Meu nome é Rosana de Nazaré Moreira Ramos. Nasci em Macaé, Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1955.
Fiz o concurso no último ano do curso de Engenharia Química. Cursei o quinto ano de Engenharia junto com um curso de especialização da Petrobras e assim saí empregada. Ingressei em 1979.
Assim que ingressei na empresa, era para ir à fábrica, que estava iniciando em Laranjeiras, onde eu trabalho até hoje. Mas, por atraso no projeto tive que passar um ano aqui em Camaçari, na fábrica de igual porte. Foi um transtorno, porque eu era casada na época, e não esperava, mas foi somente um ano. No meio do percurso, engravidei e enjoava muito, mas graças a Deus consegui ultrapassar esse período e depois voltei para Aracaju, em Sergipe, na fábrica de Laranjeiras. Aí em diante fiquei lá. Só viajo esporadicamente, que é curso ou outra coisa. Mas estou sediada lá, até hoje.
Sou engenheira química. Comecei na área de processamento de uréia, de amônia. O machismo na época era um pouco grande e, quando voltei de uma gravidez, já tinham me mudado para a área de controle de produção. O chefe disse que era o tipo de trabalho que menos ia para a área operacional. Então, tive que engolir isso logo de começo. Fui trabalhando, mostrando para o pessoal, que não tinha muita diferença de mulher para homem no trabalho. Sempre tinha uns mais, assim, relutantes. Hoje, consegui um bom desempenho na empresa e me sinto muito bem. Mas, tiveram alguns inconvenientes por ser mulher. Fui pioneira na Fafen, a primeira mulher, em Laranjeiras. Depois entraram duas engenheiras, aí na Bahia, e até hoje, sou a única engenheira. Na Bahia, só tem uma engenheira, entre 40 engenheiros em cada unidade.
Tinha um colega que vivia implicando. Eu pensava, “por que acontece isso? Será que ele não me acha boa engenheira?” Ele conseguiu um cargo e saiu, para outra unidade da Petrobras. Aí ele fez minha fama, dizendo que eu era a melhor engenheira de...
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Meu nome é Rosana de Nazaré Moreira Ramos. Nasci em Macaé, Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1955.
Fiz o concurso no último ano do curso de Engenharia Química. Cursei o quinto ano de Engenharia junto com um curso de especialização da Petrobras e assim saí empregada. Ingressei em 1979.
Assim que ingressei na empresa, era para ir à fábrica, que estava iniciando em Laranjeiras, onde eu trabalho até hoje. Mas, por atraso no projeto tive que passar um ano aqui em Camaçari, na fábrica de igual porte. Foi um transtorno, porque eu era casada na época, e não esperava, mas foi somente um ano. No meio do percurso, engravidei e enjoava muito, mas graças a Deus consegui ultrapassar esse período e depois voltei para Aracaju, em Sergipe, na fábrica de Laranjeiras. Aí em diante fiquei lá. Só viajo esporadicamente, que é curso ou outra coisa. Mas estou sediada lá, até hoje.
Sou engenheira química. Comecei na área de processamento de uréia, de amônia. O machismo na época era um pouco grande e, quando voltei de uma gravidez, já tinham me mudado para a área de controle de produção. O chefe disse que era o tipo de trabalho que menos ia para a área operacional. Então, tive que engolir isso logo de começo. Fui trabalhando, mostrando para o pessoal, que não tinha muita diferença de mulher para homem no trabalho. Sempre tinha uns mais, assim, relutantes. Hoje, consegui um bom desempenho na empresa e me sinto muito bem. Mas, tiveram alguns inconvenientes por ser mulher. Fui pioneira na Fafen, a primeira mulher, em Laranjeiras. Depois entraram duas engenheiras, aí na Bahia, e até hoje, sou a única engenheira. Na Bahia, só tem uma engenheira, entre 40 engenheiros em cada unidade.
Tinha um colega que vivia implicando. Eu pensava, “por que acontece isso? Será que ele não me acha boa engenheira?” Ele conseguiu um cargo e saiu, para outra unidade da Petrobras. Aí ele fez minha fama, dizendo que eu era a melhor engenheira de controle de produção. Então, eu vi, como existe ainda uma certa dificuldade no tratamento, de reconhecer a mulher quando está ao lado. Eu senti isso, porque ele implicava tanto e, quando saiu, passei a ter mais valor. Nesse tempo, 20 e poucos anos atrás, a mulher teve que fazer, mostrar, ela teve que se superar, teve que ser um pouquinho melhor do que os homens em certas horas. Não faltar nunca, mesmo com filho doente. Sempre fui Caxias, porque, infelizmente, a gente sempre era olhada assim. “Será que ela vai dar conta?” Eu sempre achava que era por aí. Hoje não, está tudo mais normal, graças a Deus. Hoje, as relações de trabalho melhoraram muito, já não existe mais tanto preconceito, a mulher está em tudo, está pegando até as vezes do homem. Então eles estão tendo que aceitar, mas continuo sendo a única engenheira lá na fábrica em Laranjeiras. Agora, na Bahia tem mais uma. Só tem duas engenheiras nas fábricas de fertilizantes lá, porque é meio fechado. A Petrobras também não teve muito concurso nos últimos tempos, aí ficou limitado. Mas eu acho que agora, se entrar, já entra bastante engenheira.
Tinha épocas que eu me aborrecia, porque a fábrica era longe da cidade, eu tinha filho pequeno. Depois, com a maturidade, sinceramente hoje eu me sinto orgulhosa de fazer parte da empresa. Até me emociono de pensar o quanto a gente construiu por esse país. A Petrobras, tenho certeza, foi a maior ‘contribuidora’ do desenvolvimento econômico e social do País. Tenho certeza disso. Um pouquinho,eu fiz parte.
Até para o Estado de Sergipe, que é muito pequenininho, é essa importância que a gente sente. Uma fábrica desse porte dá muito emprego, muda a relação com o meio ambiente e com o pessoal, com o social, perto. A cidade de Laranjeiras é muito beneficiada, com recolhimento de ICMS. Atualmente, tem sido feito muitos programas sociais, preservando até a história. Laranjeiras é uma cidade histórica. Então, se levam grupos folclóricos, a gente vê que está contribuindo. É muito bom, não só financeiramente, porque com o ICMS dá mais desenvolvimento, como, também, de estar ali e de estar proporcionando. Eles vão lá, apresentam trabalhos de artesanatos. Tem muito esse trabalho hoje em dia. Na Petrobras a gente se sente bem e vê que está contribuindo para o social também.
Eu acho altamente válido. Quando me chamaram eu disse: “não tem uma coisinha melhor? Vão saber a minha idade”. Aí a menina disse: “Rosana, você foi escolhida. Nós escolhemos certas pessoas e você, com certeza, tem o que dizer lá”. Eu disse: “Tá bom, eu vou. Vou viajar só para fazer isso”. Me sinto feliz. Acho que tem que ser feito. É muito importante esse trabalho, porque realmente é, como eu digo, a Petrobras é uma empresa que deu grande desenvolvimento a esse País. Não tenho dúvida. E você tem que ter esse memoria. É muito importante.
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