do Espírito Santo, né, que tem uma unidade da Petrobrás também, pra ver se lá estava fazendo a inscrição para o concurso. Então peguei o catálogo telefônico, né, nem conhecia São Mateus nem nada, olhei lá achei Petrobrás, liguei pra lá falei, “É, tá fazendo inscrição” foi assim. Aí matei um dia de serviço, fui lá, fiz a inscrição, tal. Daí uns dias, daí duas semanas era a prova, eu praticamente não tinha tempo de estudar, né, que eu trabalhava o dia todo, mesmo livros, coisas que eu tinha da faculdade tava tudo lá em Minas, né, não tinha nada praticamente comigo lá, só um livro de assistência aos materiais, e um mesurado lá de cálculos, né, essas coisas. Estudei aquilo ali e falei: “Vou fazer mais essa daí”. Aí fui lá, fiz a prova, passei e estamos aí.
P/1 – Qual era a função? Para a qual...
R – Era pra engenheiro de equipamentos.
P/1 – E quando você começou a trabalhar você foi pra onde?
R – Bom, ainda deu azar quando eu passei no concurso porque veio a medida do governo, o Sarney na época, né, já tinha feito a entrevista tudo o mais, iam me chamar a partir de julho de 85, né, foi o ano que eu entrei na empresa, e aí falou “Então a partir de meados de julho tão chamando todo mundo”, “Ah, beleza!” Aí voltei lá, continuei a trabalhar daí a pouquinho o Sarney lançou uma medida proibindo a contratação de estatais. Aí eu falei: “Ah, meu Deus do céu!” Aí na época eu fiz a prova eu conheci uma colega minha de infância que estava trabalhando na Petrobrás lá em São Mateus, aí ela era do RH, ficava entrando em contato com ela: “E quando é que vai sair? Quando é que vai sair?” “Não tem previsão não, tem previsão não”. Aí foi passando julho nada, agosto, setembro, outubro, novembro aí quando chegou meados de dezembro lá onde eu estava trabalhando eu vi que não tinha futuro também, né, aí eu falei: “Ah, vou sair daqui pra trabalhar, não me chamam em nada, vou voltar pra Minas, e tem como montar um comércio lá e tal pra desistir mesmo da engenharia”. Aí fui pra Valadares, quando eu fiquei noivo na véspera do Natal, aí quando foi dia 26 chamaram. (risos).
P/1 – E aí como foi você noivo, a mulher lá, aí como é que você fez?
R – Nós ficamos noivos e aí dia 26, né, que eu falei, logo depois do Natal que me chamaram. Aí a admissão na época era pelo Rio, fui pro Rio, cheguei lá no dia 27, lá pro dia 28, só que São Mateus acho que é feriado lá dia 29, um negócio assim. Falou: “você vai ter que aguardar que hoje é feriado lá não dá pra gente confirmar a sua admissão, né?” Aí eu fiquei pelo Rio mesmo na casa do meu irmão. Aí conclusão, fui admitido dia 30 de dezembro (risos). Aí cheguei já nesse dia 30 apresentei em São Mateus pra trabalhar, aí foi meio expediente só, o pessoal já tava tudo indo embora eu falei: “Que é isso?” Aí o rapaz: “Depois do almoço não tem expediente não”. Já era o pessoal saindo pra passar o reveillon, né, e tal e eu comecei lá em São Mateus.
P/1 – Em São Mateus você começou?
R – É, em São Mateus que era DIES, né, Distrito Industrial do Espírito Santo, hoje ainda é em Espírito Santo, né? Aí eu comecei lá sempre na área de engenharia pra fazer a parte de construção e montagem, somente trabalhei na parte de planejamento lá fazendo aporte de materiais pras obras, contratação essas coisas todas. E depois passei para a área efetiva de montagem, construção e montagem industrial. Aí quando foi em julho de 90, né, meus colegas, vários colegas meus já estavam vindo lá de São Mateus pra cá, que lá a produção sempre foi baixa, né, na época era muito baixa a produção, aí correndo aquele papo “Ah, isso aqui não vai ter futuro não, não sei o que”. E aqui a Bacia de Campos tava já explodindo, né, começando a explodir, já desenvolvendo, muita coisa chegando, né? Aí me incentivaram pra vir, eu falei: “Ah, tudo bem!” Tipo assim, eu já tava bem estruturado lá, já tinha até uma casinha na praia, já tinha a minha casa lá tranqüilo. Aí eu falei: “Vamos embora, vamos arriscar, mulher?” Falei com a minha esposa, ela falou: “Tudo bem, vamos pra lá mas tem que ir com a casa arrumada, né?” Eu vim na frente, fiz a entrevista primeiro com a engenharia aqui, né, setor de engenharia, aprovaram a minha vinda, tal. Já procurei uma casa, de cara já achei essa casa que eu moro hoje, né, há 18 anos já, Mirante da Lagoa, acertei a casa, a casa era nova, consegui pegar o financiamento, pagar e tal. E acertei a transferência, a partir de julho de 2000, desculpa, julho de 90 eu vim pra cá. Já estou aqui há 18 anos, tava sempre trabalhando na área de engenharia, construção e montagem e sendo que a partir de 94 eu comecei também a me envolver com a parte de interligação de poços, né, nas plataformas, né, os vazios flexíveis, né, interligação de poços nas plataformas. Sendo a primeira plataforma que veio, que eu participei foi a P-18 dali, a partir dali comecei cada vez mais me dedicar também a essa parte de interligação de poços nas plataformas, mas tudo ainda dentro da área de engenharia. E concomitantemente fazendo a parte também de instalação, construção e montagem. A partir de 98 a engenharia foi pulverizada aí, criando diversos ativos, né, (E-subs ?), né, e tudo o mais. Aí essa parte minha que eu já, nessa época então em 98 por aí, 97, 98 eu já estava dentro da engenharia mas só me dedicando exclusivamente a área de interligação de poços na plataforma, que tinha aumentado muito o serviço, né? Aí essa parte minha foi deslocada pra (GE-sub ?), é Gerência de Engenharia Submarina. Então fiquei lá com o pessoal, os fiscais também parte deles foram remanejados pra lá, e estou, quer dizer, estou desde 94, 14 anos mexendo nessa área, tá? E comecei a participar mais dos projetos também, dando idéias, ajudando a desenvolver os projetos e até hoje continuo participando. Sendo que agora, recentemente, dentro da própria engenharia submarina eu estou me dedicando agora a gerenciamento de contrato de barcos especiais. Então tô com quatro contratos, eu vou pegar mais algum contrato lá e agora vou pegar também uma parte de coordenação lá de assessoria técnica, né, pra ser consultor técnico nessa área de poli, né, que é chamada a interligação de poços e plataformas é chamado de poli.
P/1 – Mas então quando você chegou aqui a função era? Você chegou em que ano aqui?
R – Cheguei aqui em 90.
P/1 – Em 90.
R – Em julho de 90, por aí.
P/1 – A função era?
R – Não, continuo sempre não muda, o crachá é sempre pra engenharia de equipamentos, tá? Eu continuei trabalhando aqui na engenharia, né, da (DIRENTE ?), Divisão Regional de Engenharia até 98 por aí, a 99. Depois quando ela foi desfeita a engenharia sendo incorporada nos vários ativos, aí que eu fui pra engenharia submarina, antiga (GEN-SUB ?).
P/1 – Quando você chegou aqui como era aqui você lembra?
R – A cidade?
P/1 – É.
R – Ah, era muito mais tranqüila, né, muito menos casas, o Mirante mesmo você via as casas, a minha casa lá da estrada eu avistava a minha casa porque quase não tinha, tinha poucas casas construídas, né? Eu lembro que tinha dificuldade danada de telefone aqui em Macaé, telefone aqui valia ouro. Tanto que a minha linha telefônica era alugada por dois salários mínimos, dois salários e meio, tudo isso aí de uma linha telefônica, então era assim. Em termos de acesso era tranqüilo, você tinha, eu lembro na época eu tinha moto, né, então dali eu trabalhava lá no Betiba, depois posteriormente vim pro PT, (part tours ?) Mas eu saía em cinco de minutos de casa até o trabalho, era tranqüilo tudo, não tinha essa violência que tá aí hoje, né? A cidade cresceu muito, explodiu muito e a infra-estrutura da cidade não acompanhou, não tem acompanhado, tá precisando fazer, realmente o pessoal precisa fazer um investimento pesado aí pra melhorar as condições.
P/1 – Você lembra do primeiro dia de trabalho?
R – Primeiro dia de trabalho? Lembro.
P/1 – Como foi?
R – Ah, foi bacana. O pessoal me apresentou pra todo mundo, né, como eu falei inicialmente eu entrei na, pra mexer com a parte de contratos, né, gerenciamento de contratos, organizar os contratos da engenharia e a parte de compras materiais. Atuando lá em São Mateus dentro dessa área fiz um plano, um trabalho de padronização de parafusos, quer dizer, na época nem fiz isso com uma divulgação maior pra poder a empresa, as empresas faziam isso de um modo geral, né? E tipo assim, eu já estando trabalhando aqui 5 anos depois, deve ter sido lá pra 94, 95 a Petrobrás fez uma padronização de parafusos porque você tem assim em vários, mesmo diâmetro de parafuso você tem várias medidas, entendeu? E essas medidas variavam assim um oitavo, dois, entendeu? E na hora que você ia comprar os parafusos você via que os preços, então você comprar o parafuso de comprimento de três polegadas e um de três e meio praticamente era o mesmo preço, entendeu? Então não valia a pena você ficar tendo um item de estoque, muito item de estoque. Então a gente começou a padronizar: ou é três, ou é três e meio, não tinha três e um oitavo, três e um quarto, entendeu? Aí com isso a gente ganhou, diminuiu o número de índice de material. Compras, por exemplo, que lá tem muito problema, em São Mateus a maioria dos poços são terrestres, né, então tinha eletrificação, tinha que fazer, em cima de poste, cruzeta tudo, então fazia a compra desse material todo também. E pras obras de montagem também nessa parte assim de cabo todo mês tava comprando 200 metros de cabo ali, 300, 400 não sei o que, então você ia comprando amiúde e acaba saindo caro isso aí. Então eu também fiz o trabalho, fiz o levantamento qual era a média de consumo anual que tava tendo desses materiais, os índices, e passei a comprar bobina em vez de comprar o metro. Então você comprava lá dez mil metros de cabos saía o preço muito menor, aí você tinha um material mais disponível ali, mais de imediato.
P/1 – Então o seu trabalho era ver os suprimentos mesmo, ver o material que tá precisando...
R – Inicialmente, né, quando eu trabalhei lá, depois eu tava na construção e montagem.
P/1 – E como é a construção e montagem?
R – Construção e montagem você tem os projetos, né, de tubulação, de elétrica, de estrutura pra atender as plataformas, as plataformas, os poços, estações coletoras, né? Então você tinha que fabricar manifolds fazer a interligação de poços, né, que os poços lá são terrestres, né, lá é tudo praticamente dentro de área de fazendas, né, então você não podia pegar e simplesmente sair lançando tubo de qualquer jeito porque tem, você tem o gado lá pastando normalmente você não podia influenciar nisso daí. Então as tubulações eram lançadas diretas sobre o solo, normalmente cercando, passado pelas cercas da fazenda, né, onde tinha mata-burro você tinha que fazer uma tubulação pra fazer, pra baixar por baixo, né, pra não atrapalhar o gado e levava até a estação coletora. Então você tinha todo o trabalho de fazer casas de bombas, tudo o mais.
P/1 – Você ia lá no lugar pra acompanhar o trabalho?
R – É, eu acompanhava inicialmente, cheguei lá a gerenciar o setor de, a seção, né, na época lá de seção de montagem. Mas logo depois eu já vim pra cá. O trabalho que eu fiz lá que até hoje também eles utilizam foi o de aproveitamento de tubos usados para perfuração. Nós usávamos muito tubo de duas sete oitavos, e duas três oitavos, e duas sete oitavos de diâmetro pra fazer perfuração, né? Esses tubos assim pra ser usado na sonda você não pode ter defeito nenhum porque se não você, porque imagina você está perfurando um poço lá, de repente pinta um tubo lá com a rosca ruim, ou com algum pequeno amassamento, aí isso influencia, e se tiver que parar era um prejuízo danado. Então ia ter um leilão de sucata lá em São Mateus, aí eu cheguei lá tinha mais de cem mil metros de tubo pra ser sucateado, aí eu olhei uns tubos, aparentemente você olhando assim não sabia porque estava sendo sucateado, eu falei: “Pô, porque esse tubo tá sendo sucateado?” Aí fomos procurar saber tinha um rapaz lá que tinha sido contratado só pra inspecionar esses tubos, tinha até acabado o contrato dele, aí ele começou a falar: “Esse tubo tem um faixa tal” porque os tubos tinham umas faixas coloridas que identificavam o motivo pelo qual ele estava sendo sucateado. “Ah, esse aqui é por causa que tá pra afinação, esse aqui a rosca tá com defeito, esse está com um pequeno amassamento assim, não sei o que e tal”. Aí eu falei, “Poxa”, aí me veio a idéia porque esses tubos que a gente usava pra ligar os poços de plataforma era tudo tubo de três polegadas, os diâmetros internos eram mais ou menos parecidos com os de duas sete oitavos, né, e tubos roscados, os da sonda também são tubos roscados, só que ele perdia mais de 50 mil metros de tubos por ano da (DICEM ?), né, que é Divisão de Controle, Divisão de Estoque Centralizado, Divisão Centralização de Estoque de Materiais, então a gente fazia a previsão mandava aqueles tubos novos e estamos usando esses tubos. E esse tubo volta e meia você tinha que trocar até por conta do contato dele com o solo, né, às vezes até o próprio caimento do gás caía em cima, às vezes dava uma corrosão localizadas, às vezes furava, você tinha que trocar algum tubo desse, né? Então depois que eu vi que ia ter esse leilão de sucata eu tive essa idéia, aí fui aos meus colegas de engenharia falei: “Ó, tive essa idéia assim de aproveitar esses tubos pra fazer, lançar pra fazer poço”. Aí eles gostaram da idéia, inclusive esse tubo é muito mais resistente que o outro, a parede dele é bem mais grossa, ele tem mais resistência. Aí o quê que nós fizemos? Só tinha uma semana pra fazer o leilão, uma semana depois era o leilão. Então eu fui lá no superintendente que autorizou, contratamos o rapaz que tinha sido demitido, recontratamos ele, eu fiquei lá pessoalmente com ele já pra re-selecionar os tubos. Então tipo assim: o tubo tá pra afinar, não, tudo bem esse aqui vai pra fora. Amassamento se era pouquinho amassamento pra gente não tinha problema. A rosca, não tinha problema porque se na hora de fazer um teste tivesse um vazamento tinha que fazer uma seção selagem, e era comum de fazer num tubo novo. Com isso a gente separou mais de 90% dos tubos que iam ser sucateados. Então a partir daí também todo tubo que ia sendo sucateado da sonda, né, automaticamente já passou a ser re-inspecionado, inspecionado e segregado pra poder atender a gente. Então, ou seja, simplesmente deixamos de pedir mais esses tubos e passamos a ter nossos próprios tubos lá pra poder fornecer. Depois mais pra frente os poços lá também a produção começou a cair, aí a gente teve que começar a fazer injeção de água nos poços, foi mais ou menos na mesma época, quase. Aí inicialmente foi feito tudo com tubulação de duas polegadas, soldada, pintada com radiografia tudo sobre suporte beirando a cerca das fazendas, mas tubo sobre suporte e tal, gastamos uma grana. Aí pegando carona nessa mesma idéia que eu tinha pra fazer a linha do poço, eu tive a idéia de usar o tubo de duas três oitavos, que era um tubo com diâmetro interno bem parecido com o de duas 580, que era o que a gente usava soldado e esse era um tubo só roscado também e podia ser lançado sobre o chão também. Ou seja, o custo, né, ínfimo em relação a algo que a gente fez e também material tava lá disponível. Aí também o pessoal aprovou e aí começamos a usar também esse tubo pra injetar água. Então isso foi uma economia danada. E essa aí já depois eu já estando trabalhando aqui na Bacia de Campos eu vi um colega meu que já estava lá em São Mateus, eu estava no PT eu vim pra academia, falei “Ué, o que você tá fazendo aqui?” “Ah, eu vim cá pra separar uns tubos de produção pra levar pra lá”. Porque lá já não tava perfurando quase poços terrestres, então não tava tendo essa sobra de tubos, né? Então estragaram, passaram a pegar os tubos daqui, que eram uns tubos de diâmetro maior acho que três e meio polegadas, mas que atendia pra eles lá também. Então eles passaram a pegar tubo daqui. Eu acredito que até hoje deve tá usando esse recurso ainda, né? Aqui já participei, em 94, quando comecei a trabalhar com a P-18, foi tipo uma plataforma-escola pra gente porque a partir dali as águas, as plataformas foram pra laminas d’água cada vez mais profunda, né, e aí começou a ter que desenvolver outros sistemas de exportação, de linhas e tudo o mais. As linhas que ficavam sempre exportadas, emersas fora da água, passaram a ter que ficar no submarino da plataforma por causa de questão de estabilidade e tudo mais de plataforma. Isso aí teve que desenvolver uma série de recursos, né, de sistema pra atender essa nova demanda.
P/1 – Hoje ainda é assim? Porque...
R – Hoje é.
P/1 – Porque você contou casos em que você tem que ter muita criatividade, né?
R – É, tem que ter muita criatividade no trabalho...
P/1 – Hoje também é assim?
R – É, o trabalho ainda exige muita criatividade. Como eu tenho participado sempre de todos esses projetos, a grande maioria, né? Toda vez que ia mudar de fretado, às vezes, nem sempre desenvolve muita gente no projeto, entendeu? Mas a unidade própria da Petrobrás sempre tá participando. Então toda a experiência que eu fui adquirindo, né, coisas que já deu errado, né? Recomendações eu sempre vou passando e incorporando nos projetos novos pra não perder. Se não de repente você fica recomeçando as coisas, né, então a gente sempre tá procurando melhorar as coisas. Como eu falei, as plataformas estão sempre (lavrar d’água ?) cada vez mais profundas, as coisas estão ficando cada vez mais caras, cada vez mais elevadas, né? Hoje eu tô trabalhando aí com guincho de 400 toneladas de capacidade, cabos de 88 milímetros, tem projeto que você tem cabo de mais de 100 milímetros de diâmetro. Então coisa assim boçal, né? Então tem que tá procurando assim desenvolver os projetos de maneira que facilite cada vez essa preparação desse sistema a bordo, porque as coisas também tão complicando. Você vê agora o Tupi, né, tá começando agora o projeto Tupi, a P-62 se eu não me engano, e lá são 2 mil e 500 metros de lamina d’água, então você imagina sustentar ali uma carga nessa profundidade aí. Então é sempre um desafio, é uma coisa não é uma coisa rotineira simples, são bons projetos, né? E nessa área também atuando como interligação de poços hoje o meu trabalho, né, que é o (E-sub ?) a gente presta serviços pro Brasil inteiro, não é só pra Bacia de Campos, entendeu? Então interligação do Espírito Santo é com a gente, em Sergipe, Alagoas, Bacia de Santos é tudo com a gente, entendeu? A gente tem uma frota de barcos que faz esses distanciamentos, e a gente tem que ter as equipes pra poder atender as plataformas. Então apesar de ter saído lá eu continuo prestando assistência, consultoria técnica nos projetos, né, e dando apoio ao colega que entrou lá, lógico, que não tem essa experiência que eu tenho, né, então sempre tô dando um aporte pra ele lá, suporte pra ele operacional.
P/1 – Sérgio, o que é ser petroleiro?
R – Ah, sei lá (risos). Petroleiro é, sei lá, pra mim eu vejo a Petrobrás como uma grande empresa, sempre gostei de trabalhar na Petrobrás, é como se fosse a família da gente mesmo.
P/1 – O que você achou dessa iniciativa de contar a história da Bacia de Campos a partir da experiência dos trabalhadores?
R – Achei super importante, né? Pegar o depoimento das pessoas, a memória, né, da empresa, né? Que a gente vê muitos casos, muitas situações de colegas aqui que às vezes vão embora e levam todo o conhecimento dele pra fora e não teve ninguém pra poder passar, né, adquirir essa experiência da pessoa, né? Eu dentro da minha área que, tipo assim, eu não tenho a minha área, dos meus conhecimentos nunca foi assim uma caixinha de surpresa, entendeu? Porque eu tenho tudo lá apostila, curso que eu já fiz, entendeu, já elaborei. Então tudo que eu conheço dentro da minha área, eu procurei colocar no material disponível lá pra consulta, tudo mais, sempre repasso tudo, não guardo nada. Porque conhecimento ninguém rouba de ninguém, né? E tudo que você souber e puder compartilhar com as pessoas é melhor, né? Até que final de contas foi um investimento que a empresa fez em você, você próprio investiu em si próprio também, né? E acho que não tem porque ninguém querer aquilo só pra si, quando vê uma pessoa nova: “Ah, deixa fulano ralar”, como se diz, né? “Eu não aprendi assim? Eu ralei muito pra aprender?” Mas é aquele negócio ninguém, hoje em dia a conta tem que ser diferente, né? É a mesma coisa dentro de casa, né, aquela cultura de com o pai, né, o filho “Quando eu casei eu não tinha nada, não tinha carro, não tinha, né, fui conquistar tudo, né?” Hoje se você puder ajudar o filho, começar dá a vida hoje pra um filho é muito mais complicado do que a gente começou na época, né? Então no que eu posso ajudar os filhos ajudo, entendeu? Não tem esse negócio de, eu pago previdência privada pros meus filhos, entendeu? Os três já têm previdência privada, há três anos que eu pago pra eles, quer dizer, eles estão, os gêmeos estão com 18 anos, vão fazer 19 agora, semana que vem, a menina com 17, quer dizer, aí já tem. Quer dizer o Educar quando eu fiz o Banco do Brasil eu já garanti pra eles a aposentadoria com 55 anos de idade. Hoje, se eu fosse fazer hoje, “Não, vou fazer agora uma previdência privada pra eles”, ia ser 65 anos. Então de cara eles ganharam 10 anos aí de. E é um sacrifício que eu tô lá todo mês pagando, barara, mas eu falo: “Isso daí vai ficar pra eles aí depois, porque que eu vou ficar”, quer dizer, vou dar tudo agora pra eles, mas eu não quero ficar naquela cultura de: “Ah, só depois que eu morrer que vai passar pros filhos, né?” Você não vê os filhos usufruindo daquilo que você tinha pra dar pra eles, então o que adianta? Depois de morto você não vai ver nada, né? O filho dá em vida, já puder ajudar o que puder agora. Só que é assim, quando aposentar tá, já tem o meu tranqüilo, né, não tá dependendo deles, né, eles estão encaminhados, estão certinhos.
P/1 – Obrigado, Sérgio.
FIM DA ENTREVISTA.
Nomes com grafia em dúvida:
(E-subs ?), pág. 04
(GE-sub ?), pág. 04
(DIRENTE ?), pág. 05
(GEN-SUB ?), pág. 05
(part tours ?), pág. 05
(manifoldes ?), pág. 07
(DICEM ?), pág. 08
lavrar d’água ?), pág. 10
(E-sub ?), pág. 10
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