Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Rozali Carvalho
Entrevistado por: Ana Lage
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB671
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 - Bom tarde, Rozali!
R – Bom tarde.
P/1 - Eu gostaria que você começasse dizendo pra gente o seu nome completo, local e data de nascimento.
R –Eu me chamo Rozali Varandas Lacerda Simões Carvalho. Nasci em Santos em 31 de julho de 1962.
P/1 – Agora, conta pra gente quando e como se deu o seu ingresso na Petrobras.
R – Eu soube pelo meu marido – na época era só meu namorado – que teria concurso da Petrobras para, na época era auxiliar de escritório. E meu sogro, atual sogro, já trabalhava aqui, na época, era divisão financeira. Aí, eu falei: “vou prestar o concurso né?” Até porque eu trabalhava numa empresa que estava sendo vendida, tinha sido vendida, eu disse: “Ah! Vou prestar o concurso!” E achei muito fácil!Uma prova simples. Eu falei: “isso aqui é marmelada, já tem gente pra entrar na empresa, é direcionado...” Aí, eu passei. E como eu já tava com vontade de sair do outro emprego, disse: “ah, trabalhar na Petrobras, realmente, é algo que pode trazer coisa nova.” E vim pra cá.
P/1 – E quando foi isso?
R – Eu entrei a 19 de agosto de 1986.
P/1 – E, conta pra gente, durante esse tempo que você tá aqui, uma história que tenha te marcado, algum fato, alguma coisa...
R – Tem muita coisa, sim. Eu não vou lembrar assim, com detalhes. Mas tem uma que ficou muito marcada. Quando eu vim pra cá , entramos, eu e muita gente nova, para auxiliar de escritório, um pessoal mais jovem. E aí, nós ficamos sabemos que a Refinaria tinha sido construída em cima de um cemitério. Era o Cemitério de Cubatão, da cidade de Cubatão. E aqui era um cemitério, mas eu não sei em que local era esse cemitério. Mas nós ficamos sabemos que aqui era um cemitério. E, depois de um...
Continuar leitura
Nome do Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de: Rozali Carvalho
Entrevistado por: Ana Lage
Local da gravação: Cubatão / SP
Data: 23/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB671
Transcrito por Flávia de Paiva
P/1 - Bom tarde, Rozali!
R – Bom tarde.
P/1 - Eu gostaria que você começasse dizendo pra gente o seu nome completo, local e data de nascimento.
R –Eu me chamo Rozali Varandas Lacerda Simões Carvalho. Nasci em Santos em 31 de julho de 1962.
P/1 – Agora, conta pra gente quando e como se deu o seu ingresso na Petrobras.
R – Eu soube pelo meu marido – na época era só meu namorado – que teria concurso da Petrobras para, na época era auxiliar de escritório. E meu sogro, atual sogro, já trabalhava aqui, na época, era divisão financeira. Aí, eu falei: “vou prestar o concurso né?” Até porque eu trabalhava numa empresa que estava sendo vendida, tinha sido vendida, eu disse: “Ah! Vou prestar o concurso!” E achei muito fácil!Uma prova simples. Eu falei: “isso aqui é marmelada, já tem gente pra entrar na empresa, é direcionado...” Aí, eu passei. E como eu já tava com vontade de sair do outro emprego, disse: “ah, trabalhar na Petrobras, realmente, é algo que pode trazer coisa nova.” E vim pra cá.
P/1 – E quando foi isso?
R – Eu entrei a 19 de agosto de 1986.
P/1 – E, conta pra gente, durante esse tempo que você tá aqui, uma história que tenha te marcado, algum fato, alguma coisa...
R – Tem muita coisa, sim. Eu não vou lembrar assim, com detalhes. Mas tem uma que ficou muito marcada. Quando eu vim pra cá , entramos, eu e muita gente nova, para auxiliar de escritório, um pessoal mais jovem. E aí, nós ficamos sabemos que a Refinaria tinha sido construída em cima de um cemitério. Era o Cemitério de Cubatão, da cidade de Cubatão. E aqui era um cemitério, mas eu não sei em que local era esse cemitério. Mas nós ficamos sabemos que aqui era um cemitério. E, depois de um bom tempo, nós, conversando com as meninas da copa – antigamente nós tínhamos copeira que chegava mais cedo pra preparar o nosso café e tal – e elas sempre falavam que escutavam, no meu setor de pessoal, logo de manhã, quando não tinha ninguém, passos no nosso arquivo morto. E aquele ranger de coisas na escada. A escada era de madeira, e ela falou que a escada rangia, né? E isso, durante muito tempo. Alguns com mais receio do que outros. Mas era muito engraçado. A gente ria muito com essa história. E depois, uma gerente, que também trabalhava no setor de pessoal, até sabia e ela falou que teve um caso realmente de uma pessoa que trabalhou no setor de pessoal e morreu de uma forma totalmente esquisita, e ela achava que era a tal pessoa que caminhava no nossso arquivo morto, que pela manhã, quando não tinha ninguém, descia as escadas. Alguma coisa assim. Eu sei que ela mandou rezar uma missa para essa pessoa. Eu não lembro o nome, mas era um empregado. E ela mandou rezar uma missa pra ele. E, talvez por coincidência, realmente pararam os passos no arquivo morto. Nunca mais se ouviu. Essa é uma história muito engraçada que a gente lembra. E depois de um tempo – eu não sei nem se essa história foi contada aqui – acabou acontecendo de uma colega, no final do expediente, estava no aquivo morto, olhando alguns documentos, e a moça veio e fechou a porta do arquivo morto com ela presa lá dentro. Aí, o que aconteceu? Ela ficou desesperada porque nós íamos embora e ela ia ficar presa lá dentro. Ela começou a chamar: “Alguém abre a porta!” E a gente só escutava e: “Meu Deus! O fantasma agora se materializou!”(risos) Mas aí já foi brincadeira porque já tinha realmente passado a fase do fantasma andando no arquivo morto. Só foi mais a brincadeira depois que ficou. E a gente nunca esqueceu esse fato. Nunca mais soube nada, né? Hoje, no setor também, acho que pelo fato que as pessoas chegam já com bastante movimento...Mas acho que não tem mais.
P/1 – Não tem mais fantasmas?
R – Não. Acho que não.
P/1 – Tem alguma outra história que você queira contar pra gente?
R – Não. Que eu me lembre assim, eu teria que pensar ou então com a ajuda de outras colegas. Por que tem muita coisa que vai acontecendo, mas talvez só com a ajuda de outras colegas eu lembrasse de outros fatos.
P/1 – Mudando um pouco de assunto, você é sindicalizada?
R – Não. Eu era sindicalizada e saí.
P/1 – E por que você saiu?
R – Pela greve que houve aí, há um tempo atrás, uma greve muito forte. Eu me senti um pouco ameaçada, na época. Porque eu não fazia greve. Eu não participava da greve. A gente, do setor de pessoal, não fazia greve. E teve um momento que era assim, ameaças por parte das pessoas. Não vou dizer que era do Sindicato, mas uma falta de respeito com a opinião de quem não quer participar. Aí, resolvi sair, na época. Porque outras coisas aconteceram também, e eu saí. E não voltei mais a ser sindicalizada.
P/1 – Mas, mesmo você não sendo agora sindicalizada, durante todo esse tempo que você tá trabalhando aqui, você se recorda de alguma conquista importante do Sindicato pros trabalhadores?
R – Teve várias. Agora, um fato engraçado, falando em suindicalizado, logo que eu entrei, tinha muita greve, muita greve. “E vamos fazer greve!” “Vai ter greve de vigília!” Eu vim preparada com lençol, trouxe lençol pra ficar aqui. Porque não tinha aquela coisa das mulheres participarem, ficarem de vigília e tal. Mas o pessoal novo vem todo animado, e quer participar. Eu falei: “Vou participar da greve.” Vim de lençol, vim preparada. Não teve a greve. Eu: “Puxa, que fiasco! Vim toda preparada para a greve e não teve a greve.” Mas algum caso com relação...
P/1 – É algum fato, alguma conquista importante do Sindicato pros trabalhadores. Você lembra, se recorda de alguma?
R – Não vou me lembrar. Eu sei que eles tem várias conquistas...Não vou lembrar assim. Eu sei que o turno de 8 horas, parece que foi uma conquista deles. Porque, pelo fato de eu estar fora dessas coisas de greve, não sinto tanto o que eles passam, por não fazer a greve. Porque a luta deles é forte, isso eu sei. Mas não lembro. Eu sei que tem várias conquistas, mas não sei te falar nenhuma específica.
P/1 – Então, diz pra gente qual a sua opinião: o que você acha de ter participado da entrevista, de ter contribuído pro Projeto?
R – Eu gostei.
P/1- Por que? Você acha importante?
R – Acho, acho importante! Porque, quer ver uma coisa? Eu trabalhava no setor de pessoal e nós tínhamso acesso aos prontuários dos empregados, né? E, todo final de ano, a gente fazia uma limpeza nos prontuários para mandar para a microfilmagem. E, naquela época, tinha muita, porque eram relatadas todas as ocorrências, ocorrência disciplinar, mas tudo tinha relatório. E a gente tinha tempo, às vezes, pra ler aquelas coisas e tinham coisas muito, mas muito engraçadas, que hoje não acontecem. Então, não pode perder essa memória porque é muito boa. Gente que entrava na época no setor de pessoal e falava pra gente que nós éramos privilegiado, porque nós trabalhávamos com ar condicionado, tudo com cimento, tudo arrumadinho. Eles pisavam na lama, eles tinham que enfrentar, às vezes os bichos que vinham da serra. Essas coisas não podem ficar perdidas. Tem muita coisa boa. E o espírito de união desse povo, que eu acho que a gente tem um espírito bem forte aqui. Um exemplo que tem muito, e que eu não esqueço, foi uma chuva forte que teve e inundou essa Refinaria de lama. A serra veio abaixo.
P/1 – Quando isso?
R – Eu não vou lembrar o ano. Não sei se foi em 92. Foi em fevereiro, época de chuvas. Acho que foi em fevereiro de 1992. Essa serra veio abaixo. Acabou com o nosso horto florestal. Tinha bichos lá – patos, marrecos, cabras. Morreram todos os bichos. Tinha lama em todo lugar. Barro vermelho em toda a Refinaria. Foram computadores pro lixo, óleo que esparamou e tudo. E o espírito de união desse povo foi fantástico. Nunca esqueci isso. Nunca esqueci.
P/1 – Então, você gostou?
R – Eu gostei. Então, tem coisas que precisam ficar guardadas mesmo. Acho interessante ter uma história.
P/1 – Então tá, Rozali, muito obrigada pela sua participação.
R – Obrigada a vocês.
Recolher