Memória Petrobras
Entrevistado por Inês Gouveia
Depoimento de Sonia Maria da Silveira
São Sebastião 25/06/2009
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_TM111
Transcrito por Sidnei de Freitas Barros
P/1 – Sonia, pra começar vou pedir que você diga seu nome completo, o local do seu nascimento e a data do seu nascimento.
R – Sonia Maria da Silveira; local de nascimento: São Paulo.
P/1 – A data de nascimento?
R – 2 de junho de 1955.
P/1 – Sonia, você ingressou na Petrobras quando?
R – Dia primeiro de julho de 1975.
P/1 – E já foi direto aqui no terminal?
R – Sim, todos esses anos aqui no terminal.
P/1 – Conta uma pouco pra gente da sua relação com o terminal, já que você me disse que já o havia conhecido melhor antes mesmo de entrar.
R – Antes de entrar. Por volta dos meus oito, nove anos de idade, não sei precisar, né, eu já vinha aqui no terminal em companhia da filha de um engenheiro que trabalhava na obra do terminal, né? E eu já gostava muito disso aqui, né, e pra gente, assim, a Petrobras, a cidade muito pequena, uma cidade praiana e, a gente via a Petrobras como algo já bem grandioso mesmo. A gente tinha essa idéia de que a Petrobras é uma coisa muito boa, né? Só que eu nunca pensei em vir trabalhar aqui, né? Não me passava nessa época pela cabeça. Mas quando adolescente, já 16, 17 anos, era um sonho. Tinha vontade de trabalhar aqui e aos 20 anos se concretizou.
P/1 – Foi por iniciativa própria que você procurou o...
R – Isso. Prestei concurso e seis meses depois eu fui chamada.
P/1 – E me diga uma coisa: Como é que era, como é que tava o terminal quando você entrou? Faz a gente visualizar a paisagem do terminal.
R – Ah, era bem diferente do que é hoje, né? Tinha menos tanques e, assim, tinham mais pessoas trabalhando. Hoje nós tamos num número bem restrito de funcionários próprios. Na época que eu entrei nós éramos em 600 empregados. Então, era assim, um número bem...
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Memória Petrobras
Entrevistado por Inês Gouveia
Depoimento de Sonia Maria da Silveira
São Sebastião 25/06/2009
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_TM111
Transcrito por Sidnei de Freitas Barros
P/1 – Sonia, pra começar vou pedir que você diga seu nome completo, o local do seu nascimento e a data do seu nascimento.
R – Sonia Maria da Silveira; local de nascimento: São Paulo.
P/1 – A data de nascimento?
R – 2 de junho de 1955.
P/1 – Sonia, você ingressou na Petrobras quando?
R – Dia primeiro de julho de 1975.
P/1 – E já foi direto aqui no terminal?
R – Sim, todos esses anos aqui no terminal.
P/1 – Conta uma pouco pra gente da sua relação com o terminal, já que você me disse que já o havia conhecido melhor antes mesmo de entrar.
R – Antes de entrar. Por volta dos meus oito, nove anos de idade, não sei precisar, né, eu já vinha aqui no terminal em companhia da filha de um engenheiro que trabalhava na obra do terminal, né? E eu já gostava muito disso aqui, né, e pra gente, assim, a Petrobras, a cidade muito pequena, uma cidade praiana e, a gente via a Petrobras como algo já bem grandioso mesmo. A gente tinha essa idéia de que a Petrobras é uma coisa muito boa, né? Só que eu nunca pensei em vir trabalhar aqui, né? Não me passava nessa época pela cabeça. Mas quando adolescente, já 16, 17 anos, era um sonho. Tinha vontade de trabalhar aqui e aos 20 anos se concretizou.
P/1 – Foi por iniciativa própria que você procurou o...
R – Isso. Prestei concurso e seis meses depois eu fui chamada.
P/1 – E me diga uma coisa: Como é que era, como é que tava o terminal quando você entrou? Faz a gente visualizar a paisagem do terminal.
R – Ah, era bem diferente do que é hoje, né? Tinha menos tanques e, assim, tinham mais pessoas trabalhando. Hoje nós tamos num número bem restrito de funcionários próprios. Na época que eu entrei nós éramos em 600 empregados. Então, era assim, um número bem maior. A estrutura daqui era maior. Nós tínhamos todos os setores daqui próprios, né, que hoje nós não temos. Eles já foram passados pra outros locais tipo: São Paulo. A princípio, São Caetano, depois São Paulo, né? Era bem diferente.
P/1 – E quando você entrou qual era a função que você entrou pela primeira vez?
R – Eu era auxiliar administrativo.
P/1 – E como é que era seu cotidiano de trabalho, o que efetivamente você fazia?
R – Quando eu entrei aqui eu trabalhei na obra que a gente chamava de Osbat II que era uma obra até de complemento mesmo de alguns trabalhos aqui do terminal e lá eu fiquei um ano. Depois desse um ano eu passei pra outras partes administrativas. Trabalhei na seção administrativa, depois no setor administrativo. Fiz escrituração fiscal. Trabalhei na segurança interna. Trabalhei na compra e hoje eu fiscalizo o contrato de alimentação.
P/1 – Maravilha. Conta um pouco pra gente o que é que é – ninguém melhor do que você pra falar isso – o que é que é o terminal? Conta das atividades do terminal, a função do terminal.
R – É, foi uma coisa muito importante pra cidade, né, porque fez a cidade crescer, evoluir, né? Eu até já comentei, era uma cidade apenas praiana com pouco recurso. E a Petrobras fez com que viesse bem mais progresso pra cidade, né? Profissionais de área médica e mesmo profissionais pro terminal. Foi uma coisa muito importante pra gente, assim, muito bom mesmo.
P/1 – E as funções dele? Ele armazena... Como que é?
R – Ele armazena, transfere, estoca petróleo pra outras refinarias.
P/1 – Quais são as refinarias que são pelo terminal hoje, você sabe?
R – É a Replan, a Revap, eu não tenho muita certeza se a RPBC também. Mas a Revap e a Replan com certeza.
P/1 – Você disse que a função dele ao longo dos anos mudou um pouco até em virtude de outros terminais. Você sabe me dizer quando mais ou menos foram essas mudanças?
R – Olha, aconteceram várias mudanças. Nós já fomos subordinados a São Caetano; depois houve essa mudança pro compartilhado; a mudança da Transpetro, que a Transpetro ta há 11 anos aqui, né? Que quando eu entrei tudo aqui era Petrobras. Depois, com o decorrer dos anos, algumas coisas foram sendo modificadas, inclusive, criaram a Transpetro que completou 11 anos agora, né? Entao, foram muitas as mudanças. Por exemplo, eu que sou do compartilhado, nós prestamos serviços pra Transpetro, certo? Que a Transpetro só tem atividades fim, que é operação e manutenção, né? E o compartilhado faz toda a parte de serviços pro terminal.
P/1 – Conta um pouco da tua atividade hoje, como ela é, como é o seu cotidiano de trabalho?
R – Complicado. Mexer com alimentação é complicado porque, assim, alimentação é uma coisa de cardápio, de modo de fazer, de tempero. Algumas pessoas gostam de comida mais temperada, outra menos temperada. Mas é uma coisa boa que eu gosto de fazer porque não tem rotina, né? Cada dia é um dia. Não é uma coisa que você sabe que amanhã vai ser da mesma forma. Então, cada dia é uma rotina. Eu gosto muito de estar à frente desse trabalho. é uma coisa, assim, que me é gratificante.
P/1 – Por curiosidade, por dia é uma média de quantas pessoas ou quantas refeições?
R – Entre 200 a 250. O restaurante funciona 24 horas por dia. Que nós temos o desjejum, almoço, jantar. Temos o lanche de zero hora que nós chamamos, que ele funciona durante toda a noite pro pessoal que trabalha de turno. Então, são 24 horas funcionando.
P/1 – Mudando um pouquinho o foco, eu fico pensando o que é que mudou nesse tempo todo, nesses quase 34 anos em relação à saúde e proteção e segurança dentro do terminal.
R – Ah, mudou bastante. Hoje a segurança é vista com outros olhos, né? Porque quando eu entrei aqui – não que a Petrobras não tivesse essa preocupação, ela sempre teve – mas era uma coisa não tão focada como é hoje. Hoje o foco é muito grande em segurança, saúde e meio ambiente. Então, a gente trabalha muito em cima disso. Preocupação com ser humano é muito grande. O que é muito bom, né, pro funcionário, mesmo o pessoal terceirizado, ele hoje em dia é muito focado nessas três coisas que é: saúde; meio ambiente e segurança. Principalmente saúde e segurança a gente foca muito. Nós temos muitos treinamentos com os funcionários. Todos eles têm obrigação de usar EPI, não é se quer, tem que usar.
P/1 – Perdão. Usar o quê?
R – EPI – equipamento de proteção individual, ta? Então, eu acho que a Petrobras ta muito voltada pra esse foco, como nunca esteve.
P/1 – Eu fiquei pensando. Na década de 70, qual era a impressão que as pessoas tinham da instalação do terminal, da presença do terminal aqui em relação à segurança e ao meio ambiente, já que você também é da cidade?
R – É, nessa época, a Petrobras não era muito voltada pra essas coisas não, né? Eles foram construindo e assim, nós tivemos muitos acidentes em São Sebastião. Então, a população via a Petrobras como uma fonte de renda. Mas via também como alguma coisa que incomodava porque nós tivemos vários incêndios aqui. Então, era uma preocupação constante. Por exemplo, eu morava do lado da Petrobras. A rua de casa é do lado aqui do terminal, que eu morava, hoje não. Então assim, nós víamos sempre com medo, sempre preocupados. E nessa época não tinha, né, essa preocupação tão grande como tem hoje com toda essa parte de natureza, de não deixar as coisas acontecerem como eram antigamente. Nós tivemos muitos problemas aqui. Navio que incendiou, pegou fogo no píer; vários tanques pegaram fogo. Então assim, era uma coisa que a gente tinha medo, muito medo. Mas que hoje, graças a Deus, nós não temos mais esses problemas. É bem controlado, né?
P/1 – Mas chegou acontecer alguma coisa que impactasse mais diretamente sobre a população da cidade?
R – Sim. Houve um incêndio numa vala que corta, assim, meio que o centro da cidade. Então assim, foi um pânico na cidade inteira. Não foi uma coisa, assim, focada. Foi um pânico muito grande. Aconteceram vários acidentes com as pessoas por conta das fugas porque quando começaram ver que tava pegando fogo, muita gente fugiu de carro, né? Então, ficou um transito terrível que, onde algumas pessoas sofreram alguns acidentes. Uma senhora sofreu queimaduras porque foi do lado de uma creche e ela foi procurar a filha, né, e ela foi queimada. Então assim, foi um impacto grande. Esse e um navio que pegou fogo aqui no píer. Foi um impacto bem grande. Assustou muito a população. Era de noite, a gente só via, assim, aquela labareda. E tava chovendo. Aí, se via toda aquela parte da fuligem descendo pra rua. Você não sabia se era algum óleo duto que tinha estourado ou o que tava acontecendo. Então assim, foram momentos de pânico mesmo, pra população.
P/1 – E hoje, como é a relação do terminal com a comunidade da cidade?
R – Eu acho que é muito boa porque a Petrobras se preocupa muito. Nós temos aquele (apel?) que é um treinamento em emergência. A população participa desse treinamento. Então, as pessoas têm bastante consciência agora de como funciona a Petrobras. Que naquela época não tinha tanto essa informação. A população não tinha essa informação que tem hoje, esse treinamento que tem hoje. Todas as pessoas ao redor da Petrobras, elas são treinadas pra casos de acidentes.
P/1 – Voltando um pouco a tua área hoje, especificamente da alimentação, existe um trabalho conjunto entre a área da alimentação e a área da saúde? Existe, enfim, a alimentação é pensada sobre a perspectiva da saúde?
R – Olha, hoje eles ainda não conseguiram conciliar as duas coisas. Por exemplo, a gente não tem um trabalho nutricional, que eu acho que deveria ter. Acho que a Petrobras deveria fazer com as nutricionistas próprias, né, porque nós temos acompanhamento de nutricionista da terceirizada. Mas nós não temos um acompanhamento, um programa de alimentação saudável que eu acredito que deveríamos ter, nós não temos em conjunto com o contrato. Acho bem importante que tivesse, né, uma coisa conjunta. Até porque as pessoas têm uma resistência à alimentação saudável. Então assim, seria bem importante ter um esclarecimento, um trabalho, um projeto pra pessoa se reeducar, que hoje nós não temos esse trabalho.
P/1 – Sonia, nesses 34 anos qual foi o maior desafio da tua carreira?
R – Eu acredito que foi trabalhar com alimentação. Porque, assim, eu sempre trabalhei, em parte, escritório. E eu sempre fui uma pessoa envergonhada, nunca fui uma pessoa muito aberta pra público e no restaurante você é público, você trata com pessoas, né? Foi um desafio muito grande. A princípio, eu fiquei meio assustada porque foi uma coisa assim: Eu estava pra me aposentar, né, eu já trabalhava há seis anos nas compras e eu entrei com processo de aposentadoria. Só que quando a aposentadoria saiu, eu fiquei em duvida se era isso que eu queria. Sabe? Eu pensei; aí, eu me achei nova; eu só tinha 48 anos; tava, assim, com muito pique ainda pra trabalhar, né, como tenho até hoje. Aí, eu pensei bem e resolvi não sair. Foi quando a minha supervisora – na época a Márcia – me propôs ir pro restaurante. Eu falei: “Nossa! Eu não vou conseguir! Porque vou ter que ficar, assim, exposta, né, e vou ter que fazer uma coisa que eu nunca fiz na minha vida”. Ainda brinquei com ela e falei: “Poxa, de cozinha eu não entendo nem na minha casa, como vou tratar da cozinha da Petrobras?” Ela falou: “Não, mas você consegue, você é capaz, no começo você vai estranhar, tal.” Então assim, foi um desafio bem grande. Mas assim, foi bem gratificante, sabe, porque a gente vai trabalhando a gente mesmo, você vai trabalhando com essa coisa da vergonha, de não saber lidar com algumas coisas. Eu aprendi muito coisas, né, que eu não sabia, não entendia nada de cozinha, de vigilância sanitária, de... Imagina, eu não tinha idéia, né? E depois, assim, a gente sempre pensa: “Nossa! Cozinha; ir lá; fazer comida e ta pronta.” Né? Não é nada disso. Engloba muita coisa, né? E estamos aí. Estou quase há seis anos nisso. Gosto bastante. Não tenho intenção de me aposentar por enquanto. Eu gosto de trabalhar.
P/1 – Você coordena toda a logística, de produto, de preparo, de tudo?
R – Não. É assim, eu tenho um contrato de alimentação onde a terceirizada que trabalha com o todo. O que é o meu trabalho? É ver o preparo da comida, se ta de acordo, tal, acompanhar o cardápio, que a gente tem uma tabela de freqüência de alimentos. Eu tenho que acompanhar, ver se ta de acordo, né, e se ta bem estocado o material, se não tem nada vencido, se não tem coisas... Por exemplo, a gente não pode usar caixa de papelão, madeira em estoque. Eu tenho que ficar orientando, vendo se realmente o pessoal esta fazendo de acordo, né, e tenho as normas da Petrobras que eles têm que se adequar, os treinamentos e todo o padrão que tem sobre a alimentação. Nós temos vários padrões de execução que eles têm que ta alinhado com a terceirizada. Então, é todo esse acompanhamento de vigilância sanitária, se eles tão dentro da licença. Todo esse trabalho. Mas é legal (risos).
P/1 – Sonia, se você tivesse que contar pra alguém, de preferência alguém bem intimo, alguma história que fosse emblemática, que fosse a imagem desses 34 anos de trabalho na Petrobras, que história seria essa?
R – Uma história pra contar?
P/1 – De alguma coisa que tenha te marcado.
R – Ah, não sei assim, falar. Não saberia falar assim, contar uma história que...
P/1 – Não, alguma coisa que tenha te marcado muito nesses 34 anos, são tantos anos. Imagino que tenha muitas marcas, muitas coisas boas, né? Mas, enfim, se você não tem nenhuma que você...
R – Não, assim, especificamente, acho que foram... Lógico, tive problemas como todos; desafios grandes; algumas tristezas, porque nós tivemos tempos aqui, por exemplo, que promoção era uma coisa muito complicada, era carta marcada, né? Então assim, a Petrobras ficou muito tempo sem concurso. Quando abria o concurso, a gente já sabia quem ia entrar naquela vaga por conta, assim, de direcionamento de chefia, né? Então, foi uma época ruim pra gente porque não era por capacidade, era por indicação. Então, foram momentos tristes. Mas muitos momentos felizes também, né, de promoções, que fui promovida duas vezes: Passei pra ajudante; passei pra assistente. Então assim, histórias de desafios, de lutas, de alegrias. Mas foram anos muito bons.
P/1 – Que ótimo. E pra terminar, o que você achou de contar um pouco uma parte da sua história contribuindo com a gente com o programa Memória Petrobras?
R – Ah, eu acho bem legal que a Petrobras tenha essa preocupação, né, porque, afinal de contas, se a Petrobras é o que é porque ela teve pessoas que trabalharam pra isso, né? Então assim, ela não se fez Petrobras sozinha. Foi o meu trabalho, o trabalho de cada um, o seu trabalho hoje, né, que ela conquistou o grande nome que ela tem, né? Bem legal mesmo.
P/1 – Que ótimo. Obrigada.
R – Mas eu gostei (risos)
P/1 – Ótimo. Parabéns pela história.
R – Obrigada.
FINAL DA ENTREVISTA
(apel?)
Obs: A sigla RPBC citada na entrevista eu escrevi como apresentada no site da Petrobras. Segundo o manual seria Rpbc?
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